Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O Correio Político encontrou o senador Esperidião Amin (PP), na tarde de ontem, no cafezinho do Senado. E perguntou a ele como se resolveria a composição da chapa da direita em Santa Catarina. Amim foi enigmático: “Vai se resolver pelo voto”. A coluna insistiu, e Amin esclareceu o que quis dizer. “Significa que serei candidato a senador em qualquer hipótese. E vai caber ao eleitor decidir quem irá querer”.
Nova insistência da coluna: “Na chapa do governador Jorginho Mello [PL] ou não”. Amin respondeu: “Foi o que acabei de dizer pessoalmente a ele”. Jorginho Mello esteve com Amin na manhã de quarta. E Amin disse a ele sobre sua determinação. Segue o racha à direita no estado mais conservador do país.
Leia maisO alto grau de insatisfação de Amin veio em seguida com nova frase enigmática: “Sou Bolsonaro, por enquanto”. Daí para frente o senador não quis prosseguir. “Ponto final”, disse ele. Mas o recado era claro. Amin ainda esperava que Jorginho Mello cumprisse o compromisso feito com ele de tê-lo como um dos candidatos a senador na sua chapa. Mas sabe que é o ex-presidente Jair Bolsonaro quem hoje o veta em Santa Catarina.
A insatisfação de Amin certamente aumentou pouco tempo depois. Porque no final da tarde, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, anunciou que a chapa em Santa Catarina será mesmo cem por cento pura do PL. Do seu lado, estavam Jorginho Mello, seu irmão, Carlos Bolsonaro e a deputada federal Caroline de Toni. Todos os três do PL. Atrás deles, referendando tudo, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, que vinha tentando costurar um espaço na chapa para Amin, pressionado pelo presidente do PP, Ciro Nogueira (PI).
Assim, os grupos que hoje estão escanteados vão buscando caminhos alternativos. Amim abriu duas possibilidades de conversa. Pode se unir ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que quer sair candidato a governador. Uma outra hipótese estaria sendo costurada: o ex-governador Raimundo Colombo trocar o PSD, onde hoje é filiado, pelo MDB.
Além de Amin, a chapa pura do PL também fez Jorginho Mello quebrar um compromisso com o MDB. Seu candidato a vice seria Carlos Chiodini, do MDB. Assim, um dia depois de costurar uma chapa ampla no Rio de Janeiro, Flávio alinha-se a uma outra totalmente limitada em Santa Catarina.
A chapa restrita em Santa Catarina é fechada no mesmo dia em que a pesquisa Atlas/Bloomberg consolida Flávio Bolsonaro como o nome mais competitivo na disputa presidencial com Luiz Inácio Lula da Silva, num empate com o atual presidente num eventual segundo turno: 46,3% para Flávio, 46,2% para Lula.
A Atlas/Bloomberg monta um cenário curioso para a disputa. Os dois nomes que lideram, Lula e Flávio, são também os que têm a maior rejeição. A de Lula é maior que a de Flávio. Lula tem 48,6% de rejeição, e Flávio tem 46,4%. Ou seja, quem não vota nos dois é praticamente o mesmo percentual de quem vota.
A definição do resultado eleitoral, assim, se o quadro permanecer sendo esse, será mais pelo “não” do que pelo “sim”. O que definirá o vencedor será menos o voto de eleitores que tem, mas o número de eleitores que, ao analisar o quadro, vão considerar quem é o menos pior entre os dois. No fundo, já foi assim em 2022.
Um quadro, portanto, que deveria significar como recado para os dois principais candidatos na disputa a necessidade de ampliação. Lula precisa de votos além da esquerda tradicional. E Flávio precisa de votos além da extrema-direita que o bolsonarismo representa. Mas esse poderá não ser o caminho seguido por eles.
Ao lançar sua pré-candidatura em Salvador no aniversário do PT antes do Carnaval, Lula decretou o fim do “Lulinha Paz e Amor”. E Flávio, como o Correio Político vem mostrando, oscila entre buscar a ampliação ou manter a direita-raiz que rejeita qualquer conversa. Entre mortos e feridos, veremos quem se salva…
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