Mais um parlamentar carioca confirmou sua presença no lançamento do livro sobre Marco Maciel, no próximo dia 24 de agosto, a partir das 18 horas, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. O deputado federal Delegado Ramagem (PL), que esteve à frente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
O livro ‘O Estilo Marco Maciel’ é de minha autoria e será lançado pela CRV Editora, de Curitiba.
O senador Ciro Nogueira quando era ministro-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, naquela administração que preparava um golpe de Estado, começou a postar nas redes sociais uma mensagem enigmática imitando o som de um relógio. Tic, tac, tic, tac. Não se sabe tudo o que ele queria dizer com essa contagem do tempo. Agora, o relógio corre contra ele. Os indícios apresentados pela Polícia Federal, retirados do celular de Daniel Vorcaro, são robustos o suficiente para sustentar que Ciro recebeu vantagens indevidas e em troca usou seu mandato para lançar uma “bomba atômica” a favor do banqueiro.
O projeto do político do PP do Piauí marcava a diferença entre vida e morte do banco de Vorcaro. Não era apenas uma ajuda nos negócios. O texto, se aprovado, salvaria o Master da aguda crise de liquidez na qual se afundava. O centro do modelo de negócios do empresário era ter ativos de altíssimo risco e captar com produtos que pagavam alta rentabilidade. Os poupadores eram atraídos pela taxa de remuneração, mas evidentemente tinham o temor de que os títulos não fossem honrados. Aí entrava o uso do Fundo Garantidor de Créditos como o argumento final. Se o banco quebrar, o Fundo paga. Mas paga quanto? Até R$ 250 mil. Esse limite encurtava o horizonte das loucuras bancárias de Daniel Vorcaro. Subir para R$ 1 milhão de garantia dava a ele muito mais capacidade de captação.
O amigo da vida fez a proposta redentora. O deputado Filipe Barros (PL-PR) também apresentou projeto com o mesmo teor. No caso do senador, os indícios mostram que, mais do que defender um projeto do interesse do encrencado banqueiro, Ciro aceitou receber um texto feito por ele. “Saiu exatamente como mandei”, escreveu Vorcaro. Se a emenda 11 fosse aceita e aprovada, a vantagem para o dono do Master estaria na Constituição.
Ciro Nogueira foi leal a Jair Bolsonaro, atestou Flávio Bolsonaro, quando afirmou que gostaria de tê-lo como vice em sua chapa. “Tem todas as credenciais para ser o Ciro. O perfil do Ciro é nordestino, de um partido grande e forte. Tem ali a lealdade que ele sempre teve ao presidente Bolsonaro no ministério dele. Portanto, sem dúvida, hoje é um nome que está colocado”.
A quinta fase da Operação Compliance Zero é demolidora para o senador. Pelo que a Polícia Federal trouxe aos autos, a amizade dele com o controlador do banco liquidado era irrigada por muitas vantagens. Segundo a PF, Ciro comprou por R$ 1 milhão uma fatia de empresa de Vorcaro que valia R$ 13 milhões, e teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil. Ficou em Nova York em hotéis caros pagos por cartão do ex-dono do Master. Tinha uma firma sem funcionários com a qual fazia transações financeiras com empresas e fundos ligados ao banqueiro. Morava gratuitamente em imóvel de alto padrão.
Os diálogos são inequívocos. Leo Serrano, um operador de Vorcaro: “Só uma pergunta rápida: eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes Ciro/Flávia até sábado?”. Vorcaro: “Sim. Depois leva meu cartão para St.Barths”. O primo do banqueiro, atualmente preso, Felipe Vorcaro: “Oi, Daniel, é para seguir com pagamento de 300 k para o pessoal que investiu na BRGD”. Vorcaro: “Sim”. A BRGD é a empresa de Vorcaro na qual Ciro adquiriu participação. Essa pergunta foi feita outras vezes por Felipe. Daniel Vorcaro sempre disse sim: “tem que enviar, muito importante”. Vorcaro, em novembro de 2025: “Caro eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?”. Felipe Vorcaro: “Vou ver se dou um jeito aqui. Vamos continuar com os 500k ou pode ser os 300k?”.
Ciro Nogueira tem muito a explicar: diálogos no celular, documentos que confirmam a investigação, provas de que ele retribuiu com a “instrumentalização do seu mandato parlamentar”, como diz a decisão do ministro André Mendonça que autorizou a busca e apreensão nos endereços do senador.
Há consequências concretas desta fase da Compliance Zero. Ficam afastadas as dúvidas sobre foro, com o senador investigado o assunto é mesmo da alçada do Supremo Tribunal Federal. O impacto do caso Master sobre a extrema direita é direto. A delação premiada de Vorcaro pode não ser homologada. Como publiquei no blog, investigadores dizem que o atual cenário é de não aceitação, porque até agora ele não trouxe “nada de produtivo para o processo”, como me foi dito. A chapa dos sonhos de Flávio Bolsonaro não vai se materializar. O relógio continuará contando as horas, mas contra o senador Ciro Nogueira.
Venho me aprofundando nos estudos e avaliações de todas as pesquisas realizadas nos últimos meses e tenho viajado por todo Pernambuco dando palestras e consultorias. Como todo profissional que ama o que faz e adora as ruas como objeto principal de observação e prova dos nove, venho sentindo o crescimento da atual governadora.
Antes dava a eleição como ganha pelo ex-prefeito do Recife, mas hoje com a quantidade de apoios e adesões, as ruas já demonstram que teremos o clássico dos clássicos na terra dos altos coqueiros. Nada tá definido e muita agua vai rolar no véu da noiva das águas pernambucanas.
Agora uma coisa temos certeza: o candidato ou candidata que conquistar os corações dos pernambucanos mais conservadores, bolsonaristas raiz, terá suas chances aumentadas, já que os 30% de fiéis eleitores da direita continuam firmes e fortes.
*Cientista político e social, publicitário e especialista em marketing, gestão, planejamento estratégico e comunicação digital
O pré-candidato a governador João Campos (PSB) finalizou mais um giro pelo interior do estado com uma visita a Tracunhaém, na Mata Norte. A chegada à cidade, na manhã deste domingo (10), mobilizou apoiadores de várias partes da região, que acompanharam o pessebista em uma caminhada pela feira e na visita a mestres artesãos que preservam a tradição do artesanato em barro.
“Neste Dia das Mães, é uma alegria estar aqui em Tracunhaém, que tem uma ligação com a nossa história. Minha mãe liderou por oito anos o trabalho de cuidado com os artesãos de Pernambuco e houve uma presença muito forte, não só na organização da Fenearte, que foi ampliada e teve uma dimensão gigante pelas mãos dela e de Eduardo Campos, mas na valorização permanente. O Centro de Artesanato de Tracunhaém foi uma idealização deles e de Ariano Suassuna, que era secretário de Cultura. Então, eu queria fazer essa homenagem a todo mundo que trabalha fazendo da arte um mecanismo de vida e de criação de sonhos e esperança”, afirmou.
No trajeto, João passou por ateliês que são cenário, há décadas, do trabalho manual que ajudou a notabilizar Tracunhaém como a Terra do Artesanato em Barro, como os dos mestres Nuca, Maria Amélia, Joaquim, Zuza, Ivo Diodato e Zezinho. Uma das que mais se entusiasmaram ao receber o pré-candidato foi a artesã Noêmia Andrade, de 63 anos. “Faço artesanato desde nova. Com meus filhos todos pequenos, um de sangue e dois do coração, eu comecei. Seu pai nos ajudou muito aqui como governador, João”, disse.
A passagem pela cidade foi acompanhada pelo pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), pelo ex-prefeito Belarmino Vásquez, pela pré-candidata a deputada federal Cássia do Moinho, pelo pré-candidato a deputado estadual Manuel Botafogo, pelo ex-prefeito de Lagoa de Itaenga Carlinhos do Moinho, pelo ex-prefeito Nino e pelo ex-vice-prefeito Pereira do Sindicato, ambos de Nazaré da Mata, além de vereadores e outras lideranças com atuação política na Zona da Mata.
O contraste entre os corredores de Brasília e o ambiente digital raramente foi tão evidente. Após ser rejeitado pelo plenário do Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, experimentou uma onda de solidariedade massiva na internet. Foram 43.946.062 manifestações de apoio registradas entre os dias 27 e 30 de abril.
O relatório da AtivaWeb DataLab monitorou 68.989.111 menções públicas cobrindo todo o ecossistema digital brasileiro: Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube. O estudo utilizou inteligência de Big Data e análise de sentimento para mapear o comportamento coletivo. A Fórum teve acesso à íntegra do estudo, cujos principais números e conclusões foram divulgados inicialmente pelo blog de Lauro Jardim, no jornal O Globo.
O levantamento mostra que o debate furou a bolha política. Os resultados consolidados dos quatro dias de monitoramento apontam 63,7% de sentimento positivo, uma maioria absoluta e consistente de apoio direto a Messias; 24,5% de sentimento negativo, com críticas que, em sua maioria, não focaram na pessoa de Messias, mas no processo político; e 11,8% de menções neutras, com compartilhamento de notícias e observações sem posicionamento.
“Quando a mensagem circula em escala nacional, ela deixa de ser debate — vira ambiente”, aponta um dos trechos do relatório, destacando que o tema alcançou simultaneamente todas as regiões do país.
“Ataque político” e “injustiça”: o tom da defesa
Enquanto o Senado impunha uma derrota institucional por 42 votos contrários a 34 favoráveis, as redes sociais formavam um escudo em torno do indicado de Lula. A principal conclusão da AtivaWeb é clara: a rejeição no Senado não se traduziu em rejeição pessoal. Pelo contrário, funcionou como um catalisador de defesa.
A nuvem de palavras do estudo revela que a narrativa de apoio foi construída em cima de termos como “injustiça”, “perseguição”, “ataque político”, “qualificado” e “preparado”.
O “efeito sabatina” e o peso de influenciadores
A dinâmica temporal do debate mostra que o dia 29, data da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcou o pico de volume e de viralização. Após a sabatina, na qual Messias chegou a ser aprovado antes de cair no plenário, houve um crescimento exponencial de críticas. A aprovação na CCJ por 16 votos a 11 foi registrada pela Fórum.
O principal alvo das críticas, no entanto, não era a capacidade de Messias, mas a chamada “politização do STF” e o “governo Lula”. Esse movimento negativo foi fortemente impulsionado por cortes de vídeos descontextualizados e conteúdos opinativos. A disputa também ocorreu em meio a articulações no Senado que foram analisadas no blog do Rovai, da Revista Fórum, em texto sobre Jaques Wagner, Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes.
O estudo destaca o papel do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) nesse ecossistema de oposição. Conteúdos publicados pelo parlamentar com críticas diretas alcançaram mais de 60 milhões de visualizações, funcionando como um amplificador da narrativa negativa pós-sabatina.
Onde o debate ferveu mais?
Geograficamente, a intensidade das críticas se concentrou nos estados com maior infraestrutura de produção de conteúdo digital. O “Top 5” é liderado por São Paulo, descrito como o estado de maior densidade digital, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Maranhão.
O saldo: apoio vence no volume
O estudo conclui que a crise foi contornada nas redes: “A crítica cresceu no pico, mas o apoio venceu no volume”. A leitura final da AtivaWeb resume o episódio: o processo e a derrota foram estritamente institucionais, mas a reação social gerou um legado digital de quase 44 milhões de percepções favoráveis.
O médico, professor, pesquisador e escritor Luiz Arraes lança, na próxima quinta-feira (14), duas obras no Mocó Bistrô, no bairro das Graças, no Recife. O encontro acontece às 18h. Os livros apresentados serão “A minúscula morada do espírito humano”, coletânea de 25 contos curtos, e “Bloco de notas – Escrita, a de dentro e a de fora”, obra que reúne notas, citações, memórias e reflexões sobre escrita e esquecimento. Ambos pela editora Confraria dos Ventos.
Luiz Arraes tem contos publicados em antologias e revistas literárias. Entre suas obras anteriores estão “Dicionário de silêncios”, “A noite sem sol” e “A volta do bumerangue”. É autor também de “Todo diálogo é possível – conversas com meu pai, Miguel Arraes”, de memórias.
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra assinou, ontem (9), a autorização para início das obras de infraestrutura, urbanismo e paisagismo do Parque Estadual de Dois Irmãos, no Recife.
O equipamento é um dos maiores símbolos de lazer e preservação ambiental do estado, e contará com investimento total de R$ 17,9 milhões para as intervenções.
O projeto prevê a criação de parque linear, novos recintos para os animais e a reforma do Chalé do Prata para a implantação do Museu da Água. A gerente do Parque, Savia Florêncio, e o deputado estadual Wanderson Florêncio acompanharam a agenda.
A governadora seguiu para entregas em São Vicente Ferrer, no Agreste, e Condado, na Zona da Mata.
Por Danielle Romani Da Revista Continente [publicado em 01 de fevereiro de 2011] Fotos de Léo Caldas
O artista plástico José Bezerra tem um repertório de histórias que deixam o visitante embasbacado, encafifado. Jura já ter avistado – bem em frente à sua casa-ateliê, na estrada que margeia o Parque Nacional do Catimbau – o Motoqueiro sem Cabeça, figura lendária, temida por vários moradores do lugarejo perdido no meio do sertão pernambucano. “Quando ele (o motoqueiro) vem, a gente só vê o farolzão da moto e aquele rastro de fogo. É coisa rápida, depois some!”, conta Bezerra, sem nenhuma cerimônia, como se estivesse comentando sobre um corriqueiro encontro com alguém das redondezas.
O Motoqueiro não é a única entidade a fazer parte desse mundo mágico, com um quê de realismo fantástico, impregnado na pessoa e na obra do artista, que habita a zona rural da pequena vila do Vale do Catimbau, distrito de Buíque, distante 280 km do Recife. Nas suas jornadas pelo mato, garante, ainda, ter se deparado com personagens de um cortejo-fantasma, que aparecem e desaparecem na frente dos passantes num piscar de olhos, e com várias outras entidades lendárias do imaginário nordestino, a exemplo do fogo corredor e dos caiporas.
Lendo esses relatos, de longe, na cidade, qualquer um vai duvidar da veracidade e lucidez do misto de artista e visionário. Mas frente a frente, olhos nos olhos de José Bezerra, instalado no seu ateliê batizado de Jardim das Esculturas, sob um céu de azul deslumbrante e um sol de rachar coquinho, que pontua toda a extensão do Catimbau, qualquer cidadão, por um segundo, pode se dar ao luxo de pensar que, diante de tanta beleza, de tanta coisa que a vida não explica, há fatos que devem apenas ser aceitos…
José Bezerra utiliza ferramentas simples como facão, grosa, formão e serrote | Foto: Léo Caldas
Saga ficcional
Afinal, a própria trajetória de Zé Bezerra, 58 anos, é um desses enigmas. Destino, golpe de sorte ou magia divina? Certamente, algo súbito, pois, caso contrário, como explicar que um cidadão analfabeto, desvalido de posses ou amigos influentes, sem profissão, sem formação e, ao que tudo indicava, com um futuro anódino, tornou-se, de repente, aos 40 anos, um reconhecido artista plástico, dono de uma indiscutível originalidade, que o faz, atualmente, ser convidado por importantes galerias de arte do Nordeste e do Sudeste do país, além de ter inúmeros trabalhos enviados para o exterior? “Era pobre, virei rico. Era ninguém, virei um artista”, gaba-se o pequeno e agitado homem, que cativa com sua fala fácil.
A vida de José Bezerra Santos Filho, permite muitos elos com a ficção. É uma paródia às aventuras armorialistas de João Grilo e Chicó, do Auto da Compadecida, ou do lendário Pedro Malazartes. Um destino digno dos mais nobres e valentes heróis sertanejos, capazes de driblar as agruras e rudeza da dura existência local, e serem felizes. Natural de Buíque, filho de um barbeiro e de uma costureira pobres, jamais foi para a escola, e seguiria a vida comum de agricultor, se aos 17 anos não cansasse da mesmice do interior e optasse por ser um andarilho na vida. “Queria ganhar o mundo!”, conta.
Andou um bocado pelas cidades sertanejas, ora assentando trilhos de trem, ora distribuindo leite, ora fazendo biscates. Passou fome, comeu ração de porcos, lixo, sofreu um acidente que o deixou meses na cama, foi preso, amou e se juntou com muitas mulheres, teve três filhos. “Quando criança nunca tive carinho, apanhava muito, meus pais eram ignorantes, rudes. Adulto, morei na rua, passei muito aperreio, muita fome”, lembra Bezerra, que também caiu nos “braços da cachaça”, e passava 24 horas bebendo, até “beijar o chão”. E quando tudo parecia estar perdido, como estivera para centenas de outros sertanejos, teve um sonho, uma grande revelação.
O sítio do artista funciona como galeria e chama a atenção de quem passa pela região | Foto: Léo Caldas
“No sonho, um velho dizia que eu tinha que morar no Catimbau, no local onde eu encontraria três pedras amontoadas, (onde hoje habita, ele conta que encontrou essas três marcas) e ser artista, trabalhar com os elementos da terra, com os troncos de madeira da mata”, recorda José Bezerra, que, assim que acordou, resolveu cumprir a profecia.“Fui procurando os galhos. Na primeira investigada encontrei uma preguiça, depois um gambá, depois um tamanduá. Aí foi só completar os detalhes, colocar um olho, uma mão, uma boca. A natureza me dá e eu aperfeiçoo o que recebo”, ensina Bezerra, que é comparado por especialistas ao polonês Frans Krajcberg, artista cujo trabalho se destaca pelo reaproveitamento de elementos colhidos da natureza, para denunciar agressões ao meio-ambiente.
As madeiras naturais são transformadas em figuras de animais, com a ajuda de ferramentas simples como facão, grosa, formão e serrote, formando uma intrigante galeria, que fica exposta no quintal da casa onde habita, e que pode ser apreciada por todos que passam pelo local. Esse seu exótico arsenal foi admirado pelo diretor, dramaturgo e autor Zé Celso Martinez, que, como muitos, durante viagem ao Catimbau, se encantou com o trabalho de Bezerra, e convidou outras pessoas para conferirem o rico universo do artista. No pacote, vieram os jornalistas, entre eles um que entrevistou o sertanejo para uma revista do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), que foi vista por Vilma Eid, dona da Galeria Estação, em São Paulo – para quem atualmente Bezerra trabalha com exclusividade. Vilma conta que, logo depois de ver as fotos e ler a reportagem, rumou para o Catimbau, somente para conversar com o artista, de quem se tornou agente.
A rotina de trabalho não obedece a preceitos. Continua intuitiva, alimentada pelas buscas e achados na mata. “Dependendo do dia, posso fazer peças de mais de dois metros, ou uma miniatura. A inspiração vem sem pensar: aparece na hora.”O artista afirma que, depois da fama, conquistada dificilmente consegue manter um grande estoque de peças no seu quintal.
Segundo o artista, é o formato dos galhos e troncos, encontrados na mata, que lhe serve de inspiração | Foto: Léo Caldas
Indumentária
Suas únicas excentricidades, adquiridas após descobrir que a sua razão de viver era a arte, são os adereços e vestimentas que o acompanham nas exposições e contatos com o público, que tornam sua aparição uma verdadeira performance.
“Depois do sonho e da visão, tive também umas intuições de como me apresentar”, conta Bezerra, que, há 12 anos, construiu o primeiro item da exótica indumentária que veste nas apresentações em público: um chapéu com fibra de palha e cabaça. O berimbau, com duas panelas de alumínio, manejado por um cabo de um garfo e por uma tabica de madeira, veio em seguida. O colete, estilizado, é mais um complemento. Para justificar tanta imponência, criou, também, toadas e forrós próprios. “Se eu me alegro com elas, todo mundo se anima!”, diz o artista, que imita o som de animais e aves, e que afirma: “Eu quero mostrar que tenho talento, que é vigoroso meu talento!”, enfatiza.
O reconhecimento já é uma realidade. O crítico Rodrigo Naves, por exemplo, descreve o trabalho de Bezerra com as seguintes palavras. “Confinar seu trabalho ao gueto do popular significaria apenas pacificá-lo e reduzi-lo. José Bezerra não sabe sequer ler, mas há mais argúcia e clarividência em seu trabalho do que no daqueles, e são tantos, que confundem arte com erudição.” A profecia ditada no sonho, ao que parece, vem plenamente se cumprindo
O município de Condado, na Mata Norte de Pernambuco, viveu uma noite de medo e comoção ontem (9), justamente no mesmo dia em que a governadora Raquel Lyra cumpria agenda oficial na cidade. Enquanto o governo estadual promovia atos institucionais e políticos no município, moradores enfrentavam o impacto de uma chacina que deixou mortos e feridos em diferentes pontos da cidade.
De acordo com informações preliminares, uma menina e um jovem morreram após serem atingidos durante a ação criminosa. Outras três pessoas ficaram feridas e precisaram ser socorridas para unidades de saúde da região. O episódio provocou correria, desespero e ampliou o clima de insegurança entre os moradores, que relatam temor crescente diante da escalada da violência na Mata Norte.
A ocorrência teve repercussão imediata nas redes sociais e nos bastidores políticos locais, principalmente pelo simbolismo da coincidência entre a visita da governadora e a tragédia registrada no município. Enquanto a agenda oficial buscava reforçar a presença institucional do Governo do Estado na região, a população lidava com cenas de pânico e luto em plena véspera do Dia das Mães.
A Polícia Militar realizou buscas após os disparos e a investigação ficará sob responsabilidade da Polícia Civil. Até o momento, não houve divulgação oficial sobre autoria ou motivação do crime. Também não havia atualização confirmada sobre o estado de saúde das vítimas feridas.
Moradores cobraram respostas mais efetivas do poder público para conter o avanço da criminalidade na região. Condado convive há anos com dificuldades sociais e episódios recorrentes de violência, cenário que voltou a ganhar destaque diante da gravidade do caso registrado neste fim de semana.
Até a última atualização, a governadora Raquel Lyra ainda não havia se pronunciado publicamente em solidariedade às vítimas da chacina.
Olha onde, neste domingo das mães, cumpri meus 8 km da corridinha diária! Na belíssima e aconchegante pousada Vila Mara do Sertão, no coração do Vale do Catimbau, da minha amiga Marília Santos, irmã de Mauro Santos, diretor-presidente do Grupo Bandeirantes Outdoor.
Mara é uma desbravadora. Quando esteve no Catimbau pela primeira vez se encantou. Foi amor à primeira vista. Pegou todas as suas economias e montou uma excelente opção de hospedagem na região, até então extremamente carente em infraestrutura hoteleira.
Quando estive aqui pela primeira vez, há 30 dias, com minha Nayla, também me apaixonei pelo hotel e o Catimbau. E, quando se gosta, voltar é um passo certeiro e bem dado. Estamos aqui, mais uma vez, eu e minha Nayla, curtindo a natureza, o hotel e dando boas risadas com Mara, gente de bem com a vida, da melhor qualidade.
O Hotel Pousada Vila Mara do Sertão tem uma excelente estrutura: 11 quartos com ar-condicionado, cama confortável, TV, frigobar e duas varandas para abrir uma rede e relaxar apreciando o Catimbau. Tem também um bom restaurante e está apenas 1.9 km do Parque Nacional do Catimbau.
O Vale do Catimbau é um dos principais destinos do ecoturismo do Brasil, o segundo maior parque arqueológico do Brasil. A reserva possui 62.00 hectares e abriga reservas arqueológicas e a Reserva Indígena Kapinawá. Oferece excelentes trilhas para os turistas, como a do Malhador, Coqueiro, Jibóia, Brejo de São José, Igrejinha, Cerca de Pedra, Pinga, Gogó da Ema, Torres e a do Canyon.
Situada estrategicamente na entrada do Parque Nacional do Catimbau, em Buíque, Pernambuco, a Vila Mara do Sertão se apresenta, enfim, como uma opção de alojamento que busca ir além da simples oferta de um leito. A proposta é uma imersão na cultura e na paisagem do sertão, combinando uma atmosfera acolhedora com uma gastronomia que gera comentários apaixonados.
Um detalhe: o restaurante também está aberto ao público. Se você vai ao Catimbau fazer trilhas e deseja uma excelente opção para refeições, se programe para almoçar ou tomar um belo café da manhã na pousada.
O vice-prefeito de São Paulo, o coronel da PM Ricardo Mello Araújo, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo o uso de produtos da Ypê. Ele defende que estão fazendo uma “sacanagem” com a empresa.
Na quinta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que produtos como lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes, de lotes terminados em 1, apresentam risco sanitário. A recomendação foi corroborada pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS), subordinado ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). As informações são do jornal O Globo.
“Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados comprar produtos Ypê. Quem tem produto Ypê posta no Instagram, marca a Ypê”, disse o vice de Nunes.
Na última semana, Mello Araújo foi preterido como aposta do PL para o Senado em São Paulo. A sigla decidiu lançar o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), para uma das vagas na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A segunda indicação ficará com Guilherme Derrite (PP), deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública do estado.
Entenda a polêmica envolvendo a Ypé
A inspeção que motivou o fechamento de uma linha de produção da fábrica da Ypê em Amparo (SP) constatou, pela segunda vez, a contaminação de produtos de limpeza com micro-organismos. Fiscais que participaram do trabalho relatam ter constatado problemas de higiene e investigam a origem da contaminação da água nas instalações da empresa que produz detergentes, desinfetantes e sabão para roupa.
A fala do vice-prefeito de São Paulo segue a de outros apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que defendem que há uma suposta perseguição política contra a empresa. Em 2022, a família Beira, dona da Ypê, injetou R$ 1,5 milhão na campanha do candidato do PL.
No entanto, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), sob a administração do governo Tarcísio, manteve a orientação para que consumidores não usem produtos da Ypê, mesmo após a empresa apresentar recurso que suspendeu temporariamente os efeitos da decisão da Anvisa.
A CVS-SP também participou da inspeção na última quinta-feira, junto com a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo), que resultou na sanção. Segundo o diretor da CVS-SP, Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro do ano passado.
Naquela ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos feitos no ano passado. Esse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão, e particularmente em pacientes com fibrose cística.
“Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção”, disse Lara. “De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.”
Não há certeza ainda sobre como a bactéria entrou nos produtos. Segundo o CVS, em casos semelhantes ocorridos com outras empresas no passado, o rompimento em estrutura para escoamento de esgoto tinha contaminado o reservatório de água usada nos produtos. Esse problema não foi identificado ali, ainda. De todo modo, o ambiente de produção não era adequado, afirma Lara.
“Tinha acúmulo de sujidades no ambiente, no piso, em cima de tubulações e máquinas, com poeira, o que demonstrava uma falha na questão de limpeza”, disse.
O que diz a empresa?
Em nota enviada na última sexta-feira (8), a Ypê informou que apresentou recurso à Anvisa contra a resolução que determinou a suspensão da fabricação e comercialização de produtos das categorias lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes. Segundo a empresa, o objetivo da medida é “reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade” e apresentar “esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos” relacionados à decisão da agência.
A Ypê afirmou ainda que manterá “diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades”, reiterando seu “compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência”. Segundo a empresa, a atuação será baseada em “critérios científicos e subsídios técnicos” para buscar “uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível”.
Os tratamentos não invasivos vêm revolucionando o cuidado de pacientes com depressão e dores crônicas, oferecendo alternativas modernas, seguras e eficazes sem a necessidade de cirurgias ou longos períodos de recuperação. Entre os principais avanços destacam-se o bloqueio simpático venoso e a Estimulação Magnética Transcraniana, técnicas que atuam diretamente no sistema nervoso promovendo melhora significativa da dor, do humor, da ansiedade e da qualidade de vida.
A Estimulação Magnética Transcraniana utiliza campos magnéticos para estimular áreas cerebrais relacionadas às emoções e à percepção da dor. O procedimento é realizado em consultório, sem anestesia e sem necessidade de afastamento das atividades diárias. Além de apresentar poucos efeitos colaterais, a técnica se torna uma excelente opção para pacientes que não toleram medicamentos ou que não tiveram boa resposta aos tratamentos convencionais.
Já o bloqueio simpático venoso auxilia na redução da hiperatividade do sistema nervoso simpático, frequentemente envolvida em dores crônicas persistentes, fibromialgia, enxaqueca e outras síndromes dolorosas. Muitos pacientes relatam melhora da dor, do sono, da tensão muscular e até do bem-estar emocional após o tratamento.
Outro grande benefício dessas abordagens é a possibilidade de reduzir o uso contínuo de medicamentos, evitando efeitos colaterais como sonolência, ganho de peso, dependência química e prejuízo cognitivo. Além disso, por serem procedimentos seguros e minimamente desconfortáveis, apresentam maior aceitação e adesão por parte dos pacientes.
A medicina atual busca cada vez mais tratamentos que unam eficácia, segurança e qualidade de vida. Nesse contexto, terapias não invasivas representam um importante avanço no tratamento integrado da depressão e das dores crônicas, permitindo que o paciente recupere funcionalidade, autonomia e bem-estar físico e emocional.
*Médico pós-graduado em Psiquiatria e neurologia Clínica.
O primeiro sentimento de amor que tive, o maior de todos, veio de minha mãe Margarida na infância, que em vida se revelou, literalmente, numa flor margarida. Neste domingo das mães, reafirmo que tive uma mãe doce, amável, mas dura no trato.
Que o diga meu pai Gastão, que perdeu alguns votinhos preciosos para sua eleição de vereador pelo afobamento de mamãe. Mas tudo na vida tem lá sua razão e limites. Certa vez, mamãe estava aguando o quintal da nossa casa em Afogados da Ingazeira e se depara com um bêbado intrépido, que exige que ela lave os seus pés por ser eleitor de meu pai.
Mamãe pegou ar. “Eu não lavo nem os pés do meu marido, imagine os de quem não conheço. Tome vergonha na cara!”. E assim foi logo dando o tom da sua indignação e depois o expulsou do seu quintal.
Mamãe era temperamental, de não levar desaforos para casa. Papai já era um tremendo engolidor de sapos, extremamente conciliador. Mamãe dizia que odiava política, mas de vez em quando eu a flagrava pedindo votos para o marido amado.
E depois para Augusto Martins, meu irmão, que repetiu a história do meu pai: quatro vezes vereador, vice-prefeito do município. “Quem inventou política foi o diabo”, dizia ela. Mas mamãe sabia de tudo que rolava na política. Foi criada ouvindo as admoestações de dom Mota e depois dom Francisco pela rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira.
Católica ardorosa, mamãe me levava para a igreja todos os dias do mês de maio, o mês mariano. Não sei para que, na verdade, porque mal começava a missa, eu já estava dormindo no seu colo. Que saudade daquele colo cheiroso, caliente e acolhedor! Mãe jamais devia morrer. É um ser divino, misericordioso.
Quanta saudade sinto neste Dia das Mães da minha flor margarida! Era alegre e jovial. Adorava um bom vinho e dizia, em tom de brincadeira: “Quer vinho, venha”. Gostava de dançar. Foi rainha do Clube da Terceira Idade. Ninguém animava com tanta energia essa confra do que ela.
Neste Dia das Mães, o amor está em alta. Não há um amor mais natural, sincero e leal do que o amor de mãe. O amor de mãe é o combustível que capacita um ser humano comum a fazer o impossível. Mãe ouve o coração bater fora do corpo e se emocionar com cada batida.
Amor de mãe é o único que nasce antes mesmo do primeiro olhar e permanece para sempre. Mãe é a personificação do amor incondicional, a força que nos guia e o refúgio que nos acolhe.
O amor de mãe não conhece limites, distância ou dificuldade. Se descrever o amor já é uma tarefa difícil, imagina descrever o amor de mãe! O amor de mãe é força que enfrenta o impossível, abrigo que acolhe sem limites e entrega que nada exige em troca.
É um sentimento único, capaz de atravessar desafios e permanecer eterno no coração. Reconhecer essa grandiosidade inspira gratidão, fortalece vínculos e ajuda a valorizar o maior amor que existe. O amor de mãe é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.
E Machado de Assis tinha razão: amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo. Uma das maiores forças do universo reside no amor de mãe.
É de Carlos Drumond, o maior de todos os poetas: “Mãe não tem limite / É tempo sem hora / Luz que não apaga”. “A mãe dá ao filho o que tira de si mesma: o sono, a melhor comida, em alguns casos até a sua saúde”, protagonizou Friedrich Nietzsche, grande pensador e poeta alemão.
Para mães ausentes, Carlos Drummond de Andrade reflete sobre como elas sempre permanecem por perto e dentro da gente porque são feitas de eternidade: “Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade.”
Com Mario Quintana, aprendemos que as palavras de louvor às mães nunca serão suficientes se comparadas ao amor que elas nos dedicam. “Para louvar a nossa mãe, todo bem que se disser nunca há de ser tão grande como grande o bem que ela nos quer.”