Por Heron Cid
Do portal MaisPB
Muito antes do cantor Xand estourar com seus “Aviões”, Marizópolis já voava baixo nas “Asas do Forró”. A banda não tinha o potiguar Alexandre, mas nosso Manoel Baco-Baco chegou chegando. Na companhia de Beé no vocal, botavam para torar.
Menino, fiquei animado quando soube que a estreia da atração local seria num recanto do Pau de Leite, ainda de chão batido. À noite, desci a ladeira da “rua” e me bandeei para matar a curiosidade.
Leia maisDa principal do bairro, quebrei para a direita e o beco já estava entupido de gente. No barracão armado de estaca e decorado de palha de coco, a turma dançava e levantava poeira e o mormaço do piso de barro aguado.
O ritmo era o da bateria empolgada de Naim. A cada virada o prato do instrumento só faltava chorar. E o som dos acordes apurados da sanfona de Jurandir, o nosso ás da região, embalava a noite.
Enquanto a bandinha fazia a tábua do meio gemer, o suor dos forrozeiros pingava do rosto para dentro das calças e a saia das moças ficavam teimando em subir. Era uma mão nos ombros do cavalheiro e a outra segurando a roupa no perigo da meia luz.
Nos arredores, barracas de espetinho, cachorro mais frio do que quente, salgados e vendas de bebidas: cachaça para endoidar meio mundo de bêbado, rum para quem podia pagar e guaraná para quem não podia beber coisa mais quente.
O forró tinha hora pra começar e só terminava quando o dia amanhecesse, o calçado do matuto torasse ou o povo cansasse. Ou, se Tita e Totonho arrumassem alguma briga que obrigasse a polícia a sair no tapa e acabar a folia. O que não era muito difícil acontecer.
Um dia as “Asas do Forró” bateram as suas e se espalharam com o tempo. Mas a existência daquela simpática banda ainda voa nos meus pensamentos quando eles pousam no ninho das melhores lembranças de São João.
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