Em um ato marcado por memória, compromisso democrático e responsabilidade histórica, realizado hoje, no âmbito da Comissão da Memória e Verdade da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o reitor protagonizou um dos momentos mais simbólicos da agenda institucional recente. O evento, que relembra os impactos da ditadura militar no Brasil e nas universidades, reforçou o papel da educação pública como pilar da democracia e espaço de resistência.
Durante seu pronunciamento, o reitor foi enfático ao afirmar sua decisão de permanecer à frente da universidade, mesmo diante de especulações sobre uma possível candidatura. “Minha trincheira é a universidade pública. E não é uma escolha qualquer. É uma escolha política, ética e civilizatória”, declarou. Em outro trecho marcante, reforçou: “Seguir à frente da Universidade Federal de Pernambuco é a maior honraria da minha vida profissional. Não há missão mais nobre do que servir à educação pública”.
Leia maisAo contextualizar sua decisão, o gestor destacou o cenário desafiador vivido pelo país, com ameaças recorrentes à ciência, à educação e às instituições democráticas. “Diante de um cenário em que ainda se levantam vozes que flertam com o autoritarismo e tentam deslegitimar o conhecimento, estar na universidade é estar na linha de frente da defesa da democracia”, afirmou.
O professor Alfredo também reconheceu que seu nome foi lembrado em diferentes setores da sociedade pernambucana como uma alternativa para o debate político estadual. Ressaltou, inclusive, que uma eventual candidatura teria relevância ao colocar a educação no centro das discussões públicas. No entanto, ponderou que sua contribuição mais urgente e necessária, neste momento histórico, está na condução da UFPE e no fortalecimento da educação pública.
“Seguirei dedicado, com ainda mais energia e senso de urgência, à consolidação de projetos que são verdadeiras pontes para o futuro de Pernambuco”, disse, ao destacar iniciativas como a interiorização da universidade, o fortalecimento da pesquisa científica e a ampliação do acesso ao ensino superior de qualidade.
O pronunciamento foi encerrado com um chamado à defesa permanente da democracia e da educação: “Defender a universidade pública é defender a democracia. E defender a democracia é garantir que nunca mais o Brasil volte a viver períodos de exceção, de silêncio imposto e de perseguição ao pensamento”.
A decisão reafirma o papel da UFPE como instituição estratégica para o desenvolvimento do estado e do país, consolidando a universidade como espaço de resistência, produção de conhecimento e construção de futuro.
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Soube, há pouco, que o deputado federal Mendonça Filho, hoje filiado ao União Brasil, está ingressando no PL, inclusive já foi recebido até pelo pré-candidato do partido ao Planalto, Flávio Bolsonaro. Mais um raquelzista no palanque bolsonarista.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Quem acompanha aqui o Correio Político não deve ter ficado tão surpreso. Na coluna do dia 26 de março, tínhamos anunciado que a escolha no PSD para a disputa presidencial tinha recaído pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Àquela altura, a intenção do presidente do partido, Gilberto Kassab, era fazer o anúncio no sábado (28).
Depois, concluiu que haveria maior repercussão se o anúncio fosse deixado para segunda-feira (30), como aconteceu. E as razões da escolha de Caiado vão mesmo na linha do que antecipamos: Caiado entra para jogar no campo do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), uma disputa à direita arquitetada para tirar votos de Flávio e empurrar a eleição para o segundo turno.
Leia maisA primeira leitura no PSD, que as próximas pesquisas terão de comprovar, é que o anúncio da candidatura de Ronaldo Caiado pode estancar a subida que Flávio Bolsonaro vem experimentando nas últimas semanas. Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado na segunda é mais um a mostrar o filho de Bolsonaro à frente de Lula em um eventual segundo turno. Lula lidera no primeiro turno, mas sua vantagem vai diminuindo.
E aí estaria o principal propósito da candidatura Caiado para o PSD. Na Paraná Pesquisas, Caiado é o terceiro atrás de Lula e Flávio, mas com uma diferença abissal de 37,7 pontos percentuais com relação a Lula e 34,2 pontos de Flávio. Caiado tem apenas 3,6% das intenções de voto. Faltam mais de seis meses para as eleições e muita água pode rolar debaixo da ponte. Mas não parece provável que Caiado possa reverter o jogo e estar no segundo turno. O que ele provavelmente conseguirá é evitar que tudo se defina no primeiro turno.
Quem perde mais com a entrada de Caiado no páreo é algo paradoxal. Se Caiado joga pelo campo da direita, se o foco for no primeiro turno, é Flávio Bolsonaro quem perde. Mas também pelo fato de Caiado jogar pelo campo da direita, a hipótese de que, sendo definidor do primeiro turno, ele venha a apoiar Lula no segundo parece algo mais remoto.
Tudo, então, deve passar pelo quanto de fato o candidato Ronaldo Caiado empolgará o próprio PSD. Começando pelos próprios adversários internos de Caiado. O governador do Paraná, Ratinho Jr. parece disposto a se engajar. Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tende a ficar neutro.
A partir daí, o projeto divide o PSD nos estados. Nomes como o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, candidato a governador pelo PSD, e o senador Otto Alencar, a senador na Bahia, apoiam a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pernambuco, com Raquel Lyra, pode ser palanque duplo de Lula.
Ontem, o PT, depois da uma reação inicial, fechou apoio à chapa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), para o governo de Pernambuco. A governadora Raquel Lyra estaria negociando a entrada no PSD do deputado Túlio Gadelha (Rede) para disputar uma vaga ao Senado na sua chapa.
Caiado ainda não tem definido quem será seu candidato a vice. Há conversas com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que, em princípio é também candidato à Presidência. O problema, no caso, é que boa parte do comando do PSD em Minas Gerais pertence ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, aliado de Lula.
Problema que se agrava se o senador Rodrigo Pacheco aceitar sair a governador por Minas Gerais. Será preciso, então, ver onde, além do Paraná e de Goiás, as bases estaduais do PSD se engajarão. Passou a haver uma possibilidade em Santa Catarina, com a chapa em torno do prefeito de Chapecó, João Rodrigues.
Pelo lado do PL de Flávio, porém, há uma leitura de que Caiado o ajudaria na tarefa de tentar se apresentar como um Bolsonaro mais moderado. Caiado iria para o ataque, preservando Flávio. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, inclusive, tem aconselhado Flávio Bolsonaro a não atacar Lula diretamente.
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Em uma reunião realizada hoje, a prefeita de Casinhas, Juliana de Chaparral, fez um dos anúncios mais simbólicos de sua gestão: o pagamento do rateio de 100% para todos os professores da rede municipal, que estará disponível já a partir desta quarta-feira, dia 1º de abril. A despedida oficial do cargo acontecerá amanhã, às 16h, quando Juliana renuncia à Prefeitura para disputar um novo desafio como pré-candidata a deputada federal.
Durante a fala, Juliana relembrou o início difícil da gestão e fez questão de agradecer, de forma direta e sincera, a cada professor que permaneceu firme mesmo nos momentos mais desafiadores. “Nem sempre foi fácil. No começo, muitos ainda não caminhavam ao nosso lado, mas eu nunca deixei de acreditar. Eu sabia que nada venceria a força do trabalho. E vocês estavam lá, todos os dias, dando o melhor, mesmo diante das dificuldades”, destacou, emocionada.
Leia maisA prefeita também celebrou a grande conquista da educação de Casinhas: o Selo Ouro de Alfabetização, reconhecimento que coloca o município em destaque em Pernambuco, no Brasil e no mundo. “Hoje Casinhas é selo ouro. E isso não é um número, não é um prêmio. Isso é o resultado de um trabalho coletivo, de professores comprometidos, de uma educação que passou a ser prioridade de verdade”, afirmou.
Juliana relembrou os avanços que transformaram completamente a realidade das escolas do município. Entre eles, a reforma de todas as unidades escolares, a construção simultânea de 7 novas escolas, climatização das salas, merenda de qualidade, água mineral nas escolas, entrega de fardamento completo, kits escolares, formação continuada para professores e uma nova frota escolar com 28 ônibus e três vans.
“Cada escola reformada, cada criança bem alimentada, cada professor valorizado foi um recado claro: nossos alunos merecem o melhor. E vocês fizeram isso acontecer”, disse.
E não foi só na educação que a transformação aconteceu. Juliana também virou a chave de uma das áreas mais sensíveis da gestão: a previdência. Foram conquistas que colocaram o município no mapa nacional: o Selo Gestor Nacional ANEPREM na categoria Ouro por dois anos seguidos (2024 e 2025), além do reconhecimento no Prêmio Nacional de Boas Práticas de Gestão Previdenciária.
E os números comprovam essa virada histórica: o patrimônio do FUNPRECA praticamente dobrou, saltando de cerca de R$ 18 milhões para mais de R$ 38 milhões. Um crescimento que representa segurança, estabilidade e futuro garantido para os servidores.
Hoje, Casinhas não apenas cumpre suas obrigações, mas se destaca entre os melhores regimes próprios de previdência do estado, com certificações, credibilidade e reconhecimento nacional. Juliana encerra sua gestão deixando um legado claro: uma previdência forte, organizada e preparada para cuidar de quem dedicou a vida ao serviço público.
O anúncio do rateio de 100% veio como um gesto final de reconhecimento a toda essa caminhada. “Como meu último ato como prefeita, tenho a alegria de dizer a vocês: a partir de amanhã, dia 1º de abril, o rateio estará na conta. É uma forma de agradecer por tudo que vocês fizeram por Casinhas”, declarou, sendo aplaudida de pé.
Ao encerrar, Juliana reforçou que, apesar da saída da Prefeitura, o compromisso com o povo continua ainda mais forte. “Estou mudando de função, mas não estou mudando de lado. Levo comigo cada professor, cada aluno, cada história. O voo agora é mais alto, mas minhas raízes continuam aqui”, finalizou.
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Estadão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, há pouco, que seu vice Geraldo Alckmin (PSB) estará em sua chapa para concorrer à reeleição na disputa presidencial deste ano.
O anúncio foi feito por Lula em reunião no Palácio do Planalto. A reunião serve de balanço da gestão petista e despedida dos ministros que precisam deixar seus cargos para disputar cargos eletivos na campanha de 2026.
Leia maisO vice-presidente Geraldo Alckmin acumula a função com a de ministro da Indústria e Comércio. Havia pressões políticas para Alckmin abrir a vaga de vice na chapa de Lula para disputar o Senado em São Paulo.
Hoje, Lula encerrou o assunto a anunciar que Alckmin estava saindo do ministério para disputar a presidência ao seu lado, de novo como vice. “Companheiro Alckmin que vai ter que deixar o Mdic. Ele vai ter que deixar porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez. E ele vai deixar o Mdic”, afirmou.
Além disso, o presidente comentou a situação de outros ministros. Disse que José Múcio, da Defesa, fica até o fim do governo porque ele foi chamado para ficar um ano e completará todo o mandato. Além de Simone Tebet, do Planejamento, que deixará a Pasta para disputar o Senado por São Paulo.
“Eu acho que cada um de vocês tem um desejo, tem uma vocação, tem uma aspiração e que Deus abençoe que vocês cumpram essa vocação de vocês. Naquilo que eu puder ajudar, eu vou ajudar”, completou.
Quem for disputar as eleições em outubro, precisa deixar cargos no Executivo até o sábado, 4. No encontro, o presidente também apresentou os sucessores em pastas cujo futuro já está definido.
O presidente afirmou na reunião ministerial desta terça-feira que os novos ministros terão o dever de concluir o trabalho do governo, sem a criação de novos programas. A ordem de Lula foi que os ministérios não devem começar “tudo outra vez”.
“Nós temos uma máquina funcionando há 3 anos e 4 meses. Ela está funcionando. Eu não quero que nenhum ministério comece tudo outra vez, inventar um novo programa de governo. Não tem novo programa de governo. A máquina está aí andando e ela tem que continuar andando”, afirmou Lula.
O presidente também destacou que escolheu para grande parte das vagas deixadas nas pastas os secretários-executivos – os ‘número 2’ de cada ministério – para haver uma continuidade das iniciativas do mandato. A obrigação deles, segundo Lula, é concluir os projetos.
Lula também anunciou a nomeação de Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil, como a nova ministra da pasta. Em tom de brincadeira, o presidente disse que os auxiliares vão conhecer “a força da mulher”.
“Agora vocês vão saber a força da mulher. Porque não é mais o Rui Costa que vai chamar vocês, é a Miriam Belchior que vai encarar vocês. Esse rosto angelical dela é só hoje. A partir de amanhã vocês vão ver como é que as coisas vão acontecer aqui”, disse o presidente.
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Metrópoles
O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara forte ofensiva digital, prevista para ter início em abril, com foco no senador Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia surge em um momento de alerta para o Palácio do Planalto, após diferentes pesquisas de intenção de voto indicarem cenário de empate técnico entre o parlamentar e o presidente Lula na eleição deste ano.
A cúpula petista escalou equipes para realizar um “pente-fino” em temas que possam desgastar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é aumentar a rejeição de Flávio junto ao eleitorado de centro. Entre os temas que serão explorados, estão investigações sobre “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e suposta influência de Flávio Bolsonaro na gestão de hospitais federais no estado.
Leia maisO PT resgatará vídeos, depoimentos e documentos que apontam irregularidades em contratos e nomeações de cargos nessas unidades de saúde. O partido de Lula iniciou a edição de vídeos curtos feitos especificamente para abastecer as redes sociais. O PT apontará suposto enriquecimento incompatível e ligações do senador com autoridades da política fluminense.
Nos bastidores, o PT avalia que Flávio Bolsonaro conseguiu, nos últimos meses, suavizar sua imagem e consolidar o apoio da direita. A ofensiva de abril é vista pela legenda como um movimento para frear o crescimento do adversário.
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 14 de abril o interrogatório do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) no processo em que ele é investigado. Ele será ouvido por videoconferência.
Eduardo é alvo de uma ação penal no Supremo acusado de tentar interferir e influenciar, fora do país, no julgamento do processo da trama golpista que condenou o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são do portal G1.
Leia maisEle é acusado de coação no curso do processo: crime que ocorre quando alguém emprega violência ou grave ameaça para favorecer interesse próprio ou de terceiros, direcionada contra autoridade, parte ou qualquer pessoa envolvida em processo judicial. A pena é de um a quatro anos de prisão.
Eduardo mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, e não retornou ao Brasil desde então. Como está fora do país, ele teve o mandato na Câmara dos Deputados cassado por faltas, e responde a processo administrativo na Polícia Federal (PF).
A data foi definida após o parlamentar ser formalmente citado via Diário Oficial da União (DOU), já que o endereço dele nos Estados Unidos é desconhecido, e não apresentar defesa dentro do prazo estabelecido.
De acordo com o rito legal, a citação dá início à contagem do prazo para manifestação da defesa, mas não houve resposta por parte do deputado. Com o fim do período, Moraes marcou a data do interrogatório. Nessa etapa, o investigado pode apresentar sua versão dos fatos e responder aos questionamentos no âmbito do processo.
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Por Diana Câmara
Se a filiação partidária marca o início formal do projeto eleitoral, a desincompatibilização representa, na prática, o momento em que a pré-candidatura deixa de ser uma intenção e passa a exigir escolhas concretas. Algumas vezes irreversíveis.
No calendário das eleições de 2026, o prazo de desincompatibilização, em regra, também se estabelece a seis meses do pleito. Trata-se de exigência legal imposta a determinadas categorias de agentes públicos e profissionais que, caso permaneçam em seus cargos, funções ou atividades, poderiam comprometer a igualdade de oportunidades entre os candidatos.
Leia maisA lógica é clara: evitar que o exercício de determinadas posições institucionais gere vantagem indevida na disputa eleitoral.
A desincompatibilização, portanto, não é uma penalidade, mas uma garantia do próprio processo democrático.
Sob o ponto de vista jurídico, o instituto encontra fundamento, sobretudo, na Lei Complementar nº 64/1990, que estabelece as hipóteses de inelegibilidade e fixa os prazos de afastamento conforme a natureza do cargo ocupado e o cargo pretendido. E aqui reside um dos principais pontos de atenção: não há uma regra única aplicável a todos os casos.
Os prazos variam. Em muitos casos, exige-se o afastamento definitivo; em outros, apenas o licenciamento temporário já é suficiente. Há situações em que o prazo é de seis meses, ou seja, próximo dia 4 de abril, mas também existem hipóteses de quatro, três ou até um mês antes do pleito. A análise, portanto, deve ser sempre individualizada.
É justamente nessa diversidade de cenários que surgem os maiores riscos. Um erro comum é tratar a desincompatibilização como um ato meramente formal, a ser resolvido próximo ao prazo final. Na prática, trata-se de uma decisão que exige planejamento jurídico prévio. Isso porque o afastamento pode implicar perda de remuneração, alteração de vínculo profissional e, em alguns casos, até mesmo renúncia definitiva a cargos ou funções.
Além disso, a forma como se dá a desincompatibilização também importa. O afastamento precisa ser efetivo, comprovável e realizado dentro dos parâmetros legais. Permanecer, ainda que de forma indireta, no exercício das funções pode gerar questionamentos futuros e comprometer o registro da candidatura.
Outro aspecto relevante é que a desincompatibilização não se limita aos agentes públicos em sentido estrito. Como, por exemplo, dirigentes de entidades, ocupantes de cargos em empresas que mantêm relação com o poder público, profissionais que exercem funções com potencial de influência institucional. Por isso, todos devem avaliar, com cautela, a necessidade de afastamento.
Para advogados e assessores, este é um momento essencial de atuação estratégica. É preciso mapear a situação funcional do pré-candidato, identificar o prazo correto aplicável e orientar sobre a forma adequada de afastamento, produzindo desde logo a documentação necessária para eventual comprovação perante a Justiça Eleitoral.
No Direito Eleitoral, a segurança jurídica da candidatura começa muito antes do pedido de registro.
Para o pré-candidato, a desincompatibilização é, muitas vezes, a primeira decisão que exige renúncia pessoal em nome de um projeto político. E, exatamente por isso, deve ser tomada com consciência, planejamento e respaldo jurídico adequado.
E para o eleitor, ainda que esse movimento não seja visível, ele é essencial para garantir que a disputa se dê em condições equilibradas, preservando a legitimidade e a lisura do processo eleitoral.
Se a filiação partidária define quem pode entrar no jogo, é a desincompatibilização que assegura que todos disputem em igualdade de condições.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza, hoje, a primeira reunião ministerial de 2026, em um clima de despedida de ministros que devem deixar os cargos por conta das eleições e de boas-vindas aos novos integrantes do governo.
O encontro ocorre em meio à reorganização da equipe, com impacto na articulação política e na definição de substitutos para pastas estratégicas. A reunião, no Palácio do Planalto, reúne tanto os atuais ministros quanto os que devem assumir os cargos com a saída dos que vão concorrer ou ajudar em campanhas.
Leia maisA expectativa para a reunião é de agradecimentos aos ministros que deixam os cargos, apresentação de balanços das ações nas pastas e definição de metas, além de boas-vindas aos novos integrantes do governo.
Pela legislação eleitoral, ocupantes de cargos no Executivo precisam se desincompatibilizar até 4 de abril para disputar o pleito. Ou seja, precisam ser exonerados e sair do governo.
Lula já afirmou que pretende minimizar ao máximo os impactos das trocas na Esplanada. Por isso, em muitos ministérios, a tendência é que os secretários-executivos assumam os cargos, com a missão de garantir a continuidade das políticas e ações já em andamento em cada área.
Um exemplo é o Ministério da Fazenda, com a saída de Fernando Haddad, que deve disputar o governo de São Paulo. Já foi anunciado Dario Durigan como novo ministro da pasta. Ele ocupava o cargo de secretário-executivo desde o início do governo.
Durigan, inclusive, já participou de evento público ao lado do presidente, que o apresentou oficialmente como novo titular da Fazenda. Mas essa não é a regra. Alguns ministérios podem ser chefiados por outros nomes que já são ligados ao governo, mas não são secretários. O nome de Olavo Noleto, chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado, Conselhão, vem sendo citado por interlocutores de Lula. Veja quem deve sair do governo Lula:
Fernando Haddad (PT), da Fazenda: deve disputar o governo de São Paulo;
Renan Filho (MDB), dos Transportes: deve disputar o governo de Alagoas;
Rui Costa (PT), da Casa Civil: deve disputar o Senado pela Bahia;
Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais: deve disputar o Senado pelo Paraná;
Simone Tebet (PSB), do Planejamento: deve disputar o Senado por São Paulo;
Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente: deve disputar o Senado por São Paulo;
André Fufuca (PP), do Esporte: deve disputar o Senado pelo Maranhão;
Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura: deve disputar o Senado por Mato Grosso;
Waldez Góes (PDT), da Integração Nacional: deve disputar o Senado por Amapá;
Sílvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos: deve disputar a Câmara por Pernambuco;
Paulo Teixeira (PT), do Desenvolvimento Agrário: deve disputar a Câmara por São Paulo;
Anielle Franco (PT), da Igualdade Racial: deve disputar a Câmara pelo Rio de Janeiro;
Sônia Guajajara (PSol), dos Povos Indígenas: deve disputar a Câmara por São Paulo;
Macaé Evaristo (PT), dos Direitos Humanos: deve disputar a Câmara legislativa de Minas Gerais
Geraldo Alckmin (PSB), da Indústria e Comércio Exterior e vice-presidente: deve ser vice de Lula em um possível Lula 4 e por isso deve ajudar na campanha;
Camilo Santana (PT), da Educação: deve ajudar na campanha de 2026;
Márcio França (PSB), do Empreendedorismo: deve sair do governo, mas ainda está indefinido se ajudará na Campanha eleitoral ou se disputa o Senado por São Paulo;
Wolney Queiroz (PDT), da Previdência: deve sair do governo, mas ainda está indefinido se ajudará na Campanha eleitoral ou concorre a câmara federal por Pernambuco;
Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia: ainda está indefinido se concorre ao Senado por Minas Gerais ou continua no governo para contornar a crise dos combustíveis
Luciana Santos (PCdoB), da Ciência e Tecnologia: ainda indefinido se deve sair do governo ou concorrer a algum cargo em Pernambuco;
Sidônio Palmeira, da Comunicação Social: deve ser exonerado não agora, mas no meio do ano para ser o marqueteiro de Lula na Campanha.
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A segunda fase do Parque da Tamarineira, concluída e entregue na última semana, pelo prefeito da cidade do Recife, João Campos (PSB), está excelente para prática de esportes. O serviço, que deu continuidade nas obras de execução e complementação da infraestrutura urbanística e paisagística do parque, teve um prazo de cinco meses e investimento de R$ 16,4 milhões.
A segunda fase do equipamento possui uma área de 40,1 mil m², quase o dobro do espaço que já vem sendo usado pelos moradores da cidade. A área conhecida como Matinha tem a maior concentração de usos e atividades do Parque, como o acesso ao playground, pista de cooper naturalizada, paisagismo e passeios.
Um dos grandes elementos estruturadores da segunda etapa foi um passeio para pedestres e ciclistas, grande eixo que conecta as avenidas Rosa e Silva e Norte, permitindo a travessia por dentro do equipamento. Desde a inauguração da primeira etapa, no segundo semestre de 2024, o Parque da Tamarineira se tornou um dos principais equipamentos públicos da cidade, oferecendo à população espaços para crianças e adultos, como playgrounds, quadra poliesportiva, redário, pista de cooper, fonte interativa e extensas áreas verdes.
João Paulo quer ser o prefeito de Raquel
Uma credenciada fonte me revelou, ontem, um bastidor que, por si só, desvenda toda a movimentação do deputado petista João Paulo para abrir o palanque dois de Lula em Pernambuco à governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição: haveria um acordo prévio para, no caso de a gestora ganhar a eleição, ele virar o candidato à Prefeitura do Recife nas eleições municipais de 2028, com o apoio de Raquel.
Tudo tem a ver e explico: desde que Raquel foi eleita, em 2022, João Paulo, eleito deputado estadual pelo PT, virou um interlocutor privilegiado da governadora, defensor de todos os seus projetos na Alepe, amortecendo setores do PT e da esquerda antes refratários a uma simples aproximação ao governo estadual.
Nos últimos três anos, principalmente em 2024, o pior momento da gestão Raquel, João Paulo passou a ter um papel mais preponderante: trouxe para a base do Governo, pelo menos informalmente, a totalidade da bancada do PT, ou seja, o deputado Doriel Barros, ex-presidente do partido, e Rosa Amorim, esta filha do líder do MST, Jaime Amorim, de uma ação radical no campo, responsável pela eleição da filha.
Leia maisAtuaram de forma alinhada e afinada, não só votando com o Governo, mas elogiando Raquel. O próprio João Paulo chegou a dizer que João Campos poderia ter o aval do PT, mas perderia a eleição. Observe as falas dos três e suas movimentações para criar um ambiente favorável a Raquel, sob a falsa e ilusória tese de que Lula também estaria em Pernambuco no palanque da governadora.
No congresso estadual do PT, sábado passado, João Paulo, Doriel e Rosa se ausentaram do evento, estratégia montada por João Paulo como tarefeiro da governadora. Sem um nome natural para a Prefeitura do Recife em 2028, Raquel cantou a pedra e João Paulo caiu no encanto da serpente para voltar a governar a capital, desta feita com o apoio da governadora e o rolo compressor da máquina estadual.
Esse acordo prévio entre Raquel e João Paulo já chegou ao conhecimento da cúpula nacional do PT e do próprio presidente Lula, que não morre de amores por João Paulo desde que este deu uma declaração infeliz sobre o futuro político dele quando esteve preso na Polícia Federal em Curitiba.
E AGORA, RAQUEL? – Ontem, o PSD, partido de Raquel Lyra, definiu o seu candidato à Presidência da República: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de extrema direita. Isso, dois dias após a Frente Popular se reunificar em Pernambuco no apoio à reeleição do presidente Lula e ao projeto de João Campos de disputar o Governo do Estado. Diante desse fato novo, a governadora vai assumir o palanque de Caiado em Pernambuco? E o que teriam a dizer agora os deputados João Paulo, Doriel Barros e Rosa Amorim, do PT, que querem Raquel reeleita?

Alguém pode explicar? – A política brasileira virou território da incoerência. No dia seguinte ao anúncio de Ronaldo Caiado candidato do PSD ao Planalto, o atual ministro da Pesca, André de Paula, filiado ao PSD e apadrinhado de Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda, se transfere para um ministério mais robusto, o da Agricultura. Como um partido com um nome próprio para concorrer ao posto de Lula continua a participar do Governo? Das duas, uma: ou Lula quer preservar os votos do PSD no Congresso ou se trata de acordo já para o apoio ao petista num eventual segundo turno.
PSD baiano com Lula – O PSD entra com um cenário adverso na disputa presidencial. Ainda não há perspectiva de aliança com nenhum partido, além de Lula e Flávio terem cenários mais consolidados de palanques nos maiores colégios eleitorais, como Rio, São Paulo, Minas e Bahia. No Nordeste, de maioria lulista, Caiado tem um aceno de aliança na Bahia. O PSD baiano vai apoiar Lula, mas o governador de Goiás deve usar sua proximidade com o pré-candidato do União Brasil a governador, ACM Neto, para tentar ter um palanque no estado.
Candidato do agronegócio – Com Caiado candidato ao Planalto, o cenário traçado pelo partido é que ele une o PSD do Centro-Oeste, já que, além de governar Goiás, tem uma forte presença e liderança sobre o setor do agronegócio. Essa influência sobre os ruralistas também ajuda Caiado no Rio Grande do Sul, mesmo que o governador Eduardo Leite, que perdeu a disputa interna para o goiano, não se engaje fortemente na campanha, já que o estado tem forte presença do agro. Em um cenário considerado ideal pelo partido, líderes do PSD dizem que Caiado pode também atrair o eleitorado de Minas Gerais caso consiga ter o ex-governador Romeu Zema (Novo) como vice.

Euforia em Arcoverde – Arcoverde, a 250 km do Recife, recebeu com euforia a notícia de que o padre Airton Freire foi absolvido do processo de tentativa de estupro, de autoria da personal Silvia Tavares de Souza. Segundo a defesa do padre, a decisão foi proferida pelo juiz Felipe Marinho dos Santos, da Vara Única de Buíque, que considerou que as provas periciais reunidas durante a investigação contradizem a versão apresentada pela denunciante, inviabilizando a comprovação do crime. Além do religioso, foi absolvido o motorista Jailson Leonardo da Silva, que havia sido apontado como participante do suposto ato de violência sexual. Ambos estavam presos desde 2023, quando o caso se tornou público. Com a sentença, a prisão preventiva do padre foi revogada. O processo tramita sob segredo de Justiça.
CURTAS
DOMICILIAR – O padre Airton Freire estava em prisão domiciliar desde julho de 2023. A defesa destacou que a sentença reconheceu a ausência de provas que sustentassem a acusação, embora detalhes da decisão não tenham sido divulgados por conta do sigilo judicial. A denúncia foi feita em agosto de 2022. Segundo o relato, o crime teria sido cometido pelo motorista a mando do sacerdote. O padre negou as acusações.
INCONSISTÊNCIA – De acordo com a defesa, a decisão judicial se baseou em elementos técnicos produzidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público ao longo da instrução processual. Em nota, a advogada Mariana Carvalho afirmou que os dados periciais demonstraram inconsistências entre os relatos da acusadora nos autos e declarações públicas.
MARCA SOCIAL – O padre Airton Freire continua sendo reverenciado em Arcoverde por ter um trabalho de alta relevância social. Ele fundou a Fundação Terra para transformar a “Rua do Lixo”, local de extrema miséria em Arcoverde, focando em ações de educação, saúde e serviço social. O trabalho une espiritualidade a ações sociais, resgatando famílias e oferecendo dignidade por meio da educação e assistência a crianças e moradores carentes.
Perguntar não ofende: O PT vai abrir processo para expulsar os rebeldes João Paulo, Doriel Barros e Rosa Amorim?
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode pedir aos países árabes que paguem o custo da guerra com o Irã, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta segunda-feira (30), acrescentando que as negociações com Teerã para encerrar o conflito estão progredindo bem.
Leavitt, questionada em uma coletiva de imprensa se os países árabes iriam ajudar a pagar a guerra, disse que não iria se adiantar ao presidente, mas que essa era uma ideia que Trump teve. As informações são da CNN.
“Acho que é algo que o presidente estaria bastante interessado em convocá-los a fazer”, disse Leavitt. “É uma ideia que sei que ele tem e algo que acho que você ouvirá mais dele”, acrescentou.
Leia maisA secretária de imprensa afirmou ainda que as declarações públicas do Irã diferem do que o país diz às autoridades americanas em conversas privadas. Ela também ressaltou que, em particular, o Irã concordou com alguns dos pontos de Washington.
“Apesar de toda a postura pública que se ouve do regime e de reportagens falsas, as conversas continuam e vão bem. O que é dito publicamente é, claro, muito diferente do que nos é comunicado em particular”, disse Leavitt.
Trump alertou nesta segunda-feira (30) que as usinas de energia e os poços de petróleo do Irã seriam destruídos se o país não abrisse o Estreito de Ormuz, depois que Teerã descreveu as propostas de paz dos EUA como “irrealistas” e disparou ondas de mísseis contra Israel.
Trump disse que as negociações com Teerã estão indo bem e sugeriu que a “mudança de regime” no Irã estava completa.
“Já tivemos uma mudança de regime, se vocês olharem, porque o único regime foi dizimado, destruído, todos estão mortos. O próximo regime está quase morto. E o terceiro regime, estamos lidando com pessoas diferentes das que qualquer um já lidou antes. É um grupo totalmente diferente de pessoas”, disse Trump a repórteres no domingo (29).
“Portanto, eu consideraria essa mudança de regime e, francamente, eles foram muito razoáveis”, acrescentou o presidente.
Mas o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse em um programa de televisão nesta segunda-feira que, embora fosse uma boa notícia se o Irã tivesse uma nova liderança no comando “que tenha uma visão mais razoável do futuro”, os EUA também tinham de “estar preparados para a possibilidade, talvez até a probabilidade, de que esse não seja o caso”.
A porta-voz da Casa Branca, questionada sobre como os EUA garantirão que estão fazendo um acordo com pessoas que podem implementá-lo, alertou que tudo o que o Irã disser a Washington em particular será testado e que os EUA garantirão que Teerã seja responsabilizado.
“Se não forem, o presidente expôs as consequências militares que o regime iraniano verá se não se mantiverem fiéis às palavras que ouvimos em conversas privadas nos bastidores”, disse ela.
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