Pré-candidatos sem chapas
O carnaval já acontece na próxima semana, mas nenhum dos dois pré-candidatos que polarizam a disputa pelo Governo do Estado – Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) – vão ao encontro do povão na folia com pelo menos um indicativo em relação à composição das suas chapas.
Ouvi que João gostaria de brincar com o carnaval já ao lado dos seus companheiros de chapa – os dois candidatos ao Senado e o vice. Mas o socialista está com um tremendo complicador: o excesso de nomes. Para o Senado, só uma vaga estaria fechada – a de Humberto Costa (PT), que vai à reeleição.
A segunda está mergulhada numa crise de excessos de candidaturas, com pelo menos três nomes: Miguel Coelho (UB), ex-prefeito de Petrolina, Sílvio Costa Filho (Republicanos), ministro dos Portos e Aeroportos, e, correndo por fora, sem fazer parte da aliança e estando ainda atrelado ao governo Raquel, o deputado Eduardo da Fonte (PP).
Leia maisJá a governadora não sabe ainda se manterá Priscila Krause na vice. Pelos últimos acontecimentos – duas idas ao exterior sem passar o cargo para a substituta imediata – dá sinais de que pode optar por uma alternativa. Há quem diga que em 2024 Priscila somou, mas hoje nada agregaria como candidata à reeleição.
Quanto ao Senado, Raquel nunca teve sequer nomes do seu conjunto de forças especulados para a sua chapa concorrendo às duas vagas ao Senado, cenário inédito. Como alguém no poder, a máquina na mão, aliciando um exército de prefeitos, e não dispõe de um só nome natural para o Senado? Muito estranho.
O único nome, vez por outra ventilado, é o de Miguel, que faria a travessia de volta ao ninho governista no caso de não ser aproveitado na chapa de João. Eduardo da Fonte, que seria o candidato natural pelo seu partido, o PP, por ocupar cargos no governo e a bancada na Alepe votar fechada com as proposições de Raquel, nunca sequer foi citado pela governadora nem ele próprio admitiu.
Quando se cogita seu nome, com boa aceitação nas pesquisas de intenção de voto, todos os indicativos são de sair pela chapa de João. Da Fonte, aliás, não é hoje apenas presidente de um partido, mas de uma federação do PP formada com o União Brasil. Essa conjugação partidária detém o maior tempo de propaganda na televisão, o mais graúdo fundo eleitoral e a maior representação no Congresso Nacional.
Quem não quer Eduardo da Fonte na chapa?
O TEMPO URGE – Enquanto não se definem as chapas, Raquel e João correm contra o tempo. O prefeito cumpre um extenso calendário de entregas de obras, agenda que se esgota em 4 de abril, quando será obrigado a se desincompatibilizar do cargo para entrar de fato na disputa. Já a governadora é vista também inaugurando obras pelo Interior, dando ordens de serviços a novos projetos e tentando aglutinar, pela força da máquina, o maior número de prefeitos ao seu lado.

Multidão complica segurança para Lula no Galo – Ainda está confusa a agenda do presidente Lula (PT) em Pernambuco no sábado de carnaval. Aliados dizem que ele não irá a Garanhuns, porque o que está na cabeça do chefe da Nação é não misturar atos administrativos com folia. No caso de Garanhuns, entregaria um hospital filantrópico com o nome da sua mãe. Outro suspense diz respeito à presença dele no Galo da Madrugada, já certa, mas cheia de indefinições por causa das dificuldades da equipe precursora do Planalto na montagem do esquema de segurança na área do camarote em que ele iria assistir ao desfile da maior agremiação carnavalesca do planeta. Os entraves dizem respeito a tumultos na área por causa da multidão que o Galo arrasta.
Estava escrito nas estrelas – Como era previsto, a Câmara de Olinda rejeitou, ontem, por unanimidade, cinco pedidos de impeachment apresentados contra a prefeita Mirella Almeida (PSD). As iniciativas da oposição foram arquivadas após avaliação do plenário, que concluiu pela inexistência de crime de responsabilidade. Quatro dos cinco pedidos foram protocolados pelo ex-candidato a prefeito Antônio Campos, irmão do ex-governador Eduardo Campos, que já teve outras ações contra a gestora também arquivadas.
Confiança nas urnas eletrônicas – Ao tomar posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ministra Cármen Lúcia, do STF, mandou um recado aos que desconfiam do voto eletrônico. “A desconfiança nas instituições é um fator de instabilidade jurídica, social e econômica. Devemos ser rigorosos e intransigentes com qualquer desvio ético”, afirmou. Para ela, a atuação do Judiciário é legitimada pela confiança pública depositada pelos cidadãos, o que exige da magistratura e dos servidores da Justiça Eleitoral uma atuação honesta e independente de pressões ou influências, garantindo a lisura do pleito e a imparcialidade das decisões.

Ministro do TCU no podcast – O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, que ganhou fama nacional como relator das pedaladas da ex-presidente Dilma, resultando no impeachment da sucessora de Lula, é o meu convidado do podcast Direto de Brasília da próxima terça-feira. Ele vai falar sobre os limites daquela corte nas investigações no Banco Master e o escândalo que envolve políticos graúdos e dois ministros do Supremo Tribunal Federal. O programa é uma parceria do meu blog com a Folha de Pernambuco, com transmissão para 165 emissoras no Nordeste.
CURTAS
PENDURICALHOS 1 – O ministro Flávio Dino, do STF, determinou, ontem, a suspensão do pagamento dos chamados “penduricalhos”, benefícios que são concedidos a servidores públicos e que não cumprem o teto remuneratório constitucional, de R$ 46,3 mil. A suspensão vale para os Três Poderes. Pela decisão, os três Poderes têm prazo de 60 dias para revisar e suspender o pagamento das verbas indenizatórias sem base legal.
PENDURICALHOS 2 – Na decisão, Dino afirmou que há um “fenômeno da multiplicação anômala” de verbas indenizatórias incompatíveis com a Constituição. Ele cita o pagamento de “auxílio-peru” e “auxílio-panetone” (benefícios extras de fim de ano) como exemplos de ilegalidade. “Destaco que, seguramente, tal amplo rol de ‘indenizações’, gerando supersalários, não possui precedentes no direito brasileiro, tampouco no direito comparado, nem mesmo nos países mais ricos do planeta”, argumentou.
INDENIZAÇÃO – A Justiça condenou o Governo do Estado a pagar uma indenização de R$ 90 mil, por danos morais, à delegada Natasha Dolci. O montante final, no entanto, deve superar esse valor, já que a decisão determina a aplicação de juros retroativos e correção monetária. A delegada foi afastada pela Polícia após uma polêmica envolvendo a prisão do empresário Rodrigo Carvalheira, em 2024. Na época, Carvalheira era investigado por estupros. A delegada teria cometido infrações no decorrer da apuração contra o empresário, que é seu amigo.
Perguntar não ofende: Chapas de Raquel e João, só em abril?
Leia menos

















