A reaproximação entre os presidentes Lula (PT) e do Senado, Davi Alcolumbre (UP-AP), já rendeu resultados positivos para a campanha eleitoral do petista. O parlamentar indicou que dará início à tramitação de duas PECs do interesse do Governo. A que trata sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 e a da segurança pública. Também deve avançar a discussão sobre a exploração das terras raras. As informações são do blog do Dantas Barreto.
A líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT), que vinha trabalhando para destravar essas propostas, ressaltou a importância do diálogo. “Desde que assumi a posição de líder do Governo no Senado, tenho trabalhado para fortalecer a articulação em torno de pautas de interesse do presidente Lula, especialmente a PEC 221/2019, que trata do fim da jornada 6×1, a PEC da Segurança Pública, e o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos”, observou.
Leia maisA parlamentar considera que “são temas estratégicos, que envolvem diferentes setores e exigem diálogo, disposição para construir consensos e, sobretudo, responsabilidade com o país e com o povo brasileiro”. “Após encontros institucionais entre o presidente Lula e o presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, essas matérias avançam para a análise do Senado”, garante.
Apesar do início das discussões sobre essas questões, dificilmente serão aprovadas antes das eleições porque são temas complexos e os senadores estão focados na corrida eleitoral. Mas é uma sinalização de que o clima entre Lula e Davi Alcolumbre melhorou depois de o presidente do Senado ter articulado a reprovação à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
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O Sextou de hoje é uma celebração à vida e à obra de Clara Nunes, uma das maiores intérpretes da música brasileira. O programa contará com a presença de Vagner Fernandes, jornalista, escritor e autor da biografia Clara Nunes – Guerreira da Utopia, que narra em detalhes a trajetória da artista. Lançada em 2007, a obra é fruto de mais de 400 horas de depoimentos e traz um mergulho profundo na vida da cantora, com imagens inéditas e relatos de quem conviveu com ela.
Vagner Fernandes compartilhará curiosidades sobre o processo de pesquisa que deu origem ao livro, abordará o pioneirismo de Clara, sua transformação do bolero ao samba e o impacto de sucessos como “O Mar Serenou”, “Conto de Areia” e “Você Passa, Eu Acho Graça” na música brasileira.
Além do talento musical, Clara foi uma mulher à frente de seu tempo. Primeira artista feminina a vender mais de 100 mil discos no Brasil, ela marcou história tanto pela qualidade vocal quanto por sua conexão com os ritmos africanos e o samba. Vagner também falará sobre as polêmicas e boatos que cercaram a morte precoce da cantora, aos 40 anos, em decorrência de complicações cirúrgica.
O programa irá ao ar das 18 às 19 horas, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
O Povo
O ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), decidiu disputar uma das duas vagas de Alagoas no Senado Federal em 2026, deixando de lado a candidatura ao Governo do Estado. A mudança de estratégia foi comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante reunião fora da agenda, realizada ontem, em Brasília.
A decisão ocorre a três dias do prazo final para o registro das candidaturas e modifica o cenário eleitoral alagoano. JHC vinha sendo preparado para disputar o Governo e já havia realizado uma série de articulações para reunir partido em torno da candidatura, como PL, União Brasil, PP e PDT, além de ter apresentado bons números nas pesquisas de intenção de voto.
Leia maisA mudança também provocou reação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (Progressistas), que é candidato ao Senado e vinha planejando formar uma chapa com JHC para a disputa pelo Executivo estadual. Os dois eram aliados desde 2022, quando apoiaram Rodrigo Cunha (Podemos) na eleição para o governo. Cunha foi derrotado pelo atual governador Paulo Dantas (MDB).
Lira ficou irritado e procurou a direção nacional do PSDB na tentativa de reverter a decisão. A resposta foi de que JHC, presidente estadual da legenda, teria autonomia para definir seu projeto eleitoral. A candidatura ao Senado, até o momento, é tratada como irreversível. A ata da convenção do PSDB delegou à direção estadual da legenda a definição dos nomes que disputarão as eleições. JHC, principal liderança do partido no Estado, não compareceu à própria convenção.
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Por Luiz Queiroz – Capital Digital
A renovação por mais cinco anos do sistema de reconhecimento facial utilizado pela Receita Federal em aeroportos, portos e fronteiras terrestres traz uma discussão que ultrapassa os objetivos imediatos da fiscalização aduaneira. A documentação da contratação revela que o Fisco está adquirindo uma infraestrutura capaz de identificar pessoas automaticamente, em movimento e em tempo real, comparar seus rostos com bases de imagens e operar de forma modular e escalável.
O sistema contratado tem finalidade definida, mas sua capacidade tecnológica, combinada à expansão das bases biométricas mantidas pelo Estado, abre uma questão que os documentos não respondem de maneira suficiente: quais são as barreiras e limites para impedir que, no futuro, uma infraestrutura criada para localizar alvos da Receita possa ser utilizada para identificar e acompanhar cidadãos em escala muito maior?
Leia maisA Receita renovou por cinco anos o contrato com a NEC Latin America para a solução NeoFace Watch, utilizada pelo órgão desde 2016. O novo acordo soma cerca de R$ 13,4 milhões e amplia a utilização da tecnologia para 28 operações, envolvendo aeroportos internacionais, portos e fronteiras terrestres. O objeto formal é a contratação de uma solução de reconhecimento facial com interface customizada e integrada aos sistemas definidos pela Receita, incluindo equipamentos, licenças, suporte, instalação e configuração. A minuta contratual deixa claro que a tecnologia será instalada em aeroportos, portos e fronteiras terrestres.
Portanto, não há nos documentos analisados autorização para que a Receita utilize esse contrato para espalhar câmeras de reconhecimento facial por ruas, praças, estações de transporte ou outros espaços públicos brasileiros. Também não existe evidência de que o Fisco esteja atualmente acompanhando os deslocamentos da população em geral.
A questão levantada pela contratação é outra: a capacidade tecnológica adquirida não é, por sua natureza, limitada a um aeroporto ou posto de fronteira. O reconhecimento facial N:N pode ser empregado em qualquer ambiente no qual existam câmeras, capacidade de processamento e uma base biométrica contra a qual os rostos captados possam ser comparados. Uma expansão para outras finalidades exigiria novas decisões administrativas e fundamento jurídico próprio, mas a tecnologia necessária para identificação massiva já existe.
Esse aspecto aparece de forma particularmente clara na disputa entre as empresas que participaram do Pregão Eletrônico nº 90007/2025, processo 18220.000022/2024-26. A Receita estabeleceu como parcela tecnológica de maior relevância justamente a experiência com “reconhecimento facial N:N em tempo real”. Não considerou equivalentes sistemas convencionais de CFTV, videomonitoramento ou controle de acesso. Para o Fisco, tecnologias 1:1 ou 1:N utilizadas em ambientes controlados são diferentes da identificação N:N realizada em fluxo contínuo.
A diferença é fundamental para compreender o alcance potencial da ferramenta. Em uma autenticação 1:1, uma pessoa apresenta uma identidade e o sistema verifica se seu rosto corresponde à fotografia associada àquele registro. No modelo pretendido pela Receita, a lógica pode ser inversa: pessoas passam pelas câmeras e o algoritmo procura descobrir se algum daqueles rostos corresponde a indivíduos existentes na lista de pesquisa. Não é necessário que cada pessoa pare diante do equipamento e peça para ser identificada.
O próprio teste de aceitação dá uma dimensão da velocidade de identificação exigida pela Receita. A Administração inseriu 3 mil faces aleatórias na lista de pesquisa para gerar “ruído controlado” e submeter o algoritmo a elevada demanda computacional. Ao passar diante das câmeras, uma pessoa incluída entre os alvos precisava ser identificada e gerar um alerta antes de percorrer quatro metros. Na primeira etapa, nenhum falso positivo era admitido. Se não houvesse erros nessa fase, seria tolerado apenas um falso negativo em cada uma das duas etapas seguintes.
Os candidatos ao contrato também foram submetidos a situações destinadas a dificultar deliberadamente a identificação. Houve testes com máscaras e uma etapa com pessoas utilizando óculos escuros e bonés, cujo objetivo declarado era avaliar o reconhecimento facial diante de acessórios que dificultam a identificação.
Dados massivos
É nesse ponto que o debate deixa de ser apenas sobre câmeras e passa a envolver dados massivos de cidadãos. O estudo produzido para a contratação avaliou possíveis fontes públicas de informações biométricas e comparou bases como as da Carteira Nacional de Habilitação, passaporte, carteiras de identidade, Carteira de Identidade Nacional e título de eleitor. A análise considerou a CNH a melhor base nas condições atuais, seguida de passaporte e documentos de identidade, mas fez uma projeção particularmente relevante sobre a CIN.
Segundo a própria Receita, até 2032 a Carteira de Identidade Nacional deverá substituir as antigas carteiras estaduais e poderá se consolidar como a base mais abrangente e atualizada disponível no país. A conclusão extraída no documento é justamente a importância de viabilizar uma “fonte flexível de dados biométricos” para a futura solução.
Isso não demonstra que o NeoFace Watch esteja hoje conectado à CIN, à CNH, à base de passaportes, aos registros da Justiça Eleitoral ou a todas essas bases simultaneamente. A documentação analisada não permite fazer essa afirmação. Tampouco demonstra que todos os cidadãos presentes nessas bases estejam sendo pesquisados quando passam por um aeroporto.
Mas a referência é relevante porque mostra que a Receita não pensou apenas na câmera. Pensou também na matéria-prima que determina o poder de qualquer sistema de reconhecimento facial: a abrangência da população existente nas bases de comparação.
Uma infraestrutura N:N consultando uma lista restrita de procurados possui determinado alcance. Uma infraestrutura tecnicamente semelhante capaz de consultar uma base biométrica contendo dezenas ou centenas de milhões de cidadãos teria outro completamente diferente. E, caso diferentes redes de câmeras e diferentes bases públicas pudessem algum dia ser integradas, a tecnologia permitiria não apenas perguntar quem é determinada pessoa, mas potencialmente registrar onde e quando ela foi identificada.
É daí que nasce a possibilidade futura de vigilância massiva.
O problema não precisa estar na finalidade original de uma tecnologia. Pode surgir da ampliação progressiva de sua utilização. Sistemas inicialmente implantados para uma atividade específica podem ganhar novas bases de dados, novos usuários, novos locais de operação e novas finalidades. É o fenômeno conhecido internacionalmente como function creep: a expansão gradual do uso de uma infraestrutura para além da finalidade que originalmente justificou sua implantação.
No caso da Receita, os próprios documentos descrevem a solução pretendida como modular e escalável, de maneira que possa atender aeroportos, portos e fronteiras terrestres indicados pelo órgão durante a vigência contratual. A justificativa é melhorar a fiscalização aduaneira, combater contrabando e descaminho e aumentar a eficiência do desembarque de viajantes.
Nada nos documentos demonstra que essa expansão neste momento vá ultrapassar o universo aduaneiro. Mas também não se pode ignorar que um algoritmo não sabe se a câmera à qual está conectado encontra-se em um aeroporto, em uma fronteira, em uma estação ferroviária ou numa avenida. A limitação é jurídica, administrativa e institucional, não uma impossibilidade tecnológica.
É justamente por isso que algumas respostas se tornam mais importantes do que o número de câmeras contratadas. A documentação examinada não esclarece de forma suficiente qual é exatamente a base de pesquisa utilizada atualmente pelo sistema da Receita, quantas pessoas estão nela, quais critérios autorizam a inclusão de um cidadão, quais órgãos fornecem os dados biométricos, quais interoperabilidades já existem e quais poderão ser implementadas durante os cinco anos do contrato.
Há outra questão ainda mais sensível: o que acontece com o rosto de quem não é procurado?
Para encontrar uma pessoa específica em uma multidão, o sistema precisa detectar e processar os rostos que passam pelo campo das câmeras. É necessário esclarecer se as imagens ou representações biométricas das pessoas que não produzem correspondência são descartadas imediatamente, se permanecem armazenadas, por quanto tempo são conservadas, se deixam logs e se esses registros podem posteriormente ser relacionados a horário e localização.
Essas respostas estabelecem uma diferença crucial entre um sistema que simplesmente procura alvos e uma infraestrutura que, além de reconhecê-los, poderia tecnicamente produzir registros históricos de presença e deslocamento.
A própria Receita reconhece que está lidando com informações particularmente sensíveis. O Termo de Referência afirma que parte das informações relacionadas ao sistema deve ser classificada como sigilosa em razão da natureza sensível dos dados biométricos e do risco de comprometimento da segurança das operações fiscais e de controle migratório.
A disputa do pregão também revela o quanto essa capacidade foi considerada essencial. A NEC sequer foi a primeira empresa chamada. A Roost apresentou a melhor proposta de preço, mas não compareceu ao teste de aceitação. A L8 Group, segunda colocada, realizou o teste e foi reprovada. A M.I. Montreal, terceira, não se manifestou diante da convocação. A C2H, quarta colocada, foi desclassificada por não comprovar a capacidade técnica exigida. Somente então a NEC, quinta na sequência, foi submetida à análise documental e ao teste e acabou aprovada.
A exigência de experiência efetiva com reconhecimento N:N foi decisiva inclusive para eliminar concorrentes. Ao analisar um atestado apresentado pela C2H referente ao Ministério da Cidadania, a Receita realizou diligência para saber se o reconhecimento facial havia efetivamente funcionado em produção. O Ministério respondeu que a funcionalidade havia sido configurada e testada regularmente, mas que não verificara necessidade de utilizar o módulo. A Receita concluiu que isso não comprovava experiência operacional com reconhecimento facial N:N em tempo real.
O episódio reforça que o Fisco não estava simplesmente adquirindo um circuito de câmeras com reconhecimento facial como funcionalidade adicional. Procurava uma tecnologia comprovadamente capaz de identificar pessoas em massa, em fluxo contínuo e em tempo real.
É nesse contexto que surge inevitavelmente a comparação com o “Grande Irmão”, o Estado onipresente imaginado por George Orwell em 1984. Seria incorreto afirmar, com base nessa contratação, que a Receita criou um sistema nacional destinado a vigiar os brasileiros. Os documentos não sustentam essa conclusão.
A pergunta pertinente é mais complexa: estamos construindo os componentes tecnológicos que poderiam tornar isso possível no futuro?
De um lado estão bases biométricas públicas cada vez mais abrangentes. De outro, tecnologias capazes de localizar automaticamente um rosto no meio de milhares de pessoas. Acrescente-se a possibilidade de interoperabilidade entre sistemas, redes de câmeras já existentes em diferentes esferas do poder público e capacidade crescente de processamento.
Individualmente, cada peça pode possuir uma finalidade legítima e específica. Integradas, porém, essas mesmas peças poderiam formar uma infraestrutura com capacidade inédita de identificação e acompanhamento de pessoas.
Por isso, a proteção contra uma futura vigilância massiva não pode depender apenas da finalidade declarada no contrato atual. Ela depende de saber quais bases podem ser conectadas ao sistema, quem poderá autorizar novas integrações, quais dados são efetivamente armazenados, se é possível reconstruir deslocamentos, por quanto tempo os registros permanecem disponíveis e quais controles jurídicos e técnicos impedem que a tecnologia seja utilizada para outra finalidade.
Também cabe esclarecer se a Receita produziu um Relatório de Impacto à Proteção de Dados Pessoais específico para essa operação e quais mecanismos existem para auditoria independente do sistema, especialmente porque dados biométricos recebem proteção especial pela legislação brasileira.
O contrato da NEC termina em cinco anos. A infraestrutura biométrica que o Estado brasileiro está formando, entretanto, pode permanecer por décadas.
A questão central, portanto, não é afirmar que o “Grande Irmão” já existe. É saber se o país está adquirindo, base por base, câmera por câmera e sistema por sistema, a capacidade tecnológica de construí-lo no futuro, sem que os limites para impedir esse cenário estejam sendo definidos com a mesma velocidade. Não há sequer sinais de uma discussão pública sobre isso neste momento.
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Após a divulgação de auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS) que apontou suposto prejuízo de R$ 905,2 mil relacionado à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, a instituição apresenta sua versão sobre os fatos.
O relatório, que analisou serviços prestados entre janeiro de 2023 e julho de 2025, questiona a comprovação de parte dos procedimentos realizados e propõe a devolução dos recursos ao Fundo Nacional de Saúde. Confira abaixo a versão da unidade de saúde:
Leia maisPosicionamento
A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro vem a público prestar esclarecimentos sobre o Relatório da Auditoria nº 20.034, conduzida pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), e reafirmar seu compromisso com a transparência, a qualidade da assistência e a população de Garanhuns e da região.
Há 55 anos, a instituição integra a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS), prestando atendimento hospitalar à população de Garanhuns e de municípios vizinhos. Ao longo de sua trajetória, sempre pautou sua atuação pelo compromisso com a assistência à saúde, pela transparência e pelo cumprimento das normas que regem a prestação de serviços ao SUS. Nesse período, a Casa de Saúde manteve os mesmos critérios e procedimentos de contratualização adotados para os demais prestadores da rede complementar, independentemente da administração pública em exercício ou da composição societária da instituição.
Os valores objeto de apontamento no relatório final correspondem a aproximadamente 1% do total de recursos auditados no período. A maior parte dos questionamentos está relacionada à codificação administrativa atribuída a procedimentos cirúrgicos oncológicos efetivamente realizados e à interpretação dos critérios utilizados para seu enquadramento.
Com relação ao serviço de hemodiálise, a auditoria apontou ausência de comprovação documental em 90 sessões, diante de aproximadamente 135 mil sessões realizadas pela Casa de Saúde no período analisado. A instituição esclarece que a ausência pontual de uma assinatura ou de determinado registro em um documento específico não significa, necessariamente, que o atendimento não tenha sido realizado. Trata-se de uma inconsistência de natureza documental que deve ser analisada em conjunto com os demais registros assistenciais disponíveis.
A Casa de Saúde ressalta, ainda, que parte dos pacientes cujas sessões foram apontadas no relatório como pendentes de comprovação documental permanece em tratamento de hemodiálise na instituição, informação que pode ser verificada nos próprios registros assistenciais da unidade. O dado reforça que os apontamentos documentais não podem ser interpretados, isoladamente, como evidência de que os atendimentos não tenham ocorrido.
Em relação aos procedimentos cirúrgicos oncológicos, a Casa de Saúde informa que encaminhou à auditoria a documentação médica correspondente aos procedimentos questionados. Segundo a instituição, as divergências identificadas são, em sua maior parte, de natureza formal e estão relacionadas ao preenchimento de campos específicos de determinados documentos, e não à ausência de registros capazes de demonstrar a realização dos procedimentos.
A instituição também esclarece que, em determinados casos, a análise considerou o documento no qual foi identificada a inconsistência formal, sem considerar de forma conjunta outros registros que integram o mesmo prontuário, como relatórios cirúrgicos, laudos anatomopatológicos e boletins de anestesia. Esses documentos constituem elementos adicionais de comprovação da realização dos procedimentos.
Outro ponto de divergência está relacionado à codificação administrativa atribuída a cirurgias oncológicas efetivamente realizadas. Nesses casos, a Casa de Saúde entende que os procedimentos foram devidamente executados e que a documentação médica correspondente demonstra sua adequação, razão pela qual irá apresentar os esclarecimentos e os documentos pertinentes pelas vias administrativas cabíveis.
A Casa de Saúde discorda das conclusões apresentadas e entende que os procedimentos questionados devem ser analisados também à luz da indicação clínica e da documentação médica correspondente. A definição da técnica cirúrgica e da via de acesso adequada a cada paciente é uma decisão de natureza técnico-assistencial, tomada pelo médico responsável de acordo com as condições clínicas e as particularidades de cada caso.
A instituição ressalta, ainda, que jamais orientou ou interferiu na decisão técnico-científica dos médicos que atuam em seu corpo clínico, preservando a autonomia profissional necessária à adequada assistência aos pacientes.
Diante dos apontamentos apresentados, a Casa de Saúde apresentará, pelas vias administrativas cabíveis, os esclarecimentos e a documentação médica pertinente, que demonstram a adequação dos procedimentos realizados e fundamentam a posição da instituição em relação aos pontos questionados.
A Casa de Saúde reafirma seu compromisso com a transparência, com o Sistema Único de Saúde e, sobretudo, com a população que atende há mais de cinco décadas.
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Por Roger Stiefelmann Leal*
Encerrou-se nos últimos dias o calendário de convenções partidárias, e dele emergiu um dado que não tem recebido a atenção devida. Algumas das maiores legendas de centro — MDB, Republicanos, Podemos, a federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP — recusaram-se, segundo noticiado, a tomar partido na disputa presidencial.
O PP foi adiante e sequer convocou convenção nacional. A explicação corrente é de ordem pragmática. Diante da polarização entre PT e PL, conviria a essas siglas poupar os palanques estaduais e concentrar energia na formação de bancadas.
Leia maisHistoricamente, as instâncias partidárias decidem sobre alianças a partir de conjunto de conhecidas variáveis: pesquisas eleitorais, composição dos palanques locais, tempo de propaganda em rádio e televisão e rateio dos fundos públicos. Em 2026, contudo, outro aspecto passou a ser também considerado. Ao decidir com quem caminhar, os partidos passaram a ponderar os riscos jurídicos que a escolha pode lhes acarretar.
Ao longo das últimas semanas, o STF proferiu sequência de decisões sobre emendas orçamentárias, boa parte delas no âmbito da ADPF 854/DF, feito que, como sabido, transitou em julgado ainda em maio de 2023. Determinou o bloqueio de bens, além de outras medidas restritivas, contra o presidente do PL e outras personagens da vida pública nacional, a despeito do parecer contrário da Procuradoria-Geral da República.
Alude-se, nesses despachos, à prática de infrações criminais consubstanciadas no direcionamento de emendas orçamentárias por atores políticos sem mandato. Afirma-se que dirigentes partidários careceriam de legitimidade para atuar junto às bancadas de seus próprios partidos na destinação desses recursos, reputando-se ilícita suposta “terceirização” das indicações.
Em momento algum, no entanto, foi aventada a subordinação da ação parlamentar às diretrizes fixadas pelos órgãos de direção partidários, a que se refere o art. 24 da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/1995).
Não se cuida de mera sutileza jurídica. Dirigentes partidários atuam, por diversas vias, junto às respectivas bancadas parlamentares, com o objetivo de coordenar e orientar sua atuação política em face de inúmeras questões. Não seria diferente em relação à destinação de emendas ao orçamento. Outros atores, mesmo que sem mandato parlamentar, também o fazem rotineiramente, como prefeitos, governadores e ativistas políticos.
Depois das medidas restritivas, vieram as intimações. Os presidentes dos demais partidos com representação no foram chamados a esclarecer se mantêm mecanismos equivalentes de influência sobre emendas.
É natural que a compreensão subjacente a tais decisões produza temor e insegurança entre tais dirigentes. Aquilo que os despachos descrevem como anomalia — a coordenação da bancada pela cúpula da legenda na destinação de recursos orçamentários — constitui, em boa medida, descrição de atividade política comum dos partidos. O texto constitucional lhes assegura autonomia para definir a estrutura interna e a disciplina a ser observada por seus integrantes (art. 17, § 1º).
O próprio STF, ao reconhecer a tese da fidelidade partidária, assentou a premissa de que os mandatos pertencem também às legendas partidárias, sobretudo nas eleições proporcionais. Se ao partido é dado dispor internamente sobre o voto dos parlamentares filiados, fechando questão sobre a orientação a ser seguida em certas deliberações sob pena de desfiliação, não lhe seria vedado colaborar, direta ou indiretamente, na orientação das indicações orçamentárias.
Emendas e indicações, ademais, só ganham existência jurídica quando subscritas por parlamentares. Sua assinatura ratifica todo o processo que as antecede e sedia no signatário a responsabilidade que delas decorre.
Daí resulta o severo efeito dissuasório que se projeta sobre o cálculo eleitoral. Quando a fronteira entre a legítima articulação partidária e o delito penal deixa de ser visível de antemão e passa a ser redesenhada, caso a caso, em decisões proferidas no âmbito de processo judicial há muito extinto e arquivado, o agente político não se detém a discutir a tese. Em ano eleitoral, sobretudo, faz o que costuma fazer quem se percebe vulnerável. Recolhe-se. Sente-se intimidado e age como tal.
Esse temor deixou de ser mera conjectura. Conforme noticiado recentemente, dirigentes partidários têm invocado, sob reserva, “pressão” e “recomendações” atribuídas a integrantes do próprio STF como razão para declinar de aliança formal com a candidatura do principal partido de oposição. Alguns deles, ainda segundo o mesmo relato, teriam consultado diretamente membros da Corte, indagando se a coligação lhes traria dissabores.
No fundo, teme-se a retaliação pela opção eleitoral em si mesma, isto é, pela atitude de se associar a uma candidatura que contesta abertamente a atuação do próprio tribunal. A jurisdição constitucional, exercida em sede de típico instrumento de controle abstrato de normas, passa a ser computada como risco político, e a crítica ao comportamento decisório da Corte, como ônus capaz de atingir a imagem de partidos e candidatos justamente durante o processo eleitoral.
Para o funcionamento do regime democrático, o que realmente pesa não são apenas as medidas já adotadas pelo aparato judicial, mas também aquelas que, na avaliação dos agentes políticos, possam vir a ser decretadas. O temor dispensa comprovação para produzir efeitos. Basta-lhe plausibilidade.
Quando os atores políticos aprendem a antecipar a reação institucional em função das escolhas eleitorais que fazem, compromete-se, em certa medida, a aparência de imparcialidade que se espera da magistratura. Tal aparência, nesse domínio, não é mero ornamento ou acessório, mas parte de sua essência como instituição.
Torna-se, então, inevitável refletir sobre o vínculo entre esse receio e a neutralidade das legendas na disputa presidencial. É eloquente o caso da eminente senadora que, ao admitir a possibilidade de compor a chapa do principal partido de oposição, viu, poucos dias depois, o seu próprio partido anunciar que não realizaria convenção nacional e permaneceria neutro.
Outras legendas adotaram posição equivalente, ainda que seus quadros de maior vulto manifestem simpatia pela mesma candidatura. São siglas cuja inclinação natural — medida pelos governadores que elegeram, pelo perfil de suas bancadas e pelo eleitorado que representam — residiria na formalização da aliança. Nelas, a neutralidade não reflete equidistância, mas recuo calculado.
O comportamento dessas agremiações em 2026 destoa do padrão recente. Em 2018, o MDB lançou Henrique Meirelles e o PP apoiou Geraldo Alckmin (então no PSDB). No pleito de 2022, o MDB apresentou Simone Tebet, e o União Brasil, Soraya Thronicke.
A abstenção simultânea dessas importantes legendas de centro constitui circunstância nova. Seu advento faz presumir a influência de fatores que antes não operavam. Tampouco o pragmatismo desses partidos explica tamanha uniformidade de comportamento eleitoral. Se o propósito fosse apenas maximizar bancadas, não haveria razão para que a cautela recaísse com tal regularidade sobre agremiações que evidenciavam, à primeira vista, propensão a apoiar o candidato de oposição mais bem posicionado nas pesquisas.
O efeito agregado dessas intervenções judiciais foi deslocar o STF da posição de órgão julgador para a de fator concreto do cálculo político-eleitoral. Quem hoje decide sobre alianças nas eleições presidenciais pondera, para além das variáveis de sempre, sobre como a Corte poderá reagir.
A autoridade da jurisdição constitucional repousa, como se sabe, na presunção de que suas decisões não dependem da posição política das partes. Um tribunal que se converte em variável da equação eleitoral compromete essa presunção. O dano institucional daí resultante não se mede somente pelas razões jurídicas adotadas em cada decisão, mas, principalmente, pela posição que a Corte passa a ocupar na determinação dos comportamentos alheios.
Há, enfim, um custo que raramente se computa. O temor, uma vez incorporado ao cálculo partidário, não se dissipa com a proclamação dos resultados. Permanece, ainda que menos ostensivo, como dado ordinário da vida política. E essa, não outra, é a consequência mais grave.
*Professor doutor de Direito Constitucional na Faculdade de Direito da USP. Visiting Scholar na Harvard Law School. Doutor em Direito do Estado pela USP
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, hoje, que acredita nas declarações do filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sobre investigação que o envolve e disse que não pretende pedir o encerramento do caso. O filho do presidente é alvo de ao menos três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de pedidos da Polícia Federal.
Segundo o presidente, o processo deve seguir seu curso normal na Justiça. “Ele jura que não tem nada. Eu acredito nele. Mas já disse: ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho”, declarou. A declaração foi dada durante entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, no Palácio da Alvorada. As informações são do portal G1.
Leia maisAo ser questionado sobre investigações em andamento, Lula afirmou que é delicado para um presidente da República emitir opiniões sobre casos sob análise da Justiça. “É muito difícil um presidente dar parecer, muito delicado. Isso pode não ser bom para um presidente, chefe do país”, disse.
O presidente também fez referência às investigações das quais foi alvo e à prisão decorrente da Operação Lava Jato, posteriormente anulada pela Justiça. “Quero que ele faça como eu fiz. Fiquei preso e saí mais erguido.”
Segundo Lula, apenas o próprio Lulinha sabe o que ocorreu no caso investigado. “Só ele sabe a verdade. Se não fez, como jura, brigue. Se é culpado, contrate advogado. Eu estou muito tranquilo”, afirmou.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
No início da semana, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), declara seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como presidente regional do Republicanos, também leva o partido a declarar esse apoio na Paraíba. No dia seguinte, Lula reúne-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá. No mesmo dia, como num passe de mágica a pauta do Congresso, que estava travada desde antes do recesso de meio de ano, começa a andar e projetos já são aprovados.
Não está ainda resolvida a pauta de maior interesse do governo: o fim da escala 6×1. Mas no mesmo dia o MDB declarou seu apoio a ela. Impossível não perceber uma conexão entre esses fatos. Os partidos do Centrão declararam neutralidade quanto à eleição presidencial. E, tirante a posição do Republicanos na Paraíba, mantêm o mesmo quanto à maioria das alianças estaduais.
Leia maisPara o cientista político Isaac Jordão, a “indefinição” adotada pelos partidos do Centrão nas eleições presidenciais deste ano, na verdade, “define tudo”. Por um lado, mais conservadores, tenderiam a ficar mais próximos da candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL. Por outro, integram o governo Lula. Neutros parecem esperar o andar da carruagem para verem como se posicionar. Mas Jordão desconfiam, pelas últimas atitudes, que já sentiram para onde o vento vai soprar.
Nos casos de Motta e Alcolumbre, questões regionais interferem nos comportamentos adotados. Mas, se em seguida a pauta do Congresso destrava, é sinal de que a coisa extrapola os interesses somente dos dois nos seus estados. Explica que situações semelhantes estejam também nos cálculos dos demais políticos do Centrão. Tanto no caso da Paraíba de Hugo Motta como no Amapá de Alcolumbre, o desenrolar do ambiente político e as situações de Lula e Flávio explicam as atitudes.
Hugo Motta moveu o apoio do Republicanos para Lula mesmo sem obter do presidente o apoio ao nome do seu pai, Nabor Wanderley para o Senado. O PT lá apoiará para o Senado o ex-governador João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo. Mas Wanderley apoiará Lula. Curioso é que mais do Centrão se integra: o candidato que o PT apoiará ao governo é o governador Lucas Ribeiro (PP).
Deve pesar nisso tudo a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro entre os eleitores e a situação política. Apesar de toda essa convergência partidária em favor do presidente na Paraíba, há outros estados do Nordeste onde o favoritismo do petista é maior. A pesquisa mais recente, da Alfa Inteligência, mostrava Lula com 48% e Flávio com 41%.
O Amapá de Alcolumbre, porém, mostra hoje uma situação de empate entre Lula e Flávio, com leve vantagem para Flávio. Segundo a última Real Time Big Data, Flávio tem 42% e Lula 40%. Tal situação deve ter feito Alcolumbre ensaiar o seu oposicionismo desde a derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo.
Há, no caso, porém, um fenômeno regional que converge os interesses de Alcolumbre e do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que tenta a reeleição. O nome desse fenômeno é Dr. Furlan (MDB), que venceu as eleições para prefeito de Macapá no primeiro turno e agora lidera as pesquisas para governador.
Com problemas na Justiça, Furlan é o nome a ser batido. Alvo de investigações na Polícia Federal, Furlan é acusado de desvios na área da Saúde. Chegou a responder a processo na Justiça Eleitoral, mas tanto o TRE do Amapá quando o TSE mantiveram o seu mandato de prefeito, ao qual renunciou para concorrer ao governo.
Nos planos de Alcolumbre, está ainda a continuidade na presidência do Senado. Se Alcolumbre pensava, com seu ensaio oposicionista obter apoio para se reeleger no comando do Congresso no ano que vem, percebeu que por esse lado suas chances são bem remotas. A direita prefere ter outros nomes disputando o cargo com ele.
No anúncio do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como o vice de Flávio Bolsonaro, estavam lado a lado os dois nomes que a direita prefere: o coordenador da campanha do PL, Rogério Marinho (RN), e a senadora Teresa Crstina (PP-MS). Por esse lado, portanto, as chances de Alcolumbre são poucas. O que pode fazê-lo correr para os braços de Lula.
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A 26ª ExpoSerra começou, ontem, com uma noite marcada pela homenagem a João Duque, fundador da CDL de Serra Talhada e homenageado desta edição. Aos 98 anos, ele participou da cerimônia de abertura e foi celebrado por sua contribuição para o desenvolvimento do comércio e do empreendedorismo no município.
Além da homenagem, o primeiro dia da feira já apresentou resultados positivos para empresas participantes. A Tupan, tradicional expositora, registrou crescimento de aproximadamente 20% no faturamento desde o anúncio de sua participação na ExpoSerra, segundo Paulo César, gerente da empresa.
Leia maisNo ano passado, julho havia sido o mês de maior faturamento da Tupan, período em que a ExpoSerra também foi realizada. Com a mudança da feira para agosto, a empresa inicialmente registrou uma baixa em julho, mas voltou a crescer neste mês, justamente no período que antecede e acompanha a realização do evento.
Já a Bella Vitor Materiais Elétricos, que participa pela primeira vez da ExpoSerra, relata um resultado ainda mais expressivo. Segundo o proprietário, Evandro, o faturamento da empresa dobrou desde o anúncio da participação na feira, crescimento que também foi percebido no primeiro dia do evento. A empresa levou para a ExpoSerra parceiros de mais de oito cidades de Pernambuco e da Paraíba.
“É motivo de muito orgulho ouvir esses relatos e perceber que a ExpoSerra já começa entregando resultados para quem acredita na feira. O primeiro dia foi um sucesso, e ainda temos muito mais pela frente. São mais dois dias de programação, negócios, encontros e oportunidades. Esperamos todos vocês aqui”, destacou o presidente da CDL Serra Talhada, Maninho Ferreira.
A 26ª ExpoSerra segue até este sábado (15), com entrada gratuita, reunindo empresas, parceiros, atrações e oportunidades de negócios em Serra Talhada.
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Por João Neto
Minha última coluna, Sergipe 2030, foi sobre o futuro de Sergipe.
Já essa é sobre história sergipana. Porque um povo que não conhece e valoriza seu passado não tem futuro e está condenado a repetir os erros geração após geração!
Escrevi esse texto na esperança que ele ajude a despertar nos sergipanos (e também nos brasileiros) o orgulho de sua terra – um sentimento que eu também tenho.
Leia maisEntrando no assunto propriamente dito, em 15 e 16/8/1942, o submarino nazista U-507 torpedeou e afundou três navios que navegavam na costa sergipana: o Baependi, o Araraquara e o Aníbal Benévolo.
O ataque matou mais de 600 pessoas, incluindo mulheres e crianças.
Não há dúvida de que foram os nazistas os autores, como confirmado pelo diário de bordo do capitão-de-corveta Harro Schacht, cuja cópia foi encontrada após o fim da guerra pelas Forças Aliadas nos arquivos centrais do alto-comando alemão. Cópia porque o original afundou com o submarino em 13/1/1943 na costa do Ceará, alvejado pelo avião militar americano PBY-5 Catalina, afogando o seu capitão e todos os 54 tripulantes.
Os destroços dos três navios jamais foram encontrados, embora tenha havido um recente esforço em 2023 pelo Laboratório de Arqueologia da UFS, conforme mostra o documentário “A Segunda Guerra Submersa”, disponível no Youtube.
À época, o Brasil não estava em guerra com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), mas havia rompido relações diplomáticas com eles desde janeiro de 1942, após o ataque japonês a Pearl Harbor, no arquipélago americano do Havaí, em dezembro de 1941.
Com a reação americana ao ataque japonês e a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, o seu presidente Franklin Roosevelt exigiu do presidente-ditador Brasileiro, Getúlio Vargas, o uso do Norte e Nordeste do Brasil para instalar bases militares e, a partir destas, apoiar o esforço de guerra na África – por ser o ponto das Américas mais próximo do continente africano.
Roosevelt também tinha o receio de que a Alemanha invadisse o Brasil e fizesse dele uma base para toda a América do Sul, considerando que o Brasil tinha muitos membros dos Partidos Nazista (o maior depois da Alemanha, incrivelmente) e Fascista, além de muitos simpatizantes dentro do Governo Getúlio Vargas, inclusive no Alto Comando Militar.
Uma prova inconteste dessa influência nazifascista no Brasil é que centenas de brasileiros foram lutar na Europa do lado da Alemanha e Itália antes de o Brasil entrar na guerra, a maioria filhos de imigrantes, sendo o mais famoso deles Egon Albrecht, nascido em Curitiba, que lutou como piloto da Luftwaffe (a Força Aérea Alemã). Este inclusive foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, uma das mais altas honrarias militares nazistas. Morreu em combate em agosto de 1944 na França.
Foi preparado até um plano americano para invadir o Nordeste caso Getúlio Vargas não aceitasse as bases na região: o Plan Rubber (Plano Borracha).
Getúlio vinha tentando desde 1939 não entrar no conflito e vinha tendo sucesso nisso, como tiveram os Ditadores de Portugal e da Espanha, respectivamente Salazar e Franco.
Após Pearl Harbor, porém, não deu mais.
Getúlio Vargas então negociou com Roosevelt a criação da primeira siderúrgica do Brasil (a CSN) e autorizou as bases.
Dessa forma, foram instaladas bases militares norte-americanas em Natal, Recife, Fernando de Noronha, Salvador, Fortaleza, São Luís, Belém, Amapá, e pontos de apoio em Maceió e no Rio de Janeiro.
A de Natal foi a maior base americana fora dos EUA durante a guerra, conhecida como “Trampolim da Vitória”, e chegou a abrigar mais de 10 mil militares americanos.
Hitler e Mussolini, enfurecidos, deram ordens para afundar navios mercantes brasileiros que levavam matéria prima para os EUA e para a Europa (foram 15 navios afundados até agosto de 1942), mas, mesmo assim, Getúlio Vargas não declarou guerra.
Então Hitler planejou dar um susto nos brasileiros para levar o povo a pressionar Getúlio a não se aliar aos EUA ou apenas como retaliação (não se tem certeza).
Por que o ataque em Sergipe?
Porque era o local mais desprotegido da costa nordestina, e bastante movimentado, com muitos alvos possíveis. Devido às bases americanas supracitadas, um submarino alemão poderia ser localizado e afundado antes de qualquer ação em outras regiões (como o U-507 foi poucos meses depois).
Veio, então, o terror: nos três ataques na costa sergipana, só 51 pessoas sobreviveram.
A reação do povo sergipano foi, primeiro, resgatar os sobreviventes e cuidar deles nos hospitais de Estância (Amparo de Maria) e Aracaju (Cirurgia), além de recolher e enterrar dignamente os mortos (no cemitério dos Náufragos, em Aracaju).
Para isso, envolveu-se a população civil: pilotos do Aeroclube de Sergipe, médicos, enfermeiros, pescadores, empresários – como Júlio César Leite, de Estância, que mandou sua maior lancha ao local para resgatar sobreviventes – e até populares, como o então adolescente Zé Peixe, com 15 anos à época.
As imagens dos corpos foram divulgadas por muitos jornais e revistas brasileiros e comoveram o país, mesmo com a censura existente na época.
Quando as vi, para escrever este texto, chorei. São muito fortes.
O Governador de Sergipe de então, o Interventor Coronel Augusto Maynard – líder de revolta tenentista de 1924 – exerceu o papel de conter a revolta popular.
As massas, lideradas por estudantes, foram para as ruas em transe coletivo exigindo a entrada do Brasil na guerra e a punição aos nazistas. Invadiram lojas e casas de alemães, italianos e japoneses, suspeitos de serem espiões. Também membros do partido Integralista, de orientação fascista, foram perseguidos nas ruas.
Inspirados pela reação altiva sergipana, em Salvador – de onde era originária parte das vítimas – aconteceram manifestações semelhantes. Até porque o submarino U-507, em 17/8/1942, afundou também três embarcações na costa baiana, o Itagiba, o Arará e a barcaça Jacyra, matando mais 56 pessoas.
Em seguida os protestos se espalharam pelo Brasil: São Paulo, Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro
Foram as maiores manifestações populares da história do país até então.
Getúlio Vargas, temendo uma crise interna sem precedentes caso não desse uma resposta à altura, declarou a guerra à Alemanha e seus aliados no dia 31 de agosto, na forma do Decreto-lei 10.358.
O tiro de Hitler saiu pela culatra, pois a reação do bravo povo sergipano foi de ir à luta, sem medo, inspirando o restante do país!
Até o fim da guerra, Aracaju viveu como uma cidade sitiada, com toque de recolher noturno, todas as luzes apagadas à noite (para não dar pistas para novos ataques) e racionamento de comida e combustí
A FEB (Força Expedicionária Brasileira) foi formada, mas demorou dois anos para enviar soldados para a Europa – tanto que o povo começou a dizer “É mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil ir para a guerra”. A FEB então adotou como símbolo uma cobra fumando e chegou na Europa em julho de 1944.
Isso teve uma razão: primeiro as Forças Armadas do Brasil trataram de proteger o litoral brasileiro, com a ajuda os norte-americanos, para não sofrer mais ataques. Até o fim de 1943, os submarinos alemães e italianos que aterrorizavam nosso litoral foram dizimados, sendo afundados doze deles.
Iniciada a atuação na Europa, quase 26 mil soldados (pracinhas) brasileiros foram lutar no continente, dentre os quais 300 sergipanos. Destes 300, destacaram-se quatro grandes heróis:
1 – Sargento Zacarias Izidoro: recebeu a Silver Star, medalha do governo americano, por bravura em combate, além da Medalha Sangue do Brasil;
2 – General Walter Paes: na época Capitão, foi essencial na vitória do Monte Castelo e depois autor do clássico militar A Lenda Azul, uma das principais fontes sobre a atuação da FEB na Segunda Guerra;
3 – O tenente Aviador Aurélio Sampaio: morto em combate na Itália em 22/1/1945, aos 21 anos, na sua 16ª missão, condecorado com a Cruz de Bravura;
4 – O Jornalista Joel Silveira: correspondente de guerra que ia para a linha de tiro, correndo risco de vida com grande coragem, e que foi homenageado ao dar nome à ponte do Mosqueiro, em Aracaju;
Destaque: só o Brasil enviou homens para lutar na Segunda Guerra na Europa em toda a América Latina!
E a FEB atuou em várias vitórias decisivas, como nas batalhas de Monte Castelo, de Montese e de Fornovo di Taro. Perdeu 451 homens, abateu mais de 1500 inimigos e fez 20 mil prisioneiros de guerra!
Na Praça dos Expedicionários, no bairro Getúlio Vargas, em Aracaju, existe um memorial com os nomes dos 300 combatentes sergipanos.
Para quem não sabe, o Brasil é considerado estratégico e decisivo para a vitória Aliada na Segunda Guerra Mundial, não só pela atuação da FEB na Europa, mas também pelas bases militares americanas supracitadas no país e pelo fornecimento de matérias primas críticas aos Aliados (borracha, ferro, manganês, quartzo e bauxita, entre outras) pela nossa Marinha Mercante.
O que me intriga é:
Como uma história dessas ainda não virou filme, série, novela, romance de grande sucesso, enquanto o ataque de Pearl Harbor, nos EUA, já rendeu dezenas de produções?
Em outubro de 2025, saiu na imprensa sergipana a notícia de que o filme Corações Naufragados, sobre os fatos acima relatados, iria estrear, com grande elenco, como o ator Dalton Vigh, Daniel de Oliveira, Olívia Torres e outros, dentre os quais 40 atores sergipanos. A previsão é que isso ocorra até o fim de 2026.
Também li há pouco tempo que o Governo do Estado vai construir o Museu dos Náufragos, com projeto do Arquiteto Ézio Déda, em local a ser definido, provavelmente na Orla de Aracaju. Data de início e conclusão, não consegui apurar.
Espero que esses dois projetos se tornem realidade e essa memória única no Brasil seja resgatada!
Vou além: na minha modesta visão, essa história merece um Parque temático com réplicas reais dos navios afundados, do submarino atacante, um memorial com as fotos de todos os mortos e todos os sergipanos que participaram do resgate dos sobreviventes e enterro dos mortos, os nomes dos líderes das manifestações populares que tomaram as ruas, os nomes dos estrangeiros que tiveram suas casas e lojas atacadas (muitos dos quais foram presos e posteriormente inocentados), entre outras informações.
Por que não?
Em Santa Catarina, em julho deste ano foi aberto o Bravura Park, maior parque temático militar da América Latina, com investimento estimado em 100 milhões de reais.
Concluindo, nós, sergipanos, devemos ter orgulho de nosso passado de gente valente, que se manifestou não só nestes episódios relatados, mas em muitos outros ao longo da nossa história: na Revolta tenentista de 1924, na Revolta de Fausto Cardoso em 1906, na Guerra de Canudos em 1896-1897, nas Guerras de independência do Brasil entre 1822-1824, na Guerra Cisplatina entre 1825 e 1828 (ao redor de 600 sergipanos foram lá lutar), no apoio ao Império Brasileiro durante as Revoltas de 1817 e 1824 em Pernambuco, na Revolta de Santo Amaro em 1836, na Guerra do Paraguai (com o envio de quase três mil sergipanos entre 1865-1870), na luta contra o Cangaço na década de 1930 e a consequente morte de Lampião e Maria Bonita em 1938 em Sergipe, entre tantas outras ocasiões.
E devemos também usar esse passado para incrementar o turismo, pois Aracaju viveu a tragédia da Segunda Guerra como nenhuma outra cidade brasileira.
E como sergipano, pesquisando o tema, aumentou também meu orgulho de ser brasileiro, pois talvez sem o Brasil juntos aos Aliados o desfecho da guerra poderia ser diferente, como expliquei acima.
Somos valentes! Saibamos também usar nossa história com sabedoria!
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O candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP) teve aprovado, por unanimidade, pela Câmara de Vereadores de Ipojuca, ontem, o Título de Cidadão de Ipojuca. A honraria reconhece a trajetória e a forte ligação do parlamentar com o município, onde recebeu 9.600 votos em sua primeira eleição, em 2006, e construiu expressivas votações ao longo dos anos. A entrega do título será realizada em data ainda a ser definida.
Ao longo de sua trajetória na Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte já destinou R$ 2,7 milhões em emendas parlamentares para Ipojuca, contribuindo para o desenvolvimento do município em áreas como saúde e esportes. O reconhecimento reforça a relação construída com a cidade e o trabalho realizado em favor da população.
“É uma alegria imensa receber esse reconhecimento. Sou muito feliz em ser filho de Ipojuca e quero representar essa gente querida no Senado Federal. Essa homenagem aumenta ainda mais a minha responsabilidade de continuar trabalhando por Ipojuca e por Pernambuco”, afirmou.
As redes sociais deste blog, mais lido e pioneiro no Nordeste, continuam de vento em popa, registrando um dos maiores crescimentos no País. No Instagram, o recorde de 10 milhões de contas alcançadas, há dois meses, já foi batido neste mês, com o acréscimo de mais de dois milhões, chegando a 12 milhões de contas alcançadas em apenas 30 dias.
Quem sabe, faz a hora, não espera o dia amanhecer! Se você ainda não nos segue nas redes anote nossos endereços e seja mais um a ficar bem-informado de tudo nos bastidores da política e do poder:
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