O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) aprovou nesta quinta-feira (15) um reajuste de 4,46% nas tarifas de ônibus do Grande Recife, em uma votação marcada por controvérsias sobre o cumprimento do rito formal e questionamentos sobre a representatividade dos conselheiros. 
Com a decisão, a passagem do serviço mais utilizado pelos passageiros — o Bilhete Único Metropolitano, que unificou as antigas tarifas dos anéis A e B — deve passar de R$ 4,30 para R$ 4,50 (valor arredondado após homologação da agência reguladora).
Leia maisAlém do Bilhete Único, outras tarifas também foram atualizadas na proposta aprovada pelo conselho, com valores ainda sujeitos a arredondamento pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe). Entre eles estão:
• Tarifas do Anel G, aplicadas em linhas mais curtas, também reajustadas conforme a inflação;
• Linhas opcionais e especiais, como as que ligam Recife a destinos turísticos — por exemplo, Recife/Porto de Galinhas (sem ar-condicionado) e Recife/Porto de Galinhas (Opcional) — que possuem preços significativamente maiores que o Bilhete Único. 
A reunião, que foi realizada de maneira online, chegou a ficar indefinida depois que o conselheiro Pedro Josephi solicitou pedido de vista alegando que as informações não teriam sido disponibilizadas com antecedência mínima exigida pelo regimento. Ele questionou que documentos essenciais só foram entregues três dias antes da sessão, quando o regimento interno prevê até 10 dias de antecedência para análise. 
A votação também expôs embates sobre a representatividade dos membros do conselho. Três representantes designados como “usuários do sistema” — Jean Pierre de Lima Moraes, Elizeu Dias de Santana e Vera Lúcia Maria da Silva — se abstiveram de votar. Consultas a informações públicas indicam que Jean Pierre ocupa cargo no Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) e Elizeu Dias possui cargo na Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, ambos órgãos públicos ligados ao governo. 
Críticos apontam que a abstenção e o perfil dos representantes de usuários fragilizam a voz da sociedade civil no colegiado em uma decisão sensível que afeta mais de 1,3 milhão de pessoas usuárias do transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife. 
O reajuste agora segue para homologação pela Arpe e publicação no Diário Oficial do Estado, com data de vigência a ser definida.
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