O horizonte de prédios históricos que compõem o conjunto arquitetônico do Marco Zero, no Centro do Recife, está prestes a recuperar um de seus contornos mais emblemáticos. O Palácio do Comércio, sede histórica da Associação Comercial de Pernambuco (ACP), deu mais um passo para o seu minucioso processo de restauro. A iniciativa, liderada pela própria ACP, foca agora na recuperação de suas quatro fachadas, uma etapa crucial para devolver a imponência ao edifício de estilo clássico-eclético que testemunhou a modernização urbana da capital pernambucana no início do século XX.
A obra, já em andamento, tem previsão de conclusão para junho deste ano. O serviço inclui pintura, recuperação de alguns desprendimentos de fachada e adornos que corriam o risco de cair. No último dia 6 de maio, o presidente da entidade, Tiago Carneiro, apresentou os detalhes do projeto a uma comitiva de diretores e empresários associados. O investimento, estimado em R$ 500 mil, é custeado com recursos próprios e doações dos associados. Uma parceria com a Tintas Coral garante o fornecimento do material necessário. As informações são do JC.
Leia maisO entusiasmo do setor produtivo sublinha o entendimento de que a preservação da memória é um ativo para o futuro. “A preservação do nosso patrimônio é também uma forma de fortalecer a identidade do Recife e impulsionar o desenvolvimento da região”, destacou Carneiro durante o encontro.
Segundo ele, outras obras estruturais, com reparos internos também estão sendo encaminhadas para uma segunda fase de intervenções. “É um gesto de reconhecimento ao patrimônio cultural e histórico da arquitetura e desenvolvimento econômico de Pernambuco, por tudo que o Palácio do Comércio representa”, reforça Tiago Carneiro.

Um gigante arquitetônico
Inaugurado em 16 de dezembro de 1915, o Palácio do Comércio foi fruto de um intercâmbio de experiências com a Associação Comercial de Chicago e nasceu sob a batuta do engenheiro Manoel Antônio de Moraes Rego — o mesmo responsável pela construção do Porto do Recife. Na época, a obra representou a verticalização e a modernização do bairro nos moldes europeus.
A construção, no entanto, não foi isenta de percalços: a inauguração chegou a ser atrasada devido ao naufrágio do navio que transportava as pedras de mármore norueguês destinadas ao edifício. Hoje, o prédio, tombado pelo Iphan, é um verdadeiro museu vivo. Seu interior guarda uma escadaria de ferro e carvalho ingleses, vitrais que narram os ciclos econômicos do Estado, colunas de ferro maciço e um teto em latão prensado vindo da França. No topo, a estátua de Hermes, o deus do comércio, vigia o movimento do porto.

Palco da história nacional
Mais do que um monumento arquitetônico, o Palácio do Comércio é o guardião de uma história que remonta a 1839. Embora a sede atual seja de 1915, a Associação Comercial já recebia figuras ilustres como o Imperador Dom Pedro II em sua antiga sede. O atual edifício preserva relíquias como o caderno de assinaturas e a caneta utilizados pelo monarca em 1872, documento que também ostenta as rubricas de Joaquim Nabuco e Santos Dumont.
O Salão Nobre abriga telas de valor inestimável, como o retrato de Dom Pedro II pintado por Ernest Papf em 1870, e uma representação em tamanho real do Barão do Amazonas, homenageando a Batalha do Riachuelo.
Garantia de futuro
O projeto de restauro não visa apenas a manutenção física, mas também a reafirmação do papel da ACP como agente ativo na valorização da identidade local. O prédio continua aberto ao público, oferecendo acesso a um acervo de livros, pinacoteca e jornais que datam da fundação da instituição. O espaço também mira a ampliação da locação para os mais diversos eventos, para manter os recursos necessários à manutenção predial.
As visitações ao Palácio do Comércio podem ser realizadas de sexta a domingo (no período de obras), das 10h às 17h (sexta e sábado) e no domingo (das 13h às 18h30). Com a conclusão das obras de fachada, o Recife espera ver seu “cartão-postal” de volta ao esplendor que o consagrou como um dos quatro pilares arquitetônicos da Praça Rio Branco.
Leia menos















