Por José Adalbertovsky Ribeiro*
O Centrão é novidade antiga, veio da Constituinte de 1988, de nome palatável Centro Democrático. O artigo a seguir foi publicado em 06.11.1987 na coluna Diário Político do Diário de Pernambuco, em meio às efervescências nas antevésperas da Constituinte de 1988. Republico os principais trechos do artigo como resgate de uma memória jornalística do nosso cenário político. Lá vamos nós:
O Centrão, que está à direita, agita a Constituinte. Colhe assinaturas para mudar o regimento e permitir apresentação de novas emendas. As últimas contas indicavam a adesão de 286 parlamentares do total de 587 constituintes. Seriam 286 partidários da direita que investem na desestabilização da Constituinte? Longe disso. Os que assinaram o documento do chamado Centro Democrático vislumbram a perspectiva de modificar o regimento para apresentar novas emendas sem comprometimento ideológico. Nas condições atuais, quando está sendo votado o terceiro substitutivo, os parlamentares ficam limitados entre aprovar ou rejeitar.
Leia maisHá quatro meses, enquanto os 93 membros da Comissão de Sistematização debulham artigo por artigo da maçaroca produzida pelo relator Bernardo Cabral, os demais constituintes cumprem o ócio remunerado. De adiamento em adiamento só há a esperar que os sistematizadores cheguem ao texto final. Esta seria a razão prosaica que levou grande número de parlamentares a assinar o documento do Centrão. Estão indóceis para trabalhar.
Num ponto o substitutivo da Constituinte merece críticas unânimes: o detalhismo, a floresta de artigos. Mas dá para podá-los, chegar a um documento mais sintético. Quem investe contra a Constituinte não vai por aí, não quer podar as árvores, quer tocar fogo na floresta. A alegação é que está sendo obra de uma minoria radical. Na Comissão de Sistematização, “minoria radical” quer dizer 47 votos, metade mais um de 93. Num conjunto de 93, sistema de ase 10, a aritmética milenar ensina que minoria seria menos ou igual a 46. O que não confere com as contas dos aliados do Centrão.
Posicionado à direita, o Centrão vislumbra na maioria insatisfeita uma massa de manobra. Nessa etapa final dos trabalhos na Comissão de Sistematização, os sinais são sintomáticos de que há um esforço redobrado para entornar o caldo. E os setores mais consequentes querem, ao contrário, decantar o caldo”.
O deputado pernambucano Ricardo Fiuza (antigo PFL) falecido em 2005, pontificava no centro de gravidade do Centrão, como articulador e cérebro pensante. O deputado Gilson Machado Filho (PFL) vinha em segundo plano. Havia uma disputa ideológica silenciosa entre eles.
Este artigo está contido no meu livro PLANETA PALAVRA (artigos do passado recente, artigos atuais e poesias), pelo qual tive a honra de ser incluído no catálogo de futuras publicações da Companhia Editora de Pernambuco – CEPE. Entidade difusora de cultura e preservação da memória histórica e política de Pernambuco, a CEPE, é um dos setores de excelências do Governo do Estado, por sua diretoria, sob a presidência de João Baltar Freire, e Conselho Editorial.
*Periodista, escritor e quase poeta
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