Um avião monomotor fez um pouso forçado na manhã deste sábado (5) em Missão Velha, na Região do Cariri, Ceará. Duas pessoas estavam a bordo e sofreram ferimentos leves, sendo levadas ao Hospital Regional do Cariri. O piloto relatou que o incidente ocorreu devido a uma pane seca, levando ao pouso de emergência próximo à rodovia CE-292.
Ele tentou se comunicar com o Aeroporto de Juazeiro do Norte para um pouso, mas não obteve sucesso. Equipes da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) compareceram ao local para prestar os primeiros socorros.
O governo de Donald Trump comentou, hoje, as falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o secretário Marco Rubio. Na última segunda (20), Lula afirmou que, se Rubio quiser apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, “que venha, que monte um comitê”. Questionado pelo portal G1, um porta-voz do Departamento de Estado se limitou a afirmar que os Estados Unidos estão interessados na “liberdade de expressão” e na “integridade do processo democrático” no Brasil.
“Em termos gerais, os Estados Unidos têm um interesse histórico e global na liberdade de expressão e na integridade dos processos democráticos em todo o mundo, inclusive no Brasil”, diz a nota. O tom adotado pelo governo Trump ressoa com o do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Na última terça (21), Flávio atacou as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A família Bolsonaro tem Marco Rubio como aliado nos EUA.
Além de citar Rubio, Lula também afirmou em seu discurso na segunda que “vai derrotar todos”, em nome da democracia. “Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que venha, que monte um comitê, porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país”.
Sem citar nomes, o presidente voltou a falar que “antigamente traidor era enforcado”. Em outras ocasiões, Lula chegou a chamar os integrantes da família Bolsonaro de ‘traidores da pátria’.
“Hoje temos não um, mas vários traidores que vão aos EUA pedir para os EUA impor punição ao Brasil. Eu acho isso tão engraçado que eles podem até montar um comitê para apoiar nosso adversário aqui, porque não há neste país, a não ser vocês, que decida que país a gente quer para os próximos anos nesse país”.
Lula deu a declaração durante a convenção nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), na sede nacional do partido em Brasília. Durante o evento, o PDT anunciou apoio à pré-candidatura à reeleição do petista. O apoio foi aprovado por unanimidade dos presentes na convenção.
Durante o discurso, o presidente afirmou ainda que está “convidando quem quiser do mundo para ver as eleições aqui no Brasil” e que não tem “o direito de perder essas eleições”. “Nós não temos o direito de perder essas eleições. Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo, o fascismo, volte a pensar em governar esse país. Outro dia eu disse, nesse país antigamente traidor era enforcado. Trair a pátria é uma coisa muito grave”.
O detalhe pode ter passado quase despercebido no noticiário. Mas movimentou intensamente os bastidores do PSD. No meio de uma pesquisa sem maiores novidades, a Real Time Big Data aponta a possibilidade de vitória do candidato do partido, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado num eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
É uma possibilidade dentro da margem de erro, mas Caiado aparece à frente: 44% contra 43%. É o único cenário na pesquisa (e também em todas as outras recentes) em que Lula não é o vencedor nos cenários pesquisados. O problema de Caiado é conseguir chegar a esse segundo turno, porque ele é apenas o quarto no cenário de primeiro turno, com 7% das intenções de voto, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que tem 33%, e de Renan Santos (Missão), com 9%. Na Real Time Big Data, Lula lidera com 40%.
O detalhe na Real Time Big Data consolida uma mudança de tom. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o restante do comando da campanha constataram que de nada adiantava Ronaldo Caiado concentrar seus ataques e críticas no governo Lula. No imaginário atual do eleitorado brasileiro, a referência de oposição a Lula é Flávio Bolsonaro. Bater em Lula significa fazer crescer Flávio, e não Caiado. Diante da constatação, as baterias foram movidas de lugar. O alvo passou a ser Flávio.
Caiado critica o fato de Flávio ter se reunido com 42 embaixadores para atacar as urnas eletrônicas. “42 embaixadores numa sala. Dava para vender soja. Dava para abrir mercado para a indústria. Dava para atrair investimento. Resolveram falar de urna eletrônica!”, escreveu Caiado. E bate boca com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por ele ter conseguido o Green Card dos Estados Unidos. “Green Card quem precisa é o produtor rural brasileiro (…) Não é turismo, é autoridade moral para governar”. Eduardo passou recibo e respondeu.
Tudo isso coincide com mudanças na equipe de comunicação de Ronaldo Caiado e do PSD. O jornalista Mauro Zanatta, que acompanhou Caiado na pré-campanha, afastou-se na terça-feira. Ele tinha contrato somente na pré-campanha e não renovou por problemas pessoais. E entrou no comando das redes de Caiado Marcos Carvalho. Que, coincidência ou não, antes trabalhava com Flávio Bolsonaro.
Marcos Carvalho tem um estilo mais agressivo de movimentar as redes sociais. E o comando do PSD também já constatava a necessidade de um tom mais incisivo. O Correio Político mesmo já destacara que no Índice Brasil de Impacto Digital (IBR), que mede o desempenho digital dos candidatos à Presidência, Caiado sempre teve o pior desempenho.
A constatação, então, é que uma movimentação mais agressiva e voltada para atacar Flávio poderia movimentar as linhas tectônicas da disputa eleitoral, especialmente porque o candidato do PL enfrenta um momento de crise às vésperas da convenção nacional do partido marcada para este sábado (25), sem conseguir ampliar alianças.
Quando Gilberto Kassab resolveu ser o vice de Caiado, a estratégia já contava com a possibilidade de ampliação de alianças diante das dificuldades de Flávio nesse sentido. Kassab buscava entregar à chapa do PSD justamente sua expertise na negociação política, acenando com uma opção mais palatável para compor.
Esse movimento já acontecera em Santa Catarina. Quando a chapa do PL negou espaço para a tentativa de reeleição do senador Esperidão Amin (PP), foi na chapa do PSD, que terá como candidato a governador o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues. A chapa terá também o apoio do MDB, igualmente escanteado pelo PL.
Foram essas situações que levaram o PP e o União Brasil a anunciarem na quarta-feira (22) a posição de neutralidade na eleição presidencial. Flávio contava com essa aliança. Até imaginava ter aí a sua candidata à vice-presidência. Numa avaliação parecida, o Republicanos também deverá adotar a mesma posição de neutralidade.
Há uma brincadeira no campo conservador que Ronaldo Caiado é uma espécie de “fundador” da direita. Porque se classificava assim quando a maioria dos políticos fugia dessa identificação. No PSD, considera-se que Caiado tem realizações a mostrar. Há uma aposta de que tudo pode se somar nesse momento de desidratação de Flávio.
Ao contrário do que foi divulgado, há pouco, com base numa informação da colunista Betânia Santana, a governadora Raquel Lyra (PSD) escolheu o deputado Eduardo da Fonte (PP), presidente estadual da Federação União Progressista, para compor a sua chapa para o Senado, e não Miguel Coelho.
Quanto a Miguel, ela tentou convencer Eduardo da Fonte para aceitar que o ex-prefeito de Petrolina concorra com candidatura avulsa, mas a legislação não permite nem as regras da federação.
Raquel também pediu para a Federação remarcar a data da sua convenção, marcada inicialmente para 5 de agosto. Quer que seja feita antes da convenção do PSD, o seu partido, marcada para 2 de agosto.
O novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar impactos significativos na economia de Pernambuco. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), aproximadamente 60% das exportações pernambucanas destinadas ao mercado norte-americano serão afetadas pelas novas medidas, o que representa um universo de cerca de US$ 130 milhões em vendas ao exterior.
O cenário preocupa especialmente porque Pernambuco possui uma economia fortemente industrializada e uma pauta exportadora diversificada. Entre os produtos atingidos estão açúcar, uva fresca, inhame, peixes e sucos, além de boa parte da produção da fruticultura irrigada do Vale do São Francisco. A manga ficou de fora da lista de sobretaxas.
Para a advogada especialista em Comércio Internacional, Direito Aduaneiro e Tributário, Anna Dolores Sá Malta, os reflexos vão além da redução das exportações. Segundo ela, as novas tarifas afetam diretamente a previsibilidade dos negócios e podem comprometer contratos firmados antes mesmo da mudança das regras comerciais.
“O aumento das tarifas altera significativamente o custo da operação. Dependendo das cláusulas contratuais, exportadores e importadores precisarão renegociar preços, dividir custos ou até mesmo revisar contratos. Cada negociação deve ser analisada individualmente para identificar quem assume o impacto financeiro da nova tributação”, explica.
A especialista destaca que empresas que concentram parte importante de suas vendas no mercado americano precisarão rever rapidamente suas estratégias comerciais. Entre as alternativas estão a diversificação de mercados, a reestruturação logística, a revisão da formação de preços e a utilização de instrumentos jurídicos previstos nos contratos internacionais.
Outro ponto de atenção envolve a competitividade dos produtos brasileiros. Com a incidência das novas tarifas, mercadorias pernambucanas podem perder espaço para concorrentes de países que não estão sujeitos às mesmas barreiras comerciais.
“Quando o custo aumenta artificialmente por causa de uma tarifa, o produto brasileiro deixa de competir apenas pela qualidade e eficiência. Ele passa a disputar mercado em desvantagem tributária, o que pode reduzir margens, afetar investimentos e gerar reflexos sobre emprego e renda nas cadeias produtivas”, afirma Anna Dolores.
A medida norte-americana também levanta discussões sobre os mecanismos jurídicos disponíveis ao Brasil. Embora a condução das negociações seja atribuição do governo federal, a especialista lembra que existem instrumentos previstos nas regras do comércio internacional para contestar medidas consideradas incompatíveis com acordos multilaterais ou buscar soluções por meio da diplomacia comercial.
Enquanto o governo brasileiro estuda respostas à decisão dos Estados Unidos, empresas exportadoras acompanham com preocupação os próximos desdobramentos. A expectativa do setor é que haja avanço nas negociações diplomáticas para reduzir os impactos econômicos e preservar a competitividade da indústria nacional, especialmente em estados como Pernambuco, cuja relação comercial com o mercado americano tem peso relevante para diversos segmentos produtivos.
Pelo menos sete pessoas morreram em um grave acidente envolvendo um caminhão e uma van do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) da Prefeitura de Petrolândia, na madrugada de hoje, na rodovia PE-360, entre os municípios de Floresta e Ibimirim, no Sertão de Pernambuco. O acidente aconteceu por volta das 5h, segundo a Polícia Civil.
De acordo com a Prefeitura de Petrolândia, os pacientes estavam sendo transportados para Arcoverde, também no Sertão de Pernambuco. Pelo menos nove pessoas estavam na van, incluindo o motorista. Ao todo, sete pessoas morreram no acidente: seis ocupantes da van e o motorista do caminhão. A ocorrência ainda está em andamento. As circunstâncias do acidente ainda não foram esclarecidas.
A Prefeitura de Floresta informou que o Hospital Municipal Coronel Álvaro Ferraz foi acionado às 5h20 para atender à ocorrência, registrada nas proximidades da Serra Negra, ainda no território do município. Duas ambulâncias foram enviadas ao local para atuar no resgate das vítimas, junto com equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Segundo o município, uma mulher deu entrada no hospital em estado estável, com escoriações, necessidade de suturas, queixa de dor de cabeça e episódio de vômito. Após avaliação médica, ela foi encaminhada ao Hospital Eduardo Campos, em Serra Talhada, unidade de referência da região, para realização de exames e continuidade do tratamento.
A Prefeitura de Floresta informou ainda que as demais vítimas foram socorridas por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros e levadas para outras unidades de saúde da região. O município afirmou que, por esse motivo, não tem informações oficiais sobre o estado de saúde desses pacientes.
O acidente
Segundo relatos da Polícia Civil, a van ficou completamente destruída. No local do acidente, havia diversos destroços espalhados pela rodovia. De acordo com a Polícia Civil, um perito do Instituto de Criminalística foi enviado ao local para realizar a perícia. Equipes do Instituto de Medicina Legal (IML) também foram acionadas para os procedimentos de remoção das vítimas.
Além da Polícia Civil e do Instituto de Criminalística, foram mobilizadas equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e do Instituto de Medicina Legal para atender à ocorrência.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que os trabalhos no local ainda estavam em andamento. A Prefeitura de Petrolândia informou que mobilizou todas as ambulâncias do município para prestar atendimento às vítimas e dar suporte à ocorrência.
O 25º Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) condenou o vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) a pagar indenização por danos morais a uma mulher por tê-la exposto de maneira vexatória em seu perfil do Instagram nas redes sociais. As informações são do Diário de Pernambuco.
Além da indenização, a sentença determina ainda que o vereador realize uma retratação pública em suas redes pelas violações promovidas à imagem da mulher. Conforme consta no processo, a autora da ação foi filmada pelo parlamentar, no dia 21 de maio, ao deixar a Unidade da Família (USF) Skylab, no bairro da Iputinga, durante uma fiscalização realizada no local, quando ocorreu uma discussão relacionada à gestão municipal.
Segundo o processo, as imagens captadas da mulher, sem sua autorização, foram posteriormente editadas e publicadas pelo vereador em suas nas redes sociais com legendas consideradas depreciativas, efeitos sonoros de tom jocoso, além de comentários que insinuavam questões relacionadas à saúde mental da mulher.
Na ação, a autora sustentou que a divulgação do conteúdo atingiu sua honra, imagem e dignidade, provocando ampla exposição pública. Ela também requereu a retirada imediata da publicação, medida que havia sido concedida em caráter liminar e foi confirmada na sentença.
Em sua defesa, o vereador alegou que a publicação estava protegida pela imunidade parlamentar material prevista na Constituição Federal, além de invocar a liberdade de expressão e o exercício da atividade fiscalizatória inerente ao mandato.
Ao analisar o caso, o juiz Heraldo José dos Santos entendeu que, embora a gravação tenha ocorrido durante uma fiscalização em uma unidade pública de saúde, a edição e a forma de divulgação do vídeo extrapolaram os limites da atividade parlamentar.
Na decisão, o magistrado destacou que a imunidade conferida aos vereadores protege manifestações relacionadas ao exercício do mandato, mas não alcança ataques pessoais dirigidos a particulares. A sentença também cita entendimento do Supremo Tribunal Federal segundo o qual a imunidade parlamentar exige relação direta entre a manifestação e a atividade legislativa.
O juiz afirmou ainda que a liberdade de expressão deve conviver com os direitos fundamentais à honra, à imagem, à intimidade e à dignidade da pessoa humana, não servindo como justificativa para manifestações consideradas abusivas ou ofensivas.
Ao julgar o processo, a Justiça determinou que o vereador mantenha removido o vídeo de todas as plataformas sob sua administração, ficando proibida qualquer republicação do conteúdo.
Além disso, a decisão estabelece que o parlamentar publique uma retratação em seu perfil oficial na mesma rede social em que ocorreu a divulgação, no prazo de 15 dias, mantendo a publicação pelo mesmo período. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 200, limitada inicialmente a R$ 6 mil. O vereador também foi condenado ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais à autora da ação, com atualização monetária e incidência de juros conforme a legislação aplicável.
A sentença, proferida pelo Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco, ainda pode ser objeto de recurso pelas partes dentro do prazo previsto na Lei dos Juizados Especiais.
A agenda foi marcada quando os ânimos já estavam acirrados internamente no PP, mas parece já ter tido a função de baixar a temperatura interna na sigla. Às 10h desta quinta-feira (23), a governadora Raquel Lyra recebe, no Palácio das Princesas, o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, que preside a Federação União Progressista no estado, e também o deputado federal Lula da Fonte (PP).
O encontro se dá após Raquel ir à mesa com deputados e prefeitos da legenda, cujo café da manhã fora marcado para as 8h, antes mesmo que a direção estadual fosse comunicada, o que acabou gerando duras reações, nos bastidores, dos próprios convidados. Coube a eles levar a notícia do convite a Eduardo e a Lula da Fonte, que, até então, não haviam sido chamados para o encontro.
Como a coluna Diário Político registra nesta quinta-feira (23), não foi em tom ameno que o movimento da governadora foi interpretado internamente. As reuniões se dão em meio às articulações para a definição da vaga do Senado, que segue alvo de disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, quando qualquer gesto, ou falta dele, conta.
Teve deputado convidado que leu como “constrangimento”. Nas hostes progressistas, a interpretação que prevaleceu, nas coxias, foi a seguinte: “No lugar de distensionar, ela puxa o problema para o colo dela”.
Pessoas próximas a Raquel Lyra, à coluna, relatam que a intenção dela é “tirar temperatura” a respeito do Senado mesmo. Há, no entorno dela, quem admita que a movimentação de Eduardo da Fonte, ao deixar o governo e voltar, ainda pesa na equação, tendo sido “traumatizante” para a gestora.
Ao mesmo tempo, o convite aos prefeitos e deputados do PP se deu na esteira da definição da data da convenção da Federação União Progressista. Eduardo da Fonte marcou para próximo dia 5, três dias depois da de Raquel. Uma fonte palaciana chegou a definir a escolha do progressista, à coluna, como “vivendo perigosamente”. A data teria sido mal interpretada no Palácio das Princesas. O assunto deve ir à mesa, nesta quinta (23) também.
Revi, ontem, num animado e excelente almoço, o meu amigo José Jorge Vasconcelos, ministro aposentado do Tribunal de Contas da União. Nosso reencontro ficou mais divertido ainda com as presenças do empresário Agostinho Gomes e do enólogo Alberto Porpino, amigos comuns, frequentadores do Boteco Porto Ferreiro.
José Jorge é um grande, dileto e fraterno amigo. Homem público de mãos limpas, da escola Marco Maciel, de quem foi secretário de Habitação. Por onde passou – e foram muitos cargos, até virar ministro do TCU – José Jorge nunca teve seu nome envolvido em falcatruas.
Aos 81 anos de idade, está com uma cabeça de um jovem de 40. Com ele trabalhei no Governo Joaquim Francisco, ele secretário de Educação, eu de Imprensa. Mas como jornalista, acompanho a sua trajetória desde quando chegou em Brasília como deputado federal.
Teve quatro mandatos e nunca perdeu uma eleição. Em ano de campanha para renovação do seu mandato, eu chegava no seu gabinete, no anexo 4 da Câmara, e o encontrava fazendo as contas de votos.
Me mostrava o seu mapa eleitoral, município por município, onde era votado, com uma contabilidade real, aliás, sempre abaixo do que realmente se expressava nas urnas. “Magno, eu já tenho tantos votos. Só faltam tantos para me eleger, dizia.
E quando as urnas abriam, o resultado era certeiro. Nunca vi nada igual. Brincando, eu dizia que ele tinha vindo ao mundo com o bumbum voltado pra lua: foi ministro de FHC sem nunca sonhar, senador da República escolhido por acaso e depois aclamado no Senado, no voto, ministro do TCU.
Recentemente, o jornalista Ângelo Castelo Branco escreveu a biografia de José Jorge e lá, dentre outros fatos curiosos, um episódio que marcou a vida pública dele: demitido por ter dado uma entrevista a mim, quando atuava no Diário de Pernambuco.
Hilário? Foi no Governo Joaquim Francisco, quando ocupava a Secretaria de Educação. Joaquim o afastou por uma bobagem. Só porque José Jorge, na condição de deputado federal licenciado, me revelou que ia deixar o Governo, mais na frente, para participar da revisão da Constituição Cidadã, promulgada por Ulysses Guimarães.
“Já que vai sair, saia logo”, determinou Joaquim, pelo pombo-correio Luiz Alberto Passos, então secretário de Articulação Política. Na realidade, Joaquim não gostou foi de Jorge ter dado a entrevista a mim, de quem estava atritado depois da minha saída do Governo.
Nas eleições de 2006, José Jorge foi candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. Antes, havia assumido a presidência nacional do PFL, partido que participou da sua fundação e do movimento de apoio à candidatura de Tancredo Neves, em 1985, start da chamada Nova República.
A narrativa biográfica detalha uma carreira iniciada na área técnica e consolidada na política partidária. José Jorge se formou em engenharia em 1967 pela Escola de Engenharia de Pernambuco e se especializou em estatística.
Logo após a graduação, chegou a acumular três empregos simultâneos, dividindo-se entre as salas de aula da Universidade Federal e da Católica e o planejamento governamental. Sobre a obra, José Jorge confessa, com modéstia, que nunca teve a intenção de escrever um livro.
“Eu sou a favor de que biografia deve ser escrita depois que o cara morra, porque aí não dá mais para ele errar”, brincou, numa recente entrevista ao Correio Braziliense.
A manhã de hoje é de chuva e tempo fechado no Recife e outras cidades da Região Metropolitana. Em alguns pontos, moradores sofrem com alagamentos.
Na Avenida Caxangá, Zona Oeste da capital pernambucana, foram registrados pontos de acúmulo de água na altura do viaduto e próximo ao Country Club. As informações são do portal FolhaPE.
Outros pontos de alagamento também foram observados nas avenidas Mascarenhas de Moraes e Dois Rios, na Zona Sul do Recife, e Antônio de Góis, na Zona Sul.
Três regiões de Pernambuco — Região Metropolitana do Recife, Mata Norte e Mata Sul — estão sob alerta laranja de chuvas emitido pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).
Segundo a agência, um canal de umidade intensificou a instabilidade no estado, o que favorece o acumulado de chuvas.
Os partidos do chamado “Centrão” caminham para formalizar posição de neutralidade nas eleições presidenciais deste ano, nas convenções realizadas até 5 de agosto. A prioridade será investir recursos e esforços nas eleições ao Congresso Nacional. Assim, as legendas ficarão fora dos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Muitos dos partidos, inclusive, foram cortejados pelos dois lados dos presidenciáveis que estão à frente nas pesquisas. Algumas legendas até mantêm espaços na Esplanada dos Ministérios do Governo Lula, mesmo que, após a desincompatibilização, os cargos em primeiro escalão tenham reduzido de forma significativa.
De toda maneira, Brasil afora, as siglas do Centrão estão ora mais próximas, ora mais distantes de Lula e Flávio, a depender do contexto local.
Nos estados em que Lula tende a ter maior vantagem eleitoral – no Nordeste, por exemplo –, pré-candidatos do Centrão a vagas no Congresso, por mais que sejam próximos de Flávio Bolsonaro, têm sido cautelosos ao declarar apoio, sob pena de prejudicar a própria candidatura. O pragmatismo tem prevalecido.
O PT foi mais discreto nos avanços para acordos federais com partidos do Centrão. Anteriormente, Lula distribuiu ministérios a legendas de centro para garantir a governabilidade e o avanço de pautas no Congresso. Agora, já com foco nas eleições, preferiu mirar parcerias mais à esquerda para formar o palanque nacional.
Esse cenário, no entanto, não quer dizer que, em nível local, a legenda do atual presidente não esteja buscando proximidade com nomes mais ao centro. A ideia é ter mais visibilidade dentro dos estados ao projeto de reeleição.
Após quase quatro anos, a gestão de Raquel Lyra (PSD) mostra que é conjugada no futuro do pretérito. Em praticamente todas as áreas, as explicações do governo são de que faria e aconteceria, mas que não avançou por conta da oposição. Esse retrato ficou bem evidenciado em levantamento produzido pelo portal G1 sobre as promessas dos governadores.
Os dados mostram que Raquel tentará a reeleição este ano sem ter cumprido nem metade dos compromissos que assumiu em 2022. O mais emblemático é o da construção de creches. A autointitulada “Racreche” da campanha de quatro anos atrás prometeu 250 equipamentos, mas só entregou 11.
Na prática, vai enfrentar as urnas com 95% de sua principal meta não atingida. A implantação de cinco maternidades é outra promessa que ficou pelo caminho. Das cinco, ela só entregou uma – o Hospital da Mulher do Agreste –, que já tinha mais de 80% de conclusão e até a fachada pronta quando ela assumiu o governo, em 2023.
O ranking mostra Raquel em quinto lugar entre os governadores com mais promessas não cumpridas totalmente, índice que representa 40,5% do total. É o caso da ampliação do funcionamento das delegacias especializadas para o público feminino.
Em um estado governado por duas mulheres e que aparece entre os campeões de feminicídios, nem metade das unidades funciona no período noturno e nos fins de semana. Também deve ficar pelo caminho a meta de reduzir em 30% o número de mortes violentas intencionais em relação a 2022.
Nos dois primeiros anos da gestão de Raquel, o índice, inclusive, subiu. Somam-se, ainda, à lista de compromissos não cumpridos nos últimos três anos e meio a conclusão das obras do Canal do Fragoso, a criação de uma política estadual de apoio às pessoas com espectro autista, a implantação de distritos turísticos, a reforma do Hospital da Restauração – que segue com episódios de quedas de partes do teto, algo que Raquel prometeu acabar em 2022 – e a instituição de uma nova lei de incentivo à cultura, um paradoxo quando se considera que, em ranking recente, a governadora de Pernambuco apareceu como a gestora estadual que mais gastou com shows e cachês no País.
O retrato que o eleitor vai ver na campanha que se avizinha é o de uma gestão marcada por promessas, por tapumes e placas espalhados por todo o Estado, com pouco resultado entregue.
Foi o que se viu, inclusive, na última semana antes do defeso eleitoral, período que, em outras gestões, costumava ser marcado por entregas, mas que, com Raquel, foi repleto apenas de anúncios típicos de início de governo. Para quem esperava o tal “Estado de mudança” que o slogan dela pregava na propaganda, restou a frustração.
No fim das contas, o grande legado da governadora é ter ficado só na promessa.
ESTUPRADOR – A mãe de Beatriz Angélica Mota, Lucinha Mota, reagiu, ontem, ao pedido da defesa de Marcelo da Silva para transferir o julgamento do caso de Petrolina para o Recife. Em pronunciamento nas redes sociais, ela afirmou que não aceitará a mudança do local do Tribunal do Júri e classificou a solicitação como mais uma tentativa de protelar o andamento do processo. “Eu posso dizer com franqueza a vocês que, independente de onde aconteça o júri do caso de Beatriz, Marcelo da Silva vai ser condenado porque ele é um estuprador de uma criança. O processo tem as provas necessárias e suficientes para a condenação dele”, declarou.
Raquel discrimina São Lourenço – O prefeito de São Lourenço da Mata, Vinícius Labanca (PSB), voltou a criticar a falta de apoio do Governo Raquel à Festa de Agosto. Segundo ele, pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura encaminhou todos os pedidos dentro do prazo e com a documentação exigida às secretarias estaduais, mas não recebeu sequer uma resposta. “Não é justo punir uma cidade inteira por causa de uma posição política. São Lourenço da Mata também faz parte de Pernambuco e merece respeito”, afirmou o prefeito.
PP já caiu fora – O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), avisou, ontem, ao pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, que o partido adotará posição de neutralidade na disputa pela Presidência nas eleições deste ano, frustrando as expectativas do senador, que buscava apoio da federação da sigla com o União Brasil. Com a decisão do PP, o União Brasil também deverá adotar neutralidade, já que as duas siglas formalizaram uma federação partidária.
A razão – Interlocutores de Ciro afirmam, sob reserva, que o senador, antes entusiasta da aliança com Flávio Bolsonaro, se irritou com a postura do pré-candidato de se afastar dele após o presidente do PP ser alvo de operação da Polícia Federal que investiga suposta atuação do parlamentar para beneficiar Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, Ciro tem negado irregularidades e se queixou a aliados da forma como Flávio tratou o episódio da operação da PF, adotando distanciamento político.
Messias ganha homenagem – A solenidade de abertura das comemorações do bicentenário da Faculdade de Direito do Recife, no próximo dia 11 de agosto, terá como destaque uma homenagem ao ministro Jorge Messias, Advogado-Geral da União. Ex-aluno da instituição, o chefe da AGU receberá um conjunto inédito de honrarias concedidas pela UFPE e pelas principais forças jurídicas de Pernambuco, marcando o início dos festejos pelos 200 anos do ensino jurídico no País. O tributo conjunto é um reconhecimento à atuação de Jorge Messias à frente da AGU e à sua relevância na advocacia pública nacional.
CURTAS
AJUDA 1 – O governo federal lançou, ontem, o Brasil Soberano 3, nova etapa do programa de crédito para empresas exportadoras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida provisória destina R$ 18,5 bilhões em financiamentos e amplia o alcance das linhas anteriores para incluir empresas atingidas pela Seção 301 da legislação comercial norte-americana, além de permitir a inclusão de novos setores caso outras restrições sejam anunciadas.
AJUDA 2 – Segundo o ministro do Desenvolvimento Econômico, Márcio Elias Rosa, o programa atende a uma reivindicação apresentada por 22 setores produtivos, oferecendo crédito para capital de giro, bens de capital, investimentos e diversificação de mercados.
AJUDA 3 – Segundo Elias Rosa, a iniciativa reforça a estratégia do governo de ampliar mercados para as exportações brasileiras e reduzir a dependência dos Estados Unidos, destacando que 73% das 2.400 empresas apoiadas pela ApexBrasil já exportam para outros destinos. As condições financeiras também foram aprimoradas, com juros a partir de 3% ao ano.
Perguntar não ofende: O Governo Raquel entrega algum projeto ou obra de infraestrutura?
O vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, em evento em São Paulo na noite desta quarta-feira (22) que, caso a negociação com os Estados Unidos sobre o tarifaço não avançar, a Lei de Reciprocidade não deverá ser aplicada. Segundo ele, “não é este o objetivo” do governo brasileiro, e sim “resolver o problema”.
“Nós temos uma Lei de Reciprocidade aprovada por unanimidade, [mas] a ideia não é fazer retaliação, a ideia é buscar solução. A Lei de Reciprocidade é um instrumento importante, que o governo tem que adequar, tem que avaliar, está na mesa. Mas este não é o objetivo. O objetivo não é fazer guerra comercial, é resolver o problema”. As informações são do g1.
Na semana passada, o governo dos EUA confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A aplicação começou nesta quarta (22).
O vice também disse que o governo está trabalhando na negociação e, em paralelo, buscando novos mercados.
Alckmin já havia defendido essa posição na terça (21), quando disse que o Brasil buscará sempre negociar com os EUA para resolver a crise entre os dois países. “A ideia não é retaliação. Não é retaliação. ‘Olho por olho’, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos, né?”
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não encontrou reciprocidade nos diálogos que teve com os Estados Unidos para tratar das tarifas. Mas que o país não vai deixar de tentar negociar com o governo norte-americano nem vai ficar “chorando” por produtos que o país deixará de vender aos EUA.
“Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação […] a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa”, disse Lula.
“Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos EUA? Não, não vai, porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não vão negociar, porque estamos lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e fazendo eles provarem que eles tinham alguma razão em taxar o Brasil”, completou o presidente.
Na semana passada, o governo de Donald Trump confirmou a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. A sobretaxa passou a valer nesta quarta.