Izaías Régis, líder do governo Raquel Lyra, enaltece a governadora em fala durante a solenidade de lançamento do Programa PE na Estrada, realizada no Palácio do Campo das Princesas. Assista:
Izaías Régis, líder do governo Raquel Lyra, enaltece a governadora em fala durante a solenidade de lançamento do Programa PE na Estrada, realizada no Palácio do Campo das Princesas. Assista:
Por Cláudio Soares*
Uma abordagem policial ocorrida em Belo Jardim, neste domingo (09), desperta sérias preocupações sobre o uso desproporcional da força e a necessidade de respeito aos limites legais da atuação policial.
As imagens mostram, ao que se observa, quatro policiais diante de uma pessoa que já estaria dominada e algemada, enquanto um dos agentes desfere golpes no rosto do abordado. Se confirmada essa dinâmica, a agressão não pode ser tratada como simples procedimento de contenção.
Leia maisÉ evidente que eventual resistência anterior deve ser apurada pelas autoridades competentes. A polícia tem o direito, e o dever de utilizar a força necessária para controlar uma situação de risco. Mas força policial não pode se transformar em violência gratuita depois que a pessoa já está imobilizada.
A eventual prática de tortura é extremamente grave e não pode ser relativizada em razão da condição de quem a pratica ou de quem a sofre. O Estado, justamente por deter o monopólio legítimo da força, tem uma responsabilidade ainda maior de agir dentro da lei.
O episódio precisa ser investigado com independência, garantindo-se o direito de defesa dos policiais e, ao mesmo tempo, a proteção da vítima e a apuração rigorosa de eventual abuso.
Na prática da barbárie, ninguém é diferente. A autoridade policial não pode ser confundida com autorização para a brutalidade.
O combate à criminalidade exige firmeza, mas também exige legalidade, técnica, equilíbrio e respeito à dignidade humana. É isso que diferencia a força legítima do Estado da violência que o próprio Estado tem o dever de combater.
*Advogado e jornalista
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A primeira pesquisa eleitoral divulgada após o fim das convenções partidárias e a definição das candidaturas ao Governo do Paraná mostra o senador Sergio Moro (PL) na liderança da disputa, com 35,3% das intenções de voto. Sandro Alex (PSD) aparece em segundo, com 27,6%, enquanto Requião Filho (PDT) tem 19,5%. O levantamento foi realizado pelo instituto Índice Inteligência e divulgado neste domingo (9). As informações são do portal Gazeta do Paraná.
A diferença entre Moro e Sandro Alex é de 7,7 pontos percentuais. Já a distância entre Sandro Alex e Requião Filho chega a 8,1 pontos. Na sequência aparecem Luiz França, com 0,7%; Tayná Miessa, com 0,3%; e Samuel de Mattos, com 0,2%. Outros 11,1% dos entrevistados disseram não saber ou não responderam à pergunta. Já 5,3% afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos apresentados.
Leia maisMais da metade ainda não escolheu candidato
O número de eleitores que ainda não definiram o voto aumenta quando a pesquisa é feita de forma espontânea, ou seja, sem apresentar os nomes dos candidatos. Nesse cenário, 51,4% dos entrevistados disseram não saber ou não responderam em quem pretendem votar para governador.
Sergio Moro foi citado espontaneamente por 21,5% dos eleitores. Sandro Alex apareceu com 10,1% e Requião Filho teve 7,5%. Os votos em branco, nulos ou em nenhum dos candidatos somaram 3,8%. Os números mostram que, mesmo após a definição das chapas nas convenções partidárias, mais da metade dos entrevistados ainda não apontou espontaneamente um nome para o Governo do Paraná.
Pesquisa não avaliou rejeição
O levantamento do Índice Inteligência não apresentou um cenário específico sobre a rejeição dos candidatos ao Governo do Paraná. A pesquisa avaliou os cenários espontâneo e estimulado para a disputa pelo Palácio Iguaçu e também levantou as intenções de voto para as duas vagas do Paraná no Senado.
Metodologia
A pesquisa foi realizada nos dias 4, 5 e 6 de agosto de 2026 com eleitores do Paraná. Foram realizadas 1.200 entrevistas pessoais em domicílios, com questionário estruturado. A amostra foi dividida de acordo com sexo, faixa etária, escolaridade e renda e incluiu eleitores das áreas urbana e rural.
O levantamento utilizou amostragem probabilística em três etapas, combinando amostragem aleatória simples, amostragem por conglomerados e probabilidade proporcional ao tamanho.
A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro máxima estimada em 2,83 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-07034/2026.
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Folha de São Paulo
Dois dias após a Lei Maria da Penha completar 20 anos, a Polícia Militar do Rio Grande do Norte cumpriu um pedido do Ministério Público do Ceará e prendeu preventivamente Marco Antônio Heredia Viveros, na capital Natal, por descumprimento de medidas protetivas de urgência concedidas em favor de Maria da Penha Maia Fernandes (sua ex-mulher) e das duas filhas do casal.
A prisão foi pedida pelo MP-CE após a veiculação de anúncios na TV Record informando que a emissora transmitiria neste domingo uma entrevista com Marco Heredia sobre o caso envolvendo a tentativa de feminicídio da ativista, o que viola uma das medidas cautelares expedidas pelo 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza em 2024.
Leia maisA reportagem procurou a defesa de Marco Antônio, por meio de mensagens em redes sociais, na noite deste domingo (9), mas não houve manifestação até o momento. Otacílio Guimarães de Paula, o advogado de Marco Heredia, usou as redes sociais para criticar a prisão e o que ele chamou de censura, pela proibição da entrevista.
“Antes de a matéria ir ao ar, no Dia dos Pais, Marco Heredia foi preso. Por que ele não pode falar nada sobre sua vida, sobre sua história e não sobre ela, mas sobre seu lado da história?! Por que ele deve ser censurado e somente ela pode trazer sua versão sem nenhuma indagação!”, postou ele.
Procurada por meio de mensagem e telefonemas, a TV Record não se posicionou. A decisão foi tomada no sábado (8) pelo juiz Cesar Morel Alcantara, durante o plantão judicial.
“Desde 2024, o investigado estava proibido de divulgar informações sobre o processo e de propagar o nome ou a imagem das vítimas em mídias sociais, aplicativos ou qualquer ambiente virtual. Porém, chamadas veiculadas em uma emissora nacional nos últimos dias anunciavam que Antonio Heredia concedeu entrevista ao veículo para uma reportagem com exibição prevista para domingo (9). De acordo com a representação do MP, trechos da matéria e conteúdos promocionais estavam sendo divulgados em plataformas digitais e redes sociais, caracterizando o descumprimento da determinação judicial”, explicou o Ministério Público do Ceará, em nota.
Na decisão, o juiz entendeu haver indícios suficientes da prática do crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência, previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, e destacou que o investigado foi devidamente notificado das restrições impostas e das consequências jurídicas em caso de violação da medida. Segundo o MP-CE, a Justiça também determinou a retirada imediata do ar de conteúdos relacionados à entrevista e proibiu a veiculação da reportagem ou sua divulgação em quaisquer plataformas.
“A Justiça exige ainda a preservação de todo o material ligado à produção do material, incluindo arquivos, registros de edição, contratos, comunicações internas e documentos correlatos, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento”, concluiu a nota.
Após a decisão, a emissora retirou de suas redes sociais as chamadas para a entrevista. Esta é a segunda vez que o economista colombiano Marco Antônio Heredia Viveiros é detido. Embora a tentativa de feminicídio tenha ocorrido em 1983, ele só foi preso em 2002, seis meses antes da prescrição do crime. E dos dez anos que deveria passar em cárcere, cumpriu dois.
Na ocasião, a prisão ocorreu depois de pressão internacional, um ano e dez meses depois de o Brasil ter sido condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos por omissão em relação à violência doméstica. A comissão apontou essa tentativa de homicídio como exemplo de impunidade no país. No dia do crime, Viveros atirou em Maria da Penha enquanto ela dormia na casa onde o casal morava com os filhos, em Fortaleza (CE). Ela ficou paraplégica e virou militante feminista. Viveros foi julgado e condenado pela segunda vez em 1996, mas jamais foi preso. O primeiro julgamento, em 1991, foi anulado.
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A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), segue acumulando descontentamentos. Depois de insistir que a vaga do Senado ficaria com Miguel Coelho (União), e de ter perdido a queda de braço para Eduardo da Fonte (PP), Lyra parece ter também perdido o apoio do senador Fernando Dueire (PSD), que chegou a se filiar ao seu partido, mas também ficou sem qualquer apoio da governadora.
Nos bastidores da política, já se comenta que a opção pela candidatura de Mendonça Filho (PL), supostamente com o apoio de Priscila Krause (PSD), parece ter reacendido de vez o embate com Dueire. Com isso, ele deve anunciar nos próximos dias apoio para o senador Humberto Costa (PT). Os movimentos do grupo da governadora parecem ter criado o movimento de “queima de caravelas”, que é tornar o caminho de retorno quase inconcebível.
A reta final de articulações, concluída na última semana, parece ter criado fissuras que irão se estender até o período das eleições. Resta saber como Raquel irá lidar com o lançamento da candidatura do PL, que a apoia, além de Túlio Gadelha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP). Miguel Coelho e Dueire podem até declarar apoio tácito, mas a relação de quem se afastou, ou até “traiu”, pode ser o estopim de um esfriamento da relação.
Por José Adalbertovsky Ribeiro*
MONTANHAS DA JAQUEIRA – “Todíssimos os pobres serão ricos, todíssimos os ricos serão pobres. Os ricos ganharão o Bolsa Família e o Vale-Gás e os pobres mamarão no seio das emendas parlamentes, para redimir a humanidade brasileira da pobreza”, assim falou o guru da seita vermelha aos seus devotos em sua aparição nos caminhos de Santiago de La Compostela da Jaqueira.
Eu vos direi: do modo a seguir será cumprida a profecia do beato Antônio Conselheiro: Haverá rios de leite e montanhas de cuscuz com carne de sol e picanha. Os pés de coentro serão gigantes para botar tempero no feijão. Eis um programa Fome Zero turbinado.
Atualmente com quase 200 anos de idade, o Véio do Pastoril do Cordão Encarnado garante que está em plena forma física, bioquímica e geriátrica, tipo um jovem de apenas 95 anos.
Nascido no outono do regime autoritário civil militar em 1980, o partido chamado dos trabalhadores é uma metamorfose sextante na linha do horizonte. O MDB funcionava como oposição consentida ao regime. Com a volta dos exilados passou a ser oposição indesejada aos militares. O PT de origem, nascido com o aval do general Golbery do Couto e Silva, ideólogo do regime, era palatável aos militares.
Por ter as qualidades de bebedor de cajuínas e profissional de piquetes, foi adotado como mascote pelos intelectuais da USP e Unicamp e setores da Igreja Católica. O DNA de nascença revela as digitais dos movimentos eclesiais progressistas (a Teologia da Libertação de Bofe e Libânio), o sindicalismo do ABC paulista e o dedo mindinho do General Golbery.
Guardo em minhas retentivas a seguinte frase ouvida dos lábios do sapo barbudo, assim o chamava Leonel Brizola, o Briza que não alisava ninguém: “Não serei massa de manobra dessa gente”. A frase foi cometida durante entrevista no Sindicato dos Jornalistas. “Essa gente” referida por ele eram as lideranças oposicionistas do MDB na época, animais políticos do tope de Miguel Arraes, Marcos Freire, Jarbas Vasconcelos e Ulysses Guimarães a nível nacional.
Tempos depois ouvi também do mito dos pigarros, Arraes: “Quem é Lula? É um pau-de-arara, que perdeu a identidade”. Essas gentes — as esquerdas tradicionais remanescentes de 1964 e as esquerdas emergentes do movimento sindical — não se bicavam.
A sigla sextante virou uma seita e mudou de patamar. Adota o culto à personalidade, uma variante do fanatismo. Isto rima com intolerância e censura e pode converter-se em atentado antidemocrático.
O guru da seita comete barbaridades e conta com a indulgência dos devotos. Os vermelhinhos ficam extasiados de emoção quando o vermelhão afirma, por exemplo, que os traficantes são vítimas dos pobres maconheiros. O mais doloroso é quando o bicho sonha em perpetuar-se na cena do crime para conquistar o penta, o hexa, o hepta e o octa, até a idade do patriarca Abraão. O nome disso é abismo democrático.
Quando um cristão ingere tubaína e chama Jesus de Genesio, significa que está tresvariando. O poder é droga hard e produz delírios.
*Periodista, escritor e quase poeta
A confusa e mal explicada chapa de Raquel
Se Mendonça Filho (PL) não é o candidato ao Senado da governadora Raquel Lyra (PSD), como ela própria tem reiterado, por que então prefeitos que juram fidelidade à gestora estão aderindo ao liberal e abandonando o neodireitoso Túlio Gadêlha (PSD)? Por que Raquel também não assume que trabalha em silêncio e nos bastidores pela reeleição do senador petista Humberto Costa, candidato na chapa de João Campos?
Com as candidaturas ao Senado já postas, a governadora continua fazendo o mesmo jogo da enganação da fase pré-eleitoral, quando alimentou esperança em quatro pré-candidatos — Miguel Coelho, Eduardo da Fonte, Túlio Gadêlha e Fernando Dueire, este no exercício do mandato como suplente de Jarbas Vasconcelos. Diz que seus candidatos são Eduardo da Fonte e Túlio, mas libera prefeitos da sua cozinha para apoiar outras candidaturas.
Leia maisOs exemplos mais notórios são Rodrigo Pinheiro e Pollyana Abreu, prefeitos de Caruaru e Sertânia, respectivamente. Ambos priorizam a reeleição de Humberto oficialmente, com santinhos e vídeos nas redes sociais. Rodrigo e Pollyana são unha e carne com Raquel, compartilham da intimidade dela na cozinha nobre das Princesas.
Raquel diz que não apoia Mendonça, mas tem uma penca de prefeitos ligados a Mendonça com os quais vai se misturar e subir no mesmo palanque na campanha. É o caso do prefeito de Belo Jardim, Gilvando Estrela, do União Brasil, o mesmo partido do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, o primeiro a apoiar a candidatura de Mendonça ao Senado.
No palanque de Miguel em Petrolina, Raquel vai aceitar passivamente o aliado pedir votos para Mendonça e Eduardo da Fonte, de quem recebeu o apoio de prefeitos para viabilizar sua candidatura a deputado federal, e não para Túlio, o “queridinho” da governadora?
Em 40 anos de jornalismo político, nunca vi algo tão confuso em Pernambuco, Estado cuja tradição é o candidato a governador assumir com bravura e entusiasmo seus dois candidatos ao Senado para eleger a chapa completa.
NINGUÉM QUER TÚLIO – Outra perguntinha oportuna: se a governadora não apoia Humberto Costa extraoficialmente, o que dirá hoje ao senador Fernando Dueire, a quem enganou também, que a ela comunicará, em encontro marcado para 11 horas, que apoiará a reeleição do senador Humberto Costa (PT)? Entre os aliados da governadora, ninguém, na verdade, quer votar em Túlio Gadêlha, a pior e mais atrapalhada invenção da governadora.

Uso da imagem – Túlio Bernardes, ou Gadêlha, é um aventureiro, que sempre fez a política individualista, não tem projeto nem propostas para o Estado. Em dois mandatos, só se elegeu explorando a imagem da jornalista global Fátima Bernardes. Quem souber o que ele fez em favor do Estado em seus dois mandatos ganha um doce. Ao lado de Raquel cumpre apenas o ridículo papel de atrair o voto do eleitor em cima da retórica de “aliado” do presidente Lula.
Prestou queixa – A governadora registrou boletim de ocorrência, no último sábado, após divulgação de conteúdos falsos com pedido de Pix em seu nome. Por meio de um vídeo, afirmou que o material é “uma ação coordenada” dos adversários “através do gabinete do ódio”. Nas imagens que circulam nas redes sociais, Raquel aparece em um evento político, com um áudio manipulado em que alega que está precisando de dinheiro. O conteúdo falso foi publicado na semana em que dados do registro da candidatura da governadora foram divulgados na plataforma Divulgacandi.
Mulheres preferem Lula – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a preferência do eleitorado feminino em todos os cenários apresentados para o segundo turno das eleições deste ano, conforme a pesquisa Genial/Quaest. De acordo com o levantamento, na disputa com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, Lula teria 47% das intenções de voto contra 35% do bolsonarista. Já entre o eleitorado masculino, o cenário se inverte. Flávio tem 44% das intenções de voto no segundo turno, contra 40% de Lula. A pesquisa entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Segurança das urnas – O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, voltou a defender a credibilidade das urnas eletrônicas e afirmou que desacreditar o sistema eleitoral brasileiro é “desconvidar” os eleitores a participarem do pleito. “Ao longo de três décadas, o sistema brasileiro de votação consolidou sua credibilidade por meio do aperfeiçoamento tecnológico e de mecanismos de fiscalização e auditoria, garantindo fiscalização e transparência no processo eleitoral e nos resultados das urnas. Desacreditar o sistema de votação brasileiro é desconvidar o eleitor brasileiro a participar da maior festa democrática do Brasil”, disse o ministro, ontem, durante evento em Brasília.
CURTAS
CONFIANÇA – Mesmo após ser alvo de boatos e notícias falsas nos últimos anos, incluindo rumores enganosos de que passaria a ser taxado, o nível de confiança no Pix é o maior entre todas as categorias testadas na pesquisa; apenas 19% disseram não confiar, e 1% não soube responder.
MARQUETEIRO – O publicitário João Santana, que já comandou o marketing eleitoral de Lula (em 2006) e de Dilma (2010 e 2014), será o marqueteiro de dois candidatos a governos estaduais nesta eleição: ACM Neto, na Bahia, e Ciro Gomes, no Ceará.
PODCAST – O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, será o entrevistado do podcast ‘Direto de Brasília’ de amanhã. Na pauta, a recente ida do ministro ao Congresso para a defesa da atualização do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Também as novas políticas para impulsionar o segmento.
Perguntar não ofende: Quem, afinal, são os candidatos de Raquel a senador?
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O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou, neste domingo (9), um vídeo em que aparece chorando enquanto escreve uma carta ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após ser impedido de visitá-lo no Dia dos Pais.
Na carta, Flávio afirma que havia acabado de participar de uma agenda em Itapetininga, no interior de São Paulo, quando soube que o pedido apresentado pela defesa para que ele e os irmãos Carlos e Jair Renan visitassem o pai havia sido negado. “Por isso lhe escrevo, pois não poderei te dar um abraço e matar a saudade como gostaria”, afirmou o senador. As informações são da CNN Brasil.
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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), rejeitou ontem (8) o pedido para que os três filhos visitassem Bolsonaro na tarde deste domingo. A defesa havia solicitado uma autorização excepcional em razão do Dia dos Pais, argumentando que o encontro teria finalidade exclusivamente familiar e humanitária.
Na decisão, Moraes citou a suspensão por 30 dias das visitas ao ex-presidente, com exceção de médicos e advogados. Flávio, especificamente, está proibido de visitar o pai por 90 dias desde meados de julho, depois de divulgar nas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro. Para o ministro, a publicação representou descumprimento das restrições que impedem o ex-presidente de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. A defesa nega que Bolsonaro soubesse previamente que o documento seria divulgado.
Na nova carta, Flávio também disse que recebe informações sobre o estado de saúde e o humor do pai por meio dos advogados. “Fico sabendo pelos outros advogados como está sua saúde e seu humor, pergunto todos os dias, sem falta”, escreveu.
O candidato também fez um balanço da campanha presidencial. Segundo ele, a articulação conduzida ao lado do senador Rogério Marinho (PL-RN) permitiu montar palanques em “quase todos os estados”. Flávio afirmou ainda que, apesar de partidos de centro não terem formalizado apoio à sua candidatura, lideranças dessas siglas estariam ao seu lado.
Flávio encerrou a carta criticando novamente a impossibilidade de encontrar o pai neste domingo. “Proibir um filho de visitar um pai, ou o pai de dar um abraço nos filhos, no Dia dos Pais é desumano, é insano, é injusto, é triste”, escreveu.
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O município de Panelas recebeu João Campos (PSB) com festa no início da noite deste domingo (9). Uma multidão acompanhou o candidato a governador da entrada da cidade até o clube onde começou o ato político de apoio ao candidato.
O evento, conduzido pelo prefeito Ruben Lima (PSB), também recebe apoio de outros prefeitos, ex-prefeitos, deputados, vereadores e outras lideranças do Agreste Central de Pernambuco.
A candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) cumpre uma série de agendas pelo Agreste, onde tem se reunido com lideranças políticas e recebido apoios à sua candidatura. Na noite deste domingo (9), em Panelas, a pedetista recebeu o apoio do prefeito Ruben Lima (PSB), durante um ato que contou com a presença dos candidatos da chapa majoritária da Frente Popular, João Campos (PSB), candidato a governador, e Carlos Costa (Republicanos), candidato a vice-governador.
Durante discurso, Marília relembrou versos do poeta Ferreira Gullar no poema “História de um valente”, escrito em homenagem a Gregório Bezerra. “Sou pernambucana e minha terra conhece a coragem pelo nome. A terra de Gregório Bezerra, que Ferreira Gullar eternizou como homem feito de ferro e de flor. Talvez seja essa uma das imagens mais bonitas da valentia pernambucana: a força que não se ajoelha e a ternura que não se perde. Minha caminhada política também foi feita de enfrentamentos, de cicatrizes, de vitórias, derrotas e recomeços. Já tentaram me dizer onde eu deveria estar, até onde eu poderia ir e quais batalhas deveria abandonar. Mas aprendi que ninguém escreve o destino de quem decidiu caminhar com as próprias pernas. Sigo assim: ferro quando é preciso resistir, flor quando é preciso acolher, e sempre ao lado do povo de Pernambuco”, destacou a pedetista.
Ontem, durante agendas em Caruaru, Marília já havia recebido o apoio do prefeito de Correntes, Edmilson Bahia (PT) e do ex-vice-governador Jorge Gomes (PSB) e sua esposa, a ex-deputada estadual, Laura Gomes (PSB). A passagem pela “princesa do Agreste” também foi marcada pelo encontro com a deputada estadual Rosa Amorim, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados e o integrante da direção estadual e nacional do MST, Jaime Amorim, que reafirmaram a parceria para eleger Marília ao Senado.
O candidato a governador João Campos (PSB) recebeu, neste domingo (9), o apoio do ex-prefeito de Moreno, Vavá Rufino, que governou o município por quatro mandatos e hoje é candidato a deputado federal pelo Solidariedade. Vavá recepcionou o ex-prefeito do Recife em sua casa e destacou a expectativa pela vitória do líder da Frente Popular nas eleições deste ano.
O encontro foi acompanhado pelo candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), pelo deputado estadual Mário Ricardo (Podemos) e pelo presidente estadual do Solidariedade, Edinazio Silva, entre outras lideranças. “Recebo com muita alegria e responsabilidade o apoio de Vavá. Ele é uma pessoa que conhece Moreno profundamente, foi prefeito por quatro mandatos e tem muitos serviços prestados à cidade. Ter ao nosso lado alguém com essa experiência, essa trajetória e esse compromisso é muito importante para a nossa caminhada”, afirmou João Campos.
O senador Humberto Costa (PT) participou, ontem (8), de um encontro com lideranças indígenas na comunidade Pankará Serrote dos Campos, em Itacuruba, no Sertão de Itaparica, ao lado do deputado estadual João Paulo (PT). O ato reuniu representantes dos povos Pankará, Pankararu, Atikum e Tuxá, na véspera do Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado neste domingo (9).
Durante a atividade, o senador ouviu as demandas apresentadas pelas comunidadees e reafirmou o compromisso de manter os povos originários entre as prioridades de seu mandato. “Em todos os meus mandatos, tenho estado ao lado das lutas e das bandeiras dos povos originários, e quero dar continuidade a esse trabalho, aprofundando essa relação. Vamos seguir trabalhando para melhorar, cada vez mais, a vida dessas comunidades tão populosas e importantes para o enriquecimento social e econômico do nosso estado”, afirmou o senador.
Leia maisAo longo de seus mandatos, Humberto Costa construiu um histórico de atuação junto aos povos indígenas de Pernambuco. O senador articulou o reconhecimento do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Saúde Indígena de Pernambuco (Sindicospe), atuou junto à Codevasf pela segurança hídrica das comunidades e destinou emenda parlamentar para a perfuração de poços artesianos no território Pankararu.
Também viabilizou cursos para mulheres indígenas e a capacitação de jovens indígenas no cultivo de plantas medicinais, com destaque para a cannabis medicinal. Atualmente, articula junto à Sudene financiamento para estruturar esse cultivo no território Pankará Serrote dos Campos, com foco na geração de emprego e renda para as comunidades.
Durante o encontro, Humberto Costa lembrou que o governo do presidente Lula é o que mais valorizou os povos indígenas na história do país, com a criação do Ministério dos Povos Indígenas, o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente à pauta. “Uma das coisas que a gente precisa ter em mente o tempo inteiro é que as conquistas obtidas pelos povos originários nesse período dos governos do PT precisam ser mantidas”, afirmou o parlamentar.
Pernambuco tem a quarta maior população indígena do Brasil, com mais de 106 mil pessoas. São 20 terras indígenas no estado, que compreendem 205 mil hectares.
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Por Luiz Queiroz – do Capital Digital
Um comunicado divulgado pela Casa Branca em 7 de agosto expôs o tamanho da ofensiva montada pelo governo Donald Trump para reduzir a vulnerabilidade dos Estados Unidos em minerais críticos e ajuda a dimensionar o desafio que o Brasil enfrenta ao tentar transformar suas reservas, especialmente de terras raras, em instrumento para atrair indústria, tecnologia e processamento para o país.
Ao anunciar mais de US$ 2 bilhões em novos investimentos em mineração e projetos relacionados, a Casa Branca informou que o governo Trump já assinou ou aprovou, desde sua posse, 160 acordos no setor mineral, totalizando aproximadamente US$ 40 bilhões. O pacote anunciado na sexta-feira incluiu ainda mais de US$ 180 milhões destinados à formação de trabalhadores para a indústria mineral americana.
Leia maisO comunicado foi divulgado após Trump reunir representantes da indústria de mineração na Casa Branca, em encontro apresentado pelo governo americano como a maior mesa-redonda do setor em mais de 120 anos. Três investimentos anunciados ajudam a compreender o alcance da estratégia.
A Sila Nanotechnologies anunciou US$ 1,4 bilhão para ampliar a produção de materiais de silício-carbono usados em ânodos de baterias e células de íon-lítio na Califórnia. A Sunrise Energy Metals comprometeu US$ 400 milhões com o desenvolvimento da primeira mina primária de escândio dos Estados Unidos. E a Niron Magnetics anunciou US$ 150 milhões para ampliar em Minnesota a produção de ímãs permanentes fabricados sem terras raras.
Os projetos mostram que Washington não está procurando apenas novas minas. A estratégia americana alcança diferentes pontos da cadeia: extração mineral, processamento, materiais avançados, componentes para baterias, ímãs e tecnologias capazes até mesmo de substituir minerais considerados críticos. É a partir dessa ofensiva que precisa ser analisada a estratégia brasileira de usar suas reservas como instrumento de negociação com os Estados Unidos.
O problema para o Brasil não é falta de interesse americano. Washington continua investindo em projetos brasileiros e já comprometeu centenas de milhões de dólares em operações relacionadas às terras raras no país. O problema é que, simultaneamente, os Estados Unidos estão construindo alternativas suficientes para reduzir a dependência de qualquer fornecedor individual.
Essa diferença pode ser decisiva nas negociações entre os dois países. O governo Lula defende que o Brasil não repita com os minerais críticos o modelo histórico de exportação de matérias-primas de baixo valor agregado. A intenção é utilizar as reservas brasileiras, entre as maiores do mundo em determinados minerais, para negociar investimentos em processamento, separação, refino, metais, ligas, ímãs e outras etapas industriais.
A premissa brasileira é transformar vantagem geológica em poder de negociação. A estratégia americana segue uma lógica diferente: transformar diversificação geográfica, financiamento público e capacidade industrial em segurança de abastecimento.
Washington financia simultaneamente projetos no Brasil, nos próprios Estados Unidos, na África, Austrália e outros países aliados ou parceiros. Ao mesmo tempo, coloca recursos em processamento, estoques estratégicos e tecnologias destinadas a diminuir a vulnerabilidade americana a determinados minerais. O comunicado da Casa Branca de 7 de agosto é a expressão mais recente dessa política, mas não representa uma iniciativa isolada.
Em março de 2025, Trump determinou medidas para ampliar a produção mineral americana e acelerar projetos considerados estratégicos. O objetivo declarado pela Casa Branca era transformar os Estados Unidos em líder na produção e no processamento de minerais não combustíveis, incluindo terras raras.
Em janeiro de 2026, o governo avançou para a negociação de acordos com parceiros comerciais sobre minerais críticos processados e produtos derivados. Em julho, Trump reforçou a vinculação entre minerais, indústria de defesa e segurança nacional, determinando novas medidas para proteger as cadeias necessárias à fabricação de equipamentos militares.
A política americana, portanto, combina produção doméstica, acordos internacionais, financiamento de projetos no exterior, processamento industrial, estoques e substituição tecnológica. Isso altera a correlação de forças em uma eventual negociação com o Brasil.
Quanto maior o número de fornecedores disponíveis para os Estados Unidos, menor tende a ser a capacidade de qualquer país individual de usar exclusivamente o acesso às suas reservas para negociar instalação de fábricas, transferência de tecnologia ou participação maior nas etapas industriais da cadeia.
O Brasil continua relevante. Mas relevância não significa indispensabilidade. Essa diferença aparece concretamente nos projetos brasileiros já apoiados por Washington. Em Goiás, os Estados Unidos aprofundaram sua presença na Serra Verde, produtora de terras raras pesadas estratégicas como disprósio e térbio. No projeto Carina, também em Goiás, a DFC americana participa do financiamento.
O desenho industrial do Carina, porém, expõe o limite da estratégia brasileira. A previsão é produzir carbonato misto de terras raras no Brasil e encaminhá-lo para uma futura unidade da Aclara na Louisiana, onde ocorreriam etapas mais sofisticadas, como separação em óxidos e produção de metais e ligas.
Ou seja, o Brasil pode receber investimento, aumentar sua produção mineral e integrar-se à cadeia americana sem necessariamente capturar as etapas mais valiosas dessa cadeia. É nesse ponto que os interesses dos dois países começam a divergir. Brasília pretende utilizar sua riqueza mineral para desenvolver uma cadeia industrial. Washington procura garantir matéria-prima para construir e proteger sua própria cadeia industrial. A diferença se torna mais relevante porque os Estados Unidos possuem alternativas.
Rede global
A Casa Branca já formalizou acordos com alguns de seus principais parceiros. Em outubro de 2025, Estados Unidos e Austrália estabeleceram um marco bilateral para mineração e processamento de minerais críticos e terras raras. Os dois governos estabeleceram como objetivo apoiar cadeias envolvendo mineração, separação e processamento e previram pelo menos US$ 1 bilhão em financiamento para projetos em cada país.
Poucos dias depois, Washington estabeleceu com o Japão outro marco para minerais críticos e terras raras. O acordo prevê apoio governamental e privado por meio de empréstimos, garantias, participação acionária, contratos de compra e seguros, além da identificação conjunta de projetos considerados estratégicos.
A arquitetura americana, portanto, começou a ser construída antes do anúncio de 7 de agosto e está sendo progressivamente ampliada. Na África, os Estados Unidos financiam novos projetos minerais e infraestrutura. Congo e Zâmbia estão sendo incorporados a uma cadeia ligada ao Corredor do Lobito. No Malawi, Washington apoia um projeto de terras raras. Na Austrália, os americanos procuram garantir novas fontes de minerais e já estabeleceram uma parceria formal que inclui mineração e processamento.
Dentro dos próprios Estados Unidos, o governo Trump acelera produção, processamento e fabricação de materiais avançados. É nesse contexto que precisam ser interpretados os US$ 40 bilhões e os 160 acordos anunciados pela Casa Branca. Não se trata simplesmente de uma soma de investimentos em minas.
Washington está construindo uma rede destinada a reduzir vulnerabilidades em diferentes pontos da cadeia mineral. O anúncio da Niron Magnetics é particularmente ilustrativo. Enquanto Washington procura novas fontes de terras raras no Brasil e em outros países, também financia uma tecnologia de ímãs permanentes que pretende dispensar justamente as terras raras. A lógica é reduzir dependências por vários caminhos simultaneamente.
Brasil
Para Brasília, a consequência é direta. A simples existência das reservas brasileiras talvez não seja suficiente para garantir que os Estados Unidos incorporem aos acordos todos os objetivos brasileiros de política industrial, como maior conteúdo local, transferência de tecnologia e processamento no país.
Washington pode incorporar esses objetivos quando forem economicamente convenientes, politicamente negociados ou necessários para assegurar determinado mineral. Mas, quanto maior sua rede internacional de fornecedores, menor será a capacidade brasileira de utilizar exclusivamente suas reservas como elemento de negociação para obter essas contrapartidas.
Isso ganha importância adicional no momento de deterioração das relações entre Lula e Trump. A tensão política não provocou, até agora, uma retirada dos investimentos americanos em minerais críticos do Brasil. O levantamento dos principais projetos brasileiros mostra justamente o contrário: Washington continua financeiramente envolvido em ativos considerados estratégicos.
Mas o movimento global revelado pela Casa Branca mostra que os Estados Unidos também estão construindo uma política capaz de sobreviver a crises diplomáticas com fornecedores específicos. Uma deterioração das relações com Brasília não significa necessariamente que Washington precise abandonar o minério brasileiro. Mas também não significa que os americanos precisem esperar indefinidamente por um entendimento com o Brasil.
Podem acelerar projetos concorrentes.
Não significa que os Estados Unidos consigam substituir imediatamente todos os minerais brasileiros. Terras raras pesadas como disprósio e térbio continuam sendo ativos particularmente importantes, e projetos como Serra Verde possuem características difíceis de reproduzir rapidamente.
Mas Washington não precisa substituir completamente o Brasil. Precisa possuir alternativas suficientes para evitar dependência excessiva do país. Essa é uma das mensagens mais importantes que emerge do comunicado da Casa Branca.
Janela brasileira
A estratégia americana também introduz um componente de tempo na política brasileira. Hoje, a dependência ocidental da China cria uma oportunidade excepcional para países detentores de minerais críticos. Mas essa janela não necessariamente permanecerá aberta nas mesmas condições.
Novas minas entrarão em produção. Novas unidades de processamento serão construídas. Estoques estratégicos serão formados. Cadeias africanas e australianas poderão amadurecer. Tecnologias capazes de reduzir a utilização de determinados minerais continuarão recebendo investimentos.
O recurso continuará debaixo do solo brasileiro. O prêmio geopolítico associado à sua escassez, porém, pode diminuir. Por isso, o principal desafio brasileiro talvez não seja convencer Washington de que o Brasil possui minerais que os Estados Unidos desejam. Isso os americanos já sabem.
O desafio é transformar essa vantagem geológica em capacidade industrial enquanto a reorganização mundial das cadeias ainda aumenta o valor estratégico das reservas brasileiras. O comunicado da Casa Branca de 7 de agosto ajuda a dimensionar essa corrida.
Quando Washington anuncia mais de US$ 2 bilhões em novos projetos, US$ 180 milhões em formação profissional e informa ter alcançado 160 acordos que somam aproximadamente US$ 40 bilhões, sinaliza que sua resposta à dependência mineral não está concentrada em encontrar um novo fornecedor privilegiado. A resposta é multiplicar fornecedores, financiar diferentes tecnologias e reconstruir capacidade industrial dentro dos Estados Unidos.
É nesse ambiente que o Brasil negocia. A premissa brasileira é transformar concentração de recursos em poder de negociação. A resposta americana é construir diversificação suficiente para diminuir os riscos dessa concentração. Nesse cenário, as reservas brasileiras continuam extremamente valiosas, mas podem não ser suficientemente exclusivas para garantir, por si mesmas, que os objetivos brasileiros de industrialização sejam incorporados aos futuros acordos.
A questão central passa a ser quanto tempo o Brasil possui para converter riqueza mineral em indústria antes que a vantagem estratégica proporcionada pela atual escassez seja diluída pela diversificação que os Estados Unidos estão financiando em escala global.
*Portanto é preciso dosar o discurso de campanha, quando ele parte do governo central, para não fechar definitivamente as portas a uma futura boa negociação. Cautela e caldo de galinha não fazem mal à ninguém.
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