A candidatura de Marília Arraes (PDT) ao Senado ganha um novo reforço no Agreste pernambucano. Prefeito de Cupira e principal liderança de seu grupo político no município, Duda Lira (União) declarou apoio à pedetista e passa a integrar a crescente frente de lideranças municipais que vem se formando em torno de seu nome. A adesão fortalece a presença de Marília na região e evidencia sua capacidade de construir alianças para além das fronteiras partidárias.
A movimentação em Cupira acontece em meio a uma sequência de importantes adesões conquistadas por Marília nos últimos dias. Nesta segunda-feira, a prefeita de Escada, Mary Gouveia, e o ex-prefeito Jandelson Gouveia e todo seu grupo político, anunciaram apoio à candidata. Também passaram a integrar o palanque da pedetista, nos últimos dias, o prefeito de Tamandaré, Carrapicho (Republicanos); o prefeito de São Caetano, Josafá Almeida (PRD), e seu irmão, o candidato a deputado estadual Jobson Almeida (Republicanos); a vice-prefeita de Camaragibe, Comandante Débora (PT); e o prefeito de Bonito, Dr Ruy (PSB).
Leia maisDuda Lira destacou a experiência política de Marília e sua capacidade de defender os interesses dos municípios em Brasília. “Marília conhece Pernambuco, sabe das dificuldades enfrentadas pelas prefeituras e tem força política para ajudar os municípios a avançarem. Nossa decisão é fruto da confiança na sua trajetória e na certeza de que teremos no Senado uma parceira de Cupira e do Agreste. Por isso, nosso grupo chega unido para caminhar com ela”, afirmou o prefeito.
Marília ressaltou a importância da chegada do prefeito e seu grupo. “Duda construiu uma liderança importante em Cupira e tem um grupo político forte e comprometido com o município. Ter ele ao nosso lado é muito importante. Nossa candidatura segue avançando com diálogo e reunindo lideranças de diferentes partidos porque existe um objetivo maior que nos une: trabalhar por Pernambuco e garantir que os municípios tenham uma voz forte no Senado”, destacou.
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Do G1/PE
Um homem de 38 anos, internado no Hospital da Restauração (HR), no Derby, na área central do Recife, encontrou larvas de moscas, conhecidas popularmente como “tapurus”, dentro de uma ferida na perna esquerda. A ferida fica no entorno do fixador externo circular, como é chamado tecnicamente o aparelho de Ilizarov, estrutura metálica usada para estabilizar fraturas complexas.
Ele foi internado na unidade pela quarta vez em 13 de agosto, para aguardar uma cirurgia que, até esta segunda-feira (24), ainda não tem previsão para acontecer.
Leia maisO operador de telemarketing Daniel Marinho Guedes foi atropelado em março e sofreu fraturas nas duas pernas e num dos ombros. Na perna esquerda, foram sete fraturas. Meses depois, os médicos identificaram uma osteomielite, uma infecção que atinge o osso, motivo pelo qual ele precisa passar por cirurgia.
O paciente afirmou que as larvas foram encontradas dentro da ferida no dia 16 de agosto, durante a troca do curativo. Segundo ele, cinco foram retiradas naquele dia e outras duas foram encontradas no dia seguinte. Daniel recebeu, posteriormente, medicamento para combater as larvas.
A presença das larvas e a infecção no osso são problemas diferentes. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a osteomielite não provoca o aparecimento de larvas. Elas podem surgir quando moscas depositam ovos em uma ferida aberta, principalmente quando há exposição da lesão e condições inadequadas de higiene.
Também não é possível afirmar que moscas tiveram contato com a ferida de Daniel no Hospital da Restauração, ou em um momento anterior à internação mais recente.
Daniel afirma que aguarda uma cirurgia desde o dia 14 de agosto. O procedimento indicado por um médico tem como objetivo retirar uma amostra do osso para identificar a bactéria responsável pela infecção no osso e, assim, definir um tratamento mais específico.
O que aconteceu com o paciente
Daniel foi atropelado na Avenida Pan Nordestina, em Olinda, no dia 22 de março. Além de fraturar um ombro, ele teve as duas pernas quebradas;
Idas e vindas ao hospital
No dia 2 de julho, ele retornou ao Hospital da Restauração por causa de um sangramento na perna esquerda. Foi nessa ocasião que os médicos identificaram uma osteomielite aguda na tíbia. A tíbia é um dos ossos da parte inferior da perna.
A osteomielite é uma infecção que pode acontecer quando bactérias chegam ao osso, segundo uma médica consultada pelo g1. No caso de Daniel, a fratura exposta aumentou o risco de contaminação porque deixou o osso em contato com o ambiente externo. Daniel recebeu alta novamente no dia 22 de julho.
Quatro dias depois, em 26 de julho, ele precisou ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, na Zona Oeste do Recife. De lá, foi encaminhado novamente ao Hospital da Restauração.
“Fiquei horas no corredor, sem comer, sem trocar os curativos, e sem receber a medicação que eu precisava”, disse. Cinco dias depois, na noite do dia 27, recebeu alta novamente.
Daniel voltou ao Hospital da Restauração na madrugada de 13 de agosto, depois de passar pela UPA de Cruz de Rebouças, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife.
Dessa vez, segundo ele, um médico plantonista indicou a realização de uma nova cirurgia. O objetivo é fazer uma coleta de material do osso, que será analisado para tentar identificar qual bactéria está causando a infecção. Com essa informação, os médicos podem escolher um tratamento mais direcionado.
Daniel afirma que aguarda o procedimento desde o dia 14 de agosto. Após entrar e sair do hospital várias vezes, sem uma solução efetiva, ele teme que a demora possa ter um custo alto. “Vivo com o perigo iminente de uma amputação da minha perna esquerda”, contou.
Larvas na ferida
Antes de voltar ao Hospital da Restauração, Daniel estava em uma clínica particular em Camaragibe, também na Região Metropolitana. Segundo ele, o curativo era trocado diariamente no local.
No dia 13 de agosto, já no HR, ele afirma que não teve o curativo trocado. Entretanto, a partir do dia seguinte, segundo o paciente, as trocas passaram a ser feitas diariamente.
No domingo, 16 de agosto, durante uma troca, uma larva apareceu presa à gaze retirada da perna. De acordo com Daniel, a equipe fez uma limpeza na ferida e encontrou outras cinco larvas no local.
No dia seguinte, mais duas foram encontradas. O paciente filmou parte do procedimento e enviou as imagens ao g1. A partir de 17 de agosto, Daniel passou a receber medicação para combater as larvas.
No mesmo dia, a família dele formalizou denúncias à Ouvidoria do Hospital da Restauração e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Nelas, os parentes afirmam que Daniel já fez uma solicitação formal para que ele seja transferido para outra unidade, mas permanece sem atendimento adequado no corredor. Também pede a abertura formal de um procedimento para apurar o caso.
O que causa a proliferação de tapurus?
O estomaterapeuta Jabiael Carneiro da Silva Filho, professor do Departamento de Enfermagem da Universidade de Pernambuco (UPE), explicou que os chamados tapurus são larvas de moscas. Segundo o especialista, a manutenção adequada dos curativos e da higiene da ferida é importante para reduzir esse risco.
“Algumas moscas, não são todas as espécies, depositam ovos na pele, e consequentemente na lesão. E aí tem o desenvolvimento das larvas, os chamados tapurus. Está relacionado à higiene, à manutenção da ferida exposta. Quando uma mosca pousa, pode ou não depositar os ovos”, explicou.
Isso, porém, não significa que a presença de larvas prove que houve falha no atendimento hospitalar, já que casos como estes podem acontecer também quando os pacientes estão em suas casas. Segundo ele, demoras nas trocas de curativos podem ter contribuído para o surgimento dos tapurus, mas outras causas também devem ser levadas em conta.
“Pode estar relacionado a isso, mas não necessariamente. Por exemplo, se eu faço um curativo que precisa de troca a cada 24h, e ele tem uma troca mais longa, pode contribuir, porque vai gerar microrganismos ali. Mas normalmente está relacionado à falta de higiene e à ferida exposta. O que pode, ou não, acontecer no hospital”, disse.
Segundo ele, pessoas que tiveram uma fratura no osso podem ser acompanhadas de casa ou do hospital. Tudo vai depender do tipo de fratura e da evolução do paciente. Fatores como comorbidades, alimentação e idade também podem influenciar no tempo da cicatrização.
Infecção no osso
Em entrevista ao g1, a médica Giselly Veríssimo, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) em Pernambuco, explicou que a osteomielite é uma infecção profunda que pode atingir o osso devido a uma fratura exposta.
“Quando você tem essa comunicação do osso com o ambiente externo, tem esse risco de desenvolver, porque pode ter entrado uma bactéria. Quanto mais grave a fratura exposta, maior a chance de desenvolver uma osteomielite.
Mesmo fazendo o tratamento e a limpeza, há sempre esse risco”, afirmou a ortopedista.
Segundo a médica, a causa mais comum da infecção é a bacteriana. E o tratamento depende do uso de antibióticos e de que a fratura não fique exposta, para que o osso não tenha mais contato com o ambiente.
A especialista conta que, em alguns casos, é necessário que o paciente passe por uma cirurgia, que colete parte do tecido ósseo, para identificar o tipo de bactéria e determinar o melhor medicamento para enfrentá-la.
“São poucos antibióticos que conseguem atravessar todas as barreiras e chegar no osso. Por isso, às vezes, o paciente precisa ficar internado. Em alguns casos, pode ser necessário medicamento intravenoso”, disse a médica.
De acordo com a ortopedista, a infecção no osso, por si só, não resulta no aparecimento de larvas.
“Essa larva pode aparecer em pacientes que estão acamados há muito tempo, que estão com a ferida exposta, aberta. Não precisa ter infecção do osso para aparecer a larva, não. É só estar com uma feridinha aberta”, afirmou a médica.
O que diz o hospital?
Em nota, o Hospital da Restauração afirmou que:
Por Eduardo Romero Marques de Carvalho*
Faz tempo que não escuto um neologismo tão sem graça, perigoso e pernóstico quanto o recém-dito pela governadora de Pernambuco, para tentar escapar do “Ser ou não ser? Eis a Questão… do Sempre” – de tradução minha e o pertinente adendo, também. Declarando-se “pernambuquista”, pôs graves holofotes iluminando a política administrativa mesquinha do seu “em si mesmado governo”.
Pior. Ao declarar-se “pernambuquista” a governadora defende o isolacionismo político-administrativo do nosso Estado. O descalabro miliciano-obscurantista a ser reimposto ao resto dos brasileiros, caso um bolsonarista volte ao Planalto, não nos dizem nem dirão respeito. Para a pernambuquista, desde que Pernambuco seja poupado, a entourage bolsonarista pode voltar ao comando do Brasil. E, o resto que se fo… deixa pra lá.
Leia maisCaso do acaso… Acabo de reler “Memórias da Segunda Guerra Mundial”, de Churchill, e estou por terminar “Roosevelt e Hopkins – Uma História da Segunda Guerra Mundial”, de Robert E. Sherwood. Pena que a governadora ainda não tenha passado uma vista em nenhum dos dois. E se o Chamberlain tivesse permanecido à frente da Inglaterra, dando de ombros para a França e para o resto da Europa? Se o Franklin Delano não tivesse sido reeleito? Onde estaria, no agora, o resto do Mundo?
O isolacionismo é egoísta e covarde. Os grandes líderes sempre tiveram lado, arcando com as consequências de tal postura. Dr. Miguel Arraes, diante do cerco covarde do Palácio do Campo das Princesas, nem mesmo procurou negociar a sua permanência no comando do Executivo do Estado.
E qual de nós, que tenha tido a oportunidade de caminhar, mesmo poucos metros, ao seu lado, pode levantar dúvida quanto à Estrada por onde estaria caminhando, no agora, o deputado e ministro Fernando Lyra? Passa pela mente de um de nós a possibilidade de Fernando, encerrando um daqueles célebres comícios em favor da redemocratização, gritar, a plenos pulmões: “E, para presidente do Brasil… tanto faz, como tanto fez”.
Nunca! Jamais!
*Advogado
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, é o convidado do meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília, de amanhã. Excepcionalmente, o programa será transmitido na quarta-feira, em função da agenda do ministro. Sucessor de Fernando Haddad no comando da pasta, Durigan vai falar sobre os desafios das contas públicas, juros, dívida, reforma tributária e as medidas que o governo pretende levar adiante no Congresso.
Entre os assuntos em destaque está a chamada “taxa das blusinhas”. Durigan anunciou que o governo vai concentrar esforços no Congresso para aprovar a medida provisória que acaba com a alíquota federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A MP precisa ser aprovada até 8 de setembro para não perder a validade.
Leia maisEm suas declarações mais recentes, Durigan tem elevado o tom na defesa do equilíbrio das contas públicas. Nesta semana, afirmou que o Brasil precisa ter com a irresponsabilidade fiscal a mesma intolerância construída contra a inflação e pregou a busca por “juros civilizados”. O ministro também disse que a equipe econômica está preparada para realizar um novo esforço fiscal equivalente a cerca de 2% do PIB em um eventual próximo mandato do presidente Lula, com atenção especial ao controle das despesas obrigatórias. Também tem sustentado a manutenção, com aperfeiçoamentos, do atual arcabouço fiscal e criticado propostas apresentadas pela oposição para as contas públicas.
Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), Durigan assumiu o Ministério da Fazenda em março deste ano, após a saída de Fernando Haddad. Antes, ocupava desde 2023 a Secretaria-Executiva da pasta, onde participou da formulação e articulação de algumas das principais agendas econômicas do governo, entre elas o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária. Sua trajetória profissional inclui ainda passagens pela Advocacia-Geral da União (AGU), pela Casa Civil, pela Prefeitura de São Paulo e pelo setor privado.
Nos últimos meses, Durigan ganhou ainda mais espaço na formulação da política econômica. O ministro tem buscado diálogo com economistas de diferentes correntes para discutir alternativas destinadas a estabilizar a dívida pública, reduzir o risco fiscal e criar condições para a queda dos juros.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Por Antônio Campos*
A economia é o grande assunto de 2026 e deverá ocupar o centro da eleição presidencial, o restante é narrativa menor. Há outros temas relevantes no debate público, mas nenhum deles terá tanta capacidade de influenciar diretamente o cotidiano das pessoas, a confiança dos investidores e o futuro do país quanto a situação econômica brasileira.
O Brasil vive um quadro fiscal que exige atenção e responsabilidade imediatas. Não se pode adiar indefinidamente o enfrentamento do desequilíbrio das contas públicas. O país precisa iniciar um processo consistente de ajuste, com controle das despesas, definição de prioridades e recuperação da credibilidade fiscal. Caso contrário, estaremos alimentando uma trajetória perigosa de crescimento da dívida, aumento do custo de financiamento do Estado e perda de confiança.
Leia maisOs números dão a dimensão do problema. Em junho de 2026, a dívida bruta do Governo Geral alcançou 81,9% do PIB, aproximadamente R$ 10,8 trilhões. Nos doze meses encerrados naquele mês, os juros nominais do setor público chegaram a R$ 1,16 trilhão, equivalentes a 8,8% do PIB. O déficit nominal acumulado atingiu quase R$ 1,32 trilhão, ou 9,99% do PIB. (Banco Central do Brasil)
São números que não podem ser tratados como detalhe contábil.
Mesmo depois de iniciar um movimento de redução, a taxa Selic continua muito elevada: o Copom fixou-a em 14% ao ano em agosto de 2026. O próprio Banco Central registra moderação gradual da atividade econômica e mantém preocupação com expectativas de inflação ainda acima da meta. (Banco Central do Brasil)
Esse conjunto — dívida elevada, déficits persistentes, juros muito altos e custo crescente de financiamento do Estado — restringe investimentos, dificulta a expansão das empresas, encarece o crédito das famílias e reduz o espaço para políticas públicas estruturantes.
Não se trata de anunciar catástrofes nem de afirmar que o Brasil já vive uma situação semelhante à da Grécia em sua crise da dívida. Trata-se justamente de agir antes que desequilíbrios acumulados produzam uma crise de confiança de maiores proporções. A responsabilidade fiscal não é uma bandeira ideológica. É condição para o crescimento sustentável.
As redes sociais, os algoritmos, a inteligência artificial e o enorme poder econômico das Big Techs são questões fundamentais do nosso tempo. Precisamos discutir sua regulação, sem restringir a liberdade, seus efeitos sobre a democracia, a informação e as relações sociais. Mas essa não deverá ser a questão decisiva da eleição de 2026.
A pauta que chega mais diretamente à população é a economia.
É o preço dos alimentos, o custo do crédito, os juros, a capacidade de comprar uma casa ou um automóvel, a situação das empresas, os empregos, os salários, a carga tributária e a confiança em relação ao futuro.
Por isso, a economia tende a ser um fator decisivo também para a avaliação do presidente Lula e de seu governo. Embates internacionais, inclusive as controvérsias envolvendo o governo Trump e as tarifas norte-americanas, podem movimentar o debate político e diplomático, mas dificilmente substituirão as questões econômicas internas como critério central do eleitor.
A crise do petróleo e as transformações geopolíticas também merecem atenção. O ambiente internacional está cada vez mais complexo, marcado por guerras, protecionismo, tarifas comerciais, disputas tecnológicas e reorganização das cadeias mundiais de produção. O próprio governo brasileiro anunciou medidas de crédito para empresas atingidas pelas tarifas norte-americanas e pelos efeitos de conflitos internacionais, demonstrando como essas mudanças já alcançam a economia real. (Agência Brasil)
Há ainda sinais preocupantes no ambiente empresarial brasileiro. Grandes grupos atravessam processos de reestruturação financeira. Em agosto, por exemplo, a Braskem anunciou processo de recuperação extrajudicial envolvendo cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, enquanto as Casas Bahia ingressaram em recuperação judicial em meio a dificuldades financeiras, fechamento de lojas e demissões. (Agência Brasil)
Cada caso possui causas próprias e seria equivocado atribuir todas as recuperações judiciais exclusivamente à política econômica. Entretanto, episódios dessa magnitude reforçam a necessidade de observarmos o ambiente de crédito, endividamento, consumo, competitividade e segurança para os investimentos.
Ao mesmo tempo, estamos diante de uma verdadeira mudança de paradigma econômico.
A inteligência artificial, a automação, as novas tecnologias, a economia de plataformas e as transformações nas relações de trabalho estão criando um novo modelo produtivo. Empresas tradicionais precisarão se reinventar. Algumas atividades desaparecerão, outras serão profundamente transformadas e novos setores surgirão.
O Brasil precisa participar dessa transformação, e não apenas assistir a ela.
Também precisamos rever nossa estratégia de inserção internacional. A China é hoje indispensável para a economia brasileira e continuará sendo um parceiro estratégico. Em 2025, recebeu aproximadamente 28,7% das exportações brasileiras e respondeu por 25,3% das nossas importações. (Ceará.gov.br)
Justamente pela importância da China, o Brasil deve trabalhar simultaneamente pela diversificação de seus parceiros econômicos. Não se trata de substituir a China nem de aderir automaticamente a qualquer outro bloco geopolítico. Trata-se de ampliar mercados e equilibrar relações com Estados Unidos, União Europeia, América Latina, Índia, Oriente Médio, África, Japão e outros centros econômicos.
Uma grande economia não pode depender excessivamente de um único destino comercial.
Outro ponto decisivo é a segurança jurídica. O capital procura países nos quais seja possível planejar, investir e calcular riscos. Mudanças permanentes nas regras, intervenções imprevisíveis do Estado e excessiva judicialização de questões econômicas podem reduzir a previsibilidade necessária aos investimentos.
O Brasil precisa de instituições fortes, mas instituições fortes também significam Poderes que respeitem suas competências constitucionais. Executivo, Legislativo e Judiciário devem atuar com independência, mas também com equilíbrio e respeito aos respectivos limites.
Da mesma forma, precisamos discutir uma nova modernização das relações de trabalho, compatível com a inteligência artificial, o trabalho remoto, as plataformas digitais, a economia criativa e as novas formas de prestação de serviços. A legislação não pode permanecer alheia às profundas mudanças que já ocorreram no mercado.
E há uma preocupação adicional no setor produtivo: a implementação da reforma tributária. Empresas de São Paulo, Pernambuco e de todo o país estão revendo sistemas, contratos, estruturas societárias e modelos de negócio diante da nova realidade tributária. Uma transformação dessa dimensão exige segurança, regras claras, transição responsável e diálogo permanente com quem produz.
O Brasil tem enormes vantagens: mercado consumidor, recursos naturais, agricultura competitiva, matriz energética diferenciada, capacidade empresarial, sistema financeiro sofisticado, universidades, tecnologia e uma posição geopolítica privilegiada.
O problema brasileiro não é falta de potencial.
É transformar potencial em crescimento sustentável.
Para isso, precisamos recuperar a responsabilidade fiscal, reduzir estruturalmente o custo do Estado, melhorar o ambiente de negócios, garantir segurança jurídica, modernizar as relações econômicas, diversificar nossas parcerias internacionais, investir em tecnologia e criar condições para o aumento da produtividade.
A eleição de 2026 precisa discutir tudo isso.
Pode-se debater redes sociais, regulação tecnológica, petróleo, geopolítica e tantos outros assuntos importantes. Mas nenhum debate será suficiente se o brasileiro não perceber melhora em sua vida cotidiana.
No final, a economia chega à mesa das famílias, ao caixa das empresas e ao bolso do trabalhador.
Por isso, o primeiro passo é simples e urgente:
colocar a economia no centro do debate nacional e um novo modelo de desenvolvimento atualizado a pauta mundial, inclusive tecnológica.
O Brasil precisa voltar a discutir crescimento, equilíbrio fiscal, produtividade, investimento e desenvolvimento com seriedade.
A gravidade do momento exige menos distrações e mais atenção a economia.
*Advogado e escritor
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O Globo
Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) exibem parcerias com o presidente Lula (PT), mas enquanto a governadora que superou desvantagem nas pesquisas evita nacionalizar para se reeleger, o ex-prefeito de Recife invoca presidente para virar o jogo. Abaixo, uma entrevista realizada com o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo no Estado.
O senhor passou a evocar muito mais o apoio de Lula depois que a governadora cresceu nas pesquisas. É mero senso de necessidade?
Isso é parte de uma aliança nacional e local, além de ter um componente de história e de futuro. A aliança entre Lula e Geraldo Alckmin (PSB) resultou na vitória de 2022. Estou pronto para ganhar ao lado do presidente e governar ao lado dele, filho da nossa terra.
Leia maisFizemos muitas parcerias no Recife, e chegou a hora de fazer no estado. Temos de destravar parcerias históricas como a Transnordestina, que Lula me disse que foi compromisso de campanha dele com Miguel Arraes (seu bisavô) em 1989, que depois começou e até hoje não foi concluída. Como governador, vou pedir que passe isso para o estado para fazermos a coordenação.
Raquel Lyra exalta a parceria institucional que diz já ter com o presidente. Colocar Lula na campanha parece ser uma aposta nítida sua.
Tenho orgulho de mostrar com quem ando, quem apoio. O Brasil tem dois lados na eleição, e aqui em Pernambuco também. Então é natural esse alinhamento.
Mas Raquel Lyra não é uma aliada do bolsonarismo.
Todos os bolsonaristas candidatos em Pernambuco fazem campanha para ela. Incluindo o ex-ministro (de Jair Bolsonaro) Gilson Machado, candidatos ligados ao militarismo, os do PL; pessoas que estavam no 8 de Janeiro, gente que defende a ditadura militar. A própria Michelle Bolsonaro repostou coisa dela esta semana.
Há um ano e meio, o senhor disse ao GLOBO que “eleição é comparação”, o que o colocaria em vantagem. No entanto, Raquel agora lidera as pesquisas. A comparação parece estar favorecendo a governadora?
Pernambuco pode fazer muito mais. Estamos sendo ultrapassados por outros estados do Nordeste. Precisamos criar projetos estruturantes.
Não tem uma grande indústria que veio para Pernambuco nos últimos três anos e meio, não há grandes ciclos de investimento. Fábrica de automóveis foi para a Bahia; datacenter, para o Ceará; um supercomputador de IA com R$ 1 bilhão de investimentos vai para o Rio Grande do Norte.
Se comparar a minha gestão (em Recife) com a do estado, não tenho dúvidas de quem se sai melhor. Fomos a cidade do Brasil que mais abriu vagas em creche por três anos seguidos. Não há um hospital novo construído em Pernambuco. No último semestre, 60% dos empregos gerados em Pernambuco foram no Recife.
Raquel alega haver um gabinete do ódio com fake news contra ela, tem judicializado isso. Está partindo de aliados seus?
Há quase dois anos, o que existe é um gabinete do ódio liderado pela oposição a mim, ligada ao governo do estado, que passa manhã, tarde e noite me atacando nas redes sociais, com direito a deepfakes (imagens manipuladas por IA).
Depois que fui reeleito, montou-se essa estrutura. Denunciei há mais de um ano e meio. Abriu-se até CPI na Assembleia, isso foi denunciado à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal, e há inquérito em curso investigando pessoas ligadas ao governo.
São mais de 90 ações no TRE, com êxito de mais de 80% a meu favor. Há uma tentativa clara de mudança de retórica, que é uma prática da extrema direita e da direita para mudar os fatos.
Em 2022, o PSB não chegou sequer ao segundo turno em Pernambuco, mesmo com a máquina. Quando e onde o partido errou?
Antes, é bom lembrar que Raquel passou dez anos filiada ao PSB, foi deputada pelo partido, secretária e procuradora do Estado. O pai dela foi vice de Eduardo Campos (seu pai).
As pessoas esquecem que em parte dessa caminhada havia um alinhamento. Eduardo Campos foi o maior líder da história de Pernambuco, mas depois o processo de alternância de poder é algo absolutamente normal: eleição se vence e se perde.
Agora temos a oportunidade de construir um novo ciclo. Não serei um analista do passado.
Ao contrário de outros estados do Nordeste, a violência não é a principal preocupação em Pernambuco, segundo as pesquisas. Qual é a pauta central da campanha?
A segurança é, sim, uma preocupação, assim como a saúde, e o estado reduziu investimentos. Tem um cenário caótico, nenhum hospital novo construído, teto caindo, rato e escorpião nas unidades.
E existe a presença das facções entrando em Pernambuco, tomando territórios. Temos um problema de abastecimento de água severo. A educação, que era referência no Brasil, perdeu qualidade.
Precisamos de uma infraestrutura e grandes realizações que não estão chegando a Pernambuco.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Na entrevista que deu ao Correio da Manhã na semana passada, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) concordou que a democracia brasileira corre risco. Na avaliação dele, não pelo risco de uma ameaça golpista. Mas porque o pacto entre os poderes estabelecido na Constituição de 1988 esgarçou-se. Hoje, avalia Mourão, os três poderes brasileiros estão desequilibrados. Competindo entre si.
É essa a situação que gera riscos à democracia brasileira, na opinião do senador gaúcho. Na linha da análise feita por Mourão, o Correio Político ouviu um dos principais líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o ex-juiz eleitoral Márlon Reis, criador da Lei da Ficha Limpa. Márlon concorda que existe hoje, sim, um desequilíbrio entre os poderes. Para ele, por “imaturidade institucional”. Aparente falta de vontade real de resolver o problema.
Leia maisPolíticos de direita gostam de repetir que o desequilíbrio hoje faria a balança pender mais para o Judiciário. Márlon não concorda. “Todos os poderes, em alguma medida, estão excedendo e entrando na seara dos demais”, considera o autor da Lei da Ficha Limpa. Márlon Reis cita o problema das emendas parlamentares ao orçamento, um ponto que o MCCE trabalha agora para tentar de alguma forma regulamentar. “O Congresso Nacional usurpou poderes do Executivo com as emendas impositivas”, considera.
Ao vetar na segunda-feira (24) as chamadas “emendas de liderança”, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino disse que o orçamento é hoje a principal “fonte de corrupção” do país. No que diz respeito ao desequilíbrio entre os poderes, o que acontece, segundo Márlon Reis, é que esse modelo corrói a forma como hoje estão sendo eleitos os parlamentares, principalmente os deputados federais. A união do dinheiro das emendas com o voto proporcional em lista faz com que a participação de do eleitor seja pouca.
Temos, assim, a manutenção de uma liderança política no Congresso quase fora do escrutínio popular colocando um dos poderes da República à mercê unicamente dos seus próprios interesses. Vai se confirmando algo que já dissemos por aqui: a estimativa é que mais de 80% da atual Câmara seja reeleita, com uma renovação de menos de 20%. E não porque o eleitor quer assim.
Essa seria, na avaliação de Márlon Reis, a raiz da razão pela qual a balança dos poderes mais e mais se desequilibra na tentativa de manter funcionando o famoso sistema de freios e contrapesos. O Legislativo avança sobre o Executivo. O Executivo reage. O Judiciário entra para corrigir. E tudo isso vai gerando mais desarmonia.
Segundo Márlon Reis, com a administração dos recursos dos fundos eleitoral e partidário e o dinheiro das emendas, os líderes partidários, que elaboram as listas, conseguem calcular, com mais de 90% de acerto, quem e quantos irá eleger em cada estado. É, portanto, uma eleição sem surpresas, que mantém no comando os mesmos líderes.
Hoje, há quase um consenso entre líderes partidários de que uma reforma do Judiciário será um dos principais temas da pauta do Congresso no ano que vem. Mas talvez não fosse somente os poderes do Judiciário que deveriam ser revistos. Caberia ao Congresso, como o poder legislador, levar adiante essa discussão.
Mas diante da distorção no modelo de eleição, conseguirá o Congresso fazer isso? Ou, mais do que isso, terá interesse em fazer isso? “O modo como os nossos parlamentares são eleitos compromete a qualidade da representação política. Isso, a meu ver, é a principal causa do dissenso entre os poderes”. avalia o diretor do MCCE.
“Falta o equilíbrio da parte de quem mais deveria ter, que é o trabalhador da norma”, considera Márlon. O ex-juiz eleitoral tentará, de qualquer modo, quebrar essa lógica. Ele é candidato a deputado federal pela Rede em São Paulo. Talvez ali a candidatura de Marina Silva ao Senado possa ajudar a puxar votos para os candidatos a deputado.
Um caminho, talvez, para quebrar o padrão que o próprio Márlon aponta de jogo jogado na eleição para a Câmara dos Deputados. A solução de tudo, portanto, é um novo pacto entre os poderes. O risco de tudo, portanto, é uma acentuação da atual queda de braço entre eles. No meio de tudo, nossa frágil democracia aos seus 41 anos.
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O Globo
Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) exibem parcerias com o presidente Lula (PT), mas enquanto a governadora que superou desvantagem nas pesquisas evita nacionalizar para se reeleger, o ex-prefeito de Recife invoca presidente para virar o jogo. Abaixo, uma entrevista realizada com a chefe do Executivo Estadual.
A senhora tem feito acenos a Lula desde o início do ano passado, apesar do apoio dele a João Campos (PSB). Espera uma postura mais neutra do presidente no estado?
O que temos construído desde o início do mandato são parcerias. Pedi que qualquer eventual disputa eleitoral não atrapalhasse o que poderíamos construir pelo estado, e ele deixou claro que trabalharia conosco. Pernambuco sofre muito em governos anteriores ao brigar com presidentes. Essa relação que construímos se tornou de confiança.
Lula colocou à disposição seus ministros e tivemos entregas reais na vida da população.
Leia maisLula chegou a gravar um vídeo com Campos neste início de campanha, e levantamentos internos mostram crescimento dele quando associado ao petista. Como pretende neutralizar isso? Vai declarar voto no petista?
Vou continuar fazendo o que sempre fiz: falar de Pernambuco, dos desafios e das entregas. Batemos recorde de geração de empregos e de redução da criminalidade.
O futuro do estado passa, sim, por construir pontes. O presidente Lula, neste momento eleitoral, tem uma parceria partidária, mas Pernambuco não tem dono.
Sou grata a ele e seus ministros, mas estamos lançando aqui um neologismo: sou pernambucanista.
Outra questão é o fato de o PSD ter Ronaldo Caiado como presidenciável. Vai recebê-lo em Pernambuco ou dar bolo nele quando visitar o estado?
Minha entrada no PSD não se deu do dia para a noite. Gilberto Kassab (presidente da sigla e vice de Caiado) me deu liberdade para construir o partido no estado. Filiamos 80 dos 184 prefeitos.
O que está em jogo é a liberdade que ele me deu, e essa liberdade me permite considerar que, neste momento, o mais importante é cuidar de Pernambuco.
A que atribui seu crescimento nas pesquisas, depois de Campos liderar com folga por muito tempo? Foi o clássico uso da máquina?
Não se trata de uso da máquina. Em três anos e meio, avançamos mais que nos oito anos do governo que nos antecedeu (Paulo Câmara, do PSB). Geramos mais empregos de carteira assinada que nos 12 anos anteriores.
Estamos recuperando a infraestrutura de Pernambuco: estradas, portos, aeroportos. Entregamos resultados sem o vale-tudo político. Tivemos um mesmo partido (PSB) por muito tempo entranhado no poder, se achando dono do povo.
Esse discurso não é contraditório pelo fato de a senhora ser filha de um ex-governador, João Lyra Neto, que foi vice do pai de seu rival, Eduardo Campos, do PSB?
Eu vi esse estado funcionar e deixar de funcionar. O que vivemos em Pernambuco foi um projeto que se ensimesmou em se manter no poder, mas o povo decidiu mudar ao eleger uma prefeita do interior, de Caruaru. Experimentou uma mulher.
A saúde é o maior problema do estado, segundo ouvido em pesquisa Quaest, e a senhora é acusada pela oposição de reduzir investimentos. É seu principal gargalo?
Pegamos a saúde completamente sucateada. O que acontece nos hospitais não é fruto de um ano ou dois de governo, e sim de um longo abandono.
Mas não é verdade que estamos reduzindo investimentos. Ao contrário: estamos batendo recorde ano a ano, com reformas, requalificação, materiais novos. Tem muita falácia sobre o tema.
Outra crise recente envolveu a acusação de espionagem de um secretário da Prefeitura do Recife, então comandada por João Campos. Houve aparelhamento da polícia?
Sou governadora do estado, procuradora, fui delegada da PF. Eu jamais ordenaria ou determinaria qualquer tipo de condução da polícia nesse sentido. Qualquer desvio de conduta pode e precisa ser apurado.
As pesquisas indicam uma eleição apertada. Qual será o fator decisivo?
Ao longo de três anos e meio, arrumamos a casa; o estado estava sem capacidade de investimento algum. Tomamos decisões difíceis e duras, porque não sou mulher de fazer atalhos, mas estamos fazendo o estado voltar a ser protagonista de sua história.
É claro que não está tudo perfeito, mas entregamos muito. É uma campanha de amor contra o ódio, com muita propagação de fake news e um nível muito baixo de discussão.
O que configura esse “ódio”?
Fizeram CPIs e pedidos de impeachment, mesmo eu sendo uma governadora honesta, trabalhadora e que entrega, que não está aqui para se satisfazer do poder.
Denunciei ao Tribunal Regional Eleitoral o uso de robotização, com indícios muito claros da existência de um gabinete do ódio com perfis para divulgar fake news sobre mim. Nossa campanha vem judicializando isso.
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Quem te viu e quem te vê. Essa é uma expressão que cai como uma luva para definir o neo-direitista Túlio Gadelha (PSD), candidato da chapa governista da governadora Raquel Lyra (PSD) ao Senado em Pernambuco.
Sem conseguir pontuar nas pesquisas, sem demonstrar viabilidade eleitoral e muito menos entusiasmo depois do lançamento da candidatura de Mendonça Filho, Túlio, que se desvinculou da esquerda em busca do eleitorado de direita, acabou descobrindo que a direita também não o abraçou. Mendonça resgatou um eleitorado que jamais se identificaria com Túlio, enquanto ele, ao se afastar da esquerda, perdeu justamente a base com a qual tinha alguma identidade.
Leia maisNesse contexto, a primeira fatura chegou antes mesmo da eleição. E a governadora teve de ceder. Raquel Lyra, que iniciou o mandato cultivando certo pudor na distribuição de cargos no governo, chega ao fim do primeiro mandato, candidata à reeleição, com outra postura: distribui cargos a torto e a direito na tentativa de acomodar interesses, apaziguar os ânimos e construir as condições para a própria sobrevivência eleitoral.
Túlio acaba de indicar o secretário de Esportes do Estado. E há quem aposte que, depois da derrota eleitoral de 4 de outubro, seu destino poderá ser justamente o Palácio do Campo das Princesas, em algum cargo de secretário estadual.
Seria, no mínimo, uma curiosa maneira de reparar os danos causados por ele mesmo à própria trajetória política.
Quem te viu e quem te vê.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarca, hoje, em Alagoas, em sua primeira viagem ao Nordeste desde o início oficial da campanha presidencial sem a expectativa de ter ao seu lado dois dos principais nomes que esperava agregar ao palanque no estado. O candidato ao governo JHC (PSDB) e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que disputa o Senado, não devem participar dos compromissos do presidenciável em Maceió e Arapiraca.
No caso de Lira, a distância deve ficar ainda mais evidente no segundo dia da passagem de Flávio. O deputado confirmou presença na quarta-feira, às 14h, em uma agenda eleitoral própria no município de Feliz Deserto, enquanto o presidenciável ainda estará em Alagoas. Material de divulgação do encontro anuncia Lira ao lado de lideranças políticas locais. Procurado, o ex-presidente da Câmara não se manifestou. As informações são do portal O Globo.
O desenho da viagem expõe uma dificuldade que acompanha Flávio em sua primeira incursão pelo Nordeste: transformar alianças estaduais que incluem o PL em apoio à candidatura presidencial. Embora tenha escolhido para a estreia justamente o estado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), o senador chega a Alagoas sem a perspectiva, até agora, de reunir em torno de si os principais nomes da chapa local.
A cautela ocorre na região em que Flávio enfrenta sua maior desvantagem eleitoral. No recorte do Nordeste da última pesquisa Datafolha para o primeiro turno, Lula aparece com 53% das intenções de voto, contra 25% do candidato do PL, uma diferença de 28 pontos. O desempenho do petista pesa no cálculo de políticos envolvidos em disputas locais sobre o grau de envolvimento na campanha nacional e dificulta a tentativa de Flávio de reproduzir na região o movimento de aproximação com aliados que busca construir em outros estados.
Flávio inicia a programação nesta terça-feira em Maceió. Depois de desembarcar no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, participa de uma carreata de cerca de oito quilômetros. À tarde, encontra empresários do setor produtivo na Associação Comercial e, à noite, participa da convenção que comemora os 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas. A viagem prossegue na quarta-feira, com compromissos em Arapiraca.
A ausência esperada de JHC chama atenção porque o PL integra a aliança que sustenta sua candidatura ao governo de Alagoas. O ex-prefeito de Maceió, porém, deixou o partido em março e migrou para o PSDB, que adotou neutralidade na disputa pelo Planalto. A assessoria do candidato informou que não há previsão de que ele participe dos compromissos de Flávio.
JHC também manteve interlocução com o governo federal nos últimos anos. Em 2025, quando ainda comandava a prefeitura de Maceió, atuou em Brasília pela indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça. A nomeação aproximou o então prefeito de setores do governo Lula.
Marina Candia (PSDB), mulher de JHC e candidata ao Senado, deve seguir a estratégia eleitoral do marido e também evitar uma vinculação mais direta à campanha presidencial. Embora dispute uma das vagas em uma aliança que inclui o PL, ela é filiada ao PSDB e sua candidatura está diretamente ligada ao projeto do marido para o governo.
A postura contrasta com a expectativa manifestada pelo próprio Flávio. Em uma de suas lives, o senador citou JHC ao falar do palanque que esperava ter em Alagoas e mencionou também Marina e Lira entre os nomes dos quais esperava apoio no estado.
Lira é outra peça importante desse desenho. Além de candidato ao Senado, o ex-presidente da Câmara é uma das principais lideranças políticas de Alagoas e mantém influência sobre prefeitos e parlamentares. Até agora, porém, não há previsão de que acompanhe Flávio nos compromissos da viagem, e sua agenda própria na quarta-feira reforça a distância entre as duas campanhas.
Essa distância já havia aparecido nos bastidores da campanha. Neste mês, Lira passou pela sede do QG do presidenciável em Brasília, mas saiu sem conversar ou gravar com Flávio. Segundo interlocutores, havia dado carona a um vereador de Maceió que tinha gravações previstas para a campanha e aproveitou a passagem para tentar resolver assuntos relacionados a Alagoas e procurar Gaspar, que não estava no local.
Lira permaneceu algum tempo na sede, conversou com integrantes da campanha e parlamentares e depois saiu para cumprir uma audiência. Flávio estava no andar de cima, dedicado a uma sequência de gravações, e os dois não chegaram a se encontrar.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) julga, amanhã, os recursos contra a cassação do prefeito de Cabrobó, Elioenai Dias Santos Filho, e da vice-prefeita Georgia Fernanda Torres de Oliveira. A análise do memorial apresentado pelo advogado eleitoral Delmiro Campos, que defende a manutenção das sentenças, aponta um cenário de difícil reversão da condenação, embora a decisão caiba ao plenário do Tribunal.
Em primeira instância, a Justiça Eleitoral determinou a cassação dos diplomas, inelegibilidade por oito anos e multa relacionada ao artigo 41-A da Lei das Eleições. A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) também opinou pelo não provimento dos recursos.
Provas materiais pesam no julgamento
O principal argumento pela manutenção da sentença é a existência de um conjunto de provas materiais, periciais e digitais.
Durante investigação sobre abastecimentos ocorridos no dia de uma carreata da campanha de 2024, foram apreendidos R$ 55.548,58 em vales-combustível, além de celulares e HDs. Segundo o memorial, a perícia da Polícia Federal identificou diálogos nos quais o irmão do prefeito negociava os vales e o pai realizava pagamentos. O documento destaca ainda movimentação de R$ 126.352,51 no caixa de um dos postos, muito superior aos dias anteriores.
Outro obstáculo para os recursos é que o próprio TRE-PE já analisou questionamento sobre a legalidade da busca, apreensão e acesso aos dados, ao julgar habeas corpus relacionado ao caso. O memorial sustenta, por isso, que essa discussão já estaria superada na Corte.
Parecer da PRE reforça sentença
A Procuradoria Regional Eleitoral produziu parecer de 26 páginas e 118 itens, posicionando-se pela manutenção das condenações. Para a PRE, conforme reproduzido nos memoriais, o conjunto probatório seria robusto e suficiente para demonstrar a participação dos envolvidos.
O documento também cita precedente recente do TSE envolvendo Cachoeira Alta (GO), no qual foram mantidas sanções contra prefeito e vice em caso relacionado à distribuição massiva de combustível. Para os autores do memorial, o julgamento apresenta semelhanças relevantes com o processo de Cabrobó.
Reversão exigiria superar vários fundamentos
O cenário é considerado difícil porque a defesa precisaria superar simultaneamente a sentença condenatória, o conjunto de provas materiais e periciais, o parecer da PRE e questões sobre a licitude das provas já enfrentadas pelo próprio TRE-PE.
Isso não significa resultado antecipado. Caberá aos desembargadores avaliar os argumentos apresentados pelas partes.
Os recursos nº 0600397-53.2024.6.17.0077 e 0600398-38.2024.6.17.0077, sob relatoria do desembargador Washington Luís Macedo de Amorim, estão indicados para julgamento nesta quarta-feira (26), às 14h.
O julgamento poderá definir um novo capítulo na situação política de Cabrobó e esclarecer se o TRE-PE manterá ou reformará as decisões proferidas pela 77ª Zona Eleitoral.
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que o vazamento de informações sigilosas pode acabar comprometendo a investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração foi dada enquanto Haddad comentava as críticas feitas pelo advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, sobre a divulgação de informações relacionadas ao inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente. As informações são do portal Metrópoles.
Questionado sobre o assunto, Haddad destacou que a investigação precisa seguir os procedimentos legais para que eventuais irregularidades não prejudiquem o próprio processo. Segundo ele, uma quebra irregular de sigilo pode gerar consequências posteriormente e até colocar em risco o resultado da investigação.
“Se você quiser se valer da sua autoridade para quebrar um sigilo definido pela Justiça, você vai acabar incidindo num erro”, avaliou.
A defesa de Lulinha pediu que os vazamentos fossem investigados e, após o pedido, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que a Polícia Federal apure como informações sigilosas do caso chegaram a público. Para Haddad, o problema é que uma irregularidade cometida durante a investigação pode, no futuro, abrir espaço para questionamentos sobre a validade do processo.
“Você pode ter até dividendos políticos de curto prazo, mas não vai fazer justiça no médio e longo prazo”, disse.
O candidato ressaltou ainda que o governo federal não deve interferir no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração. Segundo ele, ministros, superintendentes e delegados devem ter liberdade para conduzir as investigações. Haddad defendeu que o caso siga normalmente e que uma eventual condenação ou absolvição seja definida com base nas provas reunidas durante a investigação e no processo.
No fim, Haddad disse que, para ele, o resultado da investigação deve ser aceito independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado.
“O que importa é fazer justiça. Doa a quem doer, seja qual for o resultado”, declarou.
