Lavareda vê reação de Lula nas ruas e redes apertar disputa contra Flávio
A quatro dias da eleição, o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda avalia que Flávio Bolsonaro (PL) segue como favorito na disputa presidencial, mas em uma posição mais vulnerável do que na primeira semana do segundo turno. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, ele atribuiu a mudança no quadro eleitoral à reação de Lula (PT) nas ruas e nas redes sociais.
Lavareda lembrou que Flávio chegou a abrir seis pontos na primeira semana do segundo turno e era, naquele momento, o “favorito absoluto, indiscutível”. O quadro começou a mudar, segundo ele, com a retomada das mobilizações favoráveis a Lula e com o desempenho do petista no ambiente digital. “É incontestável que a mudança de cenário da primeira para a segunda semana do segundo turno ocorreu por conta de uma onda produzida a partir de dois vetores, que foram as ruas e as redes sociais”, afirmou.
Leia maisO cientista político classificou como surpreendente o desempenho alcançado pela campanha petista nas redes sob o comando do deputado André Janones (PT-MG). “O PT e Lula nunca haviam tido nas redes o desempenho que conseguiram ter”, observou. Lavareda também destacou a volta da esquerda às ruas em dimensão que, segundo ele, não era registrada havia mais de uma década. Esse movimento coincidiu com pesquisas que passaram a apontar empate técnico entre os dois candidatos.
Apesar da reação, Lavareda ainda não considera possível cravar uma virada de Lula. Para ele, a hipótese passará a ser “absolutamente plausível” caso os próximos levantamentos confirmem e ampliem a tendência registrada na semana passada. A atenção estará voltada especialmente para a Quaest prevista para hoje e para o Datafolha de amanhã, que poderão indicar se o quadro de empate técnico persiste ou se o cenário volta a se tornar mais confortável para Flávio.
Mesmo que os dois candidatos cheguem numericamente empatados à véspera da eleição, Lavareda ainda atribui uma vantagem probabilística a Flávio por causa da abstenção. “Se o presidente chegar empatado numericamente no sábado à noite, minha leitura é de que as chances serão de 55% para Flávio contra 45% para Lula”, projetou. Se o candidato do PL mantiver uma diferença entre 1,5 e dois pontos percentuais, acrescentou, a probabilidade subiria para 70%, contra 30% para o petista.
Segundo Lavareda, o fator decisivo nesse cálculo é o impacto desigual da abstenção. “Embora a abstenção costume afetar a todos, o problema é o diferencial dela, que é adverso para Lula”, explicou. Na reta final, ele recomenda atenção também à intenção espontânea de voto, que considera mais próxima do comportamento final do eleitor, ao número de indecisos e aos que ainda admitem votar em qualquer um dos dois candidatos. Para o cientista político, observar o tamanho e o perfil desse último grupo pode indicar onde ainda existe espaço para movimentação de votos até domingo.
Lavareda também criticou o formato dos debates presidenciais após o confronto de domingo entre Lula e Flávio. “Aquilo está mais para MMA do que para debate de campanha presidencial”, comparou. Para ele, os jornalistas deveriam ter maior participação nos encontros, com perguntas voltadas a políticas públicas, e o modelo atual precisa ser revisto. Apesar das críticas, ressaltou que a televisão aberta continua estratégica por sua capacidade de atingir milhões de pessoas e alcançar eleitores fora das bolhas das redes sociais.

Lula reúne multidão entre Petrolina e Juazeiro – A cinco dias do segundo turno, Lula (PT) reuniu, ontem, milhares de apoiadores em um ato entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), com travessia da Ponte Presidente Dutra. No discurso, o presidente voltou a desafiar Flávio Bolsonaro (PL) a autorizar a abertura dos próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico e endureceu os ataques ao adversário. “Ele certamente não vai ter coragem de abrir o sigilo dele […] porque ele sabe que a vida dele é podre em se tratando de honestidade”, afirmou. Lula também pediu aos apoiadores que procurem indecisos, eleitores que não votaram no primeiro turno e pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo. No primeiro turno, o petista obteve 60,18% dos votos válidos em Petrolina e 63,30% em Juazeiro.
Mendonça vai relatar sigilos de Lula e Flávio – O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi sorteado relator do requerimento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para liberar o sigilo fiscal de suas contas se o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), fizer o mesmo. A ação no TSE oficializa um desafio eleitoral de Lula feito durante o debate de domingo (18) na Band. O petista diz que vai liberar suas movimentações e de sua família, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, se Flávio Bolsonaro fizer o mesmo. Lula apresentou, ontem, duas ações, uma no TSE e outra no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizando a divulgação dos seus dados financeiros pela equipe jurídica da campanha. No STF ainda não foi definido relator.
Comitê da Meta assume falha da empresa – O Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta, conhecido como Oversight Board, afirmou, ontem, que a empresa falhou em manter padrões de transparência capazes de afastar suspeitas de interferência eleitoral na disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O documento também cita “falhas recorrentes” nos processos de moderação eleitoral da gigante de tecnologia. O conselho explica que durante eleições e períodos de tensão política acirrada, as falhas na moderação de conteúdo da Meta costumam se manifestar de duas maneiras: aplicação excessiva das regras, que suprime a liberdade de expressão política, e aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral. O Brasil estaria enquadrado no primeiro caso.
Milei quer meter o dedo – O Ministério das Relações Exteriores afirmou, ontem, que recentes declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra as eleições do Brasil configuram “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. A nota é uma reação a uma postagem de Milei nas redes sociais, em que o argentino comenta um trecho de uma entrevista de Lula e diz esperar que “a última artimanha suja da campanha” do petista “não envolva roubar a eleição”. Para o Itamaraty, a postura de Milei é antidemocrática e incompatível com o comportamento esperado de um líder de país vizinho e amigo. As novas críticas de Milei ocorrem a poucos dias do segundo turno das eleições brasileiras e são mais um atrito diplomático entre os países. Direitista, o presidente da Argentina é apoiador de Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto.

Bolsa de valores beira novo recorde – Ontem, a cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), abriu o dia em alta e não para de subir. Às 15h desta terça-feira (20/10), a B3 alcançou 208.122 pontos – bem próximo ao recorde de 209.066 pontos registrado em 9 de outubro deste ano. A alta do petróleo e a divulgação de pesquisas eleitorais são listadas como os principais motivos para o novo impulso da Bolsa. Após o primeiro turno das eleições, o Ibovespa alcançou os 206.911 pontos, no dia 5 de outubro. Nessa segunda-feira (19/10), o índice encerrou o pregão com 205.079,25 pontos.
CURTAS
LOCAL DE VOTAÇÃO – O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) orienta os eleitores a verificarem, novamente, antes de sair de casa, o seu local de votação no próximo domingo (25). O eleitor deve conferir o local de votação apenas nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, seja no botão “onde votar” do aplicativo e-Título ou nos portais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos TREs.
TRIBUNAIS EXPLICAM MUDANÇAS – Em nota conjunta, os TREs alegam que as mudanças nos locais de votação ocorrem apenas quando é “absolutamente necessário”. “Os motivos são sempre extraordinários e estão relacionados a situações climáticas extremas, problemas não identificados previamente nas estruturas dos prédios utilizados como locais de votação e questões de segurança pública”, diz a nota dos presidentes dos 27 TREs do país.
CRECHES – A prefeitura do Recife informou que 136 creches da cidade vão abrir durante o 2º turno das eleições 2026, no dia 25 de outubro. Segundo a gestão municipal, as unidades vão funcionar das 8h às 13h, e o objetivo é apoiar mães, pais e responsáveis que precisam votar. Cerca de 21 mil crianças poderão ser atendidas. A medida é válida para crianças que já frequentam a rede municipal de ensino.
Perguntar não ofende: As próximas pesquisas confirmarão a reação de Lula?
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Participei, há pouco, em Brasília, do jantar de anúncio dos finalistas do Prêmio de Jornalismo Engenho, um dos mais concorridos e credenciados da capital federal, organizado e promovido há 22 anos pela minha amiga jornalista Kátia Cubel.
Lá, revi muita gente, dentre outros colegas finalistas, a jornalista Ana Flor, comentarista da Globo News, na foto. Também encontrei por lá velhos amigos, como os jornalistas Heraldo Pereira, da Globo, José Maria Trindade, da Jovem Pan, Ana Dubeux, diretora de jornalismo do Correio Braziliense, e Denise Rothenburg, colunista política do mesmo jornal, além do ministro José Múcio Monteiro, da Defesa, que integrou o júri.
O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 4 milhões do escritório de Edvaldo Nilo semanas antes de o também advogado ter sua recondução ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) discutida no Senado e aprovada com dois votos do agora candidato à Presidência da República.
Nilo, que fez parte da Comissão de Ética Pública entre 2022 e 2025, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, é conselheiro do CNMP desde 2023 na vaga destinada à Câmara dos Deputados. No ano passado, a recondução dele precisou ser aprovada pelo Senado. As informações são do Metrópoles.
Leia maisNo período que antecedeu à discussão no Senado, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu duas notas contra a Nilo & Almeida Advogados Associados, de Nilo. A primeira, em 6 de agosto, no valor de R$ 2 milhões, com uma breve descrição do serviço: “Assessoria Jurídica”.
A segunda repetiu valor e a descrição do serviço, tendo sendo emitida em 17 de outubro. Flávio, dias depois, votaria a favor da recondução de Nilo como conselheiro do CNMP tanto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) quanto, depois, no Plenário do Senado. As duas votações ocorreram em 12 de novembro de 2025.
A Nilo & Almeida Advogados Associados é um escritório especializado em precatórios e tem como maior fonte de receita a União. Em 2025 a banca reportou uma receita comercial líquida de R$ 143 milhões, quase exclusivamente com órgãos públicos e hospitais beneficentes.
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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está conversando com a TV Globo para que haja checagem de fatos no último debate presidencial do segundo turno das eleições, que ocorrerá nesta sexta-feira (23/10), e será apresentado pela emissora.
Segundo o senador e coordenador político da campanha petista, Camilo Santana (PT-CE), a equipe de Lula quer que haja verificação de informações durante o confronto. As informações são do Metrópoles.
Leia mais“A nossa equipe está conversando [com a TV Globo]. Nós queremos isso”, disse Camilo. “É fundamental que haja checagem de fatos. No último debate, além de ele [Flávio Bolsonaro] não ter respondido às perguntas, ele só mentiu para o povo brasileiro. Então eu acho fundamental”, opinou o senador.
No último domingo (18/10), Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram do primeiro debate de ambos nesta corrida eleitoral. O embate ficou marcado por bate-bocas sobre corrupção e pouco espaço para propostas.
Após o evento, apoiadores do presidente Lula passaram a fazer apelos nas redes sociais para que as falas dos candidatos sejam checadas em tempo real.
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O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu notas fiscais que somam ao menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A informação, confirmada pelo GLOBO, foi revelada pelo UOL, que analisou 62 documentos fiscais emitidos pela banca do senador.
O escritório de Flávio está sediado na própria casa onde ele mora, em Brasília, e é administrado à distância por uma funcionária que mora na periferia da capital federal. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisSegundo o UOL, as notas fiscais indicam que os pagamentos ao escritório de Flávio foram direcionados a contas bancárias mantidas no Santander e no BRB. A conta do Santander identificada em um dos documentos é a mesma que, segundo a Polícia Federal (PF), teria apresentado vínculos com Flávio e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam ter compartilhado uma conta bancária.
Ainda de acordo com o portal, o maior cliente do escritório de Flávio, entre os identificados nas notas fiscais, é o Nilo & Almeida Advogados Associados, que tem como sócio o advogado Edvaldo Nilo de Almeida, nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a Comissão de Ética Pública da Presidência em 2022.
O escritório aparece em duas notas fiscais de R$ 2 milhões cada, emitidas em agosto e outubro de 2025. Juntas, elas representam 29% do faturamento documentado da banca do senador.
Os documentos descrevem os serviços como “assessoria jurídica”, sem identificar processos ou detalhar os trabalhos realizados. Ambas as notas indicam uma conta do escritório de Flávio no Banco de Brasília (BRB) para o pagamento. Ao UOL, Edvaldo Nilo afirmou que os valores estão relacionados a um contrato firmado em abril de 2025 e negou qualquer irregularidade.
Ao GLOBO, o escritório afirmou que os pagamentos realizados pelo Nilo & Almeida Advogados Associados à Flavio Sociedade de Advocacia “decorreram de contrato de prestação de serviços advocatícios celebrado em abril de 2025”.
“Os serviços foram regularmente prestados conjuntamente pelos dois escritórios a clientes privados, sem qualquer envolvimento de recursos públicos ou participação de entes federativos. Após a efetiva prestação dos serviços, as respectivas notas fiscais foram emitidas e os valores correspondentes foram pagos em 06/08/25 e em 21/10/25, data em que se encerrou a relação contratual”, registra a nota.
Levantamento feito pelo GLOBO mapeou ao menos 18 casos pelo país em que a banca consta como parte — processos sob sigilo não aparecem na conta. Ainda que tímida no volume, a presença nas Cortes engloba temas diversos: o parlamentar já assinou petições nas áreas criminal, civil e empresarial.
De acordo com o Estatuto da OAB, não há impedimento para que um parlamentar exerça a advocacia, desde que ele não atue em processos que tenham a União ou algum órgão público como parte. A entidade também veda o trabalho para entidades ou empresas concessionárias de serviço público.
Flávio se formou na Faculdade de Direito na Universidade Candido Mendes, no Rio, e chegou a estagiar na Defensoria Pública do estado.
Em um dos processos mapeados pelo GLOBO, Flávio atua ao lado da banca de seu amigo Willer Tomaz, investigado, junto com o senador, em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O caso envolve uma briga judicial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolvendo o controle de uma das maiores fábricas de balas e pirulitos do Brasil.
Junto com Willer, o senador representa um dos sócios da indústria, sediada no Rio Grande do Norte, que tenta evitar a execução de R$ 159 milhões nas contas e bens da empresa como expropriação para um familiar, que se retirou do negócio. O imbróglio se arrasta há mais de 20 anos.
Já na esfera criminal, também no STJ, o senador e advogado apresentou em 2025 um pedido de habeas corpus que pedia o trancamento de uma ação penal contra dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, preso acusado de comandar um esquema bilionário de captação de criptoativos — ele nega as irregularidades.
Em outro processo, que tramitou no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Flávio moveu uma ação como advogado e parte interessada, exigindo do seu ex-sócio a prestação de contas do faturamento de uma loja de chocolates que ficava em um shopping no Rio. Flávio decidiu entrar na Justiça depois que foi notificado pelo ex-parceiro por uma dívida de R$ 1,5 milhão. O pedido foi indeferido pelo juiz em dezembro de 2023.
Esse mesmo comércio foi alvo de uma quebra de sigilo bancário numa investigação do Ministério Público, que apurava um suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o que foi negado pelo parlamentar. A denúncia do caso foi anulada pelas instâncias superiores.
A atuação de Flávio também se estende ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele aparece como advogado em dois casos. Um deles era a execução penal do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em razão da condenação no caso da trama golpista.
O outro tratava de uma queixa-crime apresentada por Flávio em causa própria contra o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pedindo a condenação do petista por calúnia, difamação e injúria, e retratação, por ele ter dito que o senador comprou mais de cem imóveis com dinheiro da suposta rachadinha. A ação foi apresentada no início de 2025.
Os registros da Receita Federal mostram que o escritório do presidenciável é administrado por Letícia Caetano dos Reis. Com atuação na área contábil, ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso sob suspeita de participação nas fraudes do INSS. O escritório de contabilidade dele prestava serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, segundo a Polícia Federal. A defesa de Alexandre Caetano afirmou que ele “apenas exerce sua profissão, sem participação em supostos ilícitos”.
O GLOBO esteve na casa onde Letícia mora, a 35 quilômetros da sede da banca de advocacia e casa de Flávio, comprada por ele por R$ 5,97 milhões em 2021. Letícia não quis conversar com a reportagem, que foi atendida pelo seu marido, Raphael Silveira. Ele afirmou que a mulher atua para o escritório de contabilidade do irmão, antes presencialmente e agora em home office, mas não quis responder sobre o trabalho dela para o escritório de Flávio — o senador também não se manifestou.
Flávio alega questões de sigilo para não revelar a lista de clientes, mas uma nota fiscal mostrou que ele foi remunerado em R$ 500 mil em abril do ano passado após prestar serviços de “assessoria jurídica” a uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu R$ 58 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Informações que constam do documento indicam que o escritório de Flávio emitiu ao menos 41 notas fiscais e que o trabalho contábil é feito pelo mesmo escritório do irmão de Letícia.
— Vocês podem vasculhar a vida da minha esposa que não vão encontrar nada. As contas dela estão todas abertas para quem quiser investigar — afirmou Silveira.
Na única vez em que se manifestou, Letícia disse à Agência Pública em 2022, ano seguinte à abertura do escritório, que não tinha acesso aos contratos firmados por Flávio e mantinha contato com ele só por WhatsApp. Requerimentos de quebra dos sigilos e de convocação dela à CPI do INSS chegaram a ser apresentados por petistas, mas não foram votados pela comissão.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse nesta terça-feira (20) que a Corte não participou das alterações de locais de votação para o segundo turno das eleições, no próximo domingo (25).
Segundo Nunes Marques, a mudança é de responsabilidade dos TREs nos estados e ocorre por problemas registrados durante o primeiro turno, como danos estruturais em escolas e desabamentos em razão das chuvas. As informações são da Agência Brasil.
Leia mais“O TSE não tem nenhuma participação na alteração de endereço de local de votação. Ele não solicita, não autoriza, não há nenhum tipo de cancelamento. Isso é uma demanda que é detectada pelo cartório eleitoral e é resolvida pelos tribunais regionais eleitorais”, afirmou.
Durante a abertura de sessão desta noite, o ministro explicou que a diferença entre o número de mudanças de locais ocorreu porque o sistema eletrônico usado para comunicar as alterações estava desatualizado. No início desta semana, o site do TSE indicava que cerca de 4 mil locais seriam alterados para o segundo turno. Depois, os dados foram atualizados caindo para 102 locais de votação em todo o país com alteração.
A inconsistência de dados foi sanada após o TSE enviar um ofício aos tribunais regionais eleitorais (TREs) para pedir, por escrito, a atualização imediata das informações.
Mudanças em locais de votação
Até o momento, as mudanças em locais de votação ocorrerão nos seguintes estados: Mato Grosso do Sul (1 local); Sergipe (1); Amapá (1); Rio de Janeiro (1); Amazonas (3); Pernambuco (3); Rondônia (3); Mato Grosso (1); Bahia (3); Paraíba (4); Espírito Santo (4); São Paulo (4); Ceará (6); Rio Grande do Sul (7); Paraná (9); Maranhão (13); Pará (11); Piauí (4) e Minas Gerais (17).
O Distrito Federal e os estados do Acre, Goiás, Roraima, Santa Catarina, Alagoas e Tocantins não tiveram alterações nos locais de votação.
Como saber
Para verificar se houve mudança no local de votação, o eleitor pode acessar o aplicativo E-título, Autoatendimento eleitoral ou ChatVote.
Mesmo que o eleitor tenha consultado o local de votação com antecedência, ele deve verificar novamente a informação no dia da eleição, no domingo (25), antes de sair de casa.
Outra dica é votar pela manhã, para ter mais tempo de se deslocar caso a seção eleitoral tenha mudado de lugar.
Nos últimos dias, têm circulado diversas mensagens em grupos de WhatsApp ou nas redes sociais com links não oficiais sobre locais de votação que não são confiáveis.
O eleitor não deve consultar o local de votação em links que não sejam os oficiais da Justiça Eleitoral.
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Aliado de Flávio Bolsonaro (PL), o ex-coach Pablo Marçal desdenhou de eleitores de Renan Santos (Missão) ao provocar o candidato derrotado à Presidência na segunda-feira. A declaração ocorreu após Renan optar pela neutralidade no segundo turno, sem declarar apoio ao bolsonarista ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Você que votou no Renan, fica com esse voto, anula, põe onde você quiser. E acabou — disse Marçal em entrevista ao podcast IronTalks TV. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisMarçal também menospreza a performance eleitoral do rival:
— Renan, seu sonho foi cortado quando o pesadelo aqui chegou. Em três dias, eu te passei em uma pesquisa. Fiquei candidato a presidente por tês dias até ser barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Você ficou um ano contando lorota e não deu em nada.
Na semana passada, Renan afirmou que há maior perigo de acúmulo de poder em caso de vitória de Flávio.
— Eu acho que, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio. Eu acho isso aqui, da turma do PT, é o maior argumento que eles têm. Porque, com o Lula, se ganhar a eleição, o Lula não tem poder para passar PEC, para passar nada — disse Renan.
A declaração ocorreu durante entrevista ao programa Alt Tebet, do Uol. Na ocasião, Renan disse que não pretende votar no segundo turno.
— Eu não vou votar. A última vez, eu pedi voto nulo. Dessa vez, eu tô falando: “votem em quem quiserem” — afirmou Renan, que completou: — Eu não posso pegar o meu partido político, que eu acredito que o futuro glorioso que eu criei os meus discursos passa necessariamente pelo meu projeto. Eu não posso pegar ele e macular na defesa de outra causa.
Renan teve 2.675.887 votos no primeiro turno (2,24% do total), aparecendo na quarta colocação. Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), ele entrou na disputa com a defesa de uma agenda de direita e a tentativa de construir uma identidade própria em relação ao grupo político de Jair Bolsonaro. Ao longo da campanha, procurou se diferenciar tanto do PT quanto do bolsonarismo.
Para isso, a campanha de Renan atacou tanto Flávio quanto o presidente Lula. Após a apuração do primeiro turno, o presidenciável derrotado negou ter sido procurado por lideranças do PT ou do Centrão para uma possível aliança de segundo turno.
Na ocasião, Renan disse que vai evitar contatos desse tipo e mirar “prioridades”, como a estruturação do Missão, que só conseguiu eleger dois dos 483 nomes lançados nesta corrida eleitoral. Ele também negou que apoiaria Flávio ou Lula no segundo turno, chamou ambos de “bandidos” e ressaltou que a militância “pode fazer o que quiser”.
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O debate presidencial transmitido pela TV Bandeirantes no último domingo (18) rendeu muita polêmica e críticas. O sociólogo e cientista político Antônio Lavareda fez coro às críticas, afirmando que é preciso “repensar” o modelo. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o estudioso comparou o encontro entre os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a uma luta de artes marciais e apontou a influência do coach Pablo Marçal, apoiador do liberal, na condução do candidato durante o embate.
“É preciso repensar os debates. Aquilo está mais para MMA do que para debate de campanha presidencial. Acho que tem um consenso de que foi o pior debate presidencial dessas dez eleições, desde 1989 até agora. Quando acabou, comentei que quem teria adorado seria o (marqueteiro) Duda Mendonça, porque ele adorava briga de galo, era criador (risos). Aquilo não ajuda, e é preciso lembrar que os debates avançaram muito na degradação a partir das eleições municipais de 2024, da famosa eleição em São Paulo. E quem teve papel de protagonista naquela degradação? Pablo Marçal, que estava orientando, era uma espécie de coach do Flávio no domingo. Ou seja, Pablo teve papel especialíssimo na degradação da qualidade do debate”, disparou Lavareda.
Leia mais“Não digo que Flávio foi o único responsável, mas é muita coincidência o Pablo Marçal estar dirigindo um dos candidatos. Enfim, o debate precisa mudar, os jornalistas precisam ter papel maior, pois são as perguntas deles as mais orientadas para políticas públicas, que respondem aos anseios dos eleitores com relação a tópicos essenciais aos cidadãos, como saúde, educação, emprego, crédito e outras. Acho que foi lastimável assistirmos a esse último debate, o formato precisa ser repensado. Também precisamos pensar os debates do primeiro turno, a multidão de candidatos em uma sala, às vezes seis ou sete. Isso não ajuda a democracia”, ressaltou.
Apesar das críticas ao formato dos debates, Lavareda defendeu a importância da TV aberta para o processo eleitoral. “A propaganda na TV tem um alcance fenomenal. A TV aberta brasileira ainda é muito poderosa. Quando falamos da importância das redes sociais, é importante não esquecer que a TV tem a capacidade de mandar uma mensagem alcançando mais de 100 milhões de pessoas diariamente. Porque se dá em todas as emissoras e consegue furar as bolhas, diferentemente das redes sociais. Isso é estratégico na campanha eleitoral. Esse ano ocorrerão as eleições intermediárias nos Estados Unidos, e lá estão quase 12 bilhões de dólares, e metade disso é com televisão. Então, a TV continua a ser um instrumento poderoso lá, que é o nascedouro das redes sociais. Aqui no Brasil não poderia ser diferente, com certeza tem um papel importante”, concluiu Lavareda.
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O crescimento da campanha do presidente Lula (PT) à reeleição na última semana foi evidenciado nas pesquisas, com o petista chegando ao empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) em parte dos institutos. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, no entanto, ainda é cedo para cravar uma virada, como vêm afirmando aliados do petista. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o analista diz que é preciso aguardar as próximas pesquisas, entre elas a Quaest, nesta quarta-feira (21), e o Datafolha, na quinta-feira (22), para verificar se houve consolidação do movimento.
“É incontestável que a mudança de cenário da primeira para a segunda semana do segundo turno ocorreu por conta de uma onda produzida a partir de dois vetores, que foram as ruas e as redes sociais. Houve uma intensa movimentação, de certa forma inédita, já que há mais de dez anos não se via a esquerda e os progressistas terem tantas pessoas mobilizadas nas ruas. Mas nós veremos se essa onda, com as pesquisas a partir de amanhã, continua. Se continuar, torna-se absolutamente plausível a hipótese de ultrapassagem de Lula sobre Flávio na reta final. Se a onda continuar e o movimento assinalado pelas pesquisas da semana passada ganhar impulso e se for evidenciado na Quaest e Datafolha, mostrando uma hipotética maior capitalização das circunstâncias do debate por Lula, será plausível esse quadro”, pontuou Lavareda.
Leia maisO cientista político ressaltou a importância de observar a intenção de voto espontânea nas novas pesquisas. “Temos que estar atentos a esse dado, que será mais refletido nos números finais do que na pesquisa estimulada. Significa que as pessoas já têm claramente definido um candidato, faltando três ou quatro dias para a eleição, então vai ser cada vez mais importante a questão da espontânea. Também vamos ver finalmente pesquisas com a avaliação do debate, quem ganhou, quem perdeu, ganhou mais ou menos. Porque essa discussão vai continuar até o próximo, e essa percepção pode ir contagiando mais indecisos até a sexta-feira (23), com o debate da Globo. Então, olhemos esses aspectos, além do montante de indecisos, e prestemos atenção naqueles eleitores que admitem votar em qualquer um dos candidatos. É muito importante olhar quem pode votar no Flávio cruzado com quem pode votar no Lula e ver o tamanho desse percentual, as características desse público. E a partir daí, podemos imaginar o que teria maior probabilidade até o domingo da eleição”, completou Lavareda.
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O acirramento da disputa presidencial, segundo as pesquisas de intenção de voto, tende a prevalecer até sábado (24), véspera da eleição. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, Flávio Bolsonaro (PL) segue favorito, mas em condição vulnerável. Esse quadro, porém, pode voltar a se tornar mais confortável para o candidato, a depender da evolução dos próximos levantamentos, avaliou em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Segundo as projeções de Lavareda, mesmo que Flávio chegue à véspera da eleição numericamente empatado com o presidente Lula (PT), ainda terá mais chances de vencer o segundo turno por causa da abstenção. “Chamo a atenção para o fato de que, se o presidente chegar empatado numericamente no sábado à noite, minha leitura é de que as chances serão de 55% para Flávio contra 45% para Lula. A justificativa é a abstenção, que afetou no primeiro turno e provavelmente afetará no segundo. Embora a abstenção costume afetar a todos, o problema é o diferencial dela, que é adverso para Lula. E se Flávio chegar com uma diferença de 1,5 ou dois pontos, a chance se abre para 70% para ele, contra 30% para Lula, nas minhas projeções”, detalhou o cientista político.
Leia maisLavareda também analisou a evolução da campanha e classificou como “até surpreendente” a reação do petista. “Na primeira semana, Flávio abriu seis pontos na pesquisa, então ele era o favorito absoluto, indiscutível. Esperava-se que o segundo turno fosse só uma caminhada sem maiores problemas em direção à vitória dele. Mas, no final da primeira semana, o que assistimos foi à reação da campanha de Lula em duas dimensões, nas ruas e nas redes sociais.”
Segundo ele, o desempenho do PT nas redes e a retomada das mobilizações de rua alteraram o cenário. “Movimentos até surpreendentes, porque o PT e Lula nunca haviam tido nas redes o desempenho que conseguiram ter sob o comando do deputado André Janones (PT-MG). E há muito tempo os chamados progressistas não colocavam tanta gente nas ruas, que estavam praticamente monopolizadas pelos bolsonaristas”.
“Na segunda semana, a eleição continuou tendo Flávio como favorito, mas ele perdeu a condição de absoluto e passou a vulnerável, já que a maior parte das pesquisas estabelecia um empate técnico. Precisamos ver a Quaest nesta quarta-feira (21), que será a primeira pesquisa realizada totalmente após o debate do domingo, e que será sequenciada pela Datafolha na quinta-feira (21). A sinalização nos dirá se Flávio continua favorito vulnerável ou se voltou a absoluto. Precisamos aguardar as próximas pesquisas para ver se esse quadro de empate técnico se altera”, explicou.
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O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar que o também candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) autorize a quebra do sigilo bancário. A cobrança foi feita durante carreata do petista que partiu de Juazeiro, na Bahia, até Petrolina, em Pernambuco, nesta terça-feira (20).
Mais cedo, Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para que os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de sua família sejam liberados desde que Flávio faça o mesmo. As informações são da Folha de Pernambuco.
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“Se ele (Flávio) apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo (bancário), vai ter debate. Se não, ele não pode ir no debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão”, disse.
Ainda durante o discurso, Lula agradeceu à população de Petrolina e de Juazeiro pela votação e afirmou que não permitirá que “um ladrão” governe o país.
“Eu sei quantas vezes eu ganhei a eleição em Pernambuco e ganhei a eleição na Bahia. Por isso, eu sou muito grato a vocês. E vou dizer uma coisa: enquanto eu tiver perna para andar, braço para trabalhar, cabeça para pensar e boca para falar, o ladrão não vai governar o Brasil”, afirmou.
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O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a eleição representa uma escolha sobre os rumos do Brasil e defendeu a soberania nacional durante discurso em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Na ocasião, o candidato questionou se o país deve manter uma postura de defesa dos interesses nacionais ou se aproximar dos Estados Unidos.
Lula também destacou os investimentos em educação e a proposta de criação de uma modalidade universitária do programa Pé-de-Meia. As informações são do JC.
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“O que está em jogo no dia 25 não é uma simples eleição. O que está em jogo é a gente definir que tipo de Brasil a gente quer. Se a gente quer um Brasil que vai beijar a bandeira brasileira ou que é o Brasil que vai ficar ‘de quatro’ para a bandeira americana. É isso que está em jogo neste país”, declarou.
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