











O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ausente na manifestação pela soltura de Jair Bolsonaro neste domingo, em Brasília, chamou o evento de “clamor da sociedade ampla” e alegou que ele não atrapalha no convencimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o ex-presidente deveria cumprir a pena em regime domiciliar.
— Acho que não tem porque atrapalhar, no final das contas é um clamor da sociedade ampla, não só pela prisão domiciliar, mas também pela Justiça, e mostra um pouco o termômetro da sociedade, a insatisfação, o inconformismo com uma série de crises de ordem moral — declarou o governador, durante a entrega da reforma do Mercado Municipal de Santos, no litoral paulista. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisTarcísio afirmou ainda que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) “fez um ato muito corajoso”. Ele caminhou cerca de 240 a quilômetros em protesto contra a prisão de Bolsonaro, condenado no STF por liderar uma trama golpista no Palácio do Planalto depois de perder as eleições para Lula (PT). A atividade terminou com uma aglomeração na Praça dos Três Poderes, onde estiveram 18 mil pessoas. Um raio atingiu a manifestação, o que levou 47 pessoas ao hospital.
— De certa forma, esse movimento traduz esse sentimento. Acho que não atrapalha, não tem porque atrapalhar. Vamos continuar lutando por isso, porque é algo que vai trazer dignidade para uma pessoa que tem problemas de saúde, que tem comorbidade, que tem mais de 70 anos. E, obviamente, a gente quer também que se olhe para os pequenos, para aquelas pessoas que estão sofrendo, que estão na prisão de forma desarrazoada.
As declarações contribuem para aliviar a tensão com o bolsonarismo depois de Tarcísio cancelar uma visita ao padrinho político na quinta-feira, alegando conflito de agenda. Ele passou o dia despachando do Palácio dos Bandeirantes na data, sem receber convidados. Publicamente, atribuiu a ausência a uma “razão pessoal”.
Interlocutores relatam irritação do governador com falas anteriores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que politizaram o encontro. Ele foi autorizado novamente a visitá-lo na próxima quinta.
Tarcisio também visitou, nesta segunda-feira, 26, as obras do “Parque das Palafitas”, no Dique da Vila Gilda, ao lado do prefeito da cidade, Rogério Santos (Republicanos). As casas melhoram as habitações precárias do local, que costumam ser erguidas sobre estacas de madeira acima da água, sem acesso a saneamento básico. Milhares de pessoas ainda vivem sob essas condições em Santos. Próximo dali, o governador entregou um conjunto de novas moradias da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
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Ao menos oito pessoas seguem internadas em dois hospitais do Distrito Federal após serem atingidas por um raio durante o evento que marcou o fim da caminhada promovida pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), neste domingo (26).
Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, o episódio deixou 89 vítimas, das quais 47 foram levadas a unidades de pronto-atendimento. Os feridos apresentaram quadros de queimaduras, taquicardia, torção e hipotermia. As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisEm nota, a Secretaria de Saúde do DF informou que, no Hospital Regional da Asa Norte, três pacientes seguem internados e um paciente foi transferido para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Santa Marta.
Já o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, que administra o Hospital de Base, informou que quatro pacientes estavão em observação, com possibilidade de alta médica a qualquer momento.
Na saída dos hospitais, os pacientes liberados ainda relataram calafrios mesmo após o atendimento.
O auxiliar de manutenção Cleodemiro Toletino Porto, 45, contou que, por volta das 12h, sentiu um choque elétrico quando o raio atingiu a área. Segundo ele, logo após o impacto, várias pessoas começaram a cair no chão.
“Eu senti o choque, mas não precisei ser hospitalizado. As pessoas iam sendo socorridas por outras, algumas sendo amparadas no braço”, disse.
Sabrina Gadea e o marido, Renato Gadea, seguravam uma lona com amigos para se proteger da chuva quando ouviram um estrondo. O casal havia vindo de Guarulhos, na Grande São Paulo, para acompanhar a caminhada e já estava na praça do Cruzeiro aguardando o deputado quando o raio atingiu o local.
Renato afirmou que tentou acalmar as pessoas após o ocorrido e relatou que os bombeiros demoraram a compreender a gravidade da situação, pois estavam posicionados longe do ponto onde houve a descarga atmosférica.
“Teve gente que desmaiou e voltou, que foi o nosso caso. Eu acordei sentado no chão. Foi muito forte. Foi de quebrar a perna, sabe?”, diz Renato, que deixou no domingo (25) o Hospital de Base.
O deputado federal encerrou no domingo (25) em Brasília a caminhada que iniciou na última segunda-feira (19) num protesto pela anistia de Jair Bolsonaro (PL).
A direita apostava no ato para mobilizar os apoiadores a pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) pela libertação do ex-presidente, preso após ser condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado.
Apenas Nikolas discursou. O pastor Silas Malafaia, que era esperado, não compareceu. Em sua fala, o parlamentar mandou recados ao STF e à cúpula do Congresso, e ignorou as vítimas da descarga atmosférica no local.
Mais tarde, o parlamentar foi ao Hospital de Base do Distrito Federal, unidade de saúde que recebeu 27 dos feridos no incidente. Visitou pacientes e posou para fotos, cujas imagens foram divulgadas em suas redes sociais.
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (26) que a direção da Papudinha envie à Corte, no prazo de cinco dias, um relatório completo sobre as visitas de parentes e advogados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista.
Com a decisão, a administração do presídio também deverá enviar informações sobre consultas e atendimentos médicos, sessões de fisioterapia, leitura de livros e eventuais ocorrências. As informações são da Agência Brasil.
Leia maisNo dia 15 de janeiro, Moraes determinou a transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. O local é conhecido como Papudinha e é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes.
O ministro também autorizou que o ex-presidente receba atendimento médico particular e permitiu o deslocamento a hospitais em caso de emergência. Bolsonaro também está autorizado a receber refeições especiais na prisão.
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Parte da marquise de um prédio residencial desabou, no fim da manhã desta segunda-feira (26), no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife. Segundo o Corpo de Bombeiros, ninguém ficou ferido e o edifício precisou ser evacuado (veja vídeo acima).
O desabamento aconteceu no Edifício Príncipe de Vivar, um prédio residencial de 18 andares localizado na Rua Nicarágua, que liga a Rua da Hora à Avenida Agamenon Magalhães. De acordo com a Defesa Civil, o imóvel ficará interditado até a conclusão de um laudo que comprove a estabilidade da estrutura.
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O Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e cães farejadores foram utilizados durante a operação.
“Nenhuma vítima ferida, graças a Deus. A gente está apenas realizando a evacuação por uma questão de segurança e redução da sobrecarga no restante da estrutura”, comentou João Paulo, major do Corpo de Bombeiros.
Segundo relatos de moradores, por causa dos escombros, não há possibilidade de entrar ou sair do edifício sem o suporte dos bombeiros. A área segue isolada enquanto as equipes realizam a vistoria.
Ainda de acordo com o major João Paulo, edifícios próximos poderão ser evacuados caso seja identificado risco de novos desabamentos. Por medida de segurança, o trânsito na Rua Nicarágua foi interditado.
“A gente está fazendo essa avaliação para, caso seja identificado com o pessoal da engenharia, a gente fazer, inclusive, a evacuação das edificações circunvizinhas, mas isso tudo está em progresso ainda”, comentou.
Prédio interditado
A Defesa Civil do Recife informou que, por medida de segurança, decidiu desocupar o Edifício Príncipe de Vivar, que só será liberado depois que for concluído o laudo comprovando a estabilidade do prédio. Esse laudo será elaborado por um engenheiro calculista contratado pelo condomínio.
O órgão informou, ainda, que o desabamento obstruiu a passagem de pedestres e veículos na parte da Rua Nicarágua localizada em frente ao edifício.
A área foi isolada e, de acordo com a Defesa Civil, a Secretaria Executiva de Controle Urbano (Secon) vai notificar o condomínio para realizar os serviços de escoramento e remoção de escombros, assim como a elaboração do laudo de estabilidade da estrutura.
Além disso, segundo órgão municipal, o condomínio deverá também executar a recuperação estrutural com uma empresa especializada.
Para acionar a Defesa Civil, a população pode entrar em contato, de forma gratuita e por 24 horas, pelos telefones 0800-0813400 e 3036-4873, ou pelo Conecta Recife.
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Por Julia Rocha – Blog da Folha
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) negou, em coletiva realizada nesta segunda-feira (26), a existência de qualquer prática irregular ou motivação política em uma investigação da Polícia Civil de Pernambuco envolvendo o secretário Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão Eduardo, que é assessor da gestão municipal. A operação, que investigava um suposto uso do carro para recebimento de propina, veio a público após reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record.
O secretário da pasta, Alessandro Carvalho, garantiu que o trabalho investigativo ocorreu de forma regular, técnica e dentro dos limites legais, entre os meses de outubro e novembro, a partir de uma denúncia anônima deixada na portaria do prédio da SDS, no bairro de Santo Amaro, no Recife.
Leia maisA investigação contou com a participação de três delegados e sete agentes da área de inteligência da Polícia Civil, que trocaram informações por meio de um grupo de WhatsApp, posteriormente mencionadas na reportagem. A matéria também abordou o uso de um dispositivo de rastreamento em
um veículo da PCR nas diligências, mesmo sem a instauração de inquérito policial.
“Não há nenhuma irregularidade no procedimento de vigilância que foi realizado. Não foi utilizado qualquer método que exigisse autorização judicial”, afirmou Alessandro Carvalho. Segundo ele, houve uma construção deliberada de uma versão distorcida dos fatos. “O que vimos foi um trabalho regular ser taxado de arapongagem, de espionagem”, disse.
A SDS ressaltou que a Polícia Civil atua de acordo com o entendimento dos tribunais superiores, que exigem a existência de elementos probatórios mínimos para a instauração de inquérito policial ou a solicitação de medidas mais complexas.
Durante a coletiva, o chefe da instituição frisou que a Polícia Civil investiga fatos, e não pessoas. “Qualquer informação que possa ser caracterizada como início de prática penal será apurada, envolva autoridade pública ou cidadão comum. Não se trata de investigar pessoa A, B ou C, mas de verificar se o elemento apresentado configura crime”, afirmou.
O processo de apuração, já encerrado, não comprovou o conteúdo da denúncia anônima. Além disso, o secretário Alessandro Carvalho informou que a polícia deve apurar um possível envolvimento de um delegado que teria vazado informações sobre o caso.
“A tentativa de criminalizar o trabalho de investigação, feito com isenção, de forma técnica e imparcial, não pode ser transformada em uma narrativa de perseguição política”, declarou.
Após a exibição da reportagem, aliados do prefeito do Recife, João Campos, publicaram trechos da matéria nas redes sociais.
De acordo com a SDS, a denúncia apontava especificamente para um único veículo, o que direcionou a atuação policial. “Não se tratou de acompanhar ou vigiar carros particulares de outras pessoas. A denúncia falava exclusivamente daquele veículo, e foi isso que foi apurado para verificar se as informações procediam”, afirmou o chefe da Polícia Civil.
Segundo a Secretaria de
Defesa Social, o vazamento das informações citadas na reportagem teria partido de um dos delegados que integravam a equipe da investigação. O caso será apurado para identificar a autoria do vazamento e verificar eventual vínculo do servidor com grupos políticos.
Durante a coletiva, Alessandro Carvalho também comentou o desligamento de um servidor da área de inteligência que integrava o grupo de trabalho da investigação. O afastamento ocorreu após a constatação de que o agente estaria se reunindo com o presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, investigado pela Polícia Civil por desvio de verbas.
Segundo o secretário, o agente foi excluído do grupo de WhatsApp e deixou a área de inteligência no dia seguinte à identificação do encontro. “Vamos apurar de onde partiu o vazamento. A partir disso, vamos verificar se houve ou não m
otivação para esse ato”, afirmou.
Carvalho também criticou a condução da reportagem, afirmando que a abordagem foi tendenciosa. “Quando recebemos o pedido de informações, na sexta-feira à tarde, a matéria já estava pronta”, disse. Segundo ele, foi criada uma narrativa de viés político sobre a atuação da Polícia Civil que “não procede”.
Sobre possíveis medidas em relação ao veículo de comunicação ou à matéria publicada, o secretário afirmou que a decisão não cabe exclusivamente a ele. “Não depende de mim como secretário. Trata-se de uma decisão do Governo do Estado de Pernambuco ou de algum servidor que tenha sido citado”, declarou, ressaltando ainda que a doutrina de inteligência recomenda a preservação da identidade dos profissionais da área.
Em nota, a Prefeitura do Recife se manifestou sobre o caso:
“A Prefeitura do Recife repudia qualquer tentativa de uso indevido das forças policiais de Pernambuco para perseguição política.
A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição séria e respeitada, não existindo, até hoje, registro desse tipo de tentativa de uso eleitoral nos mais de dois séculos de sua existência.
Essa atitude caracteriza uma conduta ilegal, inconstitucional e imoral, nunca vista em nosso Estado, e a Prefeitura não poupará esforços para defender seus servidores, utilizando as esferas administrativas e judiciais cabíveis.”
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O Secretário de Articulação Política e Social de Recife, Gustavo Monteiro, disse ter sido monitorado por policiais civis do estado, em uma ação descrita pela gestão do prefeito João Campos (PSB) como de “uso eleitoral”. A Secretária de Defesa Social do estado, governado pela adversária de Campos, Raquel Lyra (PSD), alega que o procedimento, iniciado após o recebimento de uma denúncia anônima, se deu dentro da legalidade. O caso foi revelado pela TV Record neste domingo.
Monteiro foi monitorado por policiais entre agosto e outubro de 2025. Ele era seguido de carro pelos agentes, que compartilhavam informações sobre a rotina do secretário em um grupo de mensagens, no qual também participavam delegados. “Bom dia. Rotina do veículo se repetiu pela manhã. Veículo chega à prefeitura às 8 horas. Entra na garagem do subsolo e sai muito, rapidamente, apenas com o motorista”, diz uma das mensagens obtidas pela emissora de televisão. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisOs agentes seguiam um carro que era usado tanto por Monteiro quanto pelo irmão, Eduardo, que acabou também sendo monitorado. Em setembro, um equipamento rastreador foi instalado no veículo, que se encontrava estacionado próximo a um mercado de Recife, onde Eduardo, que trabalha como assessor na Prefeitura de Recife, fazia compras.
Em nota, Polícia Civil de Pernambuco disse ter deflagrado a operação “Nova Missão” após receber uma denúncia anônima sobre o suposto pagamento de propina sendo feito a um servidor público do município de Recife. Com a investigação não encontrou evidências, um inquérito não chegou a ser aberto. As autoridades negam irregularidades no procedimento.
“Segundo jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF), as denúncias anônimas não autorizam instauração imediata de inquérito policial, sendo utilizadas apenas como fonte de informação, razão pela qual foram iniciadas as diligências preliminares, como de praxe, focadas na movimentação do veículo em questão, para verificação da procedência ou não da denúncia”, afirma a Polícia Civil.
O advogado Eduardo Trindade, que representa Monteiro, diz ter solicitado à Polícia Civil de Pernambuco uma cópia do procedimento.
— O que queremos saber é se a investigação foi formal ou informal. O caminho natural após o recebimento de denúncia é instaurar um verificação preliminar, que seja feita dentro do sistema da polícia. Um delegado para investigar vai ter de registrar um boletim de ocorrência, seja em sede de investigação preliminar ou inquérito. É o que queremos saber para os próximos passos.
Em nota, a Prefeitura de Recife disse que “repudia qualquer tentativa de uso indevido das forças policiais de Pernambuco para perseguição política”. No texto, a administração municipal diz que o episódio “caracteriza uma conduta ilegal, inconstitucional e imoral”, além de ser uma “tentativa de uso eleitoral”. Leia abaixo:
“A Prefeitura da Cidade do Recife repudia qualquer tentativa de uso indevido das forças policiais de Pernambuco para perseguição política.
A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição séria e respeitada, não existindo, até hoje, registro desse tipo de tentativa de uso eleitoral nos mais de dois séculos de sua existência.
Essa atitude caracteriza uma conduta ilegal, inconstitucional e imoral, nunca vista em nosso Estado, e a Prefeitura não poupará esforços para defender seus servidores desse tipo de ataque, utilizando as esferas administrativas e judiciais cabíveis”, conclui a Prefeitura.
Parlamentares ligados ao grupo político de Campos criticaram a Polícia Civil após a veiculação da reportagem na noite de domingo. Em uma publicação nas redes sociais, a vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, a deputada federal Maria Arraes (Solidariedade), classificou a conduta das autoridades como “inadmissível” e se referiu ao episódio como um caso de espionagem.
— A Polícia Federal precisa investigar isso imediatamente. Os mandantes devem ser identificados e responsabilizados. É algo grave demais para ficar impune — disse a deputada.
O deputado estadual Sileno Guedes, líder do PSB na Assembleia Legislativa de Pernambuco, fez uma publicação em tom semelhante, na qual afirma que a “Polícia Civil de Pernambuco vem sendo usada para espionar adversários”. Líder da sigla na Câmara de Vereadores, Rinaldo Junior, também publicou um vídeo sobre o caso:
— De onde partiu a ordem para essa operação ilegal? Vivemos em tempos difíceis: é a vida imitando a arte. Quando o Brasil está comemorando a indicação ao Oscar do Agente Secreto, a gente vê hoje uma arapongagem acontecendo em terra Pernambucana. Que absurdo — disse o vereador.
Quem é Gustavo Monteiro
Formado em em Administração de Empresas pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Monteiro já ocupou a assessoria executiva do Gabinete da Prefeitura do Recife, além de ter chefiado o gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente a Secretaria Estadual de Saúde.
Monteiro ocupa a Secretaria de Articulação Política desde janeiro do ano passado, quando teve início o segundo mandato do prefeito João Campos (PSB). A pasta é a responsável por coordenar as relações da administração municipal com os poderes legislativo e judiciário.
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conversou por telefone nesta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, que se iniciou às 11h, de acordo com nota do Planalto, os dois presidentes acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington.
A data da visita do presidente brasileiro aos Estados Unidos será definida após a viagem de Lula à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro. As informações são da CNN.
Leia maisA ligação durou em torno de 50 minutos e o Conselho da Paz foi abordado pelos líderes, mas o presidente brasileiro não decidiu se vai ou não aderir, mas fez duas sugestões ao presidente norte-americano. Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina. Reiterou também a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas.
Os líderes conversaram também sobre indicadores econômicos dos dois países e trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. Lula ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.
O presidente brasileiro reiterou a proposta de fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado, encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro. Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano.
Veja a nota na íntegra:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve, hoje, 26 de janeiro, às 11 horas, conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao longo de cinquenta minutos, os dois líderes abordaram temas relacionados à relação bilateral e à agenda global.
Os presidentes trocaram informações sobre indicadores econômicos dos dois países, que apontam boas perspectivas para as duas economias. O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo.
Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
O presidente Lula reiterou proposta, encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro, de fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado. Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano.
Ao comentar o convite formulado ao Brasil para que participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina. Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.
Os dois presidentes acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve”.
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O ex-deputado estadual e ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e do Cabo de Santo Agostinho, Elias Gomes, publicou em suas redes sociais uma nota em repúdio aos episódios recentes envolvendo a Policia Civil e o Governo Estadual. Elias também fez cobranças à governadora Raquel Lyra (PSD) para que ela esclareça o ocorrido e adote as medidas cabíveis. Confira:
Gravíssimo!
Causa enorme preocupação a reportagem da TV Record exibida ontem, que aponta possível espionagem da Polícia Civil contra um secretário municipal do Recife. Se confirmada, trata-se de um grave retrocesso democrático, com práticas incompatíveis com o Estado de Direito.
Espero que a governadora Raquel Lyra, a quem atribuo respeito aos princípios democráticos e ao Estado de Direito, esclareça o episódio e adote as medidas cabíveis. A disputa política deve ser feita dentro das regras, sem abuso ou coação de adversários.
Elias Gomes
Por Osório Borba Neto
A perna cabeluda voltou. Foi vista no Palácio do Campo das Princesas.
Ninguém enxerga direito, mas todo mundo jura que ela passa correndo pelos telhados de madrugada, espiando quintais, rondando casas, surgindo do nada e sumindo na esquina seguinte.
Metade lenda. Metade paranoia coletiva. Pernambuco agora arrumou uma versão oficial. Ela usa crachá.
Leia maisAlguns governos promovem cultura. Outros promovem infraestrutura. O de Raquel Lyra parece empenhado em ressuscitar outra tradição: a arapongagem.
A reportagem do Domingo Espetacular trouxe indícios de que a estrutura da Polícia Civil teria sido usada para monitorar adversários políticos.
Não traficantes. Não quadrilhas. Adversários.
Policiais em grupo de WhatsApp chamado, com sinceridade involuntária, “Nova Missão”.
Localização em tempo real. Fotos. Rotas. Servidor seguido. Carro rastreado. Dispositivo instalado. Sem ordem judicial. Sem inquérito. Coisa de filme.
E a ironia é cruel: dias antes, a governadora tentava surfar no prestígio de Agente Secreto, de Kleber Mendonça – justamente um filme sobre os tempos em que o Estado vigiava cidadãos nas sombras, quando suspeita virava método e política virava dossiê.
Pelo visto, gostaram mais da estética do suspense do que da crítica. A Polícia Civil, que deveria proteger o cidadão do crime, passa a proteger o poder do incômodo.
E a pergunta é inevitável: Se isso aconteceu contra secretários de João Campos, por que não contra um deputado barulhento na Alepe? Contra um conselheiro do Tribunal de Contas exigente demais? Contra um juiz independente? Contra empresários desalinhados? Espionagem política nunca é exceção. É método.
Quando governo usa polícia para vigiar adversário, a democracia já começou a dar ré. O problema deixa de ser administrativo. Vira institucional. Vira abuso.
Ditadura não começa com tanque na rua. Começa assim: gente sendo seguida, telefone rastreado, dossiê improvisado, o Estado confundindo crítica com crime.
A perna cabeluda sempre foi lenda. Essa não. Essa tem orçamento, viatura, senha de sistema e carimbo oficial.
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O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (PSDB), repudia, em nota abaixo, o uso da estrutura da Polícia Civil de Pernambuco para realizar espionagem contra o secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, como revelou denúncia apresentada, ontem, pelo programa Domingo Espetacular, da Rede Record. Para Porto, a prática remonta a outros tempos, causa indignação e deve ser investigada e explicada pelo Governo do Estado.
Nota
Como presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, não posso e não devo me silenciar diante de fato tão grave. Precisamos juntos, todos os estamentos da sociedade organizada, repudiar e demonstrar a mais profunda indignação diante do uso de agentes do Estado para perseguirem adversários políticos ao arrepio da lei na mais completa violência contra o estado de direito.
Leia maisTenho sido vítima, juntamente com meus familiares, das maquinações perpetradas pelo gabinete do ódio que, segundo resultou provado, tinha um dos seus membros nomeados no coração do governo com a assento e passagem livre no Palácio do Campo das Princesas.
Os pernambucanos se recordam quando fomos à tribuna denunciar a existência dessa organização montada única e exclusivamente para disseminar o ódio, a mentira e injúrias contra pessoas eleitas pelo governo como antagonistas eleitorais.
E, neste domingo, para tristeza e revolta de todos nós, somos surpreendidos com a notícia das perseguições a funcionários da Prefeitura do Recife, perpetradas por agentes que, ao invés de defenderem a segurança dos pernambucanos, foram usados para fins não republicanos, usando o que existe de mais moderno para bisbilhotar, perseguir e constranger, com dinheiro público, adversários do governo. Isso tem que ter um basta! Esperamos que a governadora tome as providências que o caso requer e que o povo espera.
A título apenas de lembrança, estamos no aguardo das medidas judiciais que a governadora deveria já ter tomado contra a empresa do seu pai, inadimplente do Estado.
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Assista ao trailer da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém com a participação dos artistas Dudu Azevedo (Jesus), Beth Goulart (Maria), Marcelo Serrado (Pilatos) e Carlo Porto (Herodes). O filme, que também faz uma homenagem a Plínio Pacheco, idealizador e construtor da cidade teatro onde acontece o espetáculo, foi dirigido pelo cineasta pernambucano Eduardo Morotó.
No vídeo, além de cenas com os personagens principais, são mostradas passagens com o ator Kiko Melo no papel de Plínio Pacheco à frente da construção da Nova Jerusalém, coordenado os ensaios e na máquina de escrever criando os textos para a encenação da Paixão de Cristo.
Leia mais“O filme vai mostrando o sonho dele se tornando realidade, intercalando cenas como a da última ceia, do fórum romano, da crucificação, numa narrativa que mistura memórias com o que está sendo preparado para a próxima temporada”, disse o diretor.
“Através dos filmes e registros visuais, o público pode conhecer e reviver como Plínio deu vida à maior história de amor de todos os tempos, transformando projetos e palavras datilografadas em pedra, cena e emoção”.
A temporada 2026 da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém será realizada de 28 de março a 4 de abril, no agreste pernambucano, a 180 km do Recife. Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos no site oficial do evento www.novajerusalem.com.br.
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Por Inácio Feitosa*
Quando assisti, pela primeira vez, aos vídeos de jovens dançando dentro de um canal de esgoto a céu aberto no Recife, a reação foi imediata. Vi, num primeiro momento, um grupo de jovens aparentemente inconsequentes, expostos a águas contaminadas, celebrando em meio à sujeira e ao risco sanitário. A imagem chocava não apenas pelo cenário, mas pela naturalidade com que aqueles corpos ocupavam um espaço que, para a maioria da cidade, deveria ser invisível.
Com o tempo, porém, a cena revelou outra dimensão. Aquilo que parecia apenas irresponsabilidade mostrou-se um fenômeno social que exigia interpretação, e não apenas julgamento. Não se tratava apenas de festa ou excentricidade digital, mas de uma linguagem produzida pela periferia para dizer algo sobre a cidade.
Leia maisA imprensa tratou o episódio ora como curiosidade viral, ora como problema de saúde pública. Nas redes sociais, as reações oscilaram entre o deboche, a condenação moral, a romantização cultural e a leitura política. Essa multiplicidade de olhares revela que o chamado “Ratos Bar” não é um fato trivial; ele expõe tensões profundas da sociedade brasileira.
O nome dado pelos próprios jovens ao espaço – “Ratos Bar” – sintetiza essa tensão. Ao unir o rato, símbolo do abandono urbano, ao bar, espaço de convivência e lazer, a juventude periférica constrói uma metáfora poderosa. Ao nomear o esgoto como bar, ressignifica simbolicamente o lugar que lhe foi imposto pela cidade. Nomear, nesse caso, é um ato político: transformar a precariedade em linguagem.
O aspecto mais perturbador do fenômeno não está apenas no esgoto, mas na sua localização. O canal situa-se nas proximidades de Casa Forte, bairro historicamente associado à elite recifense. Essa proximidade revela uma contradição estrutural: a desigualdade não está apenas nas periferias distantes, mas incrustada no próprio centro simbólico da cidade. O “Ratos Bar” emerge ao lado do privilégio.
Do ponto de vista técnico, o fenômeno evidencia o fracasso das políticas públicas de saneamento e urbanização. Em pleno século XXI, a existência de esgotos a céu aberto próximos a áreas nobres expõe a incapacidade histórica do Estado de garantir direitos básicos. O problema não é apenas de infraestrutura, mas de modelo de cidade.
Do ponto de vista sociológico, o “Ratos Bar” revela a capacidade da juventude periférica de transformar o abandono em performance cultural. O brega-funk surge como linguagem política não institucionalizada. Esses jovens não escrevem manifestos; produzem imagens. Ao dançar no esgoto, tornam visível aquilo que a cidade insiste em ocultar.
Do ponto de vista midiático, a viralização dos vídeos dialoga com a lógica da economia da atenção. A estética do choque produz impacto e engajamento, mas também expõe a desigualdade que sustenta o espetáculo.
Do ponto de vista político, o fenômeno pode ser compreendido como um protesto estético. Não organizado, não formal, mas profundamente revelador. Ao ocupar o esgoto, esses jovens rompem a lógica da segregação espacial e trazem a periferia para o centro simbólico da cidade.
Ao rever minha própria leitura inicial, compreendi que o que parecia loucura era linguagem; o que parecia irresponsabilidade era denúncia; o que parecia espetáculo era crítica urbana. Não se trata de romantizar a miséria, mas de reconhecer que aquela cena carrega uma verdade social incômoda.
O “Ratos Bar” é sintoma e denúncia. Sintoma de uma cidade que naturalizou a desigualdade. Denúncia de um Estado que falhou em garantir dignidade. Ao dançar no esgoto próximo à elite, esses jovens revelam a estética brutal da desigualdade brasileira: luxo e lama coexistindo no mesmo território.
Talvez o que mais incomode não seja a sujeira do esgoto, mas a clareza da mensagem. Esses jovens não estão apenas dançando. Estão dizendo algo sobre a cidade, o Estado e o lugar que lhes foi reservado.
O problema não é o “Ratos Bar”.
O problema é a cidade que o produziu.
*Advogado, escritor e fundador do Instituto IGEDUC
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