O ex-prefeito de Tupanatinga Manoel Tomé oficializou, nesta terça-feira (21), apoio à candidatura de Regina da Saúde (Podemos) para deputada estadual. O anúncio foi feito durante uma reunião realizada em sua residência, com a presença de lideranças políticas do município. Na ocasião, Tomé também declarou apoio à reeleição da deputada federal Iza Arruda (MDB).
Ao agradecer o apoio, Regina afirmou que pretende representar Tupanatinga e a região na Assembleia Legislativa de Pernambuco. “Recebo esse apoio com muita gratidão e responsabilidade. Nosso compromisso é trabalhar para que Tupanatinga e região tenham uma voz atuante na Assembleia Legislativa do estado, defendendo investimentos para o desenvolvimento dessa região tão importante para nosso estado”, disse.
Como se não bastassem as indefinições sobre alianças partidárias, a aproximação de prefeitos, as disputas internas e o impasse em torno da composição para o Senado, a governadora protagonizou mais um movimento que chamou atenção.
Na convenção do Novo, partido que decidiu apoiá-la, quem a representou foi a vice-governadora Priscila Krause. Não se trata de questionar sua representatividade, ela a tem de sobra, até por sua trajetória política ligada ao campo da direita. O problema é a mensagem política transmitida.
Enquanto escala o deputado federal Túlio Gadelha para dialogar com setores da direita, envia Priscila Krause para representar sua candidatura em um evento partidário. A sucessão de aproximações e distanciamentos com diferentes grupos reforça a percepção de que a governadora procura se adaptar às circunstâncias políticas, o que acaba gerando desconforto e desconfiança entre aliados e potenciais apoiadores.
A impressão que fica é a de uma estratégia que prioriza conveniências, sem um compromisso político claramente definido com os grupos que busca atrair. Resta saber até que ponto esse método continuará surtindo efeito. O Novo chegou com pompa e, antes da largada, lá levou um chega pra lá. O mesmo que Raquel deu nos bastidores da convenção do Podemos, que chegou a ir, mas sequer entrou.
Por Betânia Santana – Blog da Folha
A Executiva Nacional do PP reuniu, nesta terça-feira (21), dirigentes dos principais estados do país para resolver os imbróglios na construção de palanques estaduais. Em meio ao impasse da sigla para a vaga no Senado em Pernambuco, o presidente da federação União Progressista, Eduardo da Fonte, participou do encontro, que foi comandado pelo presidente nacional do PP, Ciro Nogueira.
Na ocasião, foi referendado o nome de Eduardo da Fonte para o Senado em Pernambuco, em consonância com a escolha da executiva estadual da federação.
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O partido ainda debateu o posicionamento que deve adotar nas eleições presidenciais. Durante o encontro, Eduardo da Fonte defendeu que o PP se mantenha neutro na disputa.
Também participaram da reunião a senadora por Mato Grosso do Sul Teresa Cristina; o deputado federal Ricardo Barros; o líder do PP na Câmara, deputado Dr. Luizinho; o secretário-geral do Progressistas, Aldo Rosa; e o advogado da legenda Herman Ted Barbosa.
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O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), participou, nesta terça-feira (21), da convenção estadual do Republicanos, no Recife, que homologou a candidatura de Carlos Costa a vice-governador da chapa da Frente Popular e oficializou as chapas proporcionais do partido para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Durante o evento, João defendeu a parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como estratégia para ampliar investimentos no estado.
Em seu discurso, o socialista afirmou que a aliança entre os governos federal e estadual poderá contribuir para a execução de obras e atração de investimentos. “O presidente Lula deixou muito claro que o PSB é o principal aliado do seu projeto no Brasil. Tenho muita confiança de que essa parceria vai além da eleição. Quando vocês virem Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência e João Campos no Governo de Pernambuco, podem ter certeza: Pernambuco vai voar”, declarou.
Também discursaram no evento o senador Humberto Costa (PT), candidato à reeleição, o presidente estadual do Republicanos, Silvio Costa Filho, e Carlos Costa, que teve a candidatura a vice-governador homologada pela legenda. A convenção ainda oficializou 39 candidaturas do Republicanos às eleições proporcionais deste ano.
A ausência da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), nas convenções promovidas pelo Podemos e pelo Partido Novo chamou a atenção nos bastidores da política estadual e alimentou interpretações sobre a estratégia adotada pelo Palácio do Campo das Princesas para as eleições deste ano.
Embora o PSD componha um campo político de centro e mantenha diálogo com diferentes forças, analistas avaliam que a ausência da governadora pode sinalizar uma tentativa de evitar associação direta com candidaturas identificadas com a direita e com o bolsonarismo.
Entre os nomes que participaram das convenções estão o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, filiado ao Podemos e um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em Pernambuco, além de Eduardo Moura, do Partido Novo, também alinhado ao campo conservador.
Leia maisNos bastidores, a avaliação é que Raquel Lyra busca preservar um perfil institucional e moderado, evitando fotografias ou gestos políticos que possam reforçar uma identificação com qualquer dos polos da disputa nacional. A estratégia também dialoga com o posicionamento adotado pelo PSD em diversos estados, onde a legenda procura manter autonomia em relação à polarização entre lulismo e bolsonarismo.
Aliados da governadora afirmam que a prioridade do governo permanece voltada para a agenda administrativa e para a entrega de obras e ações em Pernambuco. Já adversários interpretam a ausência como uma decisão calculada para evitar desgaste junto ao eleitorado mais ao centro e aos setores que rejeitam a polarização política.
Até o momento, o Governo de Pernambuco não apresentou justificativa pública para a ausência da governadora nas convenções do Podemos e do Novo.
Especialistas em ciência política observam que, em períodos pré-eleitorais, a participação — ou a ausência — de lideranças em eventos partidários costuma carregar forte simbolismo. Estar presente pode ser interpretado como sinal de proximidade política, enquanto a ausência pode representar cautela ou uma tentativa de manter canais de diálogo com diferentes segmentos do eleitorado.
Dessa forma, a decisão de Raquel Lyra acaba sendo vista como parte de uma estratégia para preservar sua posição de liderança estadual, sem aprofundar vínculos públicos com candidaturas posicionadas mais à direita do espectro político, especialmente em um cenário marcado pela forte polarização nacional.
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Por Marcilio Cavalcanti
O pernambucano de todos nós, Ranilson Ramos, completa nesta terça-feira (21), 69 anos de uma vida dedicada ao sertão do São Francisco e ao estado de Pernambuco.
De uma atuação marcante na Câmara de Vereadores de Petrolina até a presidência do Tribunal de Contas de Pernambuco, muitos foram os caminhos, as lutas e as conquistas de Ranilson Ramos nas terras dos altos coqueiros.
, Considerado homem público de contribuição social, econômica e política, este filho de Orocó, nascido do amor de Gregório e Luiza Ramos, foi eleito, em 1982, vereador de Petrolina, com uma expressiva votação para um combativo mandato, que, entre outras bandeiras, se dedicou à defesa dos pequenos agricultores do Sertão do São Francisco, compromisso que sempre encarou com ternura nos olhos e coragem no coração.
Leia maisNão demorou muito e a liderança de Ranilson Ramos se expandiu para os quatro cantos do sertão pernambucano, elegeu-se deputado estadual por três mandatos. Em 1989, Ranilson Ramos foi relator do capítulo sobre Tributação na Assembleia Legislativa de Pernambuco para a Constituição deste Estado. Sua relatoria até hoje tem sido reconhecida entre seus pares daquele ciclo político como fundamental na condução econômica de Pernambuco quanto à condução tributária em contextos de encargos sociais e racionalidade econômica nas atividades de pequenas e grandes empresas nos 184 municípios pernambucanos.
Eleito conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco, onde foi presidente no biênio 2022/2023, Ranilson Ramos colocou em prática também os conhecimentos adquiridos como economista e estudioso da política. Com força e determinação pela luta dos interesses dos municípios pernambucanos, Ranilson Ramos marcou também seu mandato à frente da presidência do Tribunal de Contas pelo olhar social e econômico e das vocações de cada uma das unidades pernambucanas. A renovação do Tribunal de Contas, com novas vozes, novas ideias e mentes criativas, como sempre quiseram as lideranças Miguel Arraes e Eduardo Campos, amigos de todas as horas. Felicidades, Ranilson, e muitos anos de vida.
*Administrador de empresas e ex-prefeito de Cabrobó
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A saída do ex-deputado pernambucano Danilo Cabral (PSB) da superintendência da Sudene, em agosto do ano passado, gerou ruído no meio político. Na época, foi apontada interferência do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que queria expandir sua influência no governo Lula (PT), aliado ao então ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Ainda assim, o atual superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, nega que essa interferência cearense ocorra no órgão.
“Quem administra a Sudene hoje é um pernambucano. Eu sou de Bom Conselho. Eu não tenho as minúcias da saída do Danilo. O fato é que o mandato que me foi dado foi para fazer a execução da política de governo, e tenho feito essa execução. As influências, como você diz, na verdade não existem. O que existe são os compromissos que foram traçados, travados e assinados. Quando a gente faz uma liberação de recursos para uma obra como o eixo que vai até o Porto de Pecém, no Ceará, é porque é uma obrigação de fazer. Há um contrato que diz que nós temos que cumprir. Então não tem nenhuma influência, tem a execução contratual, que tem que ser feita”, afirmou o superintendente, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
“Temos feito vários estudos demonstrando a necessidade e a importância de se fazer o eixo de Salgueiro a Suape. Estamos convencidos, apresentamos documentos, estudos e levamos para o Tribunal de Contas da União (TCU), para o Ministério dos Transportes. Esses estudos mostram a importância de ter a estrada também chegando ao Porto de Suape. E o que temos recebido como retorno é que esta é uma obra de importância também para o governo, como uma obra estratégica. Tanto é que vamos assinar contrato para fazer todos os estudos da estrada, que deverão estar concluídos durante esse segundo semestre. A ideia é que, terminando até dezembro, a gente destrave tudo isso, que é o que pede o TCU. A gente tem a leitura de que a estrada deverá ter seu início logo logo”, completou Francisco.
Ele também disse desconhecer um possível lobby contra Pernambuco a favor do Ceará. “Se há um lobby ou não, a gente não pode fazer essa discussão, na minha compreensão. Como eu tenho uma obrigação de fazer e tem que haver, do ponto de vista técnico, um estudo, o que temos que fazer em Pernambuco é a unidade de todos em defesa da estrada. Temos conversado com as forças políticas, com os setores econômicos do Estado, todos são conscientes disso. Tão logo a gente passe o período eleitoral, onde há certa dispersão, precisamos continuar isso”, ressaltou o superintendente. Todavia, indagado se as forças políticas do Ceará – mesmo tão antagônicas – teriam mais força e unidade que as de Pernambuco, ponderou que “é possível”.
A advogada Mariana Carvalho, que atuou na defesa do padre Airton Freire, da Fundação Terra, em Arcoverde, e que ganhou liberdade hoje, após três anos de prisão, disse, há pouco, ao blog, que o religioso voltará ainda esta semana para Arcoverde. Vai ficar recluso por algum tempo, segundo ela, no Sítio Malhada.
Mas não reassume suas funções na Fundação. O regresso à sua terra depende apenas, segundo Mariana, dos trâmites da Justiça, já que ele estava em prisão domiciliar, usando tornozeleira.
Padre Airton foi preso preventivamente em julho de 2023, no âmbito das investigações sobre denúncias de crimes sexuais envolvendo o fundador da Fundação Terra. A primeira acusação foi feita por uma personal stylist, que afirmou ter sido vítima de estupro durante um retiro espiritual em uma propriedade da instituição. Ao longo das investigações, outras denúncias também passaram a ser apuradas. O religioso sempre negou as acusações.
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) está criando um novo fundo de investimentos para pequenas e médias empresas. A informação foi revelada pelo superintendente do órgão, Francisco Ferreira Alexandre, em entrevista ao podcast Direto de Brasília. Segundo ele, a iniciativa está em estudos finais para ser validada junto ao Conselho Deliberativo (ConDel).
“Nós já estamos em estudos finais de um fundo, que eu chamo de Novo Fundo. Eu já estou falando nele, a gente ainda não tem certeza, mas é bom falar que estamos estudando, estamos em busca de atender a pequenas e médias empresas. A gente basicamente atende a empresas que façam, nos fundos, declaração pelo lucro real. E nós estamos buscando uma forma onde a gente possa atender a um segmento de 70% da economia. Isso seria também nesse novo fundo, o qual também estamos pensando um pouco para a infraestrutura para os Estados”, revelou Francisco.
Segundo o superintendente, o impacto do novo fundo poderia alavancar a imagem do órgão, que foi reduzido nas últimas décadas, e trazer de volta a figura dos governadores para a reunião do ConDel. “Se a gente consegue chegar a uma equação para fazer isso aqui, a gente traz para a Sudene novamente o poder dos governadores decidirem. Eu sou do tempo em que a avenida em frente à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) fechava para chegarem os carros, e às vezes helicópteros, trazendo governadores para as reuniões do ConDel. Mesmo sem esse glamour, nós continuamos fazendo bastante. Nós temos R$ 52 bilhões de orçamento para administrar, mais R$ 17 bilhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDN), então estamos falando de R$ 70 bilhões em orçamentos que a gente administra anualmente. Isso é decidido pelos governadores dos estados. Não tem todo o glamour, mas precisamos ter uma reunião para definir para onde vão esses recursos”, concluiu.
A Justiça de Pernambuco revogou a prisão domiciliar do padre Airton Freire, investigado por acusações de estupro, e determinou sua liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares. A decisão foi proferida nesta terça-feira (21) pelo juiz Guilherme Oliveira da Silva Gonçalves, que entendeu haver excesso de prazo na instrução processual.
O religioso estava em prisão domiciliar desde julho de 2023, após ter sido preso preventivamente no âmbito das investigações. A decisão ocorre cerca de quatro meses depois de Airton ser absolvido em uma das ações penais que responde. As informações são do Diario de Pernambuco.
Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que a demora na tramitação do processo não pode ser atribuída à defesa. Na decisão, destacou ainda que o padre permaneceu submetido à medida cautelar por aproximadamente dois anos e 11 meses sem descumprir nenhuma das condições impostas pela Justiça.
Leia maisPara o juiz, embora a fase de instrução ainda não tenha sido encerrada, a manutenção da prisão preventiva deixou de ser proporcional ao estágio atual do processo e poderia ser substituída por medidas cautelares menos gravosas.
Entre os motivos apontados estão a complexidade da ação, a ausência de testemunhas da acusação em algumas audiências e a necessidade de repetir um depoimento. Segundo o magistrado, esses fatores provocaram adiamentos que não podem ser imputados aos réus.
Com a decisão, Airton deixa a prisão domiciliar, mas continuará sujeito a restrições determinadas pela Justiça. Entre elas estão a proibição de manter contato com a denunciante, exercer atividades religiosas e fazer publicações sobre o processo nas redes sociais.
O sacerdote também permanece com as funções eclesiásticas suspensas e privado do uso de ordem pela Diocese de Pesqueira.
A advogada Mariana Carvalho, que integra a defesa do religioso, afirmou que a manutenção da prisão já não se justificava. “Depois da primeira absolvição em março, começava a ficar claro que a manutenção da prisão domiciliar era uma medida extrema.”
A defesa também afirmou que seguirá buscando a absolvição do padre nas ações ainda em andamento. “Seguimos confiantes de que a análise técnica das provas continuará demonstrando a inocência do padre Airton. A decisão de hoje restabelece a proporcionalidade das medidas cautelares, sem qualquer prejuízo ao prosseguimento do processo”, disse Mariana Carvalho, que atuou na defesa ao lado de Eduardo Trindade e Marcelo Leal.
O padre Airton Freire foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sob a acusação de participar do estupro de Silvia Tavares de Souza, em agosto de 2022, na Fazenda Malhada, em Buíque, no Agreste.
Segundo a denúncia, o motorista e segurança Jailson Leonardo da Silva teria cometido a violência sexual a mando do religioso, durante um período em que a mulher participava de um acompanhamento espiritual.
De acordo com a acusação, Silvia foi levada até um imóvel conhecido como “Casinha”, onde ocorriam atendimentos espirituais. O MPPE sustenta que, no local, o padre teria pedido que a mulher lhe fizesse uma massagem e, em seguida, ordenado que o motorista a estuprasse.
Durante a investigação, o Ministério Público apontou elementos como um áudio atribuído ao padre convidando a vítima para o encontro, registros fotográficos da presença de Jailson na fazenda no horário indicado pela denunciante, indícios de exclusão de dados de localização do celular do sacerdote e um laudo que identificou vestígios de sêmen em um colchão do imóvel.
Ao analisar o pedido de recebimento da denúncia, o juiz Felipe Marinho dos Santos observou que o conjunto probatório apresentava elementos favoráveis e contrários à acusação, classificando o acervo como de “caráter quase paradoxal”.
Em março deste ano, Airton Freire e o motorista Jailson Leonardo da Silva foram absolvidos em uma das ações penais relacionadas ao caso.
Na sentença, o juiz Felipe Marinho dos Santos concluiu que as provas periciais produzidas durante a investigação contrariavam pontos centrais da versão apresentada pela denunciante, afastando a possibilidade de condenação naquele processo.
No entanto, a absolvição não encerrou todos os processos envolvendo o religioso, que continua respondendo a outras ações judiciais decorrentes das denúncias.
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BRASIL 247
Um funcionário e uma ex-funcionária da fiscalização do transporte intermunicipal de Pernambuco afirmam que foram impedidos de fiscalizar os ônibus da Viação Logo Caruaruense, empresa pertencente à família da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). Os depoimentos reforçam as suspeitas de tratamento privilegiado à transportadora, que atualmente é investigada pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, por supostas irregularidades na prestação do serviço.
As declarações surgem após a abertura de investigação pela Senacon, noticiada anteriormente pelo Brasil 247, com base em informações publicadas pelo Metrópoles, que revelou que a empresa da família Lyra operava, segundo relatórios técnicos, com uma frota de aproximadamente 50 ônibus sem as vistorias obrigatórias em dia e sem documentação considerada essencial para a prestação do serviço de transporte intermunicipal.
Leia maisSegundo um dos depoimentos, a orientação para não fiscalizar a empresa teria sido estabelecida logo no início da atual gestão estadual. “Desde que a governadora Raquel Lyra assumiu o governo do estado, a ordem foi bem clara: não fiscalizar a rota da Logo Caruaruense. Essa determinação, ela foi exposta desde o início do governo da governadora Raquel Lyra”, afirmou.
Relatos apontam suposta blindagem da empresa
O funcionário explicou que os procedimentos de fiscalização exigiam a realização de vistorias para verificar se os veículos apresentavam condições de segurança para transportar passageiros. Segundo ele, esse protocolo não era aplicado à empresa da família da governadora.
“Tem que ser feita uma vistoria no veículo para que esse veículo esteja apto a rodar nas ruas para passar segurança para a população. Era o que de fato não acontecia com a Lotaroense”, declarou.
Ele acrescentou que a situação já era conhecida internamente por meio de documentos produzidos pelos próprios órgãos responsáveis pela fiscalização. “Inclusive era uma situação que era evidenciada por relatórios existentes, que mostravam tanto débitos na parte cadastral da Lotaroense como na parte operacional.”
Condições da frota e tratamento diferenciado
Ainda de acordo com o depoimento, havia conhecimento sobre o estado de conservação dos veículos, mas os fiscais deixariam de atuar por receio de consequências administrativas.
“A gente sabia das condições dos veículos, que estavam em péssimas condições, mas por medo de retaliação por parte da governadora, a gente não fiscalizava.”
O servidor afirmou ainda que a postura adotada em relação à Logo Caruaruense contrastava com o tratamento dispensado às demais empresas do setor.
“Com relação às outras empresas, a fiscalização era feita de forma correta. Todas as empresas pagavam suas taxas, eram fiscalizadas nas estradas. Havia um privilégio.”
Depoimento cita familiares da governadora
No relato, o funcionário também menciona a existência de vínculos familiares entre integrantes da administração estadual e pessoas ligadas à empresa de transportes.
Segundo ele, “o secretário da pasta de transporte na época, André Teixeira, primo da governadora Raquel Lyra. A mãe dele, inclusive, trabalhou muitos anos na Lotaroense como gerente da empresa”. O depoente também cita a procuradora-geral do Estado: “Bianca Teixeira, também prima da governadora”, além de mencionar que “os pais e a irmã” da governadora seriam os proprietários da empresa.
Ao final do depoimento, o funcionário critica a forma como se deu o encerramento das atividades da transportadora. “E a empresa fecha sem ter tomado nenhuma responsabilidade para si, né? Não pagou os débitos que deveriam ter sido pagos e continua da mesma forma, como se a governadora fosse blindada. É como se ela estivesse acima da lei e acima do bem e do mal”.
Investigação da Senacon continua
As declarações se somam às informações que motivaram a investigação da Secretaria Nacional do Consumidor. Conforme revelou o Brasil 247, com base em reportagem do Metrópoles, relatórios da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI) indicaram que a Viação Logo Caruaruense operava havia cerca de três anos com todas as vistorias obrigatórias vencidas, muitas delas expiradas desde 2022, além de atuar sem o Certificado de Registro Cadastral exigido para a prestação do serviço.
Os levantamentos também apontaram que a empresa raramente era alvo de autuações ou abordagens em blitze rodoviárias, apesar das supostas irregularidades, enquanto imagens obtidas durante a fiscalização mostravam veículos em condições consideradas precárias.
Empresa anunciou encerramento das atividades
Após a repercussão do caso, que provocou forte desgaste político e levou à apresentação de um pedido de impeachment contra Raquel Lyra na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a governadora anunciou o encerramento das atividades da empresa da família. Na ocasião, declarou: “A Caruaruense vai encerrar as operações e entregar as linhas à EPTI”.
Apesar da interrupção das atividades da transportadora, a investigação da Senacon permanece em andamento. O objetivo é apurar a extensão das possíveis irregularidades, os danos eventualmente causados aos consumidores e as responsabilidades decorrentes da operação da empresa durante o período em que prestou o serviço de transporte intermunicipal.
Outro lado
O Brasil 247 entrou em contato com o governo de Pernambuco para ouvi-lo sobre as denúncias apresentadas, mas não recebeu um posicionamento até o fechamento da reportagem. O espaço seguirá aberto para manifestação.
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O superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Francisco Ferreira Alexandre, afirma que a conclusão da etapa da ferrovia Transnordestina em Pernambuco está estimada em R$ 5 bilhões. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o dirigente revelou que o cenário é diferente da década passada e os recursos iniciais sairão dos cofres públicos – ou seja, do Orçamento Geral da União (OGU).
“Eu não tenho os valores dos demais trechos, mas a gente tem uma dimensão do trecho que falta para Pernambuco, que seria entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. Achamos que ele dá para trabalhar com essa variável. Nesse momento, são recursos do OGU. Agora, nós trabalhamos com a ideia de que, na medida em que você começa a construir a estrada e que ela ande, a gente também faria parcerias para trazer dinheiro privado. O processo agora é diferente, porque o governo recebeu a estrada de volta. Então o conceito de o governo fazer a estrada a partir do OGU e ter a perspectiva de a partir de determinado número de quilômetros construídos, em que se tem a perspectiva de finalização, fazer a concessão”, revelou Francisco.
Leia maisSegundo o superintendente, o foco agora é destravar as questões com o Tribunal de Contas da União (TCU). “Estamos trabalhando com as questões técnicas apresentadas, o governo trabalha com isso. Todos nós da Sudene temos a missão de fornecer os dados, as informações que sejam necessárias e temos feito isso, porque há uma decisão de fazer a estrada. O entrave é técnico, então apresentando os dados que eles pedem, a natureza é destravar. Porque a leitura é que o TCU não pode dizer se quem faz a administração do Estado faz ou não uma obra. Ele tem que analisar a parte técnica. Quem decide se faz é quem está na gestão executiva, e, nesse sentido, nós temos trabalhado e temos tido ajuda de todo mundo, em especial do ministro José Múcio Monteiro, a quem agradeço publicamente”, completou.
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