Por Marlos Porto*
Estamos a menos de um ano das eleições de 2026 e, no albor deste derradeiro mês de 2025, faz-se oportuno e necessário que as análises mais amplas do cenário político sejam elaboradas e trazidas a lume por quem se julga capaz de contribuir de algum modo com o debate, até mesmo para subsidiar o planejamento e a tomada de decisão por todo e qualquer concidadão cônscio de seus deveres para com a coletividade, acerca de sua filiação a algum partido político, com vistas a uma eventual candidatura no ano que vem.
De antemão, penso que a disputa para o Senado Federal é a principal luta em 2026, mais até do que para presidente.
Leia maisÉ a eleição para assegurar a independência dos poderes, pondo freio aos abusos do STF e resgatando, assim, as liberdades individuais básicas em um país que ainda sonha se tornar plenamente uma República digna desse nome.
2026 não veria, assim, a disputa clássica entre direita e esquerda como seu principal motor. Mas como a esquerda cerrou fileiras até ontem respaldando todos os abusos do STF, ficou escanteada, nas cordas. Agora está ensaiando, via imprensa governista, uma debandada do “partido da toga”. Pois é isso que o PT virou. Partido da Toga.
Nesse cenário, o STF já enxerga adiante uma derrota acachapante do seu discurso de “salvação nacional” contra os “golpistas”. Daí a jogada arriscada e explicitamente defensiva, diria até reacionária, de ferir um direito básico da cidadania, previsto em longeva lei de 1950, nunca antes questionado: a propositura de pedido de impeachment de ministro do STF por parte de qualquer cidadão.
Assim, o ministro Gilmar Mendes, contando com a possível anuência de seus pares, ao excluir o direito de qualquer do povo representar pelo impeachment contra ele, Gilmar, ou contra outro ministro do STF, outorgando esse privilégio tão somente ao Procurador-Geral da República, tenta desesperadamente mudar o centro de gravidade das eleições de 2026, nos moldes como vem se desenhando, para esvaziar as articulações entre conservadores de direita, liberais de centro e mesmo progressistas de centro-esquerda (no tocante à crucial disputa para o Senado) e resgatar a tradicional preponderância da disputa para Presidente da República, que inegavelmente é mais fácil de ser ganha pela máquina governista (azeitada pela sintonia com o STF e alavancada pela quase irrestrita benevolência da mídia tradicional), por meio da cartada nada sutil de conferir a este cargo (já hipertrofiado em nosso atual presidencialismo) mais um poder: o de, em última análise, decidir se um ministro do STF pode sofrer pedido de impeachment (já que é o presidente que indica o Procurador-Geral da República).
A cartada desencadeou jogadas inesperadas. Randolfe Rodrigues, líder do governo, figura tão apagada nos últimos anos, bradou de forma a lembrar o outrora efusivo orador em defesa dos direitos e liberdades individuais e das prerrogativas do Poder Legislativo. O enigmático Davi Alcolumbre, presidente do Senado, foi direto ao rechaçar o papel subalterno a que se quis relegar todo o Parlamento no que tange a seu precípuo mister, o de fazer leis; até o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, já vislumbrando sua sabatina no Senado para uma vaga do STF, pediu que Gilmar reconsiderasse sua decisão de ontem.
Todos esses movimentos se dão na esteira da repercussão diante de um discurso de Michelle Bolsonaro em que, deixando o rancor pouco cristão falar mais alto, censurou a aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará, no que foi publicamente desautorizada por Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, que deixaram inequívoca a estratégia principal: a eleição para o Senado.
Assim, é importante observar atentamente os movimentos dos atores políticos nas próximas semanas, pois, a depender do andar da carruagem, é possível que configurações mais ou menos favoráveis para as forças em disputa tomem lugar de forma inexorável.
Afinal, nenhum decano tem o poder de abortar o porvir.
*Bacharel em Direito
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