O cientista político Adriano Oliveira fez questão de prestigiar o jornalista Magno Martins, há pouco, no lançamento do O Estilo Marco Maciel, no auditório Senador Sérgio Guerra, na Alepe.
O cientista político Adriano Oliveira fez questão de prestigiar o jornalista Magno Martins, há pouco, no lançamento do O Estilo Marco Maciel, no auditório Senador Sérgio Guerra, na Alepe.
O PT de Pernambuco vai veicular, neste 1º de maio, Dia do Trabalhador, inserções em rádio e TV com foco em ações do governo Lula. As peças são protagonizadas por integrantes pelo deputado federal e presidente do PT Carlos Veras junto com o senador Humberto Costa, e citam medidas como geração de empregos, o combate à fome, a ampliação do acesso à educação e políticas como a gratuidade de energia e gás para famílias de baixa renda.
O vídeo ressalta a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, além da defesa do fim da escala 6×1, sem redução salarial, como medida para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora.
Em outra peça, a senadora Teresa Leitão aborda políticas voltadas às mulheres e destaca programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. As inserções terminam com o slogan “PT do lado do povo de Pernambuco”.
Pernambuco terá uma nova leva de “laranjinhas”. Ontem (30), o Governo do Estado realizou a cerimônia de formatura de novos 2.157 policiais militares, na Arena de Pernambuco. Os policiais que vão reforçar a segurança pública do estado começaram a turma do Curso de Formação e Habilitação de Praças (CFHP), em setembro do ano passado.
A formatura na Arena de Pernambuco contou com a presença da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, representantes do setor político e segurança pública, além dos familiares dos novos policiais militares. As informações são da Folha de Pernambuco.
Leia maisDe acordo com a gestora estadual, os novos soldados são reflexo do programa Juntos Pela Segurança. “Pegamos a segurança pública desarrumada no nosso estado, mas tomamos a liderança e tivemos decisão política de fazer diferente”, iniciou Raquel Lyra.
“A segunda turma do curso de formação de praças somando mais 2.100 que serão entregues ao estado para cuidar da segurança das pessoas. Esse é um esforço que o Governo do Estado vem fazendo. Chegamos a nomeação de mais de 6.900 policiais militares, civis, bombeiros militares e policiais penais. Outros que estão em formação e, até dezembro deste ano, mais de 8.200 policiais nomeados durante a nossa gestão”, completou a governadora.
A previsão é que os novos policiais militares sejam lançados nas ruas da Região Metropolitana do Recife (RMR). Os formados começam a ser convocados para se apresentar em seus respectivos batalhões e, a partir do dia 11 de maio, já estarão ocupando os espaços escolhidos pela inteligência da Polícia Militar de Pernambuco.
A governadora Raquel Lyra considera que os novos policiais militares estão aptos para cuidar da sociedade pernambucana. “Eu não tenho dúvida nenhuma que estamos formando os melhores soldados da nossa história porque eles estão sendo formados pela melhor tropa que a gente. Esperem deles aquilo que a gente trabalhou para formá-los. Todos eles lutaram muito e tiveram a dedicação nestes sete meses. Foram treinados do ponto de vista tático, estratégico, operacional, mas também com formação humana para servir ao povo de Pernambuco”, pontuou.
Número 1 da formação
Um dos principais momentos da cerimônia de formatura foi a homenagem a soldado Carina Cléures, número 1 do curso de formação.

Natural de Petrolina, no Sertão do estado, a policial militar com maior nota recebeu da governadora Raquel Lyra a Medalha Tiradentes de Bronze pelo feito alcançado.
“Gratificante estar aqui com a minha família presenciando tudo isso. Foi muito ralado e suado, mas valeu a pena cada esforço e dedicação. Agradeço a Deus e todos que me apoiaram”, afirmou a soldado que deve ficar dois meses de estágio na Região Metropolitana do Recife (RMR) e depois servirá em Petrolina.
“Eu não sabia que tinha esse potencial para chegar, porém quando falaram que era uma oportunidade para voltar para casa eu tentei. Tentar é possível, pedi a Deus que me desse força e saúde para continuar tentando e foi possível. Estou aqui como a 01 do concurso”, finalizou.
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Blog da Natuza Nery – do g1
Nos bastidores de Brasília, a articulação envolvendo a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a discussão sobre a dosimetria das penas do 8 de Janeiro mostra um enredo de alianças, interesses convergentes e rearranjos de poder. Embora não apareça formalmente no centro da operação, Alexandre de Moraes surge como personagem decisivo no movimento conduzido por Davi Alcolumbre.
Há algumas conclusões no combo Messias-dosimetria orquestrado por Davi Alcolumbre:
1. Alcolumbre e Moraes — uma relação antiga de confiança: Davi Alcolumbre é o mais próximo senador do ministro do STF. Os dois, além de Rodrigo Pacheco, são amigos de longa data. Jantam juntos em Brasília e se frequentam com intimidade.
Leia mais2. A revisão das penas exigia anuência do relator: O presidente do Senado jamais promoveria um alívio nas penas dos condenados do 8 de janeiro sem consultar o relator do caso. Jamais. Evitar a redução das penas era ponto de honra do relator do caso até pouco tempo atrás. Aprová-la seria enfraquecê-lo.
3. O caso Master alterou o equilíbrio político: O ato só foi possível graças ao caso do Banco Master. O escândalo fez o vento da política virar. Moraes viu sua vulnerabilidade crescer quando seu antagonista André Mendonça foi alçado à condição de relator do caso. Levar Messias ao STF era, dentro desse contexto, uma possibilidade de fortalecer aquele que gostaria de esclarecer as circunstâncias do contrato da esposa do ministro. Mendonça era um dos padrinhos de Messias no STF, e foi para casa dele que Messias foi após se encontrar com Lula na noite da derrota para juntar os cacos e contabilizar as traições.
4. A resistência ao nome de Jorge Messias já existia: É bem verdade que Alexandre considerou um equívoco a indicação de Lula antes mesmo de o Master eclodir. E já dizia lá atrás que Messias iria perder. Preferia ver Pacheco, seu outro amigo, engrossando as fileiras de aliados na corte.
5. A negociação: barrar Messias em troca de concessões: Mas quando o Master surgiu atropelando tudo, esse objetivo ficou ainda mas premente. Era hora de barrar. Mas, para barrar, era preciso que a redução das penas passasse em troca de duas coisas: o enterro da CPI do Master e a dosimetria.
6. Um recuo de Moraes: Foi assim que o chamado “herói da resistência” ao golpe abençoou um revés a si mesmo.
7. Isolamento de André Mendonça: Sem Messias, o ministro André Mendonça segue em parcial isolamento e em clara minoria.
8. Alianças improváveis em Brasília: O episódio mostrou um mundo invertido em Brasília, no qual antigos aliados — governo e Alexandre— transformaram-se em rivais. E tradicionais antagonistas — André Mendonça e um ministro de Lula (Messias), além de Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro, por intermédio de Alcolumbre — transformaram-se em aliados de ocasião.
9. A traição como moeda política: O artigo mais frequente da política — a traição — desfilou sem inibição por esses dias: Messias foi traído por gente até então próxima ao próprio governo. Mendonça foi traído por amigos da bancada evangélica que lhe prometeram votos a favor de Messias minutos antes da votação, mas entregaram a cabeça do candidato da mesma fileira religiosa, mostrando que o voto evangélico se rendeu aos interesses do stablishment.
10. Votos motivados por interesses diversos: No arsenal de votos contrários ao governo, teve de tudo, porém. Teve desafeto de Messias, teve gente incomodada com Lula por diferentes razões.
11. A percepção de fraqueza de Lula: Mas esse strike contra Lula só foi possível graças à convicção do centrão e de parte do STF de que Lula está politicamente morto, em viés de derrota nas eleições.
12. O fator imprevisível da política: Mas como a política não é escrita em linha reta, se o presidente da República se recuperar e sair de outubro vitorioso, tudo pode mudar de novo.
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O tempo é implacável. Parece que foi ontem, mas já se vão 42 anos que botei os pés em Brasília pela primeira vez. Era um feriado de 1 de maio, como hoje, Dia do Trabalhador. A cidade estava completamente deserta. Achei extremamente estranho e chocante a solidão do Planalto Central.
Lembrei-me de uma frase antológica de Juscelino Kubitschek, o presidente JK, pai de Brasilia, que havia lido nos compêndios escolares: “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país”.
Leia maisEscolhi Brasília para morar por uma opção profissional. Costumo dizer que os fatos políticos quando não nascem em Brasília, deságuam nela. Os finalmentes estão aqui, onde me encontro hoje beijando a pedra quatro décadas e dois anos após o primeiro flerte com a cidade que aprendi a amar.
Aqui, constituí família. Meu primeiro rebento é candango, como se classifica quem vem para cá conquistar a terra avermelhada do cerrado. Aqui, também, e, principalmente, lancei as sementes da minha carreira. Trabalhei nos dois principais jornais da cidade — Correio Brasiliense e Jornal de Brasília, este por duas vezes.
Vim tentar a sorte depois de uma experiência nacional: indicado pelo talentoso jornalista e amigo Ângelo Castelo Branco, fui repórter da equipe que cruzou o País de norte a sul acompanhando o então candidato à Presidência da República em eleição indireta, Marco Maciel, que mais adiante renunciou e liderou a Frente Liberal em apoio a Tancredo Neves.
A decisão de Marco Maciel gerou meu primeiro desemprego. A equipe de Imprensa dele era coordenada pelo jornalista Marco Aurélio Pereira, a quem recorri na hora do sufoco. Marco Maciel soube da minha penitência e me deu guarida. Autorizou Marco Aurélio a me hospedar no Hotel das Nações, no Setor Hoteleiro Sul, até arranjar um emprego.
Não demorou. Com 20 dias, consegui um “bico” no jornal O Globo e fui atuar no Norte entre as cidades de Manaus, Rondônia, Boa Vista e Belém. Lá, dei belíssimos furos para O Globo cobrindo conflitos indígenas, exploração de madeira e guerras políticas.
Mas meu desejo e propósito era Brasília. Pedi demissão do jornal carioca e fui trabalhar no Correio Braziliense, uma das melhores experiências em início de carreira. Fazia de tudo, de plantão na casa de Paulo Maluf, derrotado por Tancredo no colégio eleitoral, a rondas policiais para Mário Eugênio, editor de Polícia do Correio, que tinha também um programa de rádio, o Gogó das Sete, líder de audiência na Rádio Planalto.
Mário Eugênio vivia jornalismo com euforia e intensidade. Quando eu adentrava na redação vindo da ronda policial, ele gritava de longe: “Quantos presuntos trouxe?” Ele ficava “p” da vida quando a ronda era fraca e eu não trazia a manchete para abrir o seu noticiário.
Perseguido pela polícia do Governo do DF, à frente o secretário de Segurança Pública, Lauro Riecht, Mário Eugênio foi assassinado com 11 tiros no estacionamento da rádio Planalto num domingo à noite logo após gravar o seu “Gogó das Sete”. Na véspera, no sábado, ele havia passado na minha casa e de lá seguimos para uma festa em Taquaritinga. Éramos muito amigos.
Brasília, enfim, foi meu grande laboratório profissional. Trabalhei depois no Última Hora, no Jornal de Brasília, na agência O Globo e na sucursal do Diário de Pernambuco, espaço que abri e inaugurei com a presença do então presidente José Sarney numa grande festa. Mais tarde, fui eleito presidente do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados.
Ainda em Brasília enriqueci meu currículo cobrindo os principais fatos políticos nacionais, desde a primeira eleição direta para presidente em 89, até a chegada do PT ao poder, incluindo o impeachment de Collor, a Constituinte, o impeachment de Dilma e os planos Cruzados e Real.
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O último a sair apague a luz
Duas derrotas acachapantes seguidas, um dia após o outro, dão uma sensação de que o governo Lula desmoronou. O último que sair, favor apagar a luz. Em Brasília, onde acompanhei de perto os dois reveses — o primeiro, a rejeição de Jorge Messias para o STF, e o segundo, a derrubada do veto de Lula ao projeto de redução das penas dos envolvidos nos atos golpistas de 2023 —, o presidente e os aliados andam de cabeça baixa.
O Centrão, os partidos de direita e, principalmente, os bolsonaristas, encerraram a sessão do Congresso Nacional de ontem, após a segunda derrota seguida do governo, com um sonoro “Fora Lula”. Nas duas votações, o grande vitorioso atende pelo nome de Davi Alcolumbre, senador do Amapá pelo União Brasil, presidente da Casa Alta.
Leia maisSob sua condução, o Senado rejeitou, na sessão da última quarta-feira, o nome de Jorge Messias para a Suprema Corte. Na votação, Alcolumbre previu com exatidão a derrota do governo por uma margem de oito votos antes do anúncio oficial.
Ontem, em sessão presidida por ele, o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Lula a um projeto de lei que permite a redução de penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A votação foi conduzida e selada sob a presidência de um Alcolumbre firme e rigoroso, configurando um revés na agenda de segurança institucional do Planalto.
Esses episódios evidenciam uma forte crise entre o Planalto e o comando do Congresso, com Alcolumbre atuando como articulador central na imposição dessas derrotas ao Executivo. A base aliada do governo questionou a análise do veto e a decisão de Alcolumbre sobre a prejudicialidade.
Segundo governistas, o projeto é “inconstitucional”. Eles também contestaram a manobra de dividir o projeto — o chamado “fatiamento” — com a prejudicialidade. Com as duas derrotas impostas ao governo, Alcolumbre mostra que, se o Senado hoje aprova projetos de interesse do governo, é porque tem seu próprio aval. E ainda relembra a Lula que o parlamento que existia em mandatos passados do petista não existe mais.
VERGONHA – Com a derrubada do veto, a expectativa é que Bolsonaro possa progredir do regime fechado para o semiaberto daqui a dois ou três anos, a depender da apreciação e avaliação do Judiciário. O ex-presidente encontra-se em prisão domiciliar, concedida após o seu quadro de saúde se agravar por uma pneumonia. A derrubada do veto se deu sob críticas da base do governo. A ex-ministra e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que a sessão era motivo de vergonha.

Recado político – A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova frente de tensão interna entre ministros da Corte e evidenciou diferenças de atuação entre alas da Corte. A avaliação entre integrantes do tribunal é que o resultado da votação no Senado foi um recado político à Corte, o que acendeu um alerta sobre a falta de articulação conjunta em momentos considerados sensíveis para o tribunal.
Fogo amigo de ministros – De um lado, ministros mais próximos ao presidente do tribunal, Edson Fachin, vinham atuando de forma mais direta em favor do nome de Messias, em especial o ministro André Mendonça. De outro, o grupo que tem atuado de forma mais alinhada em julgamentos recentes, que tem Alexandre de Moraes e Flávio Dino, adotou postura mais distante e não se envolveu na mesma intensidade para defender a aprovação do nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo contrário. Sob reserva, senadores afirmam que magistrados atuaram para que ele fosse derrotado.
Rapidez com novo nome – No Supremo Tribunal Federal, há uma avaliação de que o presidente Lula deveria indicar logo um novo nome para a Corte, após a rejeição de Jorge Messias, mas com a estratégia de trabalhar pela aprovação rápida. O perigo, segundo uma fonte do STF, é de deixar alguém mais cinco ou seis meses exposto politicamente. E pior: “estamos a um mês do recesso eleitoral que segue de junho até novembro”, disse essa mesma fonte extremamente credenciada.

Supremo sai perdendo – O ministro Celso de Mello, aposentado do STF, lamentou a rejeição ao nome de Jorge Messias e classificou como “grave” a decisão do Senado. Para ele, a negativa é destituída de fundamento substancial e se perdeu, na sua visão, a oportunidade de ter no Supremo um jurista sério, preparado, experiente e comprometido com os valores superiores do Estado Democrático de Direito. Afirmou ainda que “a história saberá distinguir entre a dignidade do indicado e a impropriedade da rejeição”.
CURTAS
ACORDO – Parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro fizeram um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e recuaram da tentativa de pressionar pela instalação da CPI do Banco Master. Na sessão do Congresso, ontem, a comissão poderia ser instalada, mas, pelo acordo, não andou.
A FAVOR – No PSB, houve três votos pela derrubada do veto de Lula: Flávio Arns, Chico Rodrigues e Jorge Kajuru. Na votação, os congressistas dessa posição votaram “Não”, enquanto os que queriam manter o veto votaram “Sim”. Da mesma forma, sete dos senadores do PSD também votaram pela promulgação do PL da Dosimetria, apesar do veto presidencial, inclusive nomes que já foram próximos do governo, como Omar Aziz (PSD-AM).
ADESÃO – Na Câmara, a vitória expressiva da oposição na derrubada do veto também contou com a adesão dos partidos de centro. Ao contrário do Senado, onde cinco dos senadores do MDB se alinharam ao governo, entre os deputados, a posição majoritária foi pela derrubada do veto, com 23 votos contra oito.
Perguntar não ofende: Lula vai retaliar Alcolumbre?
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O deputado federal Coronel Meira (PL-PE) comemorou a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da dosimetria, durante sessão do Congresso Nacional nesta quinta-feira (30). Líder da oposição e presidente da subcomissão dos presos do 8 de janeiro, o parlamentar afirmou que o resultado representa uma resposta às discussões realizadas no colegiado.
“Vitória sensacional! Estamos voltando a ter liberdade no Brasil contra a ditadura da toga. Em todas as reuniões que fizemos na subcomissão do dia 8 de janeiro, todos que deram depoimento foram honrados hoje, aqui nessa Casa”, declarou. Meira também fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro: “Ele não pode estar preso, ele tem que estar solto. Viva a liberdade no Brasil”.
Por Antonio Magalhães*
O que lhe interessa mesmo é beneficiar a si próprio e a parentada próxima. Se contabilizada a maior parte dos casos de corrupção, vindos de desvios bilionários e lavagem de dinheiro, o destino é sempre a construção de mansões para a família, a compra de imóveis, depósitos em contas bancárias no Exterior, abrigos de dinheiro vivo, automóveis e relógios caríssimos e fáceis de vender, tudo em nome de parentes-laranjas. Irmãos, tios, sobrinhos, cunhados, sempre dispostos a emprestar o CPF ou CNPJ para esconder o resultado do roubo.
Em benefício dos seus, o corrupto abusa de posições de poder ou autoridade para obter vantagens pessoais. Astuciosas e conscientes do crime que estão cometendo, as famílias mafiosas avançam sobre os bens comuns dos brasileiros pela facilidade da ação. Com base na confiança e lealdade sanguínea ou afetiva, típicas do crime organizado, esses grupos quando presos pelas autoridades amigas pouco se importam pela certeza de punições leves, quando são punidos.
Leia maisA banalização de atos corruptos é um fato no país. Já foram desviados bilhões de reais em recursos dos orçamentos públicos da União, dos Estados e dos Municípios destinados à saúde, à educação, à previdência e a programas sociais, de infraestrutura, para financiamento de campanhas eleitorais e corromper funcionários públicos. E não houve até agora uma resposta adequada de quem deve fiscalizar à condenação do ilícito. A última iniciativa de combate a este crime acabou com o fim da Operação Lava Jato.
E o crime segue sem obstáculos. Nos últimos 12 meses, vem rolando no Brasil as consequências de dois escândalos de dimensões gigantes: o caso dos desvios dos benefícios dos aposentados do INSS e a liquidação do Banco Master. A revelação deles aconteceu em 2025, mas pouco a pouco o brasileiro vem tomando conhecimento dos envolvidos e suas famílias criminosas beneficiados pela corrupção.
Gente poderosa, com laços familiares semelhantes às máfias italianas, participou da expropriação dos parcos recursos de milhões de aposentados, que geraram para os larápios R$ 6 bilhões. E até agora os investigadores têm encontrado dificuldade para individualizar a culpa. Já a devolução do dinheiro roubado no INSS está sendo rateada entre os pagadores de impostos individualizados no seu CPF.
O mesmo se deu no escândalo da liquidação do Banco Master. Famílias diferentes, mas igualmente poderosas da Nação, foram felizmente expostas como mafiosas diante de tanta roubalheira de valores altíssimos. E não foi surpresa a divulgação dos envolvidos – você sabe os nomes – e suas famílias em fraudes fiscais, corrupção e lavagem de dinheiro. Fala-se que os desvios foram em torno de dezenas de bilhões de reais, um pouco mais ou um pouco menos porque ainda não é possível contabilizar o total. O Mensalão ou o Petrolão são furtos de pequena monta diante do caso Master. E novamente, por envolver figurões da República e seus parentes, as investigações não andam e até CPIs são bloqueadas pela Suprema Corte. Por isso o Brasil aparece com nota baixa no índice de percepção global de corrupção.
Mas não estamos sós neste crime. Lá fora, a roubalheira do dinheiro público em benefício próprio do criminoso e sua família vem acontecendo em países do Primeiro Mundo e em subdesenvolvidos. Estes últimos veem seus recursos naturais serem usufruídos apenas por uma elite de larápios. Angola, por exemplo, tem um grande potencial de crescimento a partir da exploração do petróleo e da extração de diamantes. No entanto, parte substancial dos recursos tem sido desviada do orçamento da nação para elevar a filha do ex-presidente Eduardo Santos à categoria de bilionária com investimentos fora do seu continente. Santos esteve à frente do governo angolano por mais de 30 anos.
Toda a família do larápio angolano se deu bem: ajudou a filha a ser a mais rica da África, garantiu para si uma aposentadoria tranquila e rica e ainda abrigou a mãe numa mansão de cinema. Passando por perto num táxi, quando estive em Luanda, no ano de 2004, o taxista apontou revoltado a imponência da casa da senhora Santos, mãe do ex-presidente. Ele esperou de mim um comentário ácido do absurdo da moradia. Mas só ouviu uma ironia que o deixou chateado: “a mansão é a prova de um filho que ama muito sua mãe”. Ele e milhares de angolanos entenderam neste ácido comentário que a família do corrupto vem sempre em primeiro lugar.
Por fim, lamentavelmente, estamos passando por uma situação muito delicada. Depois de tanto ouvir falar em combate à corrupção, promessas vazias sem mudar a atitude de quem deve punir este crime, o brasileiro sofredor dos efeitos do ilícito deixou de considerá-lo o maior problema da atualidade. Pesquisas de opinião na véspera da eleição dão conta que o foco dos candidatos na busca pelo voto será a segurança pública e o desempenho da economia, que mexe com o bolso de todos. É isso.
*Jornalista
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O presidente nacional do PT, Edinho Silva, divulgou um comunicado nesta quinta-feira (30) no qual afirma que o partido vê “grave retrocesso” na decisão do Congresso Nacional que derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto conhecido como “PL da Dosimetria”.
Aprovado pelo Congresso Nacional no ano passado, o projeto prevê a redução de pena para envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Em janeiro, Lula vetou a proposta, e, neste quinta, o veto foi derrubado por deputados e senadores.
Na prática, com a decisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro está entre os condenados que podem ser beneficiados pela decisão do Congresso, o que, para o PT, mostra que os parlamentares decidiram “ignorar” a tentativa de golpe no Brasil. As informações são do g1.
Leia mais“A derrubada do veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria representa um grave retrocesso para a democracia no Brasil, e perdoa quem planejou assassinatos”, afirma um trecho da nota.
“Aliviar a punição de crimes dessa natureza é ignorar a gravidade da tentativa de ruptura institucional e relativizar a própria Constituição. Não é possível aceitar como normal tentativas de assassinatos”, acrescentou o PT em outro trecho.
Inicialmente, os partidos da oposição defendiam a chamada anistia, ou seja, o perdão das penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal aos condenados por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro.
No ano passado, após articulações entre partidos da oposição e do centrão, chegou-se ao projeto da dosimetria, que, na prática, em vez de perdoar, estabeleceu um mecanismo que pode levar à redução das penas.
1,4 mil condenados
Em um documento divulgado nesta quarta (29), véspera da votação no Congresso, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos ligados ao 8 de janeiro no STF, informou que 1.402 pessoas foram condenadas por envolvimento nos atos golpistas.
Também informou que foram impostas as seguintes sanções:
“Os elementos de prova gradualmente colhidos demonstram inequivocamente o funcionamento de um grupo criminoso, de forma coordenada e estruturada, atuava nitidamente para viabilizar e concretizar a decretação de medidas de ruptura institucional”, escreveu Moraes no documento.
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A pré-candidata ao Senado, Marília Arraes (PDT), e o pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), iniciaram agenda conjunta nesta semana com compromissos no Agreste e Sertão do estado. Em Garanhuns, ao lado do prefeito Sivaldo Albino (PSB) e do ex-deputado estadual Cayo Albino, a comitiva visitou o Hospital do Amor e participou de cerimônia na Câmara Municipal, onde Marília recebeu a Medalha Oswaldo Ferreira da Silva e João Campos foi agraciado com o título de cidadão. O senador Humberto Costa (PT) também acompanhou as atividades.
Durante a agenda, os pré-candidatos participaram da inauguração de uma Sala Azul no Hospital do Amor, voltada ao atendimento especializado, incluindo suporte a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “É muito bom poder ver iniciativas como essa que têm como foco o atendimento especializado, com acolhimento e cuidado”, afirmou Marília. O grupo também esteve presente na abertura do Festival Viva Garanhuns.
A programação segue até o sábado, com compromissos em municípios como Panelas, São Caetano, São Bento do Una, Pedra, Sanharó e Arcoverde. Durante a passagem pelo Agreste, a prefeita de Jupi, Rivanda Freire, declarou apoio à pré-candidatura de Marília Arraes ao Senado.
O deputado federal Waldemar Oliveira afirmou ser favorável ao fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um de descanso, e defendeu a adoção da escala 5×2. Segundo o parlamentar, a mudança atende a uma demanda por melhores condições de trabalho e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Sou a favor do fim da escala 6×1 e defendo a escala 5×2 como um caminho mais justo e equilibrado”, declarou.
Waldemar destacou que o debate deve considerar os impactos para o setor produtivo e a necessidade de adaptação das empresas, especialmente as de pequeno e médio porte. Para ele, a transição precisa ser construída com diálogo e previsibilidade. “Precisamos construir esse caminho junto com quem gera emprego, para que a mudança seja viável e preserve a atividade econômica”, afirmou.
O deputado também apontou que a revisão das jornadas de trabalho pode trazer efeitos na produtividade e nas relações de trabalho. “Defender o trabalhador e defender quem empreende não são posições opostas. O Brasil precisa de equilíbrio para garantir direitos, manter empregos e fortalecer a economia”, completou.
A derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, que reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros incriminados pela tentativa de golpe de Estado, beneficiará mais de 200 mil condenados por outros crimes.
O veto foi derrubado em sessão do Congresso nesta quinta-feira (30), com apoio de 318 deputados e 49 senadores. As informações são da Folha de S. Paulo.
Atualmente, quem está em regime de prisão domiciliar não pode diminuir sua pena por estudo ou trabalho, exceto em casos específicos, com autorização do juiz. O texto aprovado pelo Congresso amplia essa possibilidade de remição para todos que cumprem pena em casa. O benefício não é automático, mas as defesas podem solicitá-lo à Justiça.
Leia maisCerca de 235 mil pessoas cumpriam pena em regime domiciliar em 30 de junho de 2025, dado mais recente disponível na Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça. O número de presos nessa modalidade tem crescido em velocidade acelerada, principalmente por causa da pandemia, e aumentou 3.812% em nove anos.
Cada obra lida corresponde à remição de quatro dias de pena e exige comprovação com a apresentação de um relatório, que é avaliado por uma comissão. Os participantes do programa podem apresentar a resenha de até 12 livros por ano.
Ou seja, é possível reduzir a pena em até 48 dias no período de 12 meses. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista.
No caso de trabalho, é possível abater um dia de pena a cada três dias em serviço.
O dispositivo para autorizar os presos em regime domiciliar possam abater da pena os esforços com estudo e trabalho foi incluído pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto na Câmara.
A mudança legislativa fazia parte de um acordo que envolvia Bolsonaro cumprir pena em casa por sua condição de saúde e idade. O ex-presidente, porém, tentou romper a tornozeleira eletrônica, foi enviado para o regime fechado em novembro e só voltou para casa em março por causa do agravamento dos problemas de saúde.
A alteração é criticada por especialistas. Felippe Angeli, coordenador da plataforma Justa, afirma que a redução da pena por trabalho ou estudo no regime domiciliar já é autorizada por alguns tribunais, embora não esteja prevista na legislação. Caso vire lei, o uso será ampliado, o que abre um potencial de fraudes.
“Hoje tudo é organizado a partir da custódia pelo Estado. O preso sai do estabelecimento e retorna [após o trabalho/estudo] ou no regime fechado tem acesso a possibilidade trabalho e educação dentro do estabelecimento. Então, isso já fica registrado para fins da própria remição. No caso domiciliar, não se tem essa informação, vai precisar de uma prova muito robusta”, diz.
Angeli destaca que a mudança exigirá uma regulamentação para evitar fraudes, considerando que o regime domiciliar dificulta a fiscalização pelo Estado sobre as vedações. “O problema é que por causa de uma pessoa [Bolsonaro], você está alterando todo um sistema que vai impactar centenas de milhares de pessoas sem saber como você vai fazer isso, sem um maior debate.”
O advogado Pierpaolo Bottini, que foi membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, afirma que é a favor do abatimento da pena, mas que o modo como está sendo instituída é um problema. “O instituto sozinho não é ruim, no fundo é um instrumento de ressocialização. A questão é que ele não pode ser casuística e vir num projeto que busca beneficiar um determinado grupo de pessoas”, afirmou.
Ele diz que o texto exigirá uma regulamentação e um debate mais amplo sobre como ser aplicado. “Eu sei que é mais difícil [do que no regime fechado ou semiaberto], mas não é impossível. Ele vai precisar de um trabalho que ele consiga comprovar que efetivamente trabalhou ou, no caso de um curso, assistir com a câmera aberta”, opina.
Procurado pela Folha, Paulinho da Força afirmou que sua assessoria jurídica elaborou o texto e garantiu que o projeto só beneficiaria o caso de Bolsonaro, para permitir a diminuição da pena por estudo na prisão domiciliar, e que não terá um efeito mais amplo sobre o sistema prisional.
O projeto de lei foi aprovado pela Câmara por 291 votos a 148 e por 48 a 25 no Senado, mas foi vetado integralmente pelo presidente Lula (PT). Esse veto foi derrubado pelo Legislativo nesta quinta, o que faz com que as mudanças legislativas sejam enviadas para o presidente da República para promulgação.
Bolsonaro solicitou em janeiro ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) que pudesse abater a pena com leitura. Os relatórios do 19º Batalhão de Polícia Militar na Papuda, prédio conhecido como “Papudinha”, no entanto, mostram que ele não leu nenhum livro no período e, por isso, não teve nenhuma redução nos dias encarcerado.
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O presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, vistoriou, nesta quinta-feira (30), um conjunto de obras de abastecimento de água na Região Metropolitana do Recife (RMR), que integram um pacote de investimentos superior a R$ 1,3 bilhão em água e esgoto. As intervenções, executadas pela companhia, têm previsão de conclusão até o fim do ano e visam ampliar a oferta e a regularidade do abastecimento.
A agenda começou no bairro do Janga, em Paulista, com a implantação de quatro poços artesianos, um deles com vazão estimada em 25 litros por segundo, ao custo aproximado de R$ 14 milhões. Em seguida, a comitiva visitou a obra da Adutora da ETA Alto do Céu, em Olinda, com investimento de R$ 25,2 milhões, que deve beneficiar cerca de 80 mil pessoas em bairros como Bultrins, Bonsucesso e Bairro Novo.
No Recife, as visitas incluíram obras no Alto Santa Terezinha, voltadas à ampliação do sistema de abastecimento dos morros da Zona Norte, com aporte de R$ 31,4 milhões e alcance estimado de 142 mil pessoas, além da duplicação da Alça Norte, na Iputinga, investimento de R$ 29 milhões que deve atender cerca de 180 mil moradores. “Estamos executando um conjunto estruturador de obras que fortalece a capacidade operacional da Compesa e amplia a oferta de água com mais regularidade e eficiência”, afirmou Douglas Nóbrega.
