Não é de hoje que a relação entre os poderes Legislativo e Executivo em Pernambuco ganha ares de um verdadeiro duelo de titãs. Na última quarta-feira (22), após abandonar a sessão na Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a qual preside, por discordar do prosseguimento da votação dos projetos do PLDO do próximo ano e o PPA 2024-2027, a deputada Débora Almeida (PSDB) conseguiu colocar ainda mais lenha no fogo que queima desde o início do Governo Raquel Lyra.
Ontem, em entrevista à Rádio Jornal, a tucana, aliada de primeira hora da governadora de Pernambuco, disse em alto e bom tom que há um movimento contrário na Assembleia em relação à governadora Raquel Lyra (PSDB), comandado pelo presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB).
Sua fala, um dia após Álvaro ter dado parecer favorável à continuidade da sessão na reunião de finanças – que Débora abandonou – se deve, de acordo com ela, pela indicação de Fred Loyo para o comando do PSDB em Pernambuco. Segundo deixou a entender, o presidente da Alepe se sentiu preterido ao ver um empresário de turismo no comando da sigla no Estado.
Na ocasião, contudo, Álvaro foi firme ao dizer que deu o parecer favorável para que a reunião continuasse em sintonia com o regimento interno da Casa. “Uma reunião que, com falta de respeito, deixou sete deputados ainda na comissão, e eles tinham o direito e o dever de continuar trabalhando. Então, tudo que foi feito está dentro do Regimento. E eu, como presidente, o que chegar aqui que for pra ter deferimento, eu vou deferir. Não sou omisso”, enfatizou.
Desde que assumiu, Álvaro Porto vem reafirmando a sua autonomia no comando do Legislativo, descartando, ao contrário de Débora Almeida, qualquer tipo de subserviência ao Governo do Estado. De acordo com o presidente da Casa, diferente do que o governo e seus aliados querem fazer entender, a Alepe é a Casa do Povo e legisla a favor do povo.
Desgaste – Em conversa com este blog, o deputado Alberto Feitosa (PL) disse que o que tem ocorrido recentemente, nada mais é do que uma tentativa do governo querer desgastar a imagem da Alepe perante à sociedade. De acordo com ele, não tem cabimento isso de que a Alepe tem sido contra a atual gestão. Pelo contrário, quem tem agido como um verdadeiro gerador de crise é o próprio Governo. Como exemplo, ele citou o envio do pacote com 33 projetos de leis, ao apagar das luzes do expediente da Alepe, na última segunda-feira (20). “Fazem tudo de última hora, sem nos dar sequer tempo para analisar antes de publicar no Diário Oficial”, aponta o deputado.
Tempo – Segundo Alberto Feitosa, ainda não houve tempo para que o parlamento pernambucano analise as propostas apresentadas pelo Governo. Porém, ele garante que os projetos que são do interesse e em favor do povo pernambucano, serão, com certeza, aprovados pelo plenário da Casa sem qualquer dificuldade.
Financiador – O empresário de turismo colocado por Raquel Lyra para comandar o PSDB em Pernambuco, Fred Loyo, foi um dos maiores financiadores da campanha de Raquel ao Governo de Pernambuco. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, Fred Loyo doou R$ 70 mil para a campanha da tucana em 2022. Segundo dados da plataforma DivulgaCandContas, do TSE, foram dois repasses: um de R$ 50 mil, em 2 de setembro, e outro de R$ 20 mil, em 16 de setembro, ambos via transferência eletrônica.
Troca – O prefeito de Paulista, Yves Ribeiro, trocou o MDB pelo PT. A homologação da filiação ao Partido dos Trabalhadores ocorreu na última terça-feira (21), mas deve enfrentar alguns entraves. É que a Democracia Socialista (DS), tendência interna do partido, entrou com recurso para cancelar a filiação de Yves, um dia após a homologação.
Escola de Sargentos – Outra grande celeuma criada pelo Governo do Estado diz respeito à construção da Escola de Sargentos e Armas do Exército em Pernambuco. Até o momento, seis meses após a governadora criar o Grupo de Trabalho para tratar sobre o tema, o Estado joga a culpa na questão ambiental como desculpa para adiar a validação para a construção do maior investimento da história do Exército do Brasil – R$1,8 bilhão.
CURTAS
INTRIGANTE – Não deixa de ser intrigante o fato de no pacote de projetos enviados pelo Governo do Estado esta semana à Alepe, constar a criação da iniciativa chamada de “Bônus Livros”. Com a distribuição de R$ 1.000 para os professores e R$ 500 para os demais servidores, a bonificação será concedida durante a realização da feira de livros no Estado, organizada ou apoiada pela Secretaria de Educação e Esportes. Será essa a formalização da Fenelivro, que terminou não acontecendo depois do cancelamento, às pressas, do termo de inexigibilidade de licitação para contratar uma única empresa privada, a Adelivros, por R$ 52,5 milhões?
POLÍCIA PENAL – Por unanimidade, a deputada Gleide Ângelo conseguiu aprovar na Comissão de Finanças da Alepe, na quarta-feira (22), uma emenda adicional na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2024, que realoca uma parte do orçamento que estava sem destinação prévia para o chamamento imediato de todos os aprovados no último concurso da Polícia Penal.
Perguntar não ofende: Qual será a próxima crise que o Governo Raquel irá provocar com o poder legislativo do Estado?
Nem toda história de dependência química começa com uma droga. Algumas começam muito antes, ainda na infância, em ambientes marcados pela ausência de afeto, rejeição, negligência e sofrimento emocional.
A infância é fundamental para a construção da saúde mental. É nessa fase que desenvolvemos mecanismos de segurança emocional, autoestima, confiança e capacidade de lidar com frustrações. Quando uma criança cresce sem acolhimento, vivencia violência psicológica ou experimenta abandono afetivo, essas experiências podem deixar marcas profundas que acompanham o indivíduo durante a vida adulta.
Em algumas pessoas, o uso de drogas surge como uma tentativa de aliviar sentimentos difíceis de suportar. A ansiedade, a solidão, a tristeza e as lembranças traumáticas podem transformar as substâncias em uma espécie de fuga temporária da própria realidade.
A ciência demonstra que experiências adversas na infância estão associadas a uma maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos relacionados ao uso de substâncias. Isso envolve mecanismos cerebrais relacionados ao estresse, à regulação emocional e ao sistema de recompensa.
Entretanto, nem toda pessoa que sofreu traumas desenvolverá dependência química. A história individual, a genética, o ambiente familiar e os fatores sociais também desempenham papéis importantes.
Como profissionais de saúde mental, precisamos compreender que tratar a dependência não significa apenas combater o consumo de drogas. É necessário olhar para a história do paciente, investigar suas dores emocionais e identificar os transtornos psiquiátricos que podem estar associados.
Antes de julgar alguém pela dependência química, talvez seja necessário compreender o que essa pessoa viveu antes de chegar até ali.
Em algumas histórias, a droga chega na vida adulta, mas a dor começou na infância.
*Médico com atuação em Psiquiatria, Neurologia Clínica e Medicina da dor | Instagram: @drsilvinoteles
Por que o GPS do carro não serve para um caminhão? – Digitar o endereço e seguir a rota mais rápida. Para quem dirige um carro de passeio, essa lógica costuma funcionar. Para quem está ao volante de uma carreta, o caminho indicado pelo celular pode terminar em uma rua onde caminhões não podem circular, em uma restrição de horário ou em um trecho incompatível com o veículo.
A diferença está nas variáveis que precisam entrar no cálculo. Dimensões e peso do conjunto, número de eixos, restrições à circulação de veículos pesados, horários permitidos e possibilidade de manobra podem mudar completamente o trajeto. O próprio Waze informa em sua central de ajuda que não oferece suporte à navegação para caminhões. São Paulo é um exemplo dessa complexidade. A capital mantém áreas e vias com regras específicas para veículos de carga, como a Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), onde há horários em que os caminhões não podem circular, além das exceções previstas na regulamentação.
“Quando você está de carro, errar uma entrada normalmente significa recalcular a rota e perder alguns minutos. Com uma carreta, pode significar chegar a um lugar onde não há espaço para avançar ou fazer uma manobra, além de rodar quilômetros a mais para corrigir o caminho. Para o caminhoneiro, saber se pode passar é tão importante quanto saber como chegar”, afirma Leonardo Busin, sócio do Parada Top.
Acertar a rota – Mesmo quando o caminho está definido, outras decisões continuam pela frente. Quem passa dias na estrada precisa saber onde abastecer, estacionar, cumprir o período de descanso e encontrar uma oficina, borracharia, auto elétrica e guincho capaz de atender um veículo pesado. A infraestrutura formal ajuda a mostrar o tamanho desse desafio. Segundo dados do Ministério dos Transportes reunidos pelo Parada Top, o Brasil possui cerca de 190 locais reconhecidos como Pontos de Parada e Descanso, distribuídos por mais de 40 rodovias federais e aproximadamente 145 municípios em 23 estados. Fora desses pontos, há uma extensa rede privada de postos, estacionamentos, restaurantes, oficinas e outros estabelecimentos que fazem parte da rotina dos profissionais. Encontrá-los, especialmente em uma região desconhecida, ainda depende muito da experiência e da troca de informações entre motoristas.
Ferramentas – É justamente nessa outra camada da viagem que começam a ganhar espaço ferramentas voltadas à rotina profissional de quem vive na estrada. Alguns, como o Parada Top, por exemplo, reúne motoristas, transportadoras, postos, paradas e prestadores de serviços em um mesmo ambiente digital, permitindo localizar estabelecimentos e serviços relacionados ao transporte, além de acessar oportunidades de frete e trabalho. “Quem está há muitos anos na estrada constrói seu próprio mapa mental. Sabe onde parar, onde encontra estrutura e a quem recorrer quando surge um problema. A tecnologia pode ajudar a organizar essas informações e fazer com que esse conhecimento não dependa apenas de anos de experiência ou do boca a boca”, diz Leonardo Busin. No fim, um carro e uma carreta podem ter exatamente o mesmo destino. O caminho e as informações necessárias para chegar até ele é que são diferentes.
Uber lança passes para corridas. Mas, compensa? – A variação no preço de uma mesma corrida pode dificultar o planejamento de quem depende de aplicativos de transporte para se deslocar diariamente. Para tentar reduzir essa incerteza, a Uber anunciou duas modalidades que permitem antecipar gastos com trajetos recorrentes: a Preço Fixo, que estabelece um valor para uma rota em determinadas condições, e a Pré-Pago, que permite comprar pacotes de viagens por um preço definido. As novidades procuram atender a um comportamento específico: o de usuários que fazem deslocamentos frequentes e querem ter maior controle sobre quanto gastam com transporte.
A proposta, porém, não é idêntica nos dois modelos. Enquanto o Preço Fixo protege o passageiro de oscilações no valor de uma rota durante um período determinado, o Pré-Pago permite organizar antecipadamente a compra de várias viagens. No Preço Fixo, o usuário paga uma taxa única de R$ 3,99 para estabelecer o valor de um trajeto. É necessário informar os pontos de partida e chegada e selecionar uma janela diária de até uma hora para utilizar o benefício. O preço acordado vale por 30 dias, respeitadas as condições definidas na contratação, ou até que a economia acumulada com o passe alcance R$ 50. Se a tarifa disponível no momento da solicitação for menor que o valor fixado, prevalece o preço mais baixo.
Casa x trabalho – A modalidade pode ser útil para quem percorre regularmente o mesmo caminho, como no deslocamento entre casa e trabalho. A proteção, no entanto, depende do cumprimento das condições estabelecidas: alterações na origem, no destino ou no percurso podem invalidar o preço contratado. O recurso, que já estava em fase de testes em algumas cidades, será ampliado para todo o Brasil. Já o Pré-Pago permite adquirir pacotes de cinco, dez, 15 ou 20 viagens por valores fixos. Diferentemente do Preço Fixo, a modalidade não exige a definição de uma rota ou faixa de horário específica. A Uber também informa que os pacotes podem ser compartilhados entre pais e adolescentes que utilizam o Uber Teens. O serviço está disponível inicialmente em 34 cidades brasileiras, entre elas Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Salvador, Campinas e Porto Alegre.
UberX – As duas modalidades aceitam pagamentos digitais, como cartões de crédito e débito, Uber Cash e créditos do Uber One. Por enquanto, são válidas apenas para viagens da categoria UberX. Cada usuário pode manter até dez passes ativos, somando as duas opções. A aposta em maior previsibilidade dialoga com uma questão mais ampla da economia dos aplicativos: o peso que os gastos recorrentes têm no orçamento e a importância de saber antecipadamente quanto uma viagem vai custar. Embora os novos recursos sejam voltados aos passageiros, a previsibilidade também aparece como um desafio para quem trabalha nas plataformas. Um levantamento do GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que 44,6% dos entrevistados consideram seus ganhos “razoavelmente previsíveis”. Outros 30,8% dizem que os rendimentos são pouco previsíveis e 12,8% afirmam não ter nenhuma previsibilidade. Apenas 11,8% classificam a renda como muito previsível.
“Mais do que simplesmente cobrar menos ou mais, diferentes formatos de remuneração podem ser avaliados pela capacidade de oferecer ao profissional uma relação mais clara entre tempo trabalhado, número de chamadas e renda. Para quem depende do aplicativo para pagar despesas recorrentes, a previsibilidade pode ter valor quase tão grande quanto o ganho potencial”, diz o CEO do GigU, Luiz Gustavo Neves. Para os usuários, a vantagem das novas modalidades dependerá das condições de contratação e da frequência de uso. Fixar um preço ou comprar viagens antecipadamente pode facilitar o planejamento, mas não significa, por si só, que toda corrida ficará mais barata. A economia efetiva dependerá da comparação entre o valor do passe e o que o passageiro pagaria pelas viagens individualmente.
Assistência a carro elétrico cresce 21,7% – O avanço dos veículos eletrificados no Brasil começa a transformar não apenas o mercado automotivo, mas também os serviços que acompanham essa nova realidade. Dados da Redion, antiga Europ Assistance, mostram que o número de assistências prestadas a carros elétricos cresceu 21,7% na comparação entre os períodos de janeiro a agosto de 2025 e 2026. O movimento acontece em paralelo à expansão acelerada da mobilidade elétrica no país. Em agosto, os veículos eletrificados — que incluem modelos elétricos e híbridos — alcançaram participação recorde de 24,3% nas vendas de veículos leves, com 63.709 unidades emplacadas no mês, mais que o dobro do registrado em agosto de 2025. No acumulado do ano, o segmento já soma cerca de 367,5 mil unidades. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) também aponta a aceleração desse mercado. Em julho, os eletrificados já representavam 21,1% de participação nas vendas de veículos leves, com 56.074 unidades registradas no mês. Com uma frota cada vez maior, cresce também a necessidade de uma estrutura de assistência preparada para as particularidades desses veículos. Quando um carro elétrico fica parado no meio do caminho, sem carga e sem condições de chegar a um local seguro, o atendimento precisa considerar os sistemas de alta tensão e as duas baterias do veículo.
Como funciona – Nesse cenário, a assistência 24 horas ganha uma nova dimensão. Em casos de pane, os prestadores podem avaliar a possibilidade de realizar uma carga no local. A bateria de 12V pode receber carga para permitir que o condutor siga até o próximo ponto de recarga; já em problemas na bateria de alta voltagem, a remoção do veículo é necessária. “O crescimento de 21,7% nas assistências a veículos elétricos mostra que a mudança na frota brasileira já está chegando à rotina dos serviços de mobilidade. À medida que mais pessoas passam a utilizar esses veículos, também precisamos garantir que a assistência esteja preparada para as particularidades dessa tecnologia, com profissionais treinados e protocolos adequados de segurança 24 horas por dia”, afirma Rogerio Guandalini, Diretor Executivo Comercial, Marketing e Produtos da Redion.
Para o motorista, a mudança representa uma nova preocupação na hora de contratar serviços de assistência. Além de avaliar disponibilidade e tempo de atendimento, passa a ser relevante entender se a empresa possui estrutura e conhecimento técnico para atender o tipo de veículo utilizado. Quando não é possível prosseguir com a viagem, também pode haver alternativa de locomoção, com voucher Uber ou carro reserva.
“O motorista de um veículo elétrico precisa ter a tranquilidade de saber que, diante de uma eventual pane ou acidente, será atendido por uma estrutura preparada para aquela tecnologia. A assistência especializada passa a acompanhar a própria evolução do mercado automotivo”, completa o executivo. No atendimento a veículos eletrificados, as principais diferenças estão relacionadas aos sistemas de alta voltagem, aos procedimentos de reboque e aos protocolos de segurança. A tendência deve ganhar ainda mais relevância nos próximos meses. Segundo a ABVE, o Brasil já acumulava cerca de 950 mil veículos elétricos e híbridos em circulação desde 2012 até o final de agosto deste ano, e a associação projeta que a marca de 1 milhão seja alcançada ainda em setembro.
Vai viajar de carro elétrico no fim do ano? Saiba como se planejar – Com a chegada das festas de fim ano, quem pretende viajar de carro elétrico precisa incluir um item a mais no planejamento: onde recarregar a bateria durante o trajeto e no destino? A infraestrutura de recarga vem crescendo no Brasil. Já chega a 29.866 pontos públicos e semipúblicos, segundo dados divulgados em outubro de 2026 pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Para Guilherme Gibertoni, head de Marketing, Produto e Negócios do SóCarrão, o motorista deve planejar a recarga antes mesmo de sair de casa. “No carro elétrico, não basta saber quantos quilômetros o veículo faz com a bateria cheia. É preciso considerar a autonomia real para aquele percurso, identificar onde será possível recarregar e verificar se haverá estrutura também no destino. Esse planejamento evita imprevistos”, explica.
Autonomia: considere uma margem de segurança – A informada pela montadora é uma referência, mas pode variar de acordo com velocidade, temperatura, relevo, uso do ar-condicionado, peso e estilo de condução. Por isso, a recomendação é não planejar o trajeto no limite da bateria e já identificar os pontos de recarga disponíveis no caminho. O motorista pode utilizar ferramentas como o Mapa de Eletropostos para consultar opções ao longo da rota. Também é importante conferir o tipo de carregador e a compatibilidade com o veículo. Carregadores AC costumam demandar mais tempo, enquanto os modelos DC podem oferecer recarga mais rápida, dependendo do carro e do equipamento.
E a hospedagem?
Antes de reservar hotel, pousada ou imóvel de temporada, vale conferir:
se existe carregador ou estrutura adequada para recarga;
qual o tipo e a potência do equipamento;
se o uso é liberado para hóspedes;
se há cobrança adicional;
se é necessário reservar o carregador;
e se o equipamento está funcionando.
“O local onde o carro vai passar a noite pode ser tão importante quanto a hospedagem. Confirmar essa estrutura antes da viagem evita chegar ao destino e descobrir que não será possível recarregar o veículo”, destaca Gibertoni.
Checklist antes de pegar a estrada
Confira a autonomia real do carro
Planeje os pontos de recarga da rota
Tenha uma alternativa caso o carregador esteja ocupado ou indisponível
Verifique a compatibilidade do conector
Confirme a estrutura de recarga da hospedagem
Confira aplicativos e formas de pagamento
Inclua o tempo de recarga no planejamento da viagem
Não deixe a bateria chegar ao limite
“Com planejamento, a viagem de elétrico deixa de ser uma preocupação e passa a fazer parte da rotina da viagem, assim como escolher a rota e o local de hospedagem”, ressalta o especialista.
Renato Ferraz é especializado em jornalismo automobilístico. Além da coluna “De Bigu com a Modernidade”, também assina a “Multieixos”, no Correio Braziliense.
Não há nada melhor para aliviar o estresse diário do que ir a um bom restaurante. Na Itália e na França, as refeições são rituais de várias horas, onde a pressa é uma ofensa ao chef. O foco está na conversa, no vinho e na valorização dos ingredientes locais.
Na Espanha, a cultura do tapeo (ir de bar em bar comer tapas) prioriza a alta socialização em movimento. No Brasil, conheço restaurantes que vão muito além da comida, que funcionam como verdadeiros patrimônios vivos, preservando memórias, arquitetura e tradições ao longo dos anos. O Leite, no Recife, que bato ponto quando estou na cidade, é um deles.
Considerado o restaurante mais antigo em funcionamento contínuo no Brasil, o Leite foi fundado em 1882, ainda durante o Período Imperial e sob o reinado de D. Pedro II, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife.
Diferentemente do Leite, o Piantella, em Brasília, point dos políticos e da imprensa nacional, não resistiu a uma forte crise financeira e fechou suas portas por um período em 2016, sendo depois reaberto por um curto período, fechando definitivamente em 2020, na crise da pandemia.
Frente do Piantella, um dos principais pontos de encontro dos políticos em Brasília
Uma pena! Até hoje sinto saudade. Quantas vezes saí de lá com notícias que viraram manchetes no dia seguinte. O Piantella foi um dos principais pontos de encontro dos políticos em Brasília. No restaurante, foram acertados detalhes da Anistia, das Diretas Já, da Constituinte e da cassação de Collor.
“Aqui, governo e oposição sentam à mesma mesa”, era o slogan do Piantella. Ainda guardo na memória uma imagem de duas taças de champanhe, ladeadas por um prato virado para cima e outro para baixo, como se fosse o Congresso Nacional, exposto num dos ambientes da casa.
Não havia uma noite sequer que a nata da política brasileira não fosse bater o ponto no Piantella, que era de dois sócios: Kakai, advogado famoso na corte, e Marco Aurélio Costa, seu fundador, em 1974. Suas mesas abrigaram conversas, brigas e conchavos fundamentais para a composição da atual democracia brasileira.
“Tudo começou com o pessoal do MDB”, relembra Marco Aurélio. Mineiro de Teófilo Otoni, o fundador da casa costumava receber os amigos sentado na cabeceira da “Mesa do Velho”, à frente de um quadro de Ulysses Guimarães. Era lá que se reunia o Clube do Poire (nome de uma aguardente de pera usada como digestivo pelo Senhor Diretas), formado pelos parlamentares de oposição ao regime militar.
Do outro lado, os deputados da Arena também tinham seu quartel-general, o restaurante GAF, que tomou o mesmo rumo da ditadura e desapareceu. Já o Piantella foi se moldando às mudanças históricas, tendo o Dr. Ulysses como bandeira.
A sala utilizada pelo ex-presidente da Câmara, que morreu em um acidente aéreo em 1992, ficava em um ambiente reservado na parte de cima do restaurante, onde cabiam de 20 a 25 pessoas.
Recortes de jornal, fotos e algumas relíquias, como um cheque assinado por Ulysses para pagar uma conta quando assumiu provisoriamente a Presidência em 1985, compunham uma espécie de minimuseu em homenagem ao “Velho”. Ulysses fez muitas reuniões no restaurante.
Fotos históricas e salão principal do restaurante Piantella
Primeiro, deixava todo mundo falar, bem à vontade. Depois, chegava aonde queria. Ser aceito membro do clube muitas vezes era mais importante do que ter um cargo no governo. Foi no restaurante que as principais lideranças da Câmara realizaram o último encontro antes da votação do impeachment.
Durante o jantar, Ulysses fez questão de se sentar ao lado do líder do governo, Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA). Era um sinal de que nada estava sendo feito pelas costas. Luís Eduardo, que morreu em 1998, aos 43 anos, também foi um dos grandes frequentadores da casa.
Ao lado de sua mesa favorita, no espaço comum, havia uma placa em homenagem a ele, dizendo que naquele local Luís Eduardo “pensava o Brasil”. Ainda sobre o ex-deputado e seu pai, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), morto em 2007, há muitas histórias, mas uma sintetiza o que o Piantella representava no ideário político de Brasília.
No fim dos anos 1990, ACM e o ex-presidente Michel Temer (PMDB) costuravam um acordo para que os dois assumissem as presidências do Senado e da Câmara, respectivamente. Certa vez, Temer ligou para Luís Eduardo para marcar um encontro. Quando eles se falaram, descobriram que ambos estavam no Piantella, em ambientes diferentes. Ao final do jantar, o trato estava selado. ACM e Temer comandaram as duas Casas do Congresso de 1997 a 2001.
Um dos últimos episódios famosos de confraternização no Piantella ocorreu durante o julgamento do mensalão, em agosto de 2012. Recém-cassado devido a acusações de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-senador Demóstenes Torres cantou para um grupo de advogados que trabalhava para réus do processo. Ele só estava se divertindo, nada demais, conforme chegou a brincar numa entrevista um dos donos do Piantela.
Além da deliciosa feijoada servida na casa, suas mesas foram palcos de importantes decisões tomadas por políticos, já que o local sempre foi ponto de encontro dos governantes. Ulysses Guimarães, um dos padrinhos do restaurante, foi homenageado com uma mesa destinada a jantares reservados, dentro da adega climatizada para 10 mil garrafas.
A cozinha da casa foi comandada por 26 anos pelo chef Geraldo Pinto Maciel e seus principais destaques eram a polenta com shiitake e shimeji frescos, sugestão de entrada; oferecendo como opção de prato principal o carré de cordeiro com risoto trufado. O risoto de salmão com queijo mascarpone e caviar eram os pratos principais, além do filé de linguado com ninho de legumes, que trazia o peixe grelhado servido sobre palmito, cenoura e alho-poró refogados, coberto por um molho de limão-siciliano, lima-da-pérsia e pimenta-rosa.
Outro aspecto interessante do restaurante era sua carta de vinhos, que lista 1.500 rótulos. Entre goles de poire, destilado francês à base de pêra, Ulysses Guimarães articulou por lá a campanha pelas Diretas Já.
Ele costumava sentar-se em um canto mais reservado do restaurante. Mesmo depois de sua morte, em 1992, sua mesa e cadeira continuaram reservadas com seu nome, e um quadro com sua foto foi pendurada na parede. Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, Aécio Neves, Dilma Rousseff e Michel Temer eram figuras constantes no Piantella.
Era como se fosse uma extensão do Congresso para todos. Muitas vezes, o restaurante ficava de portas abertas de madrugada para atender os políticos, que precisavam fazer reuniões emergenciais. O presidente Lula também era fã do Piantella.
Quando ele ganhou as eleições, em 2002, fez questão de jantar na casa com mais dez ministros. Foi uma festa. O restaurante também foi palco de histórias curiosas. O deputado Luis Eduardo Magalhães tinha uma tática boa para não o flagrarem com bebida alcóolica. Ele não tomava champanhe em taça, mas em um copo diferente, segundo Marco Aurélio.
Luis Eduardo, político baiano, ex-presidente da Câmara, morreu em 1998 depois de sofrer um infarto. Mas a clientela vai além do meio político. Cenário de tantas histórias, era esperado que o Piantella fosse reabrir um dia. Pelo menos, esse sempre foi o plano de Kakay, que fez questão de manter o restaurante intacto e continuar pagando o aluguel do ponto.
O restaurante encerrou as suas atividades em 31 de agosto de 2016, coincidente no mesmo dia do impeachment de Dilma Rousseff, sob impactos da crise econômica e o desgaste do formato tradicional. A trajetória do local virou tema de homenagens, artigos de reflexão democrática e de um projeto de livro de memórias conduzido pelo escritor Fernando Morais com base em centenas de entrevistas.
O saudoso Piantella, enfim, nas suas mesas lotadas, com muito whisky e vinho, construiu também, dia a dia, noite após noite, a redemocratização do país. Era comum, depois das sessões tensas, com debates acalorados sobre os destinos do Brasil, políticos de tendências opostas, como Luiz Eduardo Magalhães, José Genoino, Delfim Neto, Miro Teixeira, José Dirceu e Antônio Carlos Magalhães discutirem com civilidade e harmonia os destinos do País.
O Piantella foi, sem sombra de dúvida, o retrato de uma época em que a sociedade reconquistou o Estado democrático de Direito. A liberdade. A irmandade. O respeito às divergências. A política como instrumento civilizatório.
O deputado federal eleito e ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) afirmou que a orientação recebida durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no resort Mar-a-Lago, do presidente Donald Trump, na Flórida, é não negociar as disputas pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Segundo ele, a direita deve manter seus próprios nomes na disputa, mesmo que isso represente uma derrota.
“A orientação é não fazer acordo, mesmo que a gente perca, não tem problema. Agora, a gente não vai perder é a coerência. E vamos honrar cada voto que a gente recebeu”, declarou Gilson, em vídeo publicado nas redes sociais.
O ex-ministro viajou aos Estados Unidos para participar da conferência e se reunir com Flávio Bolsonaro (PL). O encontro reuniu lideranças conservadoras de diferentes países e terminou neste sábado (7).
Assim como fez com a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), Damares Alves (DF) disse à coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que trabalha para levar outras parlamentares para seu partido, o Republicanos.
A ideia é fortalecer o sigla como uma legenda relevante nas pautas feminina e de direitos humanos. Para isso, Damares quer atrair senadoras e deputadas para o Republicanos, assim como Michelle.
“Eu considero o Republicanos o melhor partido para mulheres. Os três últimos ministros de Direitos Humanos estão no Republicanos: o ministro Gustavo (Rocha), do governo Temer; eu; e a ministra Cristiane Britto, que me substituiu na reta final do governo Bolsonaro. Nós três estamos no Republicanos”, afirmou.
Damares ressaltou que Cristiane Britto também comandou o Ministério da Mulher. “Então, duas ex-ministras da Mulher estão no Republicanos”, disse a senadora, que é aliada de primeira hora de Michelle.
A senadora confirmou que já convidou várias parlamentares para a legenda. Segundo ela, o Republicanos está investindo na agenda feminina e de direitos humanos para os próximos anos. “É um partido que está investindo muito em mulheres. Investindo, investindo. A presidente da fundação do partido é uma mulher. Então, eu estou convidando. Toda parlamentar, eu estou convidando para vir para o melhor partido”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou em vídeo publicado no Instagram neste sábado (7) que vai à Turquia acompanhado do deputado federal André Janones (Rede-MG). Em mensagem destinada aos integrantes do “Exército do Lula”, canal de WhatsApp utilizado por Janones para impulsionar a campanha de segundo turno, Lula pediu que eles precisam ficar de “prontidão”
“Eu vou passar a semana inteira fora, mas eu quero dizer aos meus soldados, ao meu general (Janones) que a tropa tem que estar de prontidão para não deixar os nossos inimigos continuarem mentindo nesse país. É importante a gente ter certeza que somente a verdade repetida muitas vezes vai destruir uma mentira contada milhões de vezes. Não há financiamento, não há impulsionamento que consiga destruir a verdade a vida inteira”, disse Lula.
Lula disse também que fará uma live semanal com Janones na Turquia na semana que vem. A previsão é que a live seja realizada na quinta-feira (12). Lula estará em Antália, no território turco, onde participará da COP-31. Em seguida, ele irá para Manila (Filipinas) onde terá uma reunião bilateral com o presidente daquele país, Ferdinand Marcos, e depois vai integrar a reunião da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Lula e Janones querem deixar o canal ativo para poder fazer pressão contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). O canal tem hoje pouco mais de 10 milhões de integrantes.
Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, eleita a Deputada Federal mais jovem de Minas Gerais, divulgou nas redes sociais um e-mail com ameaças de morte, estupro e ataques racistas direcionados à ela, após receber críticas por andar com escolta policial 24 horas.
Segundo Ana Elisa, as ameaças e intimidações acontecem desde o período eleitoral e representam um risco à sua integridade física. Em vídeo publicado nas redes sociais, a deputada mostrou o conteúdo de uma mensagem enviada por um homem que se identifica como ‘Pedro’.
Entre os trechos divulgados, o autor afirma que estaria esperando uma oportunidade para atacá-la dentro da própria casa. “Ana Elisa escuta bem, porque eu já estou dentro da sua casa, esperando que você abra a porta para eu te arrancar pelos cabelos, te jogar contra o muro de concreto. Quando o sol bater no seu rosto vou rasgar essa blusa rosa do seu corpo, sem te dar sequer um segundo para gritar ou implorar piedade.”
Em outra parte da mensagem, o remetente descreve ameaças de estupro e assassinato. O conteúdo também tem ataques racistas relacionados à atuação política de Ana Elisa e à representação de pessoas negras no Congresso Nacional. “Você merece essa destruição lenta e agonizante, porque tem a audâcia de representar filhotes de macacos no parlamento.”
Investigação
Em outubro, um inquérito foi aberto pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e também pela Polícia Federal (PF) para investigar outros ataques direcionados à deputada eleita.
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil para atualizar o andamento das investigações, mas não teve retorno até a última atualização da matéria.
A reportagem também entrou em contato com a Polícia Federal, que respondeu em nota, que não comenta investigações em andamento.
Ameaças durante a campanha
Durante a campanha eleitoral, Ana Elisa também recebeu ameaças de morte e de estupro, além de ataques racistas. A jovem de Divinópolis denunciou o fato à Polícia Civil, que investiga o caso.
Em um e-mail recebido no dia 5 de setembro, o destinatário se identificou como “integrante de um grupo supremacista branco”. O autor mencionou dados pessoais de Ana Elisa para demonstrar que sabe como localizá-la e também ameaçou sua família.
A deputada eleita divulgou partes do e-mail nas redes sociais. No texto, o autor fala em ódio por mulheres negras. “Nós não apenas toleramos mulheres pretas que acham que podem representar ‘o povo’ vestindo aqueles ternos ridículos e falando em tom alto sobre justiça social. Nós os desprezamos. E especificamente, nós desprezamos você.”
O autor também fez ameaças de morte e de violência sexual contra Ana Elisa. “Estou escrevendo isso porque decidi que você merece o fim mais humilhante da sua carreira política antes de eu pôr um fim na sua miserável vida inteira.”
A situação judicial de Pâmela Bório ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou providências após a defesa deixar transcorrer o prazo para apresentar as alegações finais na ação penal relacionada aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Em despacho assinado no dia 7 de outubro, Moraes registrou que a instrução processual foi encerrada e que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia apresentado suas alegações finais, nas quais pediu a condenação de Pâmela.
Diante da ausência de manifestação da defesa, o ministro concedeu novo prazo de 15 dias para a apresentação das alegações finais, sob pena de declaração de ausência de defesa e nomeação da Defensoria Pública da União (DPU).
Pâmela responde a cinco acusações criminais, incluindo tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio protegido. A soma das penas máximas previstas para os delitos chega a 30 anos e seis meses de prisão, embora a eventual punição dependa da dosimetria aplicada pelo STF.
O despacho expõe uma situação constrangedora para a defesa de Pâmela Bório. Enquanto a PGR já formalizou seu pedido de condenação, a defesa deixou de apresentar sua manifestação dentro do prazo processual, obrigando o relator a adotar novas providências.
A ação penal tramita no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes.
Milhares de peixes foram encontrados mortos, ontem (6), na Barragem do Estado, também conhecida como Barragem do Governo, localizada nas proximidades do Sítio Cocos, na zona rural de Bezerros, no Agreste de Pernambuco. Os animais apareceram boiando e acumulados nas margens do reservatório, provocando mau cheiro e preocupação entre os moradores.
Na manhã de ontem (6), equipes das secretarias municipais de Agricultura e Desenvolvimento Sustentável e de Saúde estiveram no local para avaliar a situação e coletar amostras da água. A prefeitura também orientou os moradores sobre os cuidados necessários para evitar possíveis riscos à saúde.
Em nota, a Prefeitura de Bezerros informou que está acompanhando e monitorando a ocorrência. O município também destacou que fatores como temperaturas elevadas e redução do volume de água podem comprometer a sobrevivência dos peixes, principalmente pela diminuição da concentração de oxigênio no reservatório.
O que pode ter causado a morte dos peixes?
De acordo com o biólogo Alexandre Nunes, a mortandade pode estar relacionada a uma combinação de fatores, como excesso de nutrientes na água, possível poluição e temperaturas elevadas. “Uma carga de nutrientes, que pode ser esgoto, fertilizante ou algum tipo de poluição, contribui para que isso aconteça. As altas temperaturas também fazem com que as algas se proliferem com maior velocidade”, explicou.
Segundo o biólogo, a multiplicação excessiva das algas pode formar uma camada na superfície da água, dificultando a entrada de luz nas camadas mais profundas. Com isso, o fitoplâncton, formado por algas microscópicas responsáveis pela produção de oxigênio, é prejudicado.
Quando essas algas morrem, bactérias passam a decompor a matéria orgânica e consomem ainda mais oxigênio disponível na água. Esse processo é conhecido como eutrofização e pode comprometer a sobrevivência dos organismos aquáticos.
O professor Alexandre Nunes ressalta, no entanto, que a temperatura elevada não é a causa isolada do problema, mas um fator que acelera o processo. “A temperatura contribui para que aconteça a eutrofização. Isoladamente, a alta temperatura não vai ocasionar isso. É o conjunto de fatores, como essas algas, esgoto ou algum outro nutriente que está chegando à água. A temperatura acelera o processo, mas não é apenas isso”, explicou.
Quais cuidados os moradores devem tomar?
A Prefeitura de Bezerros orienta que a população evite o contato direto com a água da barragem. Também recomenda que os moradores não permitam que os rebanhos locais consumam a água do reservatório. O município informou que as equipes seguem acompanhando a situação e prestando assistência aos agricultores, produtores e moradores da comunidade.
Até o momento, não foi informada a causa confirmada da mortandade. A coleta de amostras da água deverá contribuir para a avaliação das condições do reservatório.
O presidente Lula (PT) cumprimentou Pedro Alliana pela posse na presidência do Paraguai e defendeu o fortalecimento das relações entre os países. Lula publicou a mensagem ontem (6), no X. Ele desejou sucesso a Alliana e afirmou que espera trabalhar com o novo presidente de maneira aberta, franca e cooperativa.
Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana (@AllianaPedro), empossado na noite de hoje, meus desejos de pleno êxito nas novas funções e de poder trabalhar com ele de maneira aberta, franca e cooperativa, em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da…
Na mesma mensagem, o presidente brasileiro convidou Alliana para uma visita a Brasília. Lula afirmou que pretende recebê-lo em breve para discutir a agenda de interesse comum e dar novo impulso à relação histórica entre as duas nações. A manifestação ocorreu poucas horas depois da cerimônia de posse do paraguaio, que assumiu o cargo após a destituição de Santiago Peña pelo Congresso.
Alliana agradeceu o cumprimento de Lula e também sinalizou disposição para manter uma relação próxima com o governo brasileiro. “Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade. Iniciamos uma relação frutífera em homenagem aos nossos povos”, escreveu.
Integrante do Partido Colorado e até então vice-presidente do Paraguai, Alliana, 52 anos, assumiu o comando do país para concluir o mandato iniciado por Peña, com término previsto para 2028. A mudança ocorre em meio à crise envolvendo o banco Ueno, cuja liquidação provocou impactos sobre milhões de clientes e esteve no centro das acusações que levaram ao impeachment do antecessor. Com informações do Correio Braziliense e UOL.
Uma publicação da página oficial da Defesa Civil Nacional, feita nas redes sociais ontem (6), orientou como preparar um kit de emergência para até 72 horas e pegou muitos internautas de surpresa, que questionaram se há algum motivo específico para o alerta, como um risco iminente para o país.
A postagem, no entanto, é apenas uma orientação de rotina da Defesa Civil com caráter preventivo. Após a repercussão, o órgão esclareceu, em um comentário na própria publicação, que não há nenhum motivo novo para a recomendação.
“Pessoal, é apenas um conteúdo sobre prevenção! Não existe nada de misterioso no ar ou alguma invasão alienígena! Postamos conteúdos sobre prevenção todos os dias aqui no nosso perfil (…) Fiquem tranquilos!”, escreveu.
Em abril, por exemplo, a Defesa Civil do Paraná fez uma publicação semelhante no Instagram, reforçando que, “em momentos críticos, estar preparado faz toda a diferença”. Outras Defesas Civis estaduais e municipais também já fizeram posts parecidos.
Ainda assim, os internautas reagiram com desconfiança nos comentários da publicação da Defesa Civil Nacional. “Estou ficando preocupada”, escreveu uma usuária. “Vocês estão sabendo de algo que a gente não sabe?”, perguntou outro.
A publicação em questão explica como preparar um kit de emergência. Nela, a Defesa Civil Nacional diz que, “em desastres de grande proporção, o socorro pode demorar a chegar a algumas localidades devido às dificuldades de acesso”. “Ter um kit de emergência para até 72 horas (3 dias) é uma medida de preparação recomendada pela Defesa Civil Nacional, alinhada a práticas internacionais, e que complementa o trabalho das equipes de resposta”, complementou.
Segundo a postagem, o objetivo é garantir água, alimentos, medicamentos e outros itens considerados essenciais. A ideia é ter uma mochila pronta e, a cada 6 meses, conferir a validade dos itens. Veja tudo que deve estar no seu kit:
Água potável: 2 litros de água por pessoa a cada dia, ou seja, considerando três dias, 6 litros de água por indivíduo.
Comida não perecível: frutas secas, barras de cereais, biscoitos e alimentos enlatados.
Utensílios: pratos e copos de plásticos, talheres, abridor de latas, papel toalha e sabão.
Primeiros socorros: remédios de uso contínuo com cópias das receitas médias, álcool em gel, equipamentos médicos com baterias e carregadores (exemplo: medidores de glicose), outros itens de seu dia a dia: óculos de grau, lentes, repelentes, entre outros.
Higiene: itens de banho, escova de dentes, creme dental, absorventes, papel higiênico, entre outros.
Roupas: algumas mudas de roupa e calçados confortáveis. Em locais mais frios, incluir casaco.
Eletrônicos: rádio AM/FM para acompanhar orientações das autoridades, lanternas, pilhas de reposição, carregador de telefone, baterias portáteis power bank. Guardar as pilhas separadas.
Documentos: numa pasta impermeável, guardar documentos pessoais, objetos de valor, dinheiro em espécie, escritura do imóvel, lista de contatos importantes, como médicos e outros serviços de emergência.
Sacolas plásticas avulsas para proteger objetos de umidade ou sujeira.
Se houver bebês ou crianças, separar os itens necessários para eles.
Se houver pets, separar água, comida e itens de cuidado deles.
A eleição para a presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027, mobiliza não apenas partidos e grupos políticos interessados no comando da Casa, mas também ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Em uma articulação que, segundo fontes ouvidas pelo UOL, ganhou intensidade inédita nas últimas semanas, magistrados têm atuado nos bastidores para favorecer a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O motivo central é o receio de que um presidente alinhado à nova composição do Senado leve adiante uma das principais bandeiras de campanha de parte dos parlamentares eleitos em outubro: o impeachment de ministros do Supremo.
A reportagem percorreu gabinetes de senadores e conversou com interlocutores de parlamentares que têm investigações em andamento, pendências judiciais ou candidaturas sujeitas a desdobramentos na Justiça. Também foram procurados políticos recém-eleitos, alguns dos quais já estão no radar de integrantes da Corte. O que emerge desses contatos é uma movimentação de ministros para preservar um interlocutor que, se permanecer no comando do Senado, terá influência decisiva sobre o andamento dos pedidos de afastamento de integrantes do tribunal.
Um dos principais elos dessa articulação é a relação próxima entre Alcolumbre e Alexandre de Moraes. O ministro já atuou como interlocutor para tentar conter crises envolvendo o senador. Foi o caso do rompimento entre Lula (PT) e o presidente do Senado, que se arrastou por meses após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, em abril. Moraes trabalhou para aproximar os dois e reduzir o desgaste entre o Planalto e o Congresso.
Fontes do Supremo ouvidas pelo UOL afirmam que a abordagem de ministros a políticos não é exatamente uma novidade em Brasília. O que chama a atenção, desta vez, é a frequência e a intensidade dos movimentos. O temor de uma ofensiva do novo Senado contra a Corte teria elevado a articulação a outro patamar.
As conversas não são descritas como ameaças explícitas. A lógica, segundo os relatos, seria mais sutil: uma espécie de entendimento tácito de que os dois lados têm interesses que podem ser preservados. De um lado, políticos que não querem ver suas pendências judiciais avançarem no Supremo; de outro, ministros que não querem enfrentar processos de impeachment no Senado.
Nem sempre a interlocução ocorre diretamente com os senadores. Segundo apurou o UOL, em alguns casos, os recados chegam por meio dos advogados que representam os políticos.
As revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master atingiram ministros de diferentes perfis e ajudam a explicar a convergência de interesses dentro do Supremo. Moraes está no centro de uma das frentes mais delicadas. Uma análise do celular apreendido de Vorcaro identificou 316 registros de interação entre o banqueiro e o ministro nos dois meses anteriores à prisão, em novembro de 2025. Vorcaro também contratou por quase R$ 130 milhões o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, para prestar serviços jurídicos ao banco. O ministro nega irregularidades.
Dias Toffoli também passou a enfrentar questionamentos depois que vieram à tona vínculos empresariais entre fundos ligados ao universo do Banco Master e empresas de familiares do ministro. Um desses fundos teve participação na Tayayá Administração e Participações, empresa ligada ao resort que pertenceu a familiares de Toffoli. O ministro deixou a relatoria do caso Master em meio à pressão provocada pelos fatos que vieram à tona.
Outro foco de preocupação envolve Kassio Nunes Marques. Mensagens encontradas pela PF (Polícia Federal) no celular de Vorcaro mencionam um contrato de honorários de R$ 427 milhões associado à chamada “Turma do KN”, expressão usada para se referir a pessoas apontadas como próximas ao ministro. O acordo previa pagamentos condicionados a resultados favoráveis em ações de interesse do Master relacionadas a precatórios.
O receio das consequências políticas e institucionais dessas revelações tem aproximado ministros até então situados em campos distintos. Magistrados que não necessariamente compartilham os mesmos interesses políticos passaram a convergir em torno da reeleição de Alcolumbre.
O próprio, por sua vez, também está ligado a um dos desdobramentos do caso. Em fevereiro de 2026, a PF deflagrou a Operação Zona Cinzenta para investigar aplicações de aproximadamente R$ 400 milhões da Amapá Previdência (Amprev), fundo responsável pelos recursos previdenciários dos servidores estaduais, em letras financeiras do Banco Master. Entre os alvos estava Jocildo Silva Lemos, então presidente da Amprev e ex-tesoureiro da campanha de Alcolumbre. O irmão do senador, Alberto Alcolumbre, integra o Conselho Fiscal da entidade na época dos aportes. Após a operação, Alcolumbre defendeu que tudo seja “apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal.”
Nomes da oposição
Hoje, dois oposicionistas estão em campanha contra Alcolumbre: Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, e Tereza Cristina (PP-MS). Ambos mantêm suas pré-candidaturas, mas a expectativa é que os grupos convirjam para um único nome à medida que a eleição se aproxime. Marinho conta com o apoio do PL, que terá uma bancada de 29 senadores, enquanto Tereza busca reunir setores do centro e do agronegócio.
Hoje, a pauta do impeachment não se limita aos parlamentares da oposição. Senadores de diferentes campos políticos se elegeram ou foram reconduzidos defendendo maior fiscalização do Supremo e a responsabilização de ministros. O presidente do Senado tem papel decisivo nesse processo: cabe a ele dar encaminhamento inicial às denúncias. Sem essa iniciativa, os pedidos não avançam para análise dos demais senadores. A eventual condenação exige, posteriormente, o apoio de dois terços da Casa.
A pressão também encontra respaldo na opinião pública. Pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada em setembro mostrou que 60,5% dos entrevistados defendiam o impeachment imediato de Dias Toffoli e 49,8% apoiavam a mesma medida em relação a Alexandre de Moraes. Outros levantamentos também apontam que a responsabilização de ministros do Supremo se tornou uma demanda presente entre os brasileiros, ultrapassando o campo da oposição bolsonarista.