Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Onze anos depois de ter perdido para Dilma Rousseff (PT) as eleições de 2014 para presidente da República, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) retomou, ontem, o comando do seu partido. Desde aquela derrota, a vida de Aécio ficou conturbada. O partido tomou outros rumos. Aécio viu-se envolvido nas denúncias feitas por Joesley Batista, da JBS, e mergulhou por um tempo.
Agora, retorna prometendo fazer com que o PSDB, que governou o país por oito anos com Fernando Henrique Cardoso, volte a ter a mesma relevância. Projeta eleger 30 deputados federais no ano que vem. E servir de contraponto à polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo. Mas aí vai precisar primeira se livrar de uma pecha que colocou nele.
Leia maisMuitos atribuem à ação que Aécio Neves moveu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra chapa de Dilma com Michel Temer “o ovo da serpente” que levou à tentativa de golpe que agora o Supremo Tribunal Federal (STF) julga, já tendo condenado o “núcleo crucial”.
O Correio Político participou de entrevista dada por Aécio ao programa ‘Direto de Brasília’, do jornalista Magno Martins, em parceria com a Folha de Pernambuco. E perguntou ao agora presidente do PSDB exatamente se ele se considera responsável pelo começo de tudo.
“O Brasil é o país das narrativas”, respondeu Aécio à pergunta do Correio. Segundo ele, às 20h15 do dia da eleição (26 de outubro de 2014), ele ligou para Dilma reconhecendo a sua vitória. “Como alguém que faz esse gesto contesta a eleição?”, questiona Aécio Neves. “Mas existiam dúvidas, como ainda há dúvidas”, continua ele. Assim, ele reconhece que entre os pedidos feitos na ação estava uma auditoria que verificasse se existiam dúvidas quanto à confiabilidade das urnas eletrônicas, “para ver se havia algum mecanismo que permitisse manipulação”. Segundo Aécio, verificou-se que não havia tal hipótese.
“A verdade é que cometeram diversas ilegalidades para vencer aquelas eleições. Era isso o que a ação contestava, não o resultado”, diz Aécio. “As ações na Justiça, eu as faria de novo”, continua. “Agora, aconteceu o que temia: o país paralisou, Dilma inviabilizou-se”.
O Correio Político perguntou a Aécio Neves se ele considera ou não confiáveis as urnas eletrônicas. “Acredito que as urnas eletrônicas são seguras”, respondeu ele. Mas sugeriu algo próximo ao que propunha a deputada Bia Kicis (PL-DF) em proposta de emenda.
“Poderia manter a urna com uma nota física acoplada a ela”, sugeriu Aécio. Ou seja, um voto impresso que ficaria depositado em uma urna de acrílico. “Isso poderia, depois, permitir uma verificação por amostragem do resultado”, propôs ele, na entrevista.
Aécio afirma que assume o PSDB para colocar o partido no centro do debate político brasileiro. Como uma força que apareça como alternativa à polarização. Inclusive, não descarta a hipótese de lançar um nome se a disputa novamente convergir nesse sentido.
Leia menos














