Salão de São Paulo: 300 carros à mostra, todos acima dos R$ 100 mil
Walberto Maciel
Enviado especial da coluna de De bigu com a modernidade

São Paulo (SP) – O 31⁰ Salão Internacional de São Paulo, que será encerrado no próximo domingo, abriga 30 fabricantes, que levaram pouco mais de 300 modelos para expor. São automóveis globais, com propostas distintas. Alguns nem chegarão ao mercado brasileiro. Outros são meramente protótipos ou conceitos. O evento, enfim, é de exibição — não de vendas.

Mas o único carro com valor mais próximo aos R$ 100 mil é o EX2, da Geely — que acaba de chegar ao mercado rasileiro. Mas ele custa R$ 119 mil — o mesmo cobrado pelo Mini Dolphin (que, pouco antes, tinha preço sugerido de R$ 99 mil). O EX2, que veio para ser o rival do pequeno hatch da BYD, tem as mesmas características tecnológicas — e até mais espaço. Ele, como o Dolphin, é 100% elétrico. Oferece 116cv e 15,3kgfm de torque, fazendo de 0 a 100 em 10,2 segundos. A Geely, por sinal, confirmou para 2026 a chegada do EX5 ao Brasil. O carro, que também está no estande da marca, vem em duas versões: a Pro (de entrada) e a Max (topo de linha). Ambas têm 218cv de potência e torque de 32,6kgfm que proporciona uma velocidade de 0 a 100 em 6,2 segundos. A autonomia é de 413km na versão Pro e 349km na Max. A diferença entre as duas são acessórios — como teto solar panorâmico e itens de segurança de auxílio à condução.

A BYD trouxe para a mostra o novo Sealion 7, um SUV cupê 100% elétrico com 530 CV de potência. Ele é bruto! Faz de 0 a 100 em 4,5 segundos e garante uma autonomia de 502km. A chinesa também trouxe para seu estande os carros da família Song e lançou o Atto 8. O modelo é um híbrido plug-in com sete lugares — que, na árvore genealógica da marca, fica acima do Song-plus DM 1 e está estreando no Salão com o preço de 399.990. É o maior híbrido da BYD no Brasil e promete mais de 900km de autonomia com dois motores elétricos e um 1.5 turbo à gasolina. O motor elétrico dianteiro tem 200Kw; o traseiro, 159Kw. O motor a combustão de 165cv dá ao conjunto 488cv de potência combinada.
Leia maisReforço no mercado
A BYD – que já superou a marca de 180 mil veículos eletrificados vendidos no país em pouco mais de três anos – também levou ao evento seu novo SUV híbrido plug-in de sete lugares. O Atto 8 tem sete lugares e 5,04m de comprimento e um entre-eixos de 2,95 m. O porta-malas tem capacidade de 270 a 1.960 litros, dependendo da configuração aplicada. O SUV tem números impressionantes: potência combinada de 488cv, velocidade máxima (limitada) de 200 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos.
Tô nem aí – Muitas grandes marcas não deram as caras, como BMW, Volkswagen, Volvo, Land Rover, Ford, Chevrolet, Mercedes Benz e várias outras.
Francesas

A Peugeot caprichou no seu espaço dentro do salão. Os 550m² foram tomados pelo Inception, um carro conceito que chamou muita atenção do público, mas que a montadora criou apenas para dar uma ideia do que pretende usar nos seus próximos modelos. Ele tem linhas retas e muita tecnologia. Para os clientes de carro “real”, a Peugeot promete que estarão em breve nas ruas o híbrido 3008, um cupê com design totalmente modificado, impulsionado pelo motor 1.6 turbo com 180cv de potência e 48W no motor elétrico. A marca também apresenta a nova versão do e-208 GTI totalmente elétrico com potência de 300 cv, traz 35 kgfm de torque, o que lhe garante a marca de 5,7 segundos de 0 a 100 Km por hora e uma velocidade máxima de 180 Km/h. Ela também levou para a exposição o 208GT T200 e o 2008GT T200 – os dois híbridos que foram disponibilizados para test-drive no Salão.
Boreal
A Renault, por sua vez, está com todos os seus modelos no Salão Internacional do Automóvel. Entre eles, claro, o Boreal — que foi lançado recentemente — e o novo Koleos que já tem sua venda confirmada aqui em 2026. O Boreal (que já foi testado pela coluna Bigu) é um SUV médio que aposta na tecnologia e conforto para recolocar a marca na briga com Corolla Cross, Compass, da Jeep, e Haval 6, da GWM. O motor é o já conhecido 1.5 turboflex. Ele tem três versões: Evolution (179.990), Techno (199.990) e Ionic (214.990).

Já o Koleos é um SUV de porte médio/grande com motor 2.5 a gasolina de 170cv e câmbio CVT. Ele tem tração 4 x 4 em algumas versões, porta-malas de 550 litros com 4,67 metros de comprimento. As versões 2026 têm o motor 1.5 turbo com dois motores elétricos de 245 cv. A marca também trouxe o Renault Kwid, o Duster e o Master e-tech 100% elétrico que fazem parte do seu portfólio.
Estande da Jeep

O Avenger, SUV supercompacto que a marca quer colocar como carro de entrada, é o destaque. Quem foi conhecer o Avenger também deu de cara com a nova família da Cherokee. A motorização do Avenger deve ser leve, com o 1.0 turboflex da Stellantis. Ele é 15 centímetros mais curto que o Renegade e tem previsão de chegar no ano que vem. Já o Cherokee pode retornar ao mercado brasileiro em versões híbridas. A expectativa é que seja com motores elétricos e a gasolina, autocarregáveis, com a estimativa de rodar 18km com um litro de gasolina combinado com os motores elétricos. Não há indícios que a marca aposte em uma versão plug-in.
Mas o que mais chamou a atenção dos jipeiros de plantão foi o Jeep Recon Concept. Um modelo que mostra bem a visão da Jeep para o futuro da aventura eletrificada. Nesta versão, um motor que garante a potência de 650 cv e pelo menos 400km de autonomia. É o único veículo totalmente elétrico que tem o selo da Trail Rated. Suas portas são removíveis e o teto é elétrico com o sistema um-só-toque.
GWM show
A marca chinesa fez sua primeira participação no Salão Internacional do Automóvel. Seu estande cravado bem no meio do espaço de 67 mil m² no Distrito Anhembi usou e abusou em design. Entre os destaques, o novo Haval H6, primeiro modelo produzido no Brasil. Claro que a marca também trouxe seus luxuosos modelos globais. No espaço estão expostos os SUVs de luxo e os modelos off-road. O Tank 300 que já está à venda no Brasil e também foi testado pela Bigu no seu lançamento, ano passado, e o Tank 700 que só está à venda na China e na Europa.

Além dos modelos Wey G9 e Wey 07, a montadora também expôs uma motocicleta, a SOUO S 2000 com um motor boxer de 8 cilindros. A van de luxo Wey G9 e o Tank 700, por enquanto, são só para ver e curtir. A marca não pretende comercializá-los no Brasil, pelo menos por enquanto. O preço da van de luxo na China, nos Estados Unidos e na Europa corresponde a uns R$ 500 mil; o do Tank 700 passa dos R$ 350 mil.
Comparados em termos de preços e características, as diferenças do Tank 300 que já está à venda no Brasil e o Tank 700 são, basicamente, artigos de luxo e tecnologia. Os dois são híbridos. O 300 tem cinco lugares com motor 2.0 à gasolina acompanhado de um motor elétrico, o 700 tem um motor V6 3.0 que pode vir acompanhado de um ou mais motores elétricos. É mais forte e mais robusto e tem sete lugares com muito luxo e conforto. O 300 tem foco no jipe raiz com tração 4 x 4 e reduzida. Já o 700 busca espaço em outra linha de veículos: é um SUV gigante com tração 4×4 e capacidade off-road.
Mais destaques
Entre os outros destaques que os visitantes do Salão encontraram estão o Toyota Yaris Cross 2026, híbrido com motor 1.5 aspirado acompanhado de dois motores elétricos. Juntamente com ele está o GR Yaris, com motor 1.6 turbo e 300cv de potência. O primeiro destaca-se pelo sistema de motorização bastante eficiente e o segundo é um modelo esportivo com versão com câmbio automático de oito marchas e ou manual com seis marchas.

Avatr – Já a Caoa Changan decidiu mostrar os carros da sua linha de luxo, a Avatr. Vieram para o Salão o Avatr 11, um SUV cupê, e o Avatr 12, um sedã cupê. Estes carros destacam-se pelo nível de tecnologia, com centrais de mídia gigantescas, design forte – além, é claro, de muito luxo. O 12, por exemplo, não tem vidro traseiro e os retrovisores laterais podem ser substituídos por câmeras eletrônicas. No Avatr 12 o motorista pode escolher o sistema autônomo de direção e simplesmente relaxar enquanto trafega.

Novo Tiggo 5x – A Caoa Chery apresenta cinco carros no Salão. O novo Tiggo 5x 2027 foi completamente renovado, com muito mais tecnologia embarcada com um design mais moderno e central multimídia de nova geração. Outro produto que se destacou no estande da Caoa Chery foi o Tiggo 9, um SUV grande, que foi anunciado como o futuro carro-chefe da marca. Elé híbrido de 7 lugares com motorização de alto rendimento. Todo o sistema tem o motor a combustão que não é ligado ao eixo e três motores elétricos, que proporcionam uma potência de 500cv com tração integral. Os outros três modelos são os já conhecidos Tiggo 7 e 8 e a picape média Himalaia.
Invasão sul coreana – A Kia aproveitou o Salão do Automóvel para apresentar oito novidades para o público brasileiro. Das oito, seis são inéditas e prometem mexer com o mercado automotivo. Destacam-se o SUV compacto EV3 e a van elétrica comercial PV5. A marca também apresentou os novos modelos dos consagrados Sportage, Sorento e Stonic e garantiu para 2026 a chegada da nova família K4.

Carro que voa – Os frequentadores do Salão puderam curtir uma programação de atividades interativas para todos os gostos e idades. O evento acaba neste domingo. As atrações foram variadas. Para começar, o Govy Air Cab, um veículo voador. O modelo da chinesa GAC já está em fase de pré-venda no Japão, com previsão de entrega no primeiro semestre de 2026. Com ele, os brasileiros não podem nem sonhar, já que não temos sequer legislação para este tipo de transporte.
O carro voador é tipo um drone gigante, 100% elétrico, com dois lugares e autonomia para voar 30km em linha reta, que significa ir de Taguatinga à rodoviária do Plano Piloto ou de Copacabana ao Recreio dos Bandeirantes. Em poucos minutos, já que não há trânsito, semáforos, acidentes e engarrafamentos. O carro voador custaria, hoje, R$ 1,4 milhão. Quanto à segurança, o Govy Air Cab funciona com a tecnologia dos foguetes da Nasa. Se houver alguma pane no sistema, o motor é desligado da cápsula, que procura um local seguro para pouso.

Honda Prelude – Se voar ainda está distante, o brasileiro pode sonhar em andar em um Prelude, da Honda, que a montadora resolveu resgatar de sua história recente e trazer de volta para o futuro. É um carro histórico na Honda. Teve cinco gerações de 1978 a 2001 e, no Brasil, ficou conhecido em sua quarta geração — de 1992 a 1996, quando houve a abertura para a chegada de carros importados no país. Esta nova, de 2026, já estará à venda no no primeiro semestre por R$ 400 mil, valor superior ao do Civic Type R (247,8 mil). Ele chega com um motor 2.0 híbrido de 203 cavalos de potência e 32,1kgfm. Seu torque permite um salto de 0 a 100 em em 9 segundos.
Outro retorno

O Cyberster, da também chinesa MG, começa a ser comercializado em 2026 no Brasil. É um carro que também está retornando ao mercado global. Mas, ao contrário das versões anteriores, a montadora apostou na eletrificação e ele vem com dois motores elétricos que lhe garantem 375Kw de potência e torque máximo de 73kgfm – que garante um 0km/h a 100kg/h em 3,2 segundos. O preço de chegada é de R$ 499.800.

O que não fazer com os pneus da sua moto – Improvisos e soluções caseiras ainda são comuns quando o assunto é manutenção de pneus de motocicletas. De adaptar pneus de carro a usar “macarrão de piscina” para evitar que o pneu murche em caso de furo são apenas alguns exemplos. Muitos desses hábitos podem até parecer inofensivos em um primeiro momento, mas podem colocar em risco a segurança do motociclista e de terceiros, além de reduzir a vida útil dos pneus.
Segundo Roberto Falkenstein, consultor da área de tecnologias inovativas da Pirelli para a América Latina, é fundamental seguir sempre as recomendações do fabricante da moto e do pneu. “Os pneus são o único ponto de contato entre a moto e o solo. Cada detalhe, como medida, estrutura e composto, é projetado para garantir o equilíbrio e o comportamento adequados. Mudar algum parâmetro pode gerar consequências sérias”, explica Roberto. Confira, então, alguns dos erros comuns que devem ser evitados por quem busca pilotar com segurança e preservar o desempenho dos pneus.
1. Usar pneu de carro em motocicleta – Pneus de carro têm estrutura e formato totalmente diferentes dos de moto. Foram feitos para veículos que não inclinam nas curvas e, por isso, não oferecem a mesma aderência lateral. O uso em motocicletas pode causar instabilidade e perda de controle, especialmente em manobras e curvas. A utilização em motos é perigosíssima e afeta toda a ciclística, comprometendo a segurança.
2. Colocar “macarrão de piscina” dentro do pneu – Alguns motociclistas tentam improvisar o uso de espumas ou “macarrão de piscina” dentro do pneu, acreditando que isso pode manter a moto rodando mesmo em caso de furo. Essa prática, porém, é perigosa: o material pode se fragmentar com o calor e o movimento, podendo comprometer o balanceamento e o encaixe correto do pneu na roda.
3. Misturar modelos diferentes na dianteira e traseira – Os pneus dianteiro e traseiro são desenvolvidos para funcionar como um conjunto. Misturar modelos ou compostos diferentes altera o equilíbrio, a resposta em frenagens e a estabilidade em curvas. Mesmo pequenas variações podem afetar o comportamento da moto e a segurança do piloto.
4. Alterar a medida original do pneu – Trocar a largura ou o diâmetro do pneu pode mudar o centro de gravidade, interferir no funcionamento da suspensão, alterar a leitura do velocímetro e comprometer o desempenho. Sem contar que mudanças extremas podem fazer o pneu “pegar” no paralama ou no garfo de suspensão. Cada modelo de moto é testado com medidas específicas, que garantem o equilíbrio ideal entre tração, estabilidade e conforto.
5. Rodar com calibragem incorreta – A pressão errada é um dos principais fatores de desgaste prematuro e perda de performance. Pneus murchos aumentam o consumo de combustível e prejudicam a dirigibilidade; pneus com pressão excessiva reduzem a aderência e o conforto. A calibragem deve seguir sempre o valor indicado no manual do fabricante da moto e ser verificada com frequência.
6. Usar produtos inadequados na limpeza – Solventes e desengraxantes podem danificar o composto de borracha e acelerar o envelhecimento. Para limpar corretamente, recomenda-se apenas água e sabão neutro. O uso de produtos agressivos reduz a durabilidade e pode afetar o desempenho do pneu em situações de aderência crítica. Produtos para dar brilho, conhecidos como “pretinho”, não devem ser aplicados em pneus de motocicletas, especialmente na banda de rodagem. Além de alterar temporariamente as propriedades da borracha, esses produtos podem deixar a superfície escorregadia e comprometer a aderência — o que representa risco real de queda.
Se utilizados, devem ser aplicados somente nas laterais, com muito cuidado para evitar qualquer contato com a parte que toca o solo. “Pequenos cuidados fazem grande diferença. Respeitar as especificações originais e evitar improvisos é o caminho mais seguro para quem quer preservar o desempenho da moto e a própria segurança”, conclui Falkenstein.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
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