Novidade na corrida presidencial, o psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) se coloca como o “candidato mais bem preparado” para resolver a questão da desigualdade no Brasil. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o intelectual falou da postulação, da desesperança dos brasileiros e fez acenos ao Nordeste. “Muitos candidatos nunca plantaram uma horta e querem decidir o destino da agricultura”, ironizou.
Logo de cara, porque um escritor tão bem-sucedido resolve entrar para a política?
Muito obrigado pela pergunta. Quero dizer que não amo poder e não preciso do poder. Como psiquiatra mais lido do mundo, talvez eu jamais devesse entrar no teatro da política. Como escritor brasileiro mais lido no Brasil no século XXI, também não. Mas é porque eu não preciso que estou entrando. Estou me pré-candidatando porque sou contra a radicalização e a polarização, e porque sou a favor de 210 milhões de brasileiros. É o Brasil dos nossos filhos, dos nossos netos, é o Brasil dos nossos sonhos.
O Brasil é historicamente um país desigual, em especial com o Nordeste. Como enxerga a região?
O Nordeste brasileiro é mais do que uma região, é uma poesia. Conheço todos os estados do Nordeste, tenho um caso de amor com a população nordestina, que é uma das populações mais generosas, mais altruístas e mais solidárias do mundo. E o Nordeste, em destaque o semiárido, que preenche cerca de 12% a 15% do território brasileiro, sempre foi desprezado. Se eu sentar na cadeira de presidente, o Nordeste vai ser contemplado como jamais foi. Precisamos transformar o Nordeste em centro de proteína animal, de fruticultura, de horticultura. Tenho sonhado e escrito, enquanto tem muitos candidatos que nunca plantaram uma horta e querem decidir o destino da agricultura.
De que forma seria isso?
Nós precisamos transformar o Nordeste numa região de milhões de microempreendedores. Por isso também quero dizer que tenho desenhado o Banco do Empreendedor. Metade do BNDES não pode servir só às grandes empresas, tem que servir ao microempreendedor. Metade do dinheiro que vem da Petrobras, os dividendos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica têm que suprir um Banco do Empreendedor. Temos que trazer dinheiro de fora também. Esse é o sonho que eu quero transformar em realidade no Nordeste brasileiro, e infelizmente não vejo nenhum candidato falando sobre isso. Os candidatos falam de partidos, brigam um com o outro, mas eles não pensam de maneira consistente como eu penso, porque conheci a dor humana de perto. Eu vi pessoas à beira do suicídio, pais desesperados que não conseguem alimentar os seus filhos, mães angustiadas porque não conseguem ver que seus filhos um dia terão uma oportunidade na sociedade porque não têm condições de estudar. Por isso me coloco como o candidato mais bem preparado para resolver essa gravíssima equação da desigualdade no Brasil.
Quando o seu nome foi colocado na discussão, muita gente fala de sua falta de experiência política. Como convencer o eleitor sobre isso?
Eu não tenho experiência política de fato, mas quem tem experiência levou o Brasil a esse estado. Será que quem tem experiência é de fato um bom administrador? Eu não tenho nem quero ter essa experiência política de conchavos, de proteção, de amigos, de projetos pessoais. Tenho experiência de gestão. Meus projetos abarcaram milhões de pessoas, de pais e professores. Sou empresário e não apenas intelectual, e tenho vários projetos também de prevenção de suicídio gratuitamente e de transtornos psíquicos em vários países do mundo. Não tenho a experiência clássica, mas tenha certeza de que eu tenho a experiência que os políticos tradicionais nunca tiveram. Não é um projeto Augusto Cury, é um projeto para o Brasil. E sou um colecionador de amigos, vou convidar as melhores mentes da política e as melhores mentes da iniciativa privada para construir o Brasil dos nossos sonhos.
Tem alguma estratégia para superar uma polarização em que dois candidatos somam quase 80% dos votos?
Minha mente tem o melhor do capitalismo, mas meu coração tem o melhor do social. Não o socialismo, o social, porque lidei e tratei da dor das pessoas a vida toda, fiz mais de 20 mil sessões de psicoterapia e atendimentos psiquiátricos. Eu sei o que é a dor, eu vi a dor de perto e quero comunicar para as pessoas que é possível ter um coração social, que cuida dos direitos humanos, que protege as crianças. Quero mostrar que é possível fazer uma política econômica, de Estado, educacional e industrial que contemple os 210 milhões de brasileiros. Acredito que o brasileiro é muito inteligente e vai entender a diferença de uma pessoa que não é radicalizada, que é contra a radicalização e a polarização, com mente capitalista e coração social, com 100% de projeto e 0% de ataques pessoais.
Sua obra mais famosa no mundo é “O Vendedor de Sonhos”, que inclusive foi adaptada para o cinema. O político é um vendedor de sonhos?
O vendedor de sonhos não é um vendedor de ilusões. O vendedor de sonhos no livro é alguém que ensina as pessoas a nunca desistirem da vida. A cada 40 segundos uma pessoa morre pelas próprias mãos. Suicídios, a cada 4 segundos, alguém pensa em suicídio. E toda pessoa que, na verdade, pensa em suicídio ou tenta o suicídio, na realidade, tem fome e sede de viver, não quer matar a sua vida, quer sim eliminar sua dor, sua angústia e sua ansiedade. Então o vendedor de sonhos na obra é alguém que resgata as pessoas. Eu não quero ser um vendedor de ilusão em hipótese alguma. Minha pré-candidatura é muito séria, foi muito pensada e não de hoje. Há mais de 12 anos eu tenho falado para minha família desse desejo.
Como foi a reação deles?
Quando comentei com as minhas filhas e com minha esposa, elas choraram. Em hipótese alguma elas queriam que eu enfrentasse essa batalha, que entrasse num ambiente onde há tantas pessoas que se digladiam, que criticam outros sem generosidade, que amam o poder e querem fazer de tudo para alcançar o poder. Eu não amo poder, não preciso do poder, eu tenho o que esses políticos sonham e talvez nunca alcancem, que é prestígio nacional e internacional. Portanto estou fazendo porque não preciso, estou fazendo porque eu tenho um caso de amor com a sociedade brasileira e com a humanidade. Temos que fazer o Brasil grande, mas temos que fazer também a humanidade grande, porque afinal de contas a vida é muito breve e nós devemos amar a nossa família chamada família humana.
O que apontaria como o grande diferencial da sua postulação?
A minha voz talvez seja a única que aborda 100% de projetos e 0% de ataques pessoais. Reitero, a minha voz como pré-candidato à Presidência da República é a única contra a polarização e contra a radicalização.
Caso eleito, já iria trabalhar pela reeleição, como é comum de se ver pelo Brasil?
Quero mudar a regra do debate. Se eu tiver o privilégio de ser o presidente do país, quero ser por quatro anos. Eu não sou contra a reeleição, porque o poder não me seduz. Mas eu quero preparar o caminho para novos líderes, para que façam melhor do que eu. Porque o culto à celebridade, o culto ao poder, para mim são sintomas de uma sociedade doente. Meu objetivo é preparar os alicerces para os próximos 25 anos do Brasil até 2050. Não um projeto de partido, de Augusto Cury. Eu passo logo. Daqui a pouco eu vou para a solidão de um túmulo, eu morro como qualquer mortal. Temos que deixar um legado para os nossos filhos, os nossos netos, para os estudantes, para as mulheres, para os adultos e também para os idosos.
Doutor, as campanhas presidenciais são cada vez mais caras, cifras de dezenas de milhões. Como lidar com isso, já que seu partido não figura entre os maiores de recursos financeiros?
Bom, eu quero fazer a campanha mais barata, sem fundo partidário, mais pacífica, mais inteligente e mais propositiva da história do Brasil. Este é o meu sonho, e eu tenho contagiado todo o meu time com a tese de 100% projetos e 0% de ataques pessoais. E vocês sabem, grande parte das pessoas rejeita os primeiros colocados. É talvez a política decidida pela rejeição. Como pode isso? É a era da desesperança. Eu quero mostrar que é possível fazer um novo tipo de política, elegante, generosa, inteligente e regada a propostas. Eu quero fazer 10 mil comitês, 10 mil clubes de empreendedorismo, 10 milhões de empreendedores, um Banco do Empreendedor para contemplar os sonhos dos jovens e dos adultos. Se eu anunciar isso, quem sabe cada vez mais a sociedade brasileira vai voltar a ter um romantismo para mudar esse país, e não vai ficar em duas famílias, a família Lula da Silva e a família Bolsonaro, dois grupos lutando entre si.
O senhor falou também que entrou em contato com a dor de muitas pessoas. Qual é a maior dor do Brasil hoje?
É não ter esperança, é saber que a comida está muito cara. Talvez mais de 100 milhões de brasileiros vão ao supermercado e percebem que seu salário não consegue nutrir suficientemente a família, não há esperança de oportunidade de trabalho. A maior dor hoje é saber que há 53 milhões de famílias no Bolsa Família, mas elas não podem assinar carteira ou ter uma microempresa para complementar sua renda, porque o governo federal pune com a perda do benefício. Eu ajustarei o Bolsa Família. É um notável projeto, mas precisa de ajustes. Há muitas dores que invadem o brasileiro, talvez a dor também do radicalismo e da polarização, ninguém aguenta mais duas famílias, dois grupos lutando contra si e esquecendo 210 milhões de brasileiros que estão no meio. Não é possível isso, por isso estou me colocando como pré-candidato, por amor ao brasileiro e à nação brasileira, por amor aos meus filhos, aos meus netos, aos filhos de vocês e aos seus netos.
Afastado do cargo há dois meses após abertura de sindicância por denúncias de assédio sexual, o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), continua recebendo a mesma remuneração de quando estava em atividade, cerca de R$ 100 mil líquidos, o que contraria decisão de 2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O CNJ determinou a suspensão do pagamento de verbas de natureza indenizatória, temporária ou extraordinária a magistrados afastados no curso de processos administrativos disciplinares ou sindicâncias, como no caso de Buzzi, que está afastado desde 10 de fevereiro. As informações são do g1.
Com base nas conclusões da sindicância, o STJ decidiu abrir Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado, e o ministro do STF Nunes Marques determinou a abertura de inquérito para investigar a conduta do ministro do STJ.
Leia maisA defesa do magistrado tem dito, em manifestações enviadas à imprensa, que Buzzi “não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória”. E que as alegações apresentadas contra o ministro “carecem de provas concretas”.
Remuneração maior no mês em que foi afastado
Em valores brutos, sem considerar os descontos, o magistrado recebeu R$ 132 mil em fevereiro e quase R$ 127 mil em março, praticamente o mesmo montante pago em janeiro, quando ainda estava em atividade.
As quantias resultam da soma do salário fixo de R$ 44 mil, o subsídio, com adicionais registrados nos contracheques como “indenizações” e “vantagens pessoais”. Após os descontos de previdência, Imposto de Renda e do teto constitucional, o valor líquido foi de R$ 106 mil em fevereiro e R$ 100 mil em março, o mesmo patamar de janeiro.
A premissa do CNJ é que não se justifica indenizar gastos de quem não está no exercício efetivo das funções.
“O entendimento consolidado pelo Plenário reafirma que o afastamento cautelar justifica a interrupção do pagamento de verbas que não possuem natureza estritamente salarial, mantendo-se apenas o subsídio integral”, disse o CNJ em nota.
A regra, contudo, não foi aplicada pelo STJ. No contracheque mais recente de Buzzi, referente a março, constam R$ 66 mil em “indenizações”. Em fevereiro, mês em que foi afastado, o valor foi maior, de R$ 72 mil.
Questionado pelo g1, o tribunal informou que suspenderá os valores excedentes nos próximos contracheques. “O ministro receberá apenas a parcela remuneratória dos seus vencimentos, consoante o art. 15 da Resolução 135 do CNJ”, diz a nota do STJ.
O tribunal, no entanto, não informou quais indenizações e vantagens pessoais foram de fato recebidas por Buzzi nesses dois meses e por que esses itens seguiram sendo pagos após o afastamento do magistrado.
O contracheque não detalha a que se referem essas quantias. Segundo o portal da transparência do tribunal, indenização pode ser “auxílio-alimentação, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar, auxílio-saúde, auxílio-natalidade, auxílio-moradia, ajuda de custo, além de outras parcelas desta natureza”.
Tanto em março como em fevereiro, além do salário fixo, o magistrado recebeu R$ 16 mil de “vantagens pessoais”.
Essa quantia pode se referir a adicionais identificados pelo STJ como “vantagem pessoal nominalmente identificada, adicional por tempo de serviço, quintos, décimos e vantagens decorrentes de sentença judicial ou extensão administrativa e abono de permanência”.
O g1 procurou a defesa do magistrado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Por decisão do STJ, o ministro está proibido de entrar nas dependências do tribunal. Uma jovem de 18 anos o acusou de assediá-la no início do ano em Balneário Camboriú (SC), onde ela passava férias com a família na casa do magistrado. Ele nega as acusações.
Suspensão de benefício deve ser analisada caso a caso, diz CNJ
Embora o CNJ confirme que sua decisão sobre suspender benefícios de magistrados afastados permaneça “plenamente válida e em vigor” desde outubro de 2024, há outros casos de juízes que seguem recebendo os chamados “penduricalhos”.
Também denunciado por assédio sexual, o juiz Orlan Donato Rocha, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), foi afastado em junho de 2024, mas continuou recebendo auxílio-alimentação por mais de um ano. O benefício foi mantido com anuência do CNJ.
Segundo informações da seção judiciária do Rio Grande do Norte, o Conselho respondeu a um requerimento do magistrado, em 27 de setembro de 2024, e se manifestou favorável à continuidade do pagamento do auxílio-alimentação mesmo com ele afastado.
A regra do CNJ sobre a suspensão dos benefícios para magistrados afastados começou a valer alguns dias depois dessa manifestação, em 8 de outubro de 2024. Mesmo assim, o juiz do TRF-5 seguiu recebendo até ser punido com aposentadoria compulsória, em dezembro de 2025.
Em nota, o CNJ disse que, atualmente, a suspensão de cada benefício deve ser analisada caso a caso, e que deve ser levado em consideração o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu critérios para o pagamento de “penduricalhos” aos magistrados e integrantes do Ministério Público.
Segundo a decisão de março, o STF considerou inconstitucionais, inclusive para magistrados que estão na ativa, benefícios como auxílio-moradia, auxílio-alimentação, auxílio-creche, entre outros. Esses pagamentos devem “cessar imediatamente”.
O Conselho informou que garante o cumprimento das próprias regras por meio de suas atribuições de controle administrativo, financeiro e fiscalizador sobre os tribunais, “assegurando que as folhas de pagamento das cortes sigam os precedentes fixados pelo colegiado”.
O que diz a defesa do ministro Marco Buzzi
A defesa do ministro Marco Buzzi repudia a campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa, marcada por vazamentos seletivos, distorções e ausência deliberada do direito básico de defesa.
Os reveses jurídicos pontuais desta fase inicial não alteram a realidade dos fatos: o ministro não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória. As alegações apresentadas até o momento carecem de provas concretas.
Chama atenção que parte dessas narrativas tenha origem em advogada com interesses diretos em processos e decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o que agrava ainda mais a necessidade de cautela e responsabilidade na divulgação dessas informações.
É inaceitável que, sob o pretexto de uma causa relevante, se promova um verdadeiro linchamento moral, baseado em ilações, contra um magistrado com mais de quatro décadas de atuação irrepreensível e sem qualquer mácula em sua trajetória.
Maria Fernanda Ávila
Paulo Emílio Catta Preta
Nota do STJ
“O Processo Administrativo Disciplinar foi aberto pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça no dia 14 de abril.
Neste mês, o ministro receberá apenas a parcela remuneratória dos seus vencimentos, consoante o art. 15 da Resolução 135 do CNJ.
Ressalte-se que o magistrado já estava impedido de utilizar o seu local de trabalho e usufruir de veículo oficial e outras prerrogativas inerentes ao exercício da função, nos termos do §2º do art. 15 da referida Resolução.”
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A governadora Raquel Lyra (PSD) foi alvo de vaias e gritos de “mentirosa” durante a entrega de um condomínio da construtora Tenda, no bairro de Dois Unidos, no Recife. A reação ocorreu em meio à insatisfação de moradores, que questionaram a condução do evento e a divulgação do empreendimento, apontando que teria sido passada a impressão de que as unidades foram entregues pelo governo, apesar de serem financiadas pelos próprios compradores.
Entre as queixas, moradores relataram que a entrega das chaves estaria condicionada à chegada da governadora, o que teria provocado atraso e aglomeração no local. Diante das reclamações, a organização antecipou a liberação das chaves. A revolta também foi motivada por restrições durante o evento, com áreas do condomínio sendo utilizadas por comitivas políticas.
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Nas redes sociais, participantes relataram dificuldades como acesso limitado a banheiros e estacionamento. “Hoje era pra ser um dos dias mais felizes da nossa vida, dia de receber as chaves do nosso lar. Mas o que era sonho virou revolta”, escreveu um morador. “Nosso condomínio estava tomado por políticos. O espaço de festas foi bloqueado para a comitiva da governadora e a gente não podia usar nem o banheiro”, acrescentou.
Em um áudio enviado à página Dois Unidos Resenhoso, outro morador reforçou a indignação que o episódio gerou entre os presentes. “Foi momento de politicagem. A gente que tá pagando isso aqui não podia usar o espaço”, disse. Ele também falou sobre o atraso da governadora. “Ela marcou de três horas da tarde e chegou por volta das cinco e meia. E todo mundo esperando em pé, porque não tinha cadeira”
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Por Muciolo Ferreira*
Se alguém me perguntar quem é o santo padroeiro do Brasil, eu direi São Jorge ou São Pedro, nessa ordem. Lógico que a resposta é baseada nos milhões de devotos e seguidores espalhados por esse Brasil que os dois possuem. Isso sem falar das igrejas e monumentos dedicados a eles e os nomes de batismo nos cartórios.
ERREI. Na verdade, o padroeiro oficial do Brasil é São Pedro de Alcântara, cuja data é celebrada no dia 19 de outubro. O santo foi nomeado pelo Papa Leão XII, em 1826, atendendo a um pedido do Imperador Dom Pedro I. Até hoje é reconhecido pela CNBB, mas sem muita divulgação pela Igreja. Todavia, é São Jorge o padroeiro popular e afetivo dos brasileiros, pois, hoje, em todos os recantos do nosso país, especialmente no Rio de Janeiro, o 23 de abril é feriado estadual.
Leia maisO santo guerreiro, defensor e protetor dos seguidores de Jesus Cristo, é festejado e celebrado com júbilo e de várias formas e tradições: alvoradas com foguetório, cânticos e missas seguidas das procissões dos seguidores do Cristianismo e das religiões de matrizes africanas, que incluem muitas rodas de samba. Tendo a feijoada de São Jorge como o prato principal.
À noite, as tendas e os terreiros da Umbanda e do Candomblé saúdam o homenageado no sincretismo religioso pelo nome de Ogum. Confesso que o nome Jorge sempre me encantou e me fascinou desde criança. Não sei o motivo. Talvez pelo fato de ser um nome carregado de simbolismo religioso e, na cultura popular brasileira, representar força.
Na raiz, na etimologia da palavra, o nome vem do grego Georgius, associado ao agricultor, ao homem da terra. Mas, em nosso país, Jorge é sinônimo de força, garra, proteção e de muita sedução. Sedução e masculinidade ligados à energia, ao poder e à resiliência. Além de ser um nome charmoso, clássico e personalíssimo, que combina com qualquer sobrenome. É só observar ao seu redor quantos conhecidos, parentes, colegas de trabalho e pessoas amigas foram batizados e registrados. A lista é imensa: Ricardo Jorge, José Jorge, Jorge Fernando, Pedro Jorge, Jorge José, só para citar esses. Difícil encontrar uma família que não tenha um parente Jorge. Ou não conhecer uma jovem que não teve um namorado Jorge.
São muitas as histórias. Por exemplo, o primeiro namorado da minha eterna, saudosa e única irmã que tive, Madalena, chamava-se Jorge. Ela casou com um Antônio, mas costumava dizer ter sido Jorge sua grande paixão. O nome também é atrelado ao poder de sedução, associado à influência de fatores culturais e simbólicos.
Jorge transcende, vai muito além da sua raiz literária, que o coloca apenas como um simples “agricultor”, “trabalhador da terra”. É sinônimo de coragem, garra, proteção e valentia, características essas de atração e sedução. Esse nome, no Rio de Janeiro, é tão próximo e íntimo das pessoas como é o próprio São Jorge. Raríssima uma casa que não tenha a imagem do santo num cantinho do cômodo reservado a ele. Em terras cariocas, é comum os Jorges serem saudados e cumprimentados nas ruas por “compadre Jorge”.
E eu não poderia deixar de incluir na homenagem ao dia do mais popular santo brasileiro os versos iniciais do samba-enredo da Escola de Samba Estácio de Sá, no Carnaval de 2016, quando do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
“Sou teu fiel seguidor, meu cavaleiro / Por dia mato um dragão / Sou brasileiro / Estácio veste o manto carregado de axé / Salve Jorge, o guerreiro na fé…”
E viva hoje os Jorges nossos de todo dia!
*Jornalista
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Depois de a Câmara dos Deputados aprovar, na quinta-feira (22), o fim da escala 6×1 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mobiliza nos bastidores para frear o risco de um impacto fiscal da proposta. A ordem agora é tentar frear a articulação por uma desoneração de impostos para os setores mais impactados pela medida.
O assunto pautou as conversas ao longo da quinta-feira entre líderes governistas envolvidos na tramitação do projeto. Segundo os relatos feitos à CNN, a ideia é investir prioritariamente no debate sobre uma regra de transição, como forma de aliviar os efeitos da redução da jornada para o empresariado. As informações são da CNN.
Leia maisEmbora admitam que há forte pressão por uma compensação, aliados do presidente Lula dizem que o avanço de uma desoneração poderia tornar “inviável” a redução da jornada de trabalho nos moldes em discussão. Mesmo que o impacto seja adiado com uma regra de transição, afirmam, a mudança daria origem a uma bola de neve com efeitos expressivos sobre o Orçamento nos próximos anos.
A CCJ da Câmara aprovou a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. O relatório do deputado Paulo Azi (União-BA) foi aprovado de maneira simbólica, limitando-se a analisar a admissibilidade da proposta, ou seja, sua adequação à regra constitucional. O debate sobre como viabilizar a redução da jornada ocorrerá agora na comissão especial que vai analisar o tema.
Embora olhe com preocupação para a discussão de uma compensação da redução da jornada, o governo se diz otimista quanto ao avanço da proposta, que é estratégica para o presidente Lula do ponto de vista eleitoral.
A avaliação entre aliados do petista é de que a disputa por protagonismo no projeto é questão superada, uma vez que Planalto e Câmara concordaram na tentativa de fazer andar a PEC.
O projeto de lei do governo que trata do mesmo assunto seguirá na manga, caso haja dificuldade de articular os votos necessários para aprovar uma mudança constitucional. Mas o entendimento na base governista é que o cenário é propício a um acordo com a oposição, dado o efeito eleitoral da medida.
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Redução da jornada tem impacto no PIB
Na pressão para se curvar a um projeto meramente eleitoreiro do Governo Lula, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados retomou, ontem, a discussão e votação da PEC que reduz a jornada de trabalho 6×1. A proposta contraria o empresariado e divide opiniões, porque gera despesas ao setor produtivo e também pode reduzir empregos formais.
Estudos indicam que o fim da escala 6×1 pode derrubar o PIB brasileiro em cerca de 0,82% no médio prazo. Setores como indústria e construção civil preveem impactos bilionários. As estimativas variam, com projeções de quedas mais acentuadas, chegando a 7,4%, dependendo da jornada adotada (36h), gerando temores de aumento de custos, inflação e desemprego.
Estimativas do Banco Inter apontam para uma retração de 0,82% no Produto Interno Bruto. Setores da construção civil, bares, restaurantes e comércio estão entre os mais afetados pela necessidade de novas contratações. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima impacto superior a R$ 70 bilhões no PIB.
Leia maisPara evitar a retração, seriam necessários ganhos elevados de produtividade que compensassem a redução da jornada sem redução de salário. O aumento do custo da mão de obra pode levar empresas a reduzir o número de funcionários. Embora apoiadores argumentem que a mudança pode gerar empregos, o debate no Congresso envolve propostas que variam de 40 a 36 horas semanais, o que determinará a intensidade do impacto econômico.
MUDANÇAS RADICAIS – A proposta de Emenda Constitucional apresentada pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) busca não apenas abolir a escala de trabalho 6×1, mas também reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 36 horas. A iniciativa representa uma mudança significativa nas leis trabalhistas brasileiras, visando melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores ao proporcionar mais tempo para descanso e atividades pessoais, sem prejuízo da carga horária diária máxima de oito horas. Com a redução da jornada semanal, seria possível implementar modelos de trabalho como a semana de quatro dias, seguindo tendências globais que apontam para ganhos em produtividade e bem-estar dos funcionários, segundo a autora da proposta.

Brant coordena plano de Caiado – O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência da República, escolheu, ontem, o ex-ministro Roberto Brant para trabalhar na construção de seu plano de governo na corrida ao Palácio do Planalto. Brant também foi deputado federal por 20 anos, entre 1987 e 2007. O escolhido foi ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso na pasta da Previdência e Assistência Social. Ele assumiu o cargo em março de 2001 e permaneceu nele por um ano. Brant foi eleito primeiro pelo PMDB e passou pelos antigos partidos PRS, PTB e PFL, além do PSDB.
Energia mais salgada – A Aneel aprovou, ontem, reajustes nas tarifas de energia de oito distribuidoras das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, o que deve elevar a conta de luz em diferentes regiões do país nas próximas semanas. Os aumentos variam entre 5% e 15%, dependendo da concessionária e da região atendida (CPFL Santa Cruz; Enel Ceará; Neoenergia Cosern; Energisa Sergipe; CPFL Paulista; Coelba; Energisa Mato Grosso; Energisa Mato Grosso do Sul). Por enquanto, Pernambuco não entrou, mas pode aparecer na próxima pauta da Aneel.
Remuneração menor – Ainda sobre a redução da jornada de trabalho, sete em cada dez trabalhadores celetistas no país têm jornada de 44 horas por semana. Eles ganham, em média, R$ 2.627,25 por mês, 58% menos que os trabalhadores com jornada de 40 horas semanais, cuja média salarial chega a R$ 6.211. A conta é feita com base no salário por hora trabalhada. As informações fazem parte do estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir dos dados da RAIS 2023. Em 2023, o país tinha cerca de 44 milhões de trabalhadores com carteira assinada, segundo a pesquisa. Apenas 3% não informaram a jornada. Entre os demais, a carga horária de 44 horas semanais predomina. Está presente em 74% dos vínculos, o equivalente a 31,8 milhões de trabalhadores.

Avante com Dudu da Fonte – Entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, que disputam a indicação para o Senado pela Federação Progressista na chapa de Raquel Lyra (PSD), o líder do Avante na Câmara dos Deputados, Waldemar Oliveira, já fez sua opção: Da Fonte, que é o presidente da federação. “O Avante tem responsabilidade política e reconhece a importância de uma chapa competitiva. Eduardo da Fonte tem trajetória consolidada, reconhecimento e atuação em diversas regiões do Estado. É o nome mais competitivo da Federação União Progressista”, afirmou.
CURTAS
VOTAÇÃO – Do presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), ao confirmar que coloca o orçamento estadual hoje em votação: quarta-feira (22). “É meu compromisso. Reforço que todo projeto enviado pelo Executivo é prontamente debatido e aprovado por esta Casa. Somos a gestão que mais rápido aprova as matérias enviadas”.
PAPARICOS – João Campos afagou Tadeu Alencar pelas redes sociais após ser confirmado o cancelamento da sua nomeação para o Ministério do Empreendedorismo: “Meu amigo Tadeu Alencar, após mais de três anos desempenhando um grande trabalho em áreas estratégicas do governo Lula, se prepara para retornar à Câmara Federal nos próximos dias, onde seguirá contribuindo com o país, com nosso partido e com o presidente Lula”, escreveu.
CIRURGIA – A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes autorização para a realização de uma cirurgia no ombro direito. O procedimento pode ocorrer amanhã ou no sábado, segundo os advogados, que apontam dores contínuas e perda de função na região.
Perguntar não ofende: Em ano eleitoral, qual deputado terá coragem de votar contra a redução da jornada de trabalho?
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O vereador de Paulista Eudes Farias (MDB) esteve no Grande Recife Consórcio de Transporte ao lado do secretário executivo de Mobilidade da Prefeitura do Paulista, Murilo Vieira, para tratar de demandas do transporte público. A reunião ocorre após reclamações de usuários sobre atrasos, superlotação e alterações de itinerário em linhas que atendem o município.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22) esperar que os Estados Unidos estejam dispostos a voltar a conversar e que a relação entre os dois países volte à normalidade.
Em um vídeo publicado nas redes sociais ao lado do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, Lula elogiou a decisão de retirar as credenciais de trabalho de um funcionário do governo dos Estados Unidos. As informações são do g1.
Leia mais“Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse o petista.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgou uma nota nesta quarta-feira (22) na qual afirmou que o governo de Donald Trump não seguiu a “boa prática diplomática” no caso. (veja a cronologia)
Diante disso, o Itamaraty diz ter informado à embaixada americana que aplicará o princípio da reciprocidade contra um funcionário americano.
A medida foi uma resposta à ação do governo Trump de pedir para que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem – que fugiu para os EUA após condenado por golpe de Estado –, deixe o país.
Ao blog do jornalista Valdo Cruz, fontes do governo disseram que o recado da nota do Itamaraty é o mesmo da publicação feita pelo governo de Trump: um funcionário dos Estados Unidos que atua como oficial de ligação deverá deixar o Brasil, por reciprocidade aos atos americanos.
O comunicado do Ministério das Relações Exteriores fala em “interrupção imediata” das funções de um representante norte-americano no Brasil.
Mas os bastidores revelam que o aviso foi dado antes mesmo de a nota ser publicada, de forma verbal, para uma representante da embaixada dos EUA em Brasília.
De acordo com o comunicado do MRE, o governo Trump descumpriu um trecho do acordo de cooperação entre os dois países. Isso porque adotou a medida contra o delegado brasileiro sem ter pedido esclarecimento sobre a atuação dele nem tentar um diálogo com o governo brasileiro.
“A decisão sumária contra o agente da Polícia Federal não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”, diz o comunicado.
O comunicado brasileiro cita um memorando de entendimento entre os dois países. O trecho citado diz que “o caso de qualquer participante buscar de boa-fé interromper a atribuição de um Oficial de Ligação Designado específico sob este Memorando, espera-se que os Participantes se consultem mutuamente e, se apropriado, providenciem a substituição desse oficial por outro oficial alternativo”.
Ainda no comunicado, o MRE ressalta que toda a comunicação envolvendo o episódio — seja o aviso ao delegado brasileiro, seja a reunião com a embaixada americana — se deu de maneira verbal.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro vinham reclamando desde segunda-feira que não houve uma notificação formal por parte do governo americano acerca do pedido para que o delegado Marcelo Ivo deixasse o país.
Entenda a cronologia do caso e como foi o impasse:
Março de 2023
O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho é nomeado para atuar como oficial de ligação em Miami (EUA), em missão junto ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA), com duração inicial de dois anos.
2023 a 2025
O delegado permaneceu nos Estados Unidos, cumprindo a missão. Entre as principais atribuições do delegado está a colaboração com a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos.
Março de 2025
Governo publica uma portaria prorrogando a permanência dele na missão por mais um ano.
Setembro de 2025
Ramagem deixa o Brasil de forma clandestina pela fronteira do Brasil com a Guiana.
O ex-deputado federal, que foi delegado da PF em Roraima, saiu do Brasil no mês em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou os integrantes do núcleo crucial da trama golpista. Ele foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado.
18 de dezembro de 2025
A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassa o mandato de Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A decisão atende à sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o agora ex-parlamentar à perda do mandato e a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
17 de março de 2026
A Polícia Federal nomeia a delegada Tatiana Alves Torres para assumir o posto de oficial de ligação em Miami, em substituição a Marcelo Carvalho. A decisão é publicada no Diário Oficial da União.
Segundo o governo, trata-se de missão transitória, com duração de dois anos, incluindo mudança de sede e possibilidade de acompanhamento de dependentes. A substituição é tratada como parte da dinâmica regular de missões no exterior.
13 de abril de 2026
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem é preso em Orlando, na Flórida (EUA), por questões migratórias, segundo a Polícia Federal.
No mesmo dia, ele é levado a um centro de detenção no Condado de Orange, onde fica em uma cela separada.
15 de abril de 2026
Ramagem deixa a prisão nos Estados Unidos. Segundo apuração, ele foi liberado às 14h52 no horário local (15h52 em Brasília).
16 de abril de 2026
Ramagem publica um vídeo nas redes sociais em que agradece autoridades norte-americanas pela soltura.
“Eu entrei nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, de forma perfeitamente regular, passaporte válido, visto válido, sem condenação nenhuma. Em seguida, entramos com o pedido de asilo […] Nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos e fases, o que nos confere o status de permanência regular nos Estados Unidos”, afirmou Ramagem.
16 de abril de 2026
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos disse à Polícia Federal (PF) que Alexandre Ramagem poderá aguardar em liberdade nos EUA a conclusão de um processo de pedido de asilo.
Interlocutores da PF afirmaram que a mensagem do ICE foi repassada em uma reunião.
O encontro já estava marcado antes mesmo de Ramagem ser solto. O objetivo era discutir o caso e evitar que ele fosse libertado, o que acabou acontecendo antes da reunião.
20 de abril de 2026
Os Estados Unidos determinam que um delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem deixe o país. A medida é divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental.
Sem citar nomes, o governo americano afirmou em uma rede social que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” no país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz o texto.
21 de abril de 2026
O presidente Lula comenta o caso, durante viagem à Europa. Disse que não sabe o que aconteceu no caso do delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem nos EUA e afirmou que pode usar reciprocidade contra um americano no Brasil.
A reciprocidade é um princípio da diplomacia que prevê que um país pode adotar uma medida equivalente em relação a outro.
“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse Lula na porta do hotel em Hannover, na Alemanha, em conversa com a imprensa.
21 de abril de 2026
A encarregada de Negócios interina da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly, é convocada a dar explicações ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) sobre o pedido do governo de Donald Trump para que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país.
De acordo com relatos obtidos pela GloboNews, o encontro durou cerca de uma hora, e Kimberly Kelly se reuniu com Christiano Figueiroa, atual diretor do Departamento de América do Norte do MRE.
22 de abril de 2026
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse, em entrevista à GloboNews, que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho voltou ao Brasil por sua determinação. O diretor da PF negou que o brasileiro tenha sido expulso do país.
“Não há nenhuma expulsão de funcionário brasileiro. Ele voltou por determinação minha, em razão desse episódio para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE…seja onde for”, disse Andrei em entrevista ao Estúdio i da GloboNews.
Andrei disse ainda que retirou as credenciais de trabalho de um servidor dos EUA, um agente de imigração americano, que atua na sede da PF em Brasília.
“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, disse Andrei durante entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.
O diretor da PF explicou que, sem as credenciais, o agente deixa de ter acesso à unidade em que trabalhava, em Brasília, e a bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias dos EUA e do Brasil.
Segundo Andrei, foi o mesmo que aconteceu com o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho.
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Após assembleia extraordinária que definiu a ida dos prefeitos à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para mediar a relação entre o Legislativo e o Poder Executivo, nesta quarta-feira (22), o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Pedro Freitas, comemorou a marcação da votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para esta quinta (23). A articulação contou com a participação de gestores municipais e diálogo com parlamentares estaduais.
“Só temos a comemorar porque é uma vitória de todos os pernambucanos. Pernambuco era o único estado do Brasil sem orçamento e agora garantimos que os recursos possam chegar em todos os nossos municípios. Essa é uma das pautas que a Amupe travou pessoalmente e que nos orgulhamos disso”, afirmou. As informações são do Blog da Folha.
Leia maisA construção do entendimento envolveu reunião com o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto (PSB), e interlocução com a governadora Raquel Lyra (PSD), resultando na sinalização de envio do projeto com percentual de remanejamento de 20%. A medida viabiliza a tramitação da LOA e a previsão de votação em plenário.
Segundo a Amupe, a aprovação do orçamento é necessária para garantir a execução de políticas públicas e a regularidade de serviços nos municípios pernambucanos.
“Construímos esse avanço com diálogo, responsabilidade e união. O municipalismo pernambucano mostrou sua força para garantir que o orçamento saia do papel e chegue na ponta, beneficiando diretamente a população de cada município”, concluiu Pedro Freitas.
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O Ministério das Relações Exteriores afirmou que os Estados Unidos não seguiram a “observa a boa prática diplomática de diálogo” entre “nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos” ao pedir a retirada dos EUA do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia a nota do Ministério das Relações Exteriores na íntegra:
Leia maisDiante da confirmação da informação de que oficial de ligação da Polícia Federal brasileira junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Miami, foi comunicado verbalmente pelo governo dos Estados Unidos sobre a interrupção imediata do exercício de suas funções oficiais em território norte-americano, representante da embaixada daquele país foi convocada ao Ministério das Relações Exteriores no final da tarde de ontem (21).
O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.
A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação policial.
A medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação. Os termos da aplicação da reciprocidade foram também transmitidos verbalmente à representante da embaixada, e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro.
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O ministro André Mendonça pediu vista e suspendeu, nesta quarta-feira (22), o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) que analisa a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
O caso estava em análise no plenário virtual desde a última sexta-feira (18). Antes da suspensão, o placar era de 4 votos a 0 pela condenação, acompanhando o relator, Alexandre de Moraes. Também já haviam votado os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e a ministra Cármen Lúcia. As informações são da CNN.
Leia maisTabata apresentou uma queixa-crime contra Eduardo em 2021, quando o então deputado, em uma rede social, disse que o projeto de lei de autoria da parlamentar sobre a distribuição de absorventes íntimos parecia ter como objetivo o atendimento a lobby de uma empresa que fabrica produtos de higiene.
Moraes foi o primeiro a se manifestar, na última sexta-feira (17), defendendo que Eduardo cometeu o crime de difamação ao divulgar conteúdo que atingiu a reputação de Tabata. No voto, o ministro fixou a pena de um ano de detenção no regime inicial aberto e multa.
Com o pedido de vista, Mendonça terá até 90 dias para devolver o caso ao colegiado.
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O cantor pernambucano Paulinho Leite lançou o projeto audiovisual “Atravessando o Tempo”, gravado em janeiro de 2026, em Aldeia, com 15 faixas e participações de artistas como Santanna, André Rio, Nando Cordel e Maciel Melo. O trabalho marca o retorno do artista após um período de pausa e será disponibilizado ao público em etapas nas plataformas digitais e no YouTube.
O lançamento será dividido em quatro fases ao longo do mês de maio, com três EPs e, ao final, o álbum completo. O projeto também inclui clipes com uso de inteligência artificial em duas faixas, “Cavaleiro do Araripe” e “Cabelo de Milho”, que prestam homenagem a nomes da cultura nordestina.
