Por Antonio Magalhães*
É grande o eleitorado brasileiro de votantes com mais de 60 anos e tem uma presença expressiva no pleito. Mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prefere focar os jovens na propaganda institucional das eleições gerais deste ano. O preconceito institucional, que tipifica o crime de etarismo, e a falta de incentivo afastam eleitores mais idosos, incluindo os de 70 anos, para quem o voto é facultativo nas urnas, o que vem resultando em alto índice de ausência desse grupo em pleitos recentes.
O favorecimento aos jovens foi assim também em 2022, quando o TSE intensificou uma campanha pública com o objetivo de cadastrar milhares de eleitores juvenis, favorecendo o eleitorado de esquerda. Agora, impossibilitado de uma campanha massiva como a anterior, o TSE vende a eleição como um pagode de Jorge Aragão, a “Coisa da Pele”, em que aparecem eleitores “menores de 60 anos” no remelexo pré-eleitoral sem os “coroas”.
Leia maisDe acordo com o TSE, o eleitorado com mais de 60 anos pulou de 20 milhões em 2010 para 37 milhões em 2026. O crescimento foi de 80%, enquanto o número total de eleitores aumentou apenas 15% no mesmo período. Os mais velhos com mais de 60 anos passaram a representar quase 1 em cada 4 votos. É a primeira vez que essa faixa etária supera a de jovens de 16 a 24 anos.
Segundo a Folha de São Paulo, “em 2022, a abstenção de eleitores com 70 anos ou mais foi de 60%. Apenas 45% do grupo compareceu ao segundo turno. Em uma eleição presidencial decidida por 2,1 milhões de votos, a ausência se estabelece como uma distorção obtusa. Quando o país trata eleitores longevos como estatística, exclui uma das parcelas mais experientes do processo democrático”.
“A abstenção dos idosos, legalmente depois dos 60, está associada a um afastamento proposital. Esses brasileiros são protagonistas de transformações que moldaram o Brasil. Atravessaram mudanças políticas, econômicas e culturais profundas; vivenciaram alterações de moeda e turbulências sociais; adaptaram-se à revolução tecnológica. Seguem ativos. Ainda assim, a participação deles nas urnas não acompanha a experiência que carregam”, acrescenta a publicação.
Esses eleitores mais velhos têm majoritariamente raízes conservadoras que colocam a religiosidade e os laços familiares como pilares centrais da vida pessoal, dão ênfase à segurança e à punição com leis mais duras contra crimes. E se insurgem contra as pautas progressistas de costumes – como liberação do aborto, de drogas, questão de gênero, disputa identitária. Portanto, a participação deles na eleição é fundamental para refletir a maioria do conservadorismo nacional, registrada em estudos e pesquisas, mas contraditoriamente não representada nos Três Poderes da Nação.
Por isso é justificável a campanha do “Voto70+” nas redes sociais a favor do comparecimento às urnas dos eleitores seniores de 60 a 100 anos, uma iniciativa cívica e apartidária que traz essas gerações ao centro das decisões, numa ponte entre longevidade e participação. Eles podem decidir a eleição presidencial. Embora tenham que enfrentar e superar barreiras físicas nas seções eleitorais e legais contra candidatos conservadores e até mesmo suportar o mau uso do processo eletrônico de eleição, considerado inexpugnável pelo TSE.
Diante do que foi apresentado, o eleitor brasileiro, seja jovem ou idoso, poderá se ver diante de duas referências: o receio de retrocesso ao caos conhecido e vivenciado no momento ou a lembrança de um passado controverso, com a incerteza de uma pandemia, mas cheio de esperança de prosperidade. Ele decide o que quer para si e sua descendência. É isso.
*Jornalista
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