A crônica domingueira

Macondo, a cidade fictícia de Gabriel García Márquez, da sua obra-prima “Cem anos de solidão”, é um lugar mítico, com elementos de realismo mágico e eventos que misturam o fantástico com o cotidiano, inspirado em parte na cidade natal dele, Aracataca. Foi em Aracataca que o genial García Márquez viveu a sua infância e adolescência, absorvendo histórias e tradições.

Aracataca nunca saiu do seu imaginário, tampouco do seu coração, como Itabira nunca foi varrida dos pensamentos de Carlos Drummond de Andrade. Se Itabira, para Drumond, foi o retrato pendurado na parede corroendo o seu coração, efervescência da sua alma, Aracataca, para Márquez, foi mais do que o lugar em que nasceu.

Câmara Municial Recife - O Recife que amamos

Minha relação com o Governo Raquel Lyra (PSDB), objeto de questionamentos de leitores vez por outra, não é diferente de nenhum outro que a antecedeu. Com Paulo Câmara (PSB), seu antecessor, as dificuldades foram de igual intensidade. Sequer me dava entrevistas. Já Eduardo Campos (PSB), um dos mais explosivos na relação, chegou a ficar sem falar comigo por mais de dois anos, mas antes de perder a vida numa fatalidade reatou um convívio civilizado.

Foi dele que ganhei o apelido de “Maligno”. Jarbas Vasconcelos, que antecedeu Eduardo, na sua primeira gestão perdeu a estribeira, chegando a fazer uma carta de próprio punho cortando completamente qualquer possibilidade de um convívio harmonioso. Miguel Arraes era de altos e baixos. Como contei numa postagem por ocasião do aniversário do habilidoso Adilson Gomes, já me expulsou de um evento.

Toritama - Tem ritmo na saúde

Em plena era das canções de gosto duvidoso, que fazem a cabeça das novas gerações, tratar nesta crônica do romantismo contagiante das serenatas soa como uma provocação. Mas as serestas, ou serenatas, estão de volta, por incrível que pareça, depois de um longo período adormecidas. Em Pernambuco, o grito de renascimento, a ousadia, vem de Santa Maria da Boa Vista, a 605 km do Recife, modelo para outras cidades.

Ali, o cenário próprio e inerente para uma seresta, com ambientes que reportam ao romantismo europeu, de onde surgiram as serenatas, encanta e seduz. Se passa em casarões e prédios mais que centenários, beirando o Rio São Francisco, com a luz exuberante da lua cheia estendida sobre as águas do Velho Chico, o chamado Rio da Integração Nacional.

Caruaru - Primeiro lugar no IDEPE

Na crônica de hoje, falo da temática tropeços na vida. Quem nunca teve um, atire a primeira pedra. Acontece até nas mais aparentemente sólidas famílias. Todo mundo cai para aprender a levantar. Levantar é como aprender a andar de novo, dar passos mais seguros e firmes. Quando perdi o primeiro emprego, de forma surprendente e injusta, vi o mundo desabar na minha cabeça.

Igualmente quando Deus chamou meus pais, primeiro minha jóia Margarida, aos 86 anos, vítima de um infarto fulminante. Já papai morreu aos 100 anos e sete meses. A dor da perda dos pais é a maior delas. A ausência física deles dói demais, mas seu amor continua nos guiando o tempo todo. Com o passar dos anos, a dor se acalma, mas o legado e o carinho se tornam um consolo eterno no coração.

Cabo de Santo Agostinho - Vem aí

Não é fácil romper os laços da terra natal. Qualquer partida, mesmo prevista e esperada, traz medo, uma incerteza angustiante pelo futuro duvidoso, uma nuvem espessa de interrogações. Artistas cantam a dor da partida. A mais célebre canção virou uma espécie de hino de despedida dos retirantes sertanejos do seu torrão: “A Triste Partida”, de Patativa do Assaré, cantada por Luiz Gonzaga.

Outras canções, de diferentes estilos, também abordam o tema, como “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil. “A Triste Partida” retrata a dura realidade da migração, a saudade do lar e das raízes, da terra-mãe. Em “Aquele Abraço”, Gilberto Gil utiliza a música para se despedir de um amigo que está indo embora, com um toque de celebração pela partida.

Palmares - Natal Encantado 2025

Já falei neste espaço de reflexões sobre a vida do sentimento da inveja. Não estou triste, não se trata do meu caso. Pelo contrário, a vida, graças ao meu bom pai celestial, só tem me dado motivos para sorrir. Mas me pediram para escrever sobre este terrível sentimento da tristeza.

Que não deixa de ser atual e importante. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 12 milhões de brasileiros sofrem de uma chamada tristeza crônica. A tristeza é uma emoção natural e ao mesmo tempo complexa, geralmente desencadeada por perdas, frustrações ou decepções.

Olinda - Refis últimos dias 2025

Não esperava, confesso, tamanha repercussão entre os leitores da minha crônica domingueira de hoje, relatando o início de carreira no Diário de Pernambuco, ao mesmo tempo uma homenagem ao bicentenário do jornal mais antigo em circulação na América Latina.

“Acabo de ler sua crônica domingueira de hoje sobre os anos dourados do Diário. Sua escrita é fluida e ágil, além de prazerosa”, escreveu o cantor e compositor Geraldo Maia, a quem fiz uma visita, ontem, em Taquaritinga do Norte, onde mora numa aconchegante casa em um sítio.

A primeira casa é como a primeira professora: impossível esquecer. Para mim, o Diário de Pernambuco, que comemora seu bicentenário, é um retrato drummondiano na parede da memória, impregnado no meu coração. Matuto expulso da seca no Sertão do Pajeú, pisei na redação do velho DP com apenas 17 anos. Foi um estampido de emoção e ao mesmo tempo de medo.

Medo de tudo: do desafio que se abria pelo futuro incerto, do barulho infernal de um exército de malucos produzindo em máquinas de datilografia, de estar frente a frente com ídolos que só conhecia pelas páginas do jornal mais antigo em circulação na América Latina, como José Adalberto Ribeiro, colunista político, João Alberto, colunista social e Adonias de Moura, editor de Esportes e colunista, que me trazia o noticiário do meu Santa Cruz.

A humanidade vive de sentimentos. Os sentimentos são os vetores da vida quando positivos, como o amor, a felicidade e a gratidão. Mas existem, infelizmente, os sentimentos negativos, entre eles a inveja, provocada pela prosperidade alheia, acompanhada pelo desejo de ter o que o outro possui.

Embora seja natural, causa sofrimento, se não for bem administrada. Por sua conotação, poucas pessoas admitem senti-la. Sou um homem feliz, temente a Deus, apegado a família e desprovido de qualquer sentimento invejoso. Segundo a Bíblia, a inveja é pior do que a ira e o furor.

Garanhuns é uma cidade diferenciada, com cara de metrópole. É um amor à primeira vista, de supetão, para quem pisa no seu solo com essência de flores e sabor de chocolate quente, lembrando uma Gramado nordestina. Meu amor por ela é maternal. Vem do ventre da minha mãe, que por lá morou entre a infância e a pré-adolescência. Quando ando pelas suas ruas, como fiz nos últimos dias, sinto o perfume da minha mãe na esquina, nos parques, nas casas cobertas de pinheiros.

Como não sentir o perfume de uma mãe com nome de Margarida, uma das flores que dão mais beleza aos jardins de Garanhuns? As margaridas são flores conhecidas por sua beleza singela. Simbolizam inocência, pureza, amor e esperança. Têm caules longos, que se fecham à noite e se abrem ao sol, crescendo em campos e jardins, excelentes para decoração.