A deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), que ficará no mandato até junho, diz que concentrará suas forças na criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, a ex-senadora disse “não ter dúvidas” de que o caso chegará a figurões da República e pretende seguir coletando assinaturas para a instauração do colegiado.
“Eu não tenho dúvida (de que há figurões envolvidos). Qual a lógica formal que explica esta gigantesca muralha para impedir que os deputados assinem? Óbvio, tem questões muito importantes, pessoas muito importantes diretamente envolvidas nesse próprio nódulo em que se transformou o Banco Master, por isso que é de fundamental importância para a gente abrir a CPMI. Não há lógica que explique o empenho tão grande de tantos setores ideologicamente distintos para impedir. Talvez por ser um escândalo tão grande, que envolve um banco, além de personalidades políticas, do Judiciário e do crime organizado, com lavagem de dinheiro, então por isso que eles estão trabalhando tanto para impedir essa CPMI”, disparou Heloísa Helena.
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Entre as autoridades citadas pela deputada estão os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). “É uma aberração. Não são apenas o governador Ibaneis, o governador Cláudio Castro, vários outros governos que também usaram as suas chamadas carteiras de previdência para o banco, ou que abriram contas de crédito consignado fornecendo os arquivos para que isso fosse feito. Só uma CPMI, por trazer para si prerrogativas de autoridades judiciais, é que conseguirá desvendar todos esses mistérios sujos. Então, esses governadores já citados, especialmente o governador Ibaneis, que, para completar, usou um banco público para fazer negócio sujo e tampar o rombo do banco privado. É muito importante que isso seja deixado público. Digo sempre: se alguém é inocente, ele pode fazer uma estátua de bronze para consagrar a inocência dele depois de uma CPI. O que não pode é acobertar”, colocou.
Heloísa Helena disse ainda que, junto com a também deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), conseguiu coletar 35 assinaturas de senadores para a instauração da CPMI (são necessárias 27). Mas o problema vem sendo na Câmara dos Deputados, onde há muita resistência.
“É impressionante que setores da esquerda não estejam assinando essa CPMI. Tem tantas forças políticas dos mais diversos perfis ideológicos trabalhando para impedir a CPMI, porque uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) só da Câmara vai para a fila da Mesa Diretora, onde tem outras 17 CPIs registradas. No Senado, a mesma coisa. A única que tem instalação imediata é a CPMI, no Congresso Nacional, que é o único procedimento investigatório que traz para si prerrogativas das autoridades judiciais, que pode investigar de fato. Então é uma esculhambação, uma vergonha que isso não esteja sendo feito. Tem aquele dito popular: quem for podre que se quebre”, complementou.
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