O deputado estadual Coronel Feitosa (PL) reuniu diversos apoiadores, na noite de ontem, no Clube dos Oficiais PM/CBM-PE, na Boa Vista, Recife. Feitosa chegou de carreata ao lado de Carlos Sant’Anna, candidato ao Senado e segundo indicado por Flávio Bolsonaro. Ao descer, foi recebido pela esposa Adellie e pela filha Beatriz, com quem entrou no salão em meio a gritos e uma recepção calorosa.
Durante o evento, foi exibido um vídeo em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reafirmando a lealdade e a afinidade que Coronel Feitosa mantém com o líder conservador e com o projeto político que ele representa para o Brasil.
No discurso, Feitosa foi direto ao ponto: a luta que ele trava há anos dentro da Assembleia Legislativa é a mesma luta do povo pernambucano, contra a violência, contra o custo de vida, por um Brasil que funcione para quem trabalha. Uma causa que Jair Bolsonaro levantou e que Flávio Bolsonaro, seu indicado, vai dar continuidade. No próximo domingo (4), os eleitores pernambucanos decidem nas urnas.
O ex-deputado estadual e ex-presidente do PSol, Edilson Silva, lamentou, em suas redes sociais, a postura do candidato do partido ao Governo de Pernambuco, Ivan Moraes, ao comparar, durante o debate da TV Globo, as candidaturas de João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD). De acordo com Ivan, somente ele era de esquerda e estava fazendo a diferença naquele debate.
Para Edilson, na verdade, a candidatura de Raquel não pode ser comparada com a de João, visto que ela está alinhada com os principais nomes da direita pernambucana e do bolsonarismo no país. Segundo o ex-deputado, ao falar isso, Ivan fortalece o jogo de Raquel em não se comprometer com nenhum lado na disputa nacional. Confira!
O retorno de Milton Coelho à Câmara dos Deputados pode ter surpreendido quem acompanhou a eleição apenas pela superfície. Nos bastidores, porém, havia um componente importante de sua candidatura que apareceu pouco durante a campanha.
Milton chegou à disputa com um ativo político construído ao longo de muitos anos: sua relação com lideranças nacionais do PT e do campo político do presidente Lula.
Leia maisEm Brasília, nomes importantes do partido consideravam estratégico ter Milton novamente na Câmara Federal, integrando a base de Lula no próximo mandato. Ex-deputado e com experiência no Executivo Federal, ele reúne trânsito político e conhecimento do Congresso, atributos considerados relevantes num cenário em que a composição da Câmara terá peso na relação do governo com o Legislativo.
Essa articulação praticamente não apareceu para o eleitor, mas funcionou silenciosamente ao longo da campanha. Enquanto a disputa pública acontecia nas ruas, nas redes e nos palanques de Pernambuco, Milton também contava com interlocução e apoio político de lideranças nacionais interessadas no fortalecimento da bancada de sustentação do governo.
É um fator que ajuda a compreender o resultado das urnas.
Para quem observava apenas a campanha visível, a eleição de Milton Coelho pode ter sido surpresa. Para quem acompanhava também os movimentos de Brasília, havia sinais de que sua candidatura tinha mais força do que aparentava.
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, fixou, hoje, uma espécie de filtro para tentar barrar o direcionamento de pedidos para ministros.
A medida foi adotada após episódios de “guerras de liminares” na Corte e ainda de um questionamento feito pelo ministro Kassio Nunes Marques, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Leia maisA nova regra cria uma etapa de controle para evitar que novas demandas sejam vinculadas automaticamente a um processo e, dessa forma, caiam nas mãos de um relator específico.
Na prática, determinados pedidos que forem apresentados dentro de processos já existentes passarão por uma análise antes de chegar ao relator. Será preciso verificar se o novo pedido tem, de fato, relação suficiente com a ação original para permanecer vinculado a ela.
Se essa relação não for reconhecida, a petição será transformada em um processo independente. Nesse caso, será distribuída entre os ministros por sorteio ou por prevenção, quando as regras do tribunal determinarem que um magistrado que já analisa questão relacionada deve receber o caso.
Quais pedidos passam pelo novo filtro
A nova regra alcança, entre outros casos, petições apresentadas por terceiros, ou seja, pessoas ou entidades que não sejam partes naquele processo, advogados das partes ou integrantes do Ministério Público que atuem na ação. Também terão de passar pela análise as petições que:
O uso da inteligência artificial (IA) e o combate à desinformação devem ser os principais desafios jurídicos das eleições de 2026. A avaliação é do advogado Ítalo Oliveira, Especialista em Direito Penal Econômico, que destaca o papel da Justiça Eleitoral na regulamentação das novas tecnologias.
Segundo ele, o TSE avançou ao estabelecer regras específicas para o uso de IA nas campanhas. “O principal desafio jurídico dessas eleições é o uso da inteligência artificial, tanto o regulamentado quanto o combate ao uso indevido para fake news e deep fakes”, afirmou.
Ítalo ressalta que a tecnologia não é proibida, mas precisa ser identificada. “A IA é permitida desde que seja declarada e facilmente identificada pelo eleitor”, explicou.
Ele também alerta para a responsabilidade no compartilhamento de conteúdos falsos. “Quem sabe que é fake news e mesmo assim divulga pode responder criminalmente. Mesmo quem compartilha sem saber pode ter responsabilidade civil”, disse.
O advogado reforça ainda a importância da checagem de informações e da remoção de conteúdos falsos ao serem identificados, além de lembrar que crimes eleitorais como boca de urna, compra de votos e coação podem ser denunciados no dia da votação. “A prisão em flagrante é permitida no dia da eleição”, concluiu.
O candidato ao Governo de Pernambuco e líder da Frente Popular, João Campos, participou, na manhã de hoje, do último porta a porta da campanha, no Coque, na Ilha Joana Bezerra, na região central do Recife. Ao lado da candidata a senadora, Marília Arraes, João percorreu as ruas da comunidade, conversou com moradores e comerciantes e reforçou seus compromissos para ampliar o acesso à moradia e avançar na urbanização das comunidades pernambucanas.
Durante o ato, João destacou ações realizadas no Recife nas áreas de habitação e urbanização e afirmou que pretende ampliar essas iniciativas em Pernambuco. “Vamos construir novas habitações, ampliar o Entrada Garantida e criar um programa específico para os servidores públicos. Também vamos avançar na habitação do Centro e fazer em Pernambuco o que a gente já fez no Recife. Aqui, urbanizamos áreas como Roque Santeiro, os Coelhos e Vila Brasil, retirando palafitas e levando moradia de qualidade para as pessoas. É esse trabalho que queremos ampliar em todo o Estado”, afirmou.
Leia maisA proposta de ampliar o Entrada Garantida para servidores públicos e estimular a transformação de imóveis no Centro em moradias foi apresentada por João ao longo da campanha. A iniciativa prevê a participação do Estado no acesso à moradia, com foco também na requalificação de áreas centrais. Na reta final da campanha, João também agradeceu aos apoiadores e destacou a mobilização realizada ao longo do período eleitoral. O candidato reforçou a integração com Marília Arraes, Humberto Costa e o presidente Lula.
“Quero agradecer a todo mundo que esteve com a gente nessa caminhada. Chegamos à reta final felizes, animados e com a certeza de que fizemos uma campanha com muita proposta e muita presença nas ruas. Quero continuar essa caminhada e dedicar minha vida a Pernambuco, assim como fiz pelo Recife. É isso que quero fazer pelo nosso Estado”, afirmou.
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A apenas dois dias das eleições, a campanha de Raquel Lyra (PSD) entrou na Justiça Eleitoral, hoje, contra a Quaest, pesquisa consolidada em todo país que é divulgada pela TV Globo. O instituto demonstrou o crescimento de João Campos (PSB) de 3 pontos percentuais, empatando com Raquel Lyra com 42%, que caiu 1 ponto percentual. Com isso, a distância que já foi de 6 pontos agora mostra uma curva de crescimento de Campos nos últimos dias de campanha.
Na ação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), a coligação Pernambuco de Coração pede uma decisão liminar para impedir a Quaest e a Globo de divulgar, publicar ou veicular os resultados do levantamento. É a primeira vez que a campanha de Raquel tenta se contrapor à Quaest, se posicionando contra o reconhecido pesquisador e professor Felipe Nunes, que também está entre os especialistas da TV Globo responsáveis por analisar pesquisas. O documento apresentado à Justiça Eleitoral contesta componentes metodológicos.
A coligação afirma que o registro da pesquisa não detalha suficientemente possíveis ajustes estatísticos. Segundo a ação, não estariam especificados as variáveis, as fontes de dados e os critérios que determinariam a aplicação desses ajustes. O pedido não é para retirar apenas um quesito ou determinado cenário da pesquisa: a ação solicita a suspensão da pesquisa inteira, sustentando que o suposto problema estaria no próprio registro metodológico.
A tradicional Rua Duarte Pacheco, em Arcoverde, recebeu, ontem, o último evento de campanha de Luciano Pacheco (MDB), candidato a deputado federal. Durante o discurso, ele agradeceu às pessoas que o acompanharam ao longo da campanha e defendeu a eleição de um representante do município para a Câmara dos Deputados.
“A partir do ano que vem Arcoverde terá um deputado para trabalhar por essa terra. Por onde eu tenho andado, eu tenho ficado feliz por que quando a gente vai entregar o santinho a pessoa já diz que já sabe o número do filho da terra é 1511”, destacou.
A nossa candidatura surge de uma necessidade. “Nós não podemos enquanto arcoverdenses viver sem um deputado para representar Arcoverde. E pela primeira vez na história, essa cidade com 82 mil habitantes vai mostrar como se elege um deputado vindo da vontade do povo”, disse.
“Arcoverde precisa parar de perder empresas como perdeu o Banco Itaú, e se não tomar de conta vamos perder outras empresas. Não dá pra continuar a ter um hospital que está parecendo um matadouro. E é por isso que eu peço que votem em João Campos (PSB), número 40, para o governo de Pernambuco. Estou com uma vontade enorme de votar em João porque sei o quanto ele vai fazer pela nossa gente”. afirmou.
O Sextou de hoje, programa musical que ancoro pela Rede Nordeste de Rádios, no mesmo horário do programa Frente a Frente, trará uma super entrevista com o cantor e compositor Martinho da Vila, considerado o maior sambista de todos os tempos.
Autor de mais de 400 sambas, entre eles 20 sambas-enredos premiados no Carnaval das Escolas de Samba no Rio, como Kizomba, a festa da raça, que deu o primeiro lugar à Unidos da Vila Isabel, sua escola do coração, em 88, Martinho também escreveu sua autobiografia, o livro ‘Martinho da Vida’.
Leia maisNo Sextou, ele fala não apenas do livro, no qual destaca sua passagem pelo Exército, de onde saiu o Sargento Ferreira, como do início da sua trajetória musical até os dias de glória que vive como sambista premiado e consagrado. Entre os sambas de grande sucesso, “Canta, canta, minha gente”, “Ex-amor”, “Casa de bamba”, “Mulheres”, “Madalena do Jucú” e “Disritmia”.
O Sextou vai ar das 18 às 19 horas pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
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Os Estados Unidos suspenderam o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e nos consulados do país em todo o Brasil, hoje, por questões de segurança. A decisão foi anunciada ontem em um comunicado. Na nota, o governo norte-americano não especificou as supostas ameaças que motivaram a medida. As informações são do portal G1.
O governo dos EUA não deixou claro que tipo de serviços consulares fornecidos pela embaixada foram suspensos. Também não especificou se seguirá emitindo vistos e passaportes no período. A Embaixada orientou cidadãos norte-americanos que precisem de assistência emergencial a não comparecerem às instalações diplomáticas. Nesses casos, a recomendação é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.
Leia maisNesta manhã, a Embaixada da Austrália anunciou que ficará fechada ao longo desta sexta-feira. Após a Embaixada dos EUA emitir o comunicado, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que a medida foi tomada seguindo uma orientação do governo de Donald Trump para priorizar a “segurança e a proteção dos cidadãos americanos”.
Um porta-voz do departamento afirmou que embaixadas e consulados dos EUA usam um sistema de mensagens para enviar alertas a cidadãos norte-americanos sobre “ameaças, eventos e mudanças relevantes no Brasil”. Mas afirmou se o serviço foi acionado.
“Estamos trabalhando em estreita cooperação com contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, afirmou o porta-voz. A TV Globo, uma fonte do governo norte-americano mencionou uma ameaça de bomba, mas não deixou claro se a ameaça foi direcionada para a própria embaixada ou outro local em Brasília. A fonte afirmou, no entanto, que os funcionários da embaixada trabalhariam de casa nesta sexta-feira.
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Na reta final do primeiro turno das eleições gerais deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) centralizarão as agendas de hoje e amanhã no Sudeste.
Os dois candidatos têm compromissos previstos em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país.
Juntos, os estados somam 63,3 milhões de eleitores, quase 40% dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. Considerado também o Espírito Santo, o Sudeste reúne 66,3 milhões de eleitores, ou 41,78% do eleitorado nacional.
A concentração se dá a dois dias do primeiro turno, marcado para domingo (4/10), e a 23 dias de eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro.
A atenção dada à região ganha ainda mais peso depois de Lula e Flávio chegarem à reta final sem se enfrentarem em debate eleitoral.
Por Emílio Duarte*
Há noites em que um acontecimento aparentemente simples revela muito mais sobre o estado de uma democracia do que longos discursos sobre instituições, Constituição e liberdade.
A noite de 1º de outubro de 2026 talvez seja uma delas.
Um debate presidencial que deveria acontecer na televisão brasileira não aconteceu.
Leia maisNão porque faltassem candidatos. Não porque inexistisse interesse público. Não porque a emissora tivesse desistido de promovê-lo por mera conveniência empresarial.
Nas horas que antecederam o programa, decisões judiciais alteraram aspectos relevantes das regras previamente estabelecidas para o encontro.
Primeiro, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que a emissora não poderia exibir o púlpito vazio destinado ao candidato que decidira não comparecer, tampouco permitir que os adversários lhe dirigissem perguntas.
Depois, já muito próximo do início do programa, decisão do Supremo Tribunal Federal determinou a participação de candidato que, segundo os critérios originalmente adotados pela emissora, não integraria o debate.
Ao final, diante da sucessão de acontecimentos, a Rede Globo anunciou o cancelamento.
E talvez seja necessário dizer, desde logo: esta reflexão não é sobre Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos ou qualquer outro candidato.
Também não deveria ser.
A questão bem maior!
É sobre o espaço que ainda reservamos à liberdade.
É sobre os limites da intervenção estatal sobre a imprensa.
E, sobretudo, sobre aquilo que acontece com uma democracia quando as instituições encarregadas de protegê-la começam, ainda que movidas pelas melhores intenções, a ocupar espaços que talvez devessem permanecer livres.
A Lei nº 9.504/1997 afirma que é facultada às emissoras de rádio e televisão a realização de debates eleitorais.
A mesma legislação permite expressamente a realização do encontro sem a presença de candidato que tenha sido regularmente convidado.
E a regulamentação do próprio Tribunal Superior Eleitoral estabelece que as regras desses debates são construídas por acordo entre as candidaturas e a pessoa jurídica responsável pelo evento. (Tribunal Superior Eleitoral)
Não significa, evidentemente, que uma emissora de televisão esteja acima da lei.
Não está.
Isonomia, legitimidade das regras, observância dos critérios legais e proteção contra favorecimentos indevidos são matérias submetidas ao controle da Justiça Eleitoral.
Mas existe uma diferença fundamental entre fiscalizar a legalidade de um debate e passar a dirigir o debate.
É justamente nessa fronteira que o episódio merece reflexão.
Quando o Poder Judiciário começa a definir quem aparecerá no palco, quem não aparecerá, se o lugar vazio poderá ser mostrado, o que poderá ser perguntado a quem não compareceu e como uma ausência deverá ser apresentada ao telespectador, aproximamo-nos perigosamente de uma substituição da autonomia jornalística pela decisão estatal.
E isso deveria inquietar democratas de todas as posições políticas.
Porque liberdade de imprensa não existe apenas quando concordamos com a imprensa.
Ela não protege apenas o editorial de que gostamos, o jornalista que admiramos ou a emissora que eventualmente coincide com nossas posições.
Liberdade somente merece esse nome quando também protege decisões editoriais das quais discordamos.
A Constituição de 1988 não estruturou a imprensa como extensão do Estado.
Fez exatamente o contrário.
Criou um espaço de liberdade diante dele.
E talvez este seja o momento em que precisamos voltar a compreender uma velha virtude do constitucionalismo: nem todo poder que pode ser exercido precisa ser exercido até o limite.
Existe uma palavra que deveria ser cada vez mais lembrada nas democracias constitucionais: autocontenção.
O Poder Judiciário é indispensável à democracia.
Exatamente por isso, sua força aumenta quando sabe reconhecer os espaços nos quais a Constituição recomenda prudência.
Uma democracia não se fragiliza somente quando juízes deixam de agir quando deveriam.
Também pode se fragilizar quando passam a decidir aquilo que a sociedade civil, a imprensa, os partidos e os cidadãos poderiam resolver dentro das regras estabelecidas pela própria lei.
No episódio desta quinta-feira, há ainda uma circunstância juridicamente desconfortável.
Em fevereiro de 2025, ao examinar a ADI 7698, o Supremo Tribunal Federal preservou o critério legislativo relacionado à representação parlamentar para participação obrigatória nos debates eleitorais. (Supremo Tribunal Federal)
Agora, na véspera de um debate presidencial, uma decisão individual acabou alterando concretamente sua composição.
Pode haver argumentos jurídicos para isso.
Assim como é possível construir argumentos jurídicos para sustentar a decisão do TSE relativa ao púlpito vazio.
O problema maior talvez não esteja apenas no resultado de cada decisão isoladamente.
Está na sucessão delas.
Está na incerteza.
Está na impressão, transmitida à sociedade, de que regras conhecidas até poucas horas antes de um evento nacional podem ser redesenhadas sucessivamente por diferentes decisões judiciais.
Segurança jurídica também é um valor democrático.
E regras eleitorais possuem uma peculiaridade adicional: quanto mais próximo o pleito, maior deveria ser a previsibilidade.
Há algo de profundamente simbólico no fato de que o último grande debate antes de uma eleição presidencial tenha sido substituído por outro programa depois de uma sucessão de decisões judiciais.
Talvez, daqui a alguns anos, o episódio seja apenas uma nota de rodapé da eleição de 2026.
Tomara.
Mas talvez seja também um daqueles pequenos sinais que, quando observados retrospectivamente, mostram que alguma coisa estava mudando.
Penso na democracia, às vezes, como se fosse uma pessoa.
Durante muito tempo imaginamos que ela fosse forte.
Quase invulnerável.
Sobreviveu a crises, radicalismos, ataques às instituições, conflitos entre Poderes e momentos de enorme tensão política.
Levantou-se depois de cada queda.
Mas pessoas fortes também adoecem.
No começo os sintomas são discretos.
Um pouco de cansaço.
Algumas dores que parecem suportáveis.
Uma tristeza que se procura esconder.
Depois vêm outros sinais.
Ela continua caminhando, mas já não caminha com a mesma força.
Continua sorrindo, mas seus olhos começam a denunciar o sofrimento.
E aqueles que sempre disseram amá-la começam, pouco a pouco, a se afastar.
É assim que imagino nossa democracia nesta noite.
Sentada em algum lugar silencioso depois de mais um dia difícil.
Cansada.
Talvez chorando.
Olhando para os lados e perguntando onde estão aqueles que durante tantos anos disseram que lutariam por ela.
Ela ainda resiste.
Ainda possui uma Constituição extraordinária.
Ainda possui instituições.
Ainda possui imprensa livre.
Ainda possui eleições.
Ainda possui milhões de brasileiros que acreditam nela.
Mas parece estar ficando cansada.
Não porque tenha um inimigo único.
Democracias raramente adoecem assim.
Elas adoecem pela sucessão de pequenas concessões.
Por silêncios convenientes.
Por excessos justificados por boas intenções.
Pela naturalização daquilo que, alguns anos antes, nos pareceria extraordinário.
E talvez o pior sintoma apareça quando começamos a aceitar tudo isso como normal.
A liberdade de imprensa não pertence à Globo.
Não pertence à Folha, ao Estadão, às rádios, aos portais ou aos jornalistas.
Pertence à sociedade.
Da mesma forma, um debate presidencial não pertence aos candidatos.
Pertence, em última análise, ao cidadão que deseja conhecer aqueles que pretendem governá-lo.
Quando um candidato decide não comparecer, essa ausência também é uma informação.
Quando outro candidato comparece, sua presença também é uma informação.
Quando uma emissora estrutura jornalisticamente esses acontecimentos dentro dos limites da lei, existe ali exercício de liberdade editorial.
Pode-se discordar dela.
Pode-se criticá-la.
Pode-se até procurar o Judiciário quando houver ilegalidade.
Mas devemos pensar muitas vezes antes de permitir que a exceção se transforme em método.
Porque democracia não morre necessariamente em um único dia.
Às vezes ela apenas vai adoecendo.
Um pouco hoje.
Outro pouco amanhã.
Até o momento em que aqueles que a amavam percebem que deveriam ter cuidado melhor dela enquanto ainda havia tempo.
Espero sinceramente que não tenhamos chegado perto disso.
E que essa democracia, que nesta noite parece um pouco triste, cansada e solitária, encontre novamente forças.
Não precisa de tutores.
Precisa de instituições fortes.
De juízes independentes.
De imprensa livre.
De políticos submetidos à lei.
E, sobretudo, de cidadãos que compreendam que defender a liberdade somente quando ela favorece o nosso lado nunca foi defender a liberdade.
Democracia exige algo muito mais difícil: defender a liberdade também quando ela incomoda.
*Advogado militante e mestrando em direito eleitoral
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