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Por Carlos Eduardo Queiroz Pessoa Motta*
Na condição de ex-seminarista católico diocesano, minha formação propedêutica foi realizada em Patos (PB). Era apenas um ano de discernimento vocacional, em preparação para o ingresso no Seminário Maior São João Maria Vianney, em Campina Grande (PB). Em 2000, dois proeminentes sacerdotes paraibanos foram formadores de minha turma: Padre Elias Ramalho e Padre Paulo Jackson Nóbrega, sendo este atual Arcebispo de Olinda e Recife. Ambos com mestrado e doutorado na Universidade Gregoriana de Roma, na Itália, e que marcaram minha jornada acadêmica e cristã.
Foi um momento breve, mas profundo de descobertas teológicas, pastorais, litúrgicas, vivência comunitária, bastante estudo e amadurecimento espiritual. Ciência e fé deveriam ser incorporadas inexoravelmente à compreensão de Deus, da sociedade e da própria humanidade no mundo. Nunca perdi a amizade com os dois intelectuais e guias espirituais de uma Igreja marcadamente dedicada aos pobres. Em Patos me dediquei à pastoral numa comunidade periférica violenta e muito carente. Em Campina Grande, inclui a equipe da pastoral carcerária, prestando serviços culturais e educacionais aos apenados nos presídios da cidade.
Leia maisDom Francisco era o Bispo da diocese afogadense, Dom Gerardo da igreja particular de Patos (PB) e Dom Luís Gonzaga da prelazia de Campina Grande (PB) criaram uma escola pastoral de sacerdotes e leigos dedicados a um cristianismo encarnado. Enquanto Bispos Conciliares, participaram do Pacto das Catacumbas, evento litúrgico realizado em Roma, durante o Concílio Ecumênico, realizado em Roma entre 1962 a 1965, por João XXIII, o Papa Bom.
Optaram por assumir o cristianismo despojado e vida austera, baseada na mística da espiritualidade das primeiras comunidades pobres do cristianismo primitivo. Ser pobre com os pobres para Cristo em busca de estabelecer o Reino de Deus não era apenas um mantra devocional, mas projeto de vida sacerdotal e eclesial.
Surgia um cristianismo pernambucano comprometido em superar os dilemas sociais do povo nordestino, com ação pastoral e formação política de militância cristã, sob liderança Arquidiocesana de Dom Helder Pessoa Câmara. No Sertão do Pajeú, o Concílio Vaticano II foi introjetado no âmago da teologia pastoral, litúrgica e catequética. Era preciso ser igreja peregrina com os pobres. A ortodoxia seria aprimorada com a ortopraxia em contato permanente com o povo pobre. A Igreja Católica deveria aprender a ser cristã com a experiência mística de fé da religiosidade, preferencialmente, popular. Um catolicismo imanente comprometido com a transformação da sociedade tornava-se missão radical e evangelicamente bíblica e politicamente cívica.
O nacionalismo desenvolvimentista prefigurava um vigoroso escopo de projeto de nação internamente soberana e internacionalmente independente. Uma visão de país estrategicamente pensado, desde a década de 60, com a implantação nacional do Movimento de Educação de Base (MEB) no Brasil, revigorava os movimentos sociais e pastorais. A educação, através das Escolas Radiofônicas, eliminaria a chaga social do analfabetismo galopante, que afetava os pobres, impedidos de votar. A Rádio Pajeú se tornava um dos maiores sistemas de rádio educação com maior número de alunos.
A impertinente diocese contribuiria com a construção de uma nova cidadania política para os trabalhadores rurais, alfabetizados com mais consciência crítica, lendo não apenas o mundo da vida, mas assumindo a responsabilidade de promoverem uma revolução política, econômica e cultural.
Através do sindicalismo rural surgiria uma nova classe política, com novo protagonismo histórico, contra o coronelismo espúrio, marcada pela autonomia de assumir um novo projeto de sociedade. Os pobres e trabalhadores do campo e da cidade começavam a pensar a histórica a partir de mais consciência de classe, considerando as contradições do processo de formação social.
Aprendi na prática a ser igreja com grandes Sacerdotes diocesanos com a contribuição de Pe. Luizinho, Pe. Edilberto, Pe. Otaviano, Pe. Josenildo, Pe. Aldo Guedes, Pe. Cláudio, Pe. Jorge, Pe. Claudivan e, mais recentemente, com meus contemporâneos Pe. Erinaldo e Pe. Mairton, entre tantos outros. Cada um e a seu modo enriqueceram o cristianismo militante de leigos conscientes político e socialmente. A religião pode e deve ser um sinal de transformação e libertação histórica de qualquer cidadão. Mas nunca de opressão e alienação!
Na Diocese de Santa Maria Madalena, a teologia profética de ação religiosa reivindicatória sempre dilacerou padrões morais de dominação cultural nefastos instituídos. Qualquer tipo de opressão é denunciado publicamente de acordo com os ensinamentos doutrinário do magistério da igreja católica. Do púlpito da Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, ressoava a catequese episcopal revolucionária, forjada pela reflexão exegética e voz profética inconfundível de Dom Francisco, diluída pelas ondas da Rádio Pajeú de Educação Popular no sertão pernambucano.
Desde Dom Motta, inclusive parente próximo de minha família Motta, os Bispos subsequentes, como Dom Pepeu e Dom Egídio, preservaram a fé cristã e protegeram a tradição católica, sem cair em armadilhas de persistentes crises societárias. A religião católica afogadense forma cristãos e cidadãos conscientes de seu protagonismo político e social sem fugir de sua missão de guardiã dos fragilizados na circunscrição canônica do Pajeú.
A defesa intransigente da dignidade humana por mais igualdade, oportunidade, paz e justiça referenda a Doutrina Social da Igreja do ser cristão como cidadão. O testemunho vivo da fé verdadeiramente cristã está plasmado à identidade católica. Ser e fazer integram-se ao poder de servir como missão do discipulado genuinamente cristão. Conquistar mais direitos e defender à vida contra a miséria da fome e a desgraça da morte deve unir qualquer cidadão.
Foi assim que a democracia conseguiu consolidar valores básicos que salvaguardaram uma ética minimamente civilizatória: liberdade, igualdade e fraternidade associados à justiça social e à paz emancipadora. Entre o mundo secular e o cristão, a cultura ocidental consagrou, com a participação da Igreja Católica e o laicato cristão, direitos fundamentais e constitucionais contra a barbárie.
Tentativas de desconstruir conquistas inalienáveis pairam sobre a sociedade a partir de regimes populistas autoritários revestidos de pseudodemocráticos, perversamente gestados sob o domínio tecnoburocrático inescrupuloso das chamadas Big techs (Google, Meta, Amazon, Apple e Microsoft), que desafiam fronteiras nacionais, regulamentações estatais e ameaçam os fundamentos das democracias ditas liberais.
As redes sociais são utilizadas para influenciar o voto popular, driblar o sistema político eleitoral e subverter a opinião pública, desestabilizando pactos sociais constituídos. Impera o caos da desinformação e fake news no contexto da pós-verdade. Neste cenário disruptivo o penoso processo de conquistas sociais encontra-se fragilizado.
Entretanto, opção preferencial pelos mais pobres fundamentou a trajetória de evangelização apostólica da tradição católica afogadense. No centro do projeto missionário de caráter pastoral, a autoridade eclesial na diocese sempre se dedicou a caminhar com o povo, formar, organizar e mobilizar os leigos para criar novas condições sociais, tendo em vista superar os desafios da violência, do ódio, da intolerância e do autoritarismo; sobretudo, contra a opressão da dominação ideológica para eliminar a mentira e qualquer tipo de desinformação.
A diretriz teológica de formação cristã é procurar permanentemente transcender o assistencialismo pastoral por meio de estratégias de implantação de políticas públicas estruturantes no âmbito da representatividade institucional de governabilidade civil. Cabe aos leigos cristãos reforçarem a responsabilidade social como critério religioso para testemunhar a fé da vida pastoral no meio de sua própria dinâmica de atuação profissional. Inclusive a Igreja Católica formulou alternativa de regime político de caráter social-democrático, assegurando direitos e preservando a garantias de bem-estar social atribuídas ao Estado com o desenvolvimento econômico na sociedade de mercado.
Por isso, o verdadeiro cristão evangelizador seria portador de uma fé convicta porque necessariamente esclarecida, independente de escolarização, mas por meio de conscientização. Além de incorporada à experiência do mundo secular como missão profética sem medo de denunciar e superar os desafios da contemporaneidade. Apesar de equívocos e até erros, avanços significativos foram alcançados com a ajuda decisiva diocesana do cristianismo católico afogadense e devemos lutar contra retrocessos civilizatórios. O medo da crise do presente não pode nos levar às incertezas e cairmos na tentação de reproduzir erros assustadores do passado!
Fé e esperança são virtudes morais distintivas do cidadão cristificado. Depois de quatro anos de marcante experiência de formação religiosa católica em seminários, tendo cursado Licenciatura em Filosofia à época, em 2004, resolvia deixar por vontade própria o projeto de vida sacerdotal para nunca mais abandonar a Igreja de Cristo.
Atualmente, é preciso combater o cristofascismo, alimentado por denominações religiosas até mesmo cristãs, que fomentam “Guerras Santas”, ocasionando divisões ideológicas no seio do cristianismo. Templos religiosos não podem ser usados como partidos políticos clandestinos. Cristo não estará nunca a serviço da violência, do medo e do ódio, nem a Palavra de Deus servirá de anúncio de discórdias, baseadas em mentiras e narrativas de fatos sistematicamente distorcidos.
Enquanto leigo casado e pai, vejo na figura de Dom Limacêdo Antônio da Silva a necessária e inequívoca tradição de renovação de Aliança inquebrantável entre Cristo, a Igreja e os Pobres, consubstanciada através revelação dos Textos Sagrados em defesa de toda sociedade. Um novo profeta em seu tempo. Não se trata de escolha política de uma liderança do mundo civil com múnus apostólico, como muitos querem descaracterizar o episcopado combativo de Dom Limacêdo Antônio, na Diocese de Afogados da Ingazeira e seu qualificado Clero, mas por necessidade existencialmente cristã e teologicamente católica, investidos de autêntico cristianismo que brota da força vivificante e sempre atualizada dos Evangelhos de Cristo.
A Igreja Católica sempre figurou inescapavelmente como farol luminoso enquanto guia espiritual e depuradora da racionalidade sociocultural da humanidade, sem, contudo, jamais abandonar sua missão profética de autoridade religiosa comprometida ideológica e unicamente com a verdade, proveniente da integração entre fé e razão. Contra a ideia de força sempre a força das ideias.
*Professor universitário, Mestre em Ciências Sociais e Doutor em Educação pela UFCG. Gerente da Superintendência da Santa Casa de Misericórdia de Recife
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A governadora Raquel Lyra (PSD) prestou queixa sobre uso de seus dados pessoais e sua imagem para pedidos de Pix. Ontem (8), ela divulgou vídeo nas redes sociais para alertar o crime e se colocando como vítima dos adversários políticos. Ela cita que sempre trabalhou honestamente, tendo passado por concursos públicos da Polícia Federal e Procuradoria. As informações são do portal Dantas Barreto.
“É impressionante até onde algumas pessoas estão dispostas a ir durante uma eleição. Pegaram meus dados pessoais, produziram um vídeo truncado com a minha imagem e começaram a pedir Pix em meu nome. Uma ação coordenada do gabinete do ódio, para espalhar informação falsa e tentar enganar as pessoas”, postou Raquel Lyra.
A governadora, que tenta a reeleição, não citou nomes, mas espera que a investigação policial descubra quem são os responsáveis. “Mas não se preocupem. Eu jamais vou entrar no vale-tudo deles. Vou fazer uma campanha limpa, debatendo Pernambuco e apresentando o trabalho que estamos fazendo. E vou continuar fazendo o que sempre fiz: trabalhar com seriedade”, acrescenta.
Por Mariana Teles*
Há sete anos eu não saio procurando me encaixar na sua agenda de compromissos do final de semana. Painho nunca ficou um dia dos pais sem trabalhar, e isso diz muito do que ele me ensinou todos os dias. Eu saía me encaixando na sua programação para passar o final de semana inteiro com ele, não importava onde fosse. Ele só dizia: “que horas é a sua primeira aula na segunda feira?”. A preocupação com os estudos que me faz ouvir sua voz até hoje quando eu começo ou termino um livro, um curso, um processo.
Esses dias eu disse que uma das coisas que mais me faz administrar o luto inadministrável é a sensação de ter vivido 25 anos ao seu lado com muita intensidade, em todos os extremos. Eu disse todos os dias a painho o quanto o amava, não acordava nem dormia sem lhe pedir a benção e tive sempre verdadeira devoção pelo seu jeito tão peculiar mas tão apaixonado de ser pai.
Leia maisHoje eu resolvi não chorar. Rezei, comunguei, e agora estou aqui assistindo o que foi a nossa vida juntos, a nossa casa cheia, mergulhada em milhares de vídeos no YouTube e nas tantas poesias que já lhe escrevi.
O senhor continua sendo, continua no meu jeito de procurar o lado bom em todas as coisas, na minha indisciplina muitas vezes, mas é tudo que eu sei sobre coragem, perseverança e talento.
Eu não estava pronta para caminhar sem sua direção, me perdi tantas vezes sem seu grito para me trazer de volta para mim mesma, mas aprendi a lhe encontrar na beleza dos recomeços, na eternidade dos serenos, na melodia das violas, na graça singular do improviso e nessa teima que eu tenho de não desistir fácil do que eu acredito.
Tudo que construo tem o senhor, tem a essência que foi plantada em mim pelas suas lições. Hoje é celebração, porque Deus me permitiu ter um pai e saber a real dimensão disso na vida. Que bom que eu disse tanto que amava o senhor, que eu vivi tanto a sua vida e aprendi como seguir a minha.
Gratidão por tudo que continuamos sendo juntos, o senhor será sempre o soneto mais bonito da minha existência!
Bibi
*Advogada e poetisa
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Do UOL
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem explicou hoje, em uma rede social, o que fazia em uma piscina posando para foto ao lado de políticos e do advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal.
A imagem foi encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha e obtida pela revista Piauí. O registro é de 23 de abril de 2023, durante um evento privado na propriedade de Willer Tomaz, em Planaltina (DF), com a presença de diversos parlamentares.
Leia maisHavia diversos políticos entre os presentes: deputado Arthur Lira (PP-AL), deputado Juscelino Filho (PSDB-MA), senador Weverton Rocha (PDT-MA), deputado Elmar Nascimento (União-BA), deputado Paulo Azi (União-BA) e senador Efraim Filho (PL-PB). Ramagem justificou que o encontro contou com familiares dos convidados e o show de um cantor de quem o anfitrião é advogado.
Ramagem afirmou que o anfitrião atende clientes de diferentes espectros políticos, de direita à esquerda. “O advogado é proprietário de escritório que representa diversos parlamentares, de direita, esquerda e centro, diversas empresas brasileiras e estrangeiras, além do próprio artista que se apresentou. Entre diversos segmentos políticos, estão na foto um senador candidato a governo pelo PL, dois outros candidatos ao Senado apoiados pelo Flávio [Bolsonaro] e dois candidatos à reeleição a deputado que farão palanque para a direita na Bahia, onde precisamos virar votos”, declarou.
O ex-parlamentar destacou que mantém sua postura crítica, inclusive contra aliados de ocasião na imagem. “Entre os candidatos ao Senado, está o então presidente da Câmara [Lira], a quem nunca deixei de criticar e ser voz pública ativa sempre que entendi haver condução com irregularidades ou contra a direita. Não deixarei de contestar tudo que considero ser errado, seja contra a esquerda, o centro, a própria direita ou qualquer pessoa”, afirmou.
Ele associou a repercussão da foto a uma suposta perseguição política, semelhante à que sofreria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Assim como ocorre com a maior figura política de direita do nosso país, podem revirar minha vida, tentar difamar, inventar, constranger, que não vai ter resultado. Não tenho nada de desvio, corrupção ou favorecimentos. Tiveram que inventar uma farsa de golpe para me perseguir e tentar me afastar da vida pública. Ainda assim, não interrompo a luta nem deixo de defender meus ideais”, disse Ramagem.
Fraudes no INSS
O advogado Willer Tomaz (na piscina com o punho cerrado) foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que apura fraudes na previdência. A PF aponta um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo repasses de mais de R$ 11 milhões de empresas de Tomaz para a esposa do senador Weverton Rocha.
A PF também investiga a compra de uma casa de R$ 6 milhões usada pelo senador Weverton em Brasília. Embora a foto na piscina não conste na decisão do ministro André Mendonça, do STF, ela faz parte do material em análise pelos investigadores federais.
Defesas negam irregularidades
Willer Tomaz repudiou o vazamento da imagem privada e negou qualquer envolvimento em ilegalidades. O advogado declarou que os repasses financeiros para a esposa do senador correspondem a honorários advocatícios e que não é investigado na operação.
O senador Weverton Rocha pediu ao STF que apure o vazamento do celular, que chamou de criminoso. Ele alegou que as transações financeiras são lícitas e declaradas, e vê viés político-eleitoral na divulgação da foto.
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No Dia dos Pais, o almoço com os filhos Magno Filho e João Pedro no Leite, meu restaurante preferido, que eles adoram também.
A Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Araripe (Adesa) formalizou nesta semana um pedido à Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para alterar os estudos do novo ramal da Ferrovia Transnordestina. A iniciativa visa conectar o Vale do São Francisco ao Sertão do Araripe, com objetivo de estimular o setor mineral em Pernambuco. As informações são do portal Movimento Econômico.
Em ofício direcionado ao superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, o presidente da Adesa, Daniel Torres, sugeriu uma rota alternativa para o trecho entre Petrolina e Trindade, com uma extensão de 237 quilômetros, e solicita que o órgão realize os estudos técnicos necessários.
Leia maisO percurso defendido pela entidade parte de Petrolina, passa por Lagoa Grande e pelo trevo de Jutaí, segue até Santa Cruz da Venerada e cruza o distrito de Jacaré, em Ouricuri. A conexão final é prevista no município de Trindade, onde o ramal se integraria à malha ferroviária existente.
A rota sugerida passa por Jacaré, localidade com reservas estimadas em 1,5 milhão de metros cúbitos de calcário calcítico, insumo básico para a fabricação de cimento, e áreas de calcário dolomítico voltado à agricultura. De acordo com a Adesa, a estrutura ferroviária poderia viabilizar a futura instalação de uma fábrica de cimento por um grupo empresarial do Maranhão que detém direitos de lavra no local.
“O traçado apontado por nós é uma sugestão. Estamos solicitando a Sudene e a UFPE que, ao fazerem o estudo técnico do traçado indicado no edital da Infra S/A, Juazeiro-BA a Juazeiro do Norte-CE passando por Petrolina, indo em direção a Salgueiro-PE, que seja levada em consideração outra alternativa: Petrolina-Trindade”, explica Daniel Torres ao Movimento Econômico.
Durante os seminários Conexões Transnordestina, promovido pelo Movimento Econômico em 2025, a Sudene anunciou um contrato com a UFPE para estudar um ramal ligando Petrolina e o Vale do São Francisco a Salgueiro. Posteriormente, em julho passado, a Infra S.A. lançou um edital para estudar a viabilidade do trecho entre Juazeiro (BA), Petrolina e Juazeiro do Norte (CE), via Salgueiro, para se conectar à malha principal da Transnordestina.
“Não tem estudo técnico elaborado ainda para as nossas sugestões. O edital da Infra é para fazer este estudo. Só que, antes de ser feito como consta no último edital, estamos sugerindo a possibilidade de estudar outra alternativa”, acrescenta.
Modelagem financeira e redução de custos operacionais
A respeito do financiamento e da redução nos custos de frete para o setor produtivo, Torres defendeu a união de capital público e privado. “Na análise da viabilidade econômica em questão, neste novo traçado por nós proposto será analisado o valor do investimento, e que tipo de financiamento, se público totalmente ou aporte do setor privado. Nós defendemos uma PPP – (Parceria Público Privada)”.
A Adesa é uma ONG que tem uma diretoria ativa composta de membros de vários setores da sociedade, principalmente técnicos em várias áreas, ressalta Daniel Torres. O órgão é sediado na região do Araripe pernambucano, onde foca sua atuação e está envolvido em vários outros projetos, além de participar do Comitê Prol Canal do Sertão. “Esse projeto de irrigação pretende atender a 120 mil hectares de terras no Araripe. É um projeto público”, conclui.
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Por José Américo Silva*
Pai nunca morre. Hoje eu sei disso.
Meu pai partiu há quase 15 anos. No próximo dia 10 de novembro, serão 15 anos sem sua presença física. Mas o tempo produziu em mim um efeito estranho: em vez de afastá-lo, aproximou. Em vez de diminuí-lo, tornou-o ainda maior.
Ele não era homem de muitos abraços ou declarações. Falava pouco. Mas ensinava muito. Seus ensinamentos vinham em frases simples, quase parábolas, que ele soltava pelo caminho e deixava para a vida explicar depois.
Leia maisUma delas nunca me abandonou: “A única herança que eu quero deixar para vocês é o estudo. Por favor, estudem.” Demorei anos para compreender a grandeza dessas palavras.
Meu pai talvez soubesse que bens acabam, dinheiro se perde, patrimônio muda de mãos. Mas aquilo que aprendemos ninguém consegue nos tirar. Por isso apostava no saber como a maior riqueza que poderia deixar aos filhos. Para ele, estudar era também uma forma de conquistar liberdade, dignidade e a possibilidade de escolher o próprio caminho. E foi exatamente isso que aconteceu comigo.
O estudo me levou mundo afora. Deu-me uma profissão, abriu portas, apresentou pessoas, lugares, ideias e possibilidades que talvez meu pai nem imaginasse quando repetia aquelas palavras. Hoje percebo que essa foi a maior herança que recebi dele.
Talvez um pai de verdade seja exatamente isso: alguém que não precisa deixar uma estrada pronta, mas ensina aos filhos como caminhar quando ele já não estiver por perto.
Meu pai se foi, mas nunca deixou de ser meu pai. Com o passar dos anos, tornou-se até mais. Virou memória, referência, consciência. E gosto de acreditar que virou também meu anjo da guarda.
Ele apenas mudou de lugar. Antes caminhava ao meu lado. Hoje caminha dentro de mim. E enquanto seus ensinamentos continuarem guiando meus passos, meu pai continuará vivo. Porque pai nunca morre.
*Jornalista
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A ausência da Secretaria de Cultura e do Conselho de Cultura de Paulista chamou atenção na reunião que discutiu, na última quinta-feira (6), o andamento das obras do Cineteatro Paulo Freire. O encontro foi realizado pela Secretaria de Infraestrutura, no Centro Administrativo, em Maranguape I, e reuniu artistas, representantes da sociedade civil e vereadores.
A obra está com 33% de execução, segundo a Secretaria de Infraestrutura. A pasta informou que os trabalhos foram intensificados após o trânsito em julgado, em fevereiro, dos processos judiciais que haviam afetado o cronograma. A estrutura terá 250 lugares, além de acessibilidade, climatização e tratamento acústico.
A reunião contou com a participação da secretária de Infraestrutura, Jaina Poesi; do secretário executivo de Imprensa, Flávio Alves; do vereador João Pereira e de Caio Luiz, assessor parlamentar do vereador Fabiano Paz. Entre os representantes da cultura estavam o ator e produtor Vinícius Coutinho, a atriz e poetisa Bernadete Serpa Lopes, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Paulista, Ricardo Andrade, além de Nivaldo Souza, José Ricardo e Fernando Cunha.
Como encaminhamento, foi criada uma comissão com representantes da classe artística, sociedade civil e Legislativo para acompanhar a obra por meio de visitas periódicas. Os artistas também sugeriram a criação de um espaço dedicado à preservação da memória do cineteatro, com fotografias e registros históricos do equipamento.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) se enfrentam neste domingo (9) pela primeira vez no debate entre os candidatos ao governo paulista, promovido pela Band, a partir das 20 horas.
Nos bastidores, a expectativa das campanhas é de um confronto com cara de segundo turno, já que os dois são os únicos candidatos que aparecem competitivos nas pesquisas de intenção de voto.
Tarcísio, que lidera as sondagens, deve usar o debate para defender o legado de sua gestão. Haddad, por sua vez, pretende explorar as principais fragilidades do governo paulista, sem deixar de lado a defesa do governo Lula (PT) e a tentativa de associar Tarcísio à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), numa estratégia para nacionalizar a disputa estadual. As informações são do Estadão.
Do UOL
O pedido de visita dos filhos ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Dia dos Pais, que foi negado por Alexandre de Moraes, virou um instrumento político, avaliou o professor do Insper Leandro Consentino, no UOL News, do Canal UOL.
Para o professor, a família Bolsonaro já contava com uma negativa e antecipou o pedido para reforçar uma narrativa de vitimização, em meio ao embate político com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia mais“A grande questão agora é que isso se tornou um instrumento político, até por conta de todo o uso, do mau uso que se fez dessas medidas. E aí, Alexandre de Moraes fixou, de fato, essa proibição e está sustentando. E aí, eu acho que não cabe exceção no sentido de qualquer data comemorativa, seja porque senão seria sempre um novo pedido. Tenho certeza também que Flávio Bolsonaro, seus irmãos, sua equipe, já fizeram esse pedido, já antecipando a decisão exatamente para usar essa narrativa que tanto vem usando largamente”, diz Consentino.
Consentino disse que a reação de aliados era previsível porque a negativa permite sustentar a tese de que haveria uma “conspiração” por trás da decisão, ao retratar Bolsonaro como um pai impedido de ver os filhos. “Exatamente a narrativa que a família Bolsonaro vem usando, o pré-candidato Flávio Bolsonaro vem usando, no sentido de vitimizar essa questão e dizer: ‘Um pai que está privado de ver seus filhos'”.
O professor afirmou que, na prática, Bolsonaro já via os filhos com frequência maior do que seria comum em um sistema prisional tradicional, e que a disputa ganhou outra dimensão por causa do uso político do tema.
No debate sobre o STF na campanha, o cientista político Aldo Fornazieri disse que era previsível o bolsonarismo transformar a Corte em alvo central e citou exemplos internacionais de líderes autoritários que atacam o Judiciário para tentar dominar os demais poderes. “Onde tem ditaduras, ditaduras de direita, de extrema direita, o judiciário é o centro do ataque. […] Então os ditadores, eles querem dominar os outros poderes”, disse Fornazieri.
Fornazieri também apontou que o Senado pode ser decisivo nesse embate, porque é a Casa que aprova ou rejeita indicações ao Supremo, e avaliou que a composição da Casa terá peso nas disputas até a eleição.
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Por Américo Lopes, o Zé da Coruja*
Magno, hoje você abordou um assunto muito caro para os homens e as mulheres deste mundo, mesmo para os mais abjetos, que têm no pai sua maior referência, seja de amor ou temor. Que sorte a sua, meu amigo, seu pai foi uma cascata de luz e amor, que homem extraordinário.
Você me levou, em um feliz dia, a degustar um carneiro feito por ele com amor e humor. Percebi, na hora, naquele momento, que aquele homem não guardava uma mágoa na vida ou de quem quer que fosse. Ele ficou na primeira etapa do homem de Rousseau, que é a que diz que “o homem nasce bom e livre por natureza”, e dessa etapa ele não saiu, não arredou pé.
Leia maisAcredito que quem tinha a Winchester na mão, na família, era a senhora sua mãe, Dona Margarida, o grande amor de seu Gastão. Esses generais de guerra, feito ela, são importantes demais para a defesa da família.
Outro momento de feliz lembrança em que estive com o seu pai Gastão Cerquinha foi no seu aniversário de noventa anos, na mítica Macondo, ops, Afogados da Ingazeira.
Fui com a minha amada mãe Maria Euza Góis de Siqueira (Mãe Euza) e minha mulher Mary Alencar Lopes, onde vivemos momentos de pura felicidade e alegrias intensas. Fizemos mesa com o notável empreendedor e poeta das mercadorias Eduardo Monteiro, com os irmãos desembargadores Alberto e Cláudio Virgínio, com o jurista Luiz Piauhylino, com Joezil Barros e João Alberto Martins Sobral, a prima querida Branca Góes e a queridíssima amiga Margareth Padilha, filha da lenda humana Josesito Moura do Amaral Padilha.
Tenho como lembranças mais fortes desse aniversário o fraternal abraço que recebemos de Seu Gastão — ele inverteu os ponteiros do relógio e do tempo, o nome homenageado era ele — o discurso que Eduardo Monteiro fez em nome dos visitantes, com voz firme e solene, honrando seu avô Agamenon Magalhães. Eduardo e o avô Agamenon foram muito aplaudidos.
Há um gesto jamais esquecido e pago que você e Seu Gastão tiveram com a minha amada Mãe Euza, apresentando ela àquelas pessoas presentes que eram somente névoa e lenda na sua memória. Ah, Seu Gastão, ah, Magno, como vos pago em dinheiro da terra?
Meu amado pai, Walfrido Lopes de Siqueira — ou Pai Walfrido —, “encantou-se” cedo, aos quarenta e nove anos, em terras alheias, de saudade do seu inesquecível Pajeú das Flores.
Meu amado pai e sua família foram vítimas do cangaço violento que assolava o sertão, ceifando vidas e esperanças, daí ele ter sabiamente arribado para o sertão do Araripe, nossa segunda pátria. Fomos cinco irmãos, Maria Helena, Marcos Magela, João Alberto, José Américo e Rildo Lopes (in memoriam) e não faltou nem carinho nem justiça desse notável homem para nós. Que pai gigantesco, meus amigos.
Para nós, Pai Walfrido comprou o Tesouro da Juventude, a Enciclopédia Prática Jackson, além de ter assinado durante muitos/poucos anos, até o seu encantamento, o maravilhoso O Cruzeiro, que me ensinou a gostar de misses bonitas, do Amigo da Onça, personagem do cartunista Péricles, e a temer a Guerra Fria no meu coração e mente de matutinho medieval.
Pai Walfrido não queria filho analfabeto, ladrão e sem caráter. O esforço para honrá-lo é gigantesco de todos nós. Até hoje. Fomos marcados por ele no ferro e no fogo, na melhor direção do vento norte, onde há “clarões na noite”, como ensinaram Lennon e McCartney, e viver significa compromisso com o Deus de Israel, com a família, com os amigos leais, com a hora.
“Nosso pai era um homem cumpridor, ordeiro, positivo, e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas”, disse João Guimarães Rosa no conto “A terceira margem do rio”.
Para mim, nosso pai era um semideus, sempre soube disso, aquele homem não era só um ser humano, que privilégio desses filhos. Benção, mamãe. Benção, papai. Meus queridos, meus amores para sempre.
Neste dia especial, presto sincera homenagem ao meu sogro Tutu, que me acolheu como filho em momento difícil e de afirmação de minha vida, além de me presentear com a sua inegociável filha Meirinha. Como esquecer?
Do seu amigo,
Zé da Coruja, do “Pajeú das Flor”, das fazendas Cachoeira Seca e Riacho do Mel, reduto sagrado dos Lopes, de quem sou sangue vivo.
*Diretor operacional da Folha de Pernambuco
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De João Alberto – Social 1
Jornal do Commercio
Causou surpresa o fato do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes ter recebido para jantar na sua casa, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Com a palavra, o mestre José Paulo Cavalcanti, que opina sobre o inusitado encontro:
“Em países culturalmente maduros, ninguém acreditaria nisso. Que um ministro do mais alto tribunal ocupasse o papel de articulador político. Sabendo que pode julgar, no futuro, casos que envolvam esses atores. Do ponto de vista jurídico, algo inconcebível. Do ponto de vista político, inaceitável. Do ponto de vista ético, uma indecência.”
