Do Metrópoles
Senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou carta escrita pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), que trata do cenário político do país. No documento, o ex-presidente coloca Flávio como porta-voz e pede que apoiadores deixem “diferenças de lado” em prol da candidatura do filho.
A manifestação ocorre após crise entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, diz a carta.
Leia maisO ex-presidente também frisou o apoio à pré-candidatura do filho, ressaltando a confiança em Flávio para “resgatar o Brasil”. “Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, escreveu Bolsonaro.
Neste sábado (11), o parlamentar visitou o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por liderar tentativa de golpe de Estado no país. A carta escrita por Bolsonaro foi lida pelo senador em uma transmissão ao vivo.
Durante a live, Flávio citou “ataques orquestrados” que teriam o objetivo de boicotar sua candidatura. “Isso [a carta] é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que, porventura, alguém possa estar seguindo em paralelo à nossa pré-campanha”, pontuou.
Crise interna
As últimas semanas foram marcadas pelo embate público entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No fim de junho, ela publicou dois vídeos nos quais relata situações com o filho mais velho do ex-presidente.
Michelle disse que foi “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio. O pré-candidato à Presidência negou qualquer ofensa a Michelle e pediu desculpas. Após o episódio, a ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher e criou novo movimento, o “Imparáveis”, que busca mobilizar a ala feminina do partido.
Leia a carta lida por Flávio:
Brasília, 11 de julho de 2026
Carta aos brasileiros
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos, na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade.
Jair Bolsonaro
Leia menos
O desfecho da montagem da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) se dará hoje. Raquel está reunida neste momento com os dois pré-candidatos ao Senado, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, ambos da Federação Progressista. Participam também o deputado federal Fernando Bezerra Filho (UB) e o presidente estadual do PSD, André Teixeira. Não há ainda sinalização da decisão a ser tomada pela governadora, mas será conhecida ainda hoje.
O fundador e membro da comissão executiva estadual do PT, Oscar Barreto, afirmou que “aqueles que estão com Raquel estão com Bolsonaro” e com o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD). A declaração foi feita em vídeo divulgado ontem (10) nas redes sociais, em meio ao debate sobre uma eventual aproximação de petistas com a governadora Raquel Lyra (PSD). “Há um esforço grande de setores do PT tentar vender gato por lebre”, declarou.
“Não há nenhum fato que possa justificar essa tentativa de ruptura interna no PT, a não ser o fato de querer ter o apoio, ter relações com a governadora que, a rigor, não tem nenhum serviço efetivo prestado ao povo de Pernambuco e no Brasil”, alfinetou.
Por Anthony Santana com Alexsandro Fonseca e Felipe Nascimento
Do Blog da Folha
Dois dias após a governadora Raquel Lyra (PSD) visitar a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) com seus aliados, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) também aproveitou o evento para se aproximar do eleitorado.
O pré-candidato a governador percorreu a Alameda dos Mestres, participou de uma roda de conversa e divulgou seus projetos para a gestão do estado.
Leia maisO socialista aproveitou o evento para testar a popularidade pelos corredores do Centro de Convenções, em Olinda. Ele esteve acompanhado do prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), além dos integrantes da chapa majoritária da Frente Popular, o pré-candidato a vice, Carlos Costa (Republicanos), e os pré-candidatos ao Senado, o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada Marília Arraes (PDT).
O prefeito de Angelim, Caíque Galeguinho (PSB), e o prefeito de São Lourenço da Mata, Vinícius Labanca (PSB), também circularam ao lado do político. Da Câmara do Recife, estavam presentes as vereadoras Aline Mariano (Republicanos) e Liana Cirne (PT).
No local, o ex-prefeito do Recife posou para fotos com visitantes e passeou pelos estandes de mestres da arte do barro. Questionado se a presença com aliados no evento seria uma forma de mostrar força política e se manter perto do eleitorado, João Campos afirmou que a ida à Fenearte é uma tradição familiar.
“A Fenearte é um grande patrimônio de Pernambuco e é uma alegria vir pra cá. Fiz questão de vir com minha mãe, a gente deu uma volta completa aqui falando com todo mundo e parabenizando todo mundo que trabalha com arte e cultura e que faz de Pernambuco uma potência cultural”, declarou.
O prefeito Victor Marques reforçou a importância de valorizar a cultura de Pernambuco, ao falar sobre a presença dos aliados de João Campos no evento. “João é o grande líder do processo e, naturalmente, por onde ele anda o grupo dele anda junto e na Fenearte não iria ser diferente”, disse o gestor.
Transnordestina
Na primeira agenda do dia, João Campos falou aos profissionais do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) sobre infraestrutura, mobilidade, investimentos e formação profissional.
Ao falar sobre as obras da Ferrovia Transnordestina, ele sugeriu que o estado deve assumir o compromisso de fazer ajustes na concessão do trecho Salgueiro-Suape. Além disso, o ex-prefeito do Recife salientou que, para destravar as obras, é necessário “ter tamanho para sentar à mesa e fazer” sem ficar refém de estados como a Bahia e o Ceará.
Na proposta defendida por Campos, a execução das obras seria do governo do estado e a segunda frente das obras da ferrovia começaria pelo Complexo Industrial Portuário de Suape, indo em direção ao trecho em execução em Salgueiro.
“Não pode deixar só isso na cartela do governo federal, que tem diversas preocupações, e ficarmos reféns de uma execução estritamente de trechos”, disse.
Região
O pré-candidato não se furtou de fazer críticas ao modelo de gestão da governadora Raquel Lyra. João Campos alegou que a administração estadual não tem articulação com outras prefeituras da Região Metropolitana do Recife (RMR).
Ele propôs criar, caso seja eleito, um conselho liderado pelo Governo do Estado para deliberar sobre assuntos que digam respeito à região. “Vou criar o centro integrado da Região Metropolitana. Essas agendas vão ser discutidas lá e vai ter gente para cuidar e para resolver. E o investimento que o Estado fará vai derivar dessas priorizações. Isso vai fazer diferença”, sustentou.
No embalo de divulgar propostas para gerir o estado, João Campos também divulgou, na tarde de ontem (10), um vídeo explicando que pretende ampliar a atuação do Complexo Industrial Portuário de Suape para os 24 municípios da Mata Sul.
Segundo João Campos, caso eleito, a medida será encaminhada à Assembleia Legislativa logo no início de uma eventual gestão. A proposta estabelece um modelo de cogestão dos distritos industriais da Mata Sul, ampliando a capacidade da região para receber novas empresas, com a expectativa de gerar 25 mil empregos com carteira assinada ao longo de quatro anos.
“No primeiro mês de governo, vou mandar um projeto de lei para que os 24 municípios da Mata Sul passem a fazer parte do território estratégico de Suape”, afirmou.
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Após o Partido Novo anunciar apoio ao projeto político da governadora Raquel Lyra (PSD), a vereadora do Recife e pré-candidata a deputada federal Kari Santos (PT) reagiu à aliança e afirmou que o “palanque bolsonarista” está sendo consolidado em Pernambuco.
A declaração foi publicada ontem (10), nas redes sociais, em resposta ao anúncio feito pelo vereador do Recife Eduardo Moura, uma das principais lideranças da legenda no estado. “Para zero surpresa do povo pernambucano, chega mais um bolsonarista para reforçar o palanque da governadora Raquel Lyra aqui em Pernambuco. Alguém que a gente já sabia que estava ali… Aí brota Eduardo Moura”, disse.
“E a gente já sabe que Clarissa Tércio está com a governadora, Júnior Tércio, Pastor Eurico, Cleiton Collins, Michele Collins, Anderson Ferreira, Fred Ferreira, Coronel Meira, Daniel Coelho, Mendonça Filho, Gilson Machado. Sabe o puro suco do bolsonarismo? Está lá com a governadora. É por isso que, durante o processo da eleição dela, ela nunca falou o nome do presidente Lula”, finalizou.
O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional da Federação Progressista, não abriu mão da indicação do deputado Eduardo da Fonte para a vaga no Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) representando colegiado, formado pelo seu partido, o PP, com o União Brasil. Na quinta, prazo final pedido por Raquel, Ciro ligou para à gestora e disse que a federação não abre mão de Eduardo para Miguel Coelho. Daqui a pouco, Raquel tem uma conversa definitiva com Eduardo em Palácio.
As fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana e a Zona da Mata, em maio deste ano, seguem causando desconforto para o Governo Raquel Lyra. Diferente do que fez em anos anteriores, e com as eleições à porta, a governadora decidiu visitar cidades atingidas e anunciar um auxílio de R$ 2.500 mil para as famílias que foram afetadas.
De imediato, Raquel Lyra decretou situação de emergência e avançou em contratos que só poderiam seguir em regime de excessão, fazendo dispensas de licitação. O que chama atenção é a conta que não fecha. Foram mais de 9,5 mil pessoas afetadas com as chuvas, segundo dados divulgados à imprensa pelo próprio Governo de Pernambuco. Mas na hora de assinar o decreto, que virou propaganda na TV antes da aprovação na Assembleia Legislativa, falaram em beneficiar pouco mais de 3 mil pessoas.
Leia maisO que fazer com as mais 9 mil que ficaram de fora? Por que criar uma pequena camada de beneficiados para fazer marketing e deixar tanta gente de fora? Mais parece uma nova tentativa de criar uma “fachada”, desta vez em forma de auxílio. A demanda popular pela medida era clara e o Governo já sabia. Mas por que tratar o pleito legítimo como um ato de atuação política?
Por que os protestos populares ocorreram em tantas cidades? Não haveria motivação para famílias que perderam tudo com as chuvas? Em 2022, durante o último inverno, o Recife chegou a atender, sozinho, mais de 20 mil pessoas. Por que o estado, com um orçamento 7 vezes maior, não fez o mesmo?
Não é só uma questão de prioridade, mas de empatia. Ficam as perguntas: por que comprar uma UTI Aérea usada para o deslocamento da própria governadora por mais de R$ 60 milhões? Por que fechar um contrato considerado suspeito pelo TCE de R$ 185 milhões para fazer a manutenção de escolas que, depois das “obras”, deixam o teto atingindo estudantes? Por que o investimento para quem foi atingido pelas chuvas não passou de R$ 8 milhões? Pelo visto, o auxílio pra quem realmente precisa ficou pro final da fila. Era fachada, feita pra ilustrar solução e não pra resolver o problema.
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Por Betânia Santana
Do Blog da Folha
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), decidiu estabelecer um limite para que a Federação União Progressista (Progressistas e União Brasil) apresente o nome que vai disputar a vaga ao Senado na sua chapa. Este sábado (11) será definitivo, e ela já teria avisado sobre isso aos dois pré-candidatos — o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União).
O prazo final, segundo fontes palacianas, foi estabelecido em reunião na noite de quinta-feira (9). A chefe do Executivo estadual conversou separadamente com os dois postulantes. Recebeu primeiro o ex-prefeito de Petrolina, que preside o União Brasil no estado, e em seguida conversou com Da Fonte, presidente estadual do PP e da federação. Na mesma reunião, no Palácio das Princesas, a governadora teria sustentado sua preferência por Miguel Coelho. Abriria mão até mesmo do tempo de televisão, mas não teria outro nome.
Leia maisEm encontro na última segunda-feira, em Brasília, com os presidentes nacionais da federação — Antônio de Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP), já havia relatado ter disponibilizado o espaço para Da Fonte em duas oportunidades, e ele rejeitou. Além disso, o deputado abriu negociação com seu principal adversário, o pré-candidato ao governo de Pernambuco e ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
A outra vaga — como já havia firmado — será do deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), que deixou o Rede Sustentabilidade para acompanhar o projeto de reeleição da governadora e disputar o espaço para o Senado. Inicialmente, a quinta-feira era o prazo que o presidente nacional do Partido Progressistas, deputado Ciro Nogueira, havia pedido à governadora, na tentativa de um consenso. A solicitação feita durante o encontro em Brasília na segunda não surtiu efeito.
Incondicional
Na véspera da decisão do União Progressista, o deputado federal Eduardo da Fonte garantiu que o apoio da federação a Raquel Lyra é incondicional. “O apoio da Federação é incondicional. A escolha do nome para o Senado tem que acontecer com harmonia e tranquilidade, levando em conta a força da Federação e o fortalecimento do grupo”, disse o parlamentar em entrevista à Folha de Pernambuco.
O presidente da Federação União Progressita em Pernambuco tem nova reunião com a governadora Raquel Lyra agendada para este sábado (11).
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Do UOL
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), oficializou a perda de mandatos dos deputados Paulão (PT-AL) e Dayany Bittencourt (União-CE).
Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) e Priscila Costa (PL-CE) assumem as vagas. A decisão de Motta segue, na verdade, determinação da Justiça Eleitoral que anulou votos recebidos por outros dois parlamentares, com isso, foi preciso realizar uma recontagem dos votos das eleições de 2022.
Leia maisPaulão foi afetado por decisão que cassou o diploma do segundo suplente do PP no estado. João Catunda teve os votos anulados por receber na campanha recursos do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Saúde de Maceió. A entidade teria pago material impresso de campanha no valor de R$ 6.000. Catunda nunca assumiu a cadeira na Câmara.
Já Dayany foi atingida com a cassação do suplente Heitor Freire (União-CE). O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu anular os votos do deputado por irregularidades em gastos da campanha de 2022. O então candidato não comprovou os gastos de R$ 618 mil e a Justiça também considerou desproporcionais o pagamento de R$ 1 milhão para honorários advocatícios com dinheiro do fundo eleitoral.
Apesar de partidos diferentes, os deputados perdem o mandato com o novo cálculo do quociente eleitoral. A contagem considera a quantidade de cadeiras de cada estado e a proporção de votos dos candidatos em relação à votação total dada a partidos e federações partidárias.
Depois dessa conta, ocorre o que é chamado de sobra eleitoral. No caso de Alagoas, como mostrou o colunista do UOL Carlos Madeiro, quatro vagas foram destinadas às sobras do quociente eleitoral. Com as cassações, o TSE retira os votos dos deputados cassados e faz um novo cálculo, o que impacta em possíveis mudanças de cadeiras, como foi o caso de Paulão e Dayany.
Deputados afetados chamam processo de “perseguição política” e “injusto”. O PT Alagoas diz que vai acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) para que a decisão seja revista. “Dói, porque não fui acusada de nada, não cometi nenhum erro, não estou inelegível. Dói, porque fiz um mandato limpo, produtivo e dedicado ao Ceará”, disse Dayane, em vídeo publicado nas redes sociais.
Quem assume

Priscila é aliada de Michelle Bolsonaro (PL). Ela foi pivô da briga que se tornou pública entre a ex-primeira-dama e seu enteado, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O nome dela é defendido por Michelle para o Senado no estado.
Flávio e o PL do Ceará, no entanto, defendem Alcides Fernandes (PL-CE). O pré-candidato estará hoje no estado para participar do evento de lançamento da pré-candidatura de Alcides. A segunda vaga ficaria para outro partido — Michelle critica a aliança do PL com Ciro Gomes, pré-candidato ao governo pelo PSDB.
Nivaldo era filiado ao PTB, antes de integrar o Republicanos. Já assumiu a cadeira de deputado como suplente, se afastando, pela última vez, em 3 de novembro de 2018, segundo registros da Câmara. Nas redes sociais, ele comemorou a decisão da Justiça.
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Por Marcos da Costa Cintra
Colunista do Poder360
Toda grande transformação tecnológica produz um paradoxo: quanto mais bem-sucedida ela é, maior tende a ser a necessidade de coordenação que cria. O debate energético brasileiro frequentemente ignora essa realidade. Ainda é comum tratar a eletricidade só como a quantidade de energia produzida. Mas sistemas elétricos modernos são muito mais do que usinas produzindo elétrons. São redes complexas, nas quais diferentes tecnologias precisam atuar de forma integrada para assegurar estabilidade, segurança e continuidade do abastecimento.
Essa mudança já pode ser observada na operação cotidiana do sistema. Quando uma nuvem cobre uma extensa região de produção solar ou os ventos diminuem de intensidade, a produção pode variar em questão de segundos. Para o consumidor, nada muda. Mas, nos bastidores, hidrelétricas ajustam sua produção, termelétricas fornecem potência quando necessário, baterias respondem às oscilações quase instantaneamente, linhas de transmissão redistribuem os fluxos de energia e sistemas digitais coordenam milhões de decisões em tempo real.
Leia maisA confiabilidade do abastecimento já não depende da predominância de uma única fonte. Ela resulta da capacidade de tecnologias diferentes atuarem de forma complementar. A matriz elétrica tornou-se mais diversificada e, justamente por isso, mais complexa. Não se trata de um fracasso da transição energética, mas de uma consequência do seu próprio sucesso.
Toda inovação aumenta possibilidades e, ao mesmo tempo, cria exigências de coordenação. Ao resolver o desafio da expansão das fontes renováveis, surgiram outros: assegurar potência disponível, flexibilidade operacional, estabilidade da rede e segurança do suprimento. O desafio deixou de ser só produzir eletricidade. Passou a ser organizar complementaridades.
O problema é que a evolução tecnológica avançou mais rápido do que as regras e as instituições encarregadas de organizá-la. Nos últimos anos, o setor acumulou subsídios, exceções regulatórias, judicializações e intervenções concebidas para responder a desafios específicos. Isoladamente, muitas delas fizeram sentido. Em conjunto, produziram um ambiente cada vez mais difícil de coordenar.
O curtailment crescente da produção renovável, a sobreposição de incentivos incorporados às tarifas e a multiplicação de sinais regulatórios contraditórios são manifestações desse processo. O resultado aparece na forma de investimentos redundantes, expansão desordenada da infraestrutura, aumento da litigiosidade, maior percepção de risco e custos crescentes para consumidores e investidores. Em sistemas complexos, descoordenação não produz mais liberdade. Produz mais incerteza.
Essa incerteza tem consequências econômicas concretas. Eleva o custo de capital, reduz a previsibilidade dos investimentos e dificulta decisões de longo prazo justamente quando o país precisa acelerar a expansão de sua infraestrutura energética. Coordenação deixou de ser só uma função administrativa. Tornou-se um ativo econômico.
Se esse é o novo desafio, a resposta não pode ser a paralisia nem a rejeição automática dos instrumentos criados para enfrentá-lo. O setor precisa modernizar suas instituições para que planejamento, operação, expansão da rede, mercados e regulação deixem de evoluir em velocidades diferentes e sob incentivos frequentemente conflitantes.
Essa reforma passa por fortalecer o planejamento de longo prazo; aperfeiçoar mercados capazes de remunerar, com transparência, atributos como energia, potência e flexibilidade; revisar subsídios para que sejam temporários e claramente justificados; distribuir custos de forma mais eficiente; alinhar os sinais econômicos entre produção, transmissão, armazenamento e consumo.
É nesse contexto que mecanismos como o LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) devem ser avaliados. Seu objetivo não é favorecer uma tecnologia específica, mas assegurar que o sistema disponha da potência necessária para atender à demanda quando fontes de produção variável, por suas características, não conseguem fazê-lo sozinhas. Seu desenho regulatório deve ser permanentemente aperfeiçoado e debatido. O que não faz sentido é transformar instrumentos dessa natureza em alvos de disputas ideológicas, como se segurança do suprimento fosse incompatível com a transição energética.
O verdadeiro desafio do setor elétrico brasileiro já não é escolher entre Estado e mercado, nem entre fontes renováveis e fontes firmes. É construir instituições capazes de fazer essas dimensões funcionarem de forma complementar. O Brasil reúne poucos dos problemas que afligem outras economias. Dispõe de uma das matrizes mais limpas do mundo, abundância de recursos naturais, diversidade tecnológica e enorme capacidade de expansão. Seu maior desafio deixou de ser energético. Tornou-se institucional.
A transição energética alterou as bases sobre as quais o setor elétrico foi construído. Quando a realidade muda, as instituições e as regras também precisam mudar. O Brasil reúne os recursos, a experiência e o conhecimento necessários para conduzir essa transformação de forma planejada, antes que ela seja imposta pelas urgências do sistema. Algumas reformas nascem de escolhas; outras, das circunstâncias. A reforma do setor elétrico brasileiro pertence à segunda categoria. Quanto mais cedo ela começar, maiores serão as chances de transformar a extraordinária riqueza energética do país em prosperidade duradoura.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Na estante de madeira instalada no corredor entre a cozinha e a sala de jantar do apartamento da minha família em Ipanema, um livro com dois volumes me chamava atenção: “A Thousand Days“ (“Os Mil Dias”), de Arthur Schlesinger Jr. Ficava imaginando o que tinha ali de tão importante, por que meu pai guardou na última prateleira, inalcançável para mim e minhas irmãs. Até que um dia, já adolescente, me agarrei com aquele livro. Schlesinger fora assessor de John Kennedy na Casa Branca e seu relato sobre o governo do presidente mais famoso me fascinou.
Em 26 de junho, tive o privilégio de assistir à primeira exibição do filme “963 Dias”, dirigido por Bruno Barreto e produzido por Elsinho Mouco. É um documentário com aquele padrão de qualidade que ao longo de décadas nos acostumamos a ver nos filmes da família Barreto. O filme traz a história revisitada, contando o dia a dia do último presidente deste século 21 focado em unir em vez de dividir o Brasil.
Leia maisAssim como Schlesinger, Elsinho acompanhou Temer no dia a dia do governo como uma sombra, registrando os momentos bons e ruins de um presidente levado ao poder pela mão do destino, como ocorreu com Itamar. Dos cinco presidentes que chegaram ao poder nos últimos 70 anos por via oblíqua, na democracia, o único a não governar foi Café Filho, o vice de Getúlio Vargas, içado ao poder em 1954 depois de o presidente ter escolhido o suicídio como porta de saída do poder.
João Goulart foi deposto pelo golpe de 1964. Sarney se viu presidente do dia para a noite, mas soube fazer a travessia para a democracia com a Constituinte, embora tenha passado a maior parte do governo apanhando. Itamar Franco chegou desacreditado e nos deixou de herança o Plano Real. Temer também assumiu desacreditado, fustigado pela imprensa e pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, desequilibrado, nefasto, cujas atitudes da época indicam as piores intenções a lastrearem uma fome pantagruélica pelo poder.
Temer não foi um presidente fraco, como quis fazer crer a narrativa dos seus detratores depostos pelos próprios erros e incoerências. Não foi ele quem entrou. Foi Dilma quem saiu, abandonada pela base de apoio no Congresso, sem diálogo com a classe política, os empresários e até uma ala do seu partido.
Temer foi mais perseguido pelos seus acertos do que por seus erros, mostram as entrevistas com políticos, juízes, jornalistas e empresários, como Henrique Meirelles, Paulo Skaf, Rodrigo Maia, Moreira Franco, Marcio de Freitas, Raquel Landim, Ascânio Seleme, Rodrigo Pacheco, Tarcísio de Freitas, além dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
O presidente tinha enorme vontade de acertar quando propôs a Reforma da Previdência, os ajustes na legislação trabalhista e o teto de gastos, este último derrubado na volta do PT ao poder. Ele chegou com uma proposta debaixo do braço, A Ponte para o Futuro, programa antes apresentado a Dilma como contribuição do PMDB, mas rechaçada como “coisa da oposição”.
Ele agiu para colocar em prática as ideias contidas naquele plano de ação governamental, mas foi duramente bombardeado pela mídia, especialmente o Grupo Globo, e o procurador-geral da República, tão obcecado por derrubar o presidente que mandou o empresário Joesley Batista gravá-lo e, em seguida, vazou a conversa para a imprensa, liberando só a transcrição, sem o áudio.
O que veio depois foi uma campanha pela renúncia de Temer, um ódio desenfreado a ganhar as redes sociais: “Fora, Temer”. Chamavam Temer de golpista sem se dar conta de que o procurador Rodrigo Janot agia para sacar do poder o presidente levado ao cargo pelas vias constitucionais.
A campanha contra Temer fez sua rejeição bater 70%. Era mais efeito manada do que sentimento racional, semelhante ao vivido pelo ex-presidente Sarney. Todo governo focado em fazer aquilo que acredita ser o certo nunca agrada a todos; muitas vezes desagrada à maioria. Foi assim com o John Kennedy de Schlesinger e foi assim com o Michel Temer de Elsinho e Bruno Barreto.
Kennedy penou nas mãos da oposição depois do fracasso na Baía dos Porcos, em 1961, e a crise dos mísseis em Cuba, em 1962. Também enfrentou forte insatisfação interna com o uso da Guarda Nacional para assegurar os direitos civis dos negros, tanto quanto o confronto com as siderúrgicas em 1962, quando tentaram subir os preços do aço depois de negociação salarial com os trabalhadores.
Temer passou sufoco com as denúncias de Janot contra ele, ambas rejeitadas pelo Congresso, o teto de gastos que impôs limites aos gastos públicos, as mudanças nas leis trabalhistas, a Reforma da Previdência que não passou e a greve dos caminhoneiros em 2018, parando o país.
Não é uma comparação entre governos com mais de 60 anos de distância um do outro, mas uma tentativa de entender a história a partir da narrativa de personagens presentes nos bastidores. Nesse sentido, comparações com memórias de outros políticos são instrutivas: assim como os livros de Moreira Franco e Amaral Peixoto, produzidos por Aspásia Camargo, são simultaneamente fonte histórica e projeto de autoimagem, “Os Mil Dias” e “963 Dias” podem ser vistos tanto como reveladores de fatos quanto narrativas sobre projetos interrompidos pela brutalidade. Cada qual no seu tempo e momento, ambos foram impedidos de chegar onde pretendiam.
Foi de Bruno Barreto a iniciativa de propor o documentário, nos idos de 2023. Depois de idas e vindas e muitas conversas, chegaram à versão final. O cinema foi o primeiro passo. Agora, o filme vai virar série em streaming, via Netflix ou Prime. Novas histórias serão contadas, aprofundando os registros do filme.
A comparação do documentário de Bruno Barreto com o livro de Arthur Schlesinger Jr. não é por acaso. São complementares. Os 1.000 dias de Kennedy, na realidade, foram 1.037. E essa “sobra” é justamente o tempo que faltou para Temer completar seus 1.000 dias. História na tela é sempre um deleite. A reportagem deste Poder360 sobre os 963 dias resumiu a realidade: “Os que o defendem continuarão a defender. Os que desgostam talvez ganhem mais motivos para tal”.
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A partir de hoje, sempre aos sábados, este blog traz mais uma inovação além do seu território natural, o da política: a temática das mudanças climáticas.
Trata-se de um fenômeno que a humanidade assiste, atônita, ante o despreparo dos gestores públicos, da falta de planejamento e de projetos de prevenção contra as cheias, as secas e outros fenômenos, como o El Niño, aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação dos ventos e modifica os padrões de chuva e temperatura global.
Especialista no assunto, o engenheiro Gastão Cerquinha Neto, pernambucano, atuando hoje no Cemaden — Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais — em São José dos Campos, em São Paulo, aceitou o convite para colaborar com o blog na área. Eis a sua coluna de estreia abaixo.
Água, cidade e futuro

Por Gastão Cerquinha Neto*
Leia maisO que é uma cidade resiliente às mudanças climáticas? As cidades enfrentam diversos problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da população e a forma como o espaço urbano é ocupado.
Inundações, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de encostas, congestionamentos, poluição do ar, sonora e visual, além de deficiências no abastecimento de água e no tratamento de esgoto, fazem parte dos desafios cotidianos dos centros urbanos.
Diante desse cenário, é fundamental que as cidades estejam preparadas para enfrentar situações críticas, planejando antecipadamente ações de prevenção, resposta e recuperação. Em outras palavras, uma cidade resiliente é aquela capaz de se preparar para eventos adversos, minimizar seus impactos e agir de forma eficiente quando esses problemas ocorrem ou se intensificam.
Trânsito urbano
Para entender esse conceito, podemos utilizar um exemplo simples relacionado ao trânsito urbano. Imagine que uma cidade irá receber um grande show e que, por isso, algumas ruas e avenidas precisarão ser interditadas. Para que esse evento ocorra sem comprometer o funcionamento da cidade, é necessário reorganizar o sistema viário.
Algumas vias passam a operar em sentido único ou reversível, outras ficam restritas ao acesso de moradores, novas sinalizações são instaladas e a população é informada com antecedência, por meio da imprensa e de campanhas de orientação. O objetivo é garantir que atividades essenciais, como o acesso a hospitais, escolas, comércios e serviços, continuem funcionando normalmente durante o evento.
Quanto melhor estruturada for a malha viária, mais fácil será realizar essa adaptação e menor será o impacto para a população. Por outro lado, quando a infraestrutura já apresenta limitações, seja pelo excesso de veículos, pela falta de manutenção ou pela escassez de rotas alternativas, a capacidade de resposta da cidade diminui.
Bom planejamento
Como consequência, aumentam os congestionamentos, o tempo de deslocamento e os transtornos para quem depende da mobilidade urbana. Traduzindo: cidades bem planejadas e preparadas conseguem se adaptar com mais facilidade a situações fora da rotina, mantendo seus serviços e atividades funcionando mesmo diante de alterações temporárias.
O mesmo princípio se aplica às mudanças climáticas. Assim como uma cidade precisa se reorganizar para receber um grande evento, ela também deve estar preparada para enfrentar os impactos provocados por chuvas intensas, enchentes, enxurradas, deslizamentos, ondas de calor e períodos prolongados de seca.
Esses eventos tendem a se tornar mais frequentes e intensos, exigindo planejamento antecipado, investimentos em infraestrutura e ações coordenadas entre o poder público e a sociedade. Quanto maior a capacidade de adaptação da cidade, menores serão os prejuízos causados pelos eventos climáticos extremos e mais rápida será sua recuperação.
Efeitos danosos da chuva
Desastres relacionados às chuvas, além de causarem grandes prejuízos econômicos, colocam vidas em risco. Em 2026, cerca de 14 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas em Minas Gerais, com 70 mortes em Juiz de Fora e Ubá. Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o maior desastre climático do país, com 475 municípios inundados, 183 mortes e mais de 500 mil desabrigados.
No mesmo ano, a seca na Amazônia isolou comunidades e comprometeu o acesso à saúde, alimentação e educação, afetando cerca de 60% dos municípios da região. Em 2023, deslizamentos em São Sebastião (SP) deixaram 65 mortos e, em 2022, a Região Metropolitana do Recife registrou 133 mortes no maior desastre socioambiental do século XXI em Pernambuco.
Esses episódios somam-se a outros eventos marcantes, como os desastres da Região Serrana do Rio de Janeiro (2011) e de Petrópolis (2022), evidenciando a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos no Brasil.
A reversão
Reverter esse cenário e tornar as cidades mais resilientes às mudanças climáticas exige combinar obras de engenharia tradicionais, como canais, galerias de drenagem, diques e reservatórios, com soluções baseadas na natureza, como parques, áreas verdes, margens de rios preservadas, manguezais e jardins de chuva.
Em vez de depender de uma única solução, a cidade deve contar com diferentes formas de proteção que trabalhem em conjunto para reduzir os impactos de eventos extremos, como chuvas intensas e ondas de calor. Além de aumentar a proteção contra desastres, essa integração traz benefícios para o dia a dia da população, como melhoria da qualidade ambiental, redução do calor e criação de espaços de lazer.
Resiliência das cidades
Fortalecer a resiliência das cidades às mudanças climáticas também depende do envolvimento ativo da população. A implementação de soluções deve ser acompanhada por ações de educação ambiental e conscientização, para que as comunidades compreendam seus benefícios e participem da criação, manutenção e conservação desses espaços.
Além disso, a participação da sociedade, integrada à atuação do poder público, de organizações e de diferentes setores da administração, fortalece a governança, promove o senso de pertencimento e aumenta as chances de sucesso e continuidade dessas iniciativas, especialmente em áreas urbanas mais vulneráveis.
*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atua há mais de dez anos com hidrologia, hidrodinâmica e gestão de riscos de desastres, desenvolvendo estudos sobre drenagem urbana, inundações, segurança de barragens e adaptação às mudanças climáticas. Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
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