O líder do PT no Senado, Fabiano Contarato (ES), afirma entender as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao atual nível da taxa básica de juros, a Selic, mas diz que não é o momento e nem há clima na Casa para mexer na lei que estabeleceu a autonomia do Banco Central.
Em entrevista ao Poder360, o senador defendeu que tudo se resolva por meio de conversas entre Lula, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. Em 1º de fevereiro, a autarquia decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
Contarato se opõe a convites ou convocações do presidente do BC à Câmara ou ao Senado. “Tem que ter mais sobriedade, mais serenidade. A gente tem que entender qual vai ser a repercussão de qualquer movimento que se faça de convite ou convocação. Será que esse é o melhor caminho?”, questionou.
Contarato disse que Lula ter nomeado 5 senadores aliados para ministérios –fazendo com que seus suplentes assumissem os mandatos no Legislativo– não afetou a solidez da base de apoio ao governo. Mas afirmou que o tamanho da base pode variar a cada proposta de interesse do Executivo.
“Gosto sempre de dar o exemplo do meu comportamento na oposição. Se você pegar qual o percentual de vezes que eu votei com pautas de interesse da União no governo Bolsonaro, foi extremamente alto. Salvo engano de 60% a 70%”, declarou.
MP DO CARF
O líder do PT no Senado defendeu a aprovação da MP (medida provisória) do voto de qualidade do Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais), que dá ao presidente do órgão –um representante da União– a palavra final em julgamentos no caso de empate. Antes da MP, casos de empate em julgamentos vinham favorecendo sempre os pagadores de impostos.
Contarato indicou ser contra a proposta da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para mediar a tramitação da medida provisória no Congresso diante da resistência de deputados e senadores a chancelar a mudança da regra de desempate.
A OAB propõe que, quando um pagador de impostos perder uma causa pelo voto de qualidade, a multa e os juros podem ser cancelados desde que o pagador de impostos pague o valor do tributo em 90 dias. Se não for pago, a multa volta a ser cobrada, e a pessoa pode ir à Justiça.
“Tenho uma certa cautela com isso. Tendo a oportunidade, vou falar até isso com o ministro [da Fazenda, Fernando] Haddad. Às vezes, você tem uma boa intenção, mas, lá na frente, pode fazer com que os conselheiros [do Carf] passem a ter um comportamento de jogar tudo para o empate”, disse o senador petista.
PT E COMISSÕES NO SENADO O PT
tinha a expectativa de iniciar o ano legislativo com 10 senadores, mas acabou com 8. É só a 5ª maior bancada –o que influencia sua posição na ordem de precedência para reivindicar presidências de comissões permanentes.
O partido contava com as filiações do líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e da suplente do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Jussara Lima (PSD-PI), que não se concretizaram.
Com isso, a sigla do presidente da República ficará fora do comando das 3 principais comissões do Senado: CCJ (Constituição, Justiça e Cidadania), CAE (Assuntos Econômicos) e CRE (Relações Exteriores e Defesa Nacional).
“Tudo isso faz parte de um jogo político”, afirmou Contarato. “O que importa é que tenhamos senadores titulares e suplentes na composição das comissões. Tenho certeza que todos os presidentes dessas comissões [CCJ, CAE e CRE] têm uma interlocução e um diálogo permanente e direto com o PT.”
As prioridades do partido, que deve indicar presidentes de 2 comissões, são a CAS (Comissão de Assuntos Sociais) e a CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa). A CMA (Comissão de Meio Ambiente) vem em seguida.
Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, divulgado hoje, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48,9% das intenções de voto em um eventual 2º turno contra 41,8% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A pesquisa foi realizada depois da divulgação de mensagens em que o congressista pede dinheiro a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A pesquisa entrevistou 5.032 eleitores do Brasil de 13 a 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual e o nível de confiança é de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-06939/2026. Segundo a empresa, o estudo custou R$ 75.000 e foi pago com recursos próprios. Lula vence em todos os cenários de 2º turno testados pela AtlasIntel na pesquisa de maio.
O escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro atingiu exatamente o ativo que o senador tentava vender ao mercado político desde que virou presidenciável do clã: a ideia de que seria um Bolsonaro menos conflagrado, menos impulsivo e mais palatável ao Centrão, ao empresariado e aos eleitores de direita cansados do radicalismo do pai. A crise destruiu essa fantasia em menos de uma semana.
O problema já não é apenas a revelação dos áudios, mensagens e documentos sobre os repasses milionários para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). O desgaste cresceu porque Flávio não apresentou até agora o contrato que justificaria os aportes atribuídos ao grupo de Vorcaro nem a prestação de contas da produção cinematográfica. Sem esses documentos, aliados passaram a tratar a delação do dono do Banco Master como fator decisivo para o futuro da candidatura.
A irritação aumentou porque o senador escondeu de dirigentes e aliados políticos a dimensão da relação com Vorcaro. O caso explodiu no momento em que o PL negociava palanques estaduais e tentava consolidar uma frente ampla da direita. Lideranças de partidos como PP, União Brasil e Republicanos passaram a questionar reservadamente o custo eleitoral de atrelar campanhas estaduais a uma candidatura que entrou no noticiário policial antes mesmo do início oficial da campanha.
Os efeitos começaram a aparecer rapidamente. Em Santa Catarina, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo estadual, passou a sinalizar alinhamento prioritário com Ronaldo Caiado (União Brasil), evitando associação direta com Flávio. Na Bahia e no Ceará, aliados regionais intensificaram o discurso de campanhas menos nacionalizadas para evitar que o caso Master contaminasse disputas locais. Em Minas Gerais, o rompimento mais duro veio de Romeu Zema (Novo), que acusou Flávio de repetir práticas que o bolsonarismo passou anos atribuindo ao PT. “É um tapa na cara dos brasileiros de bem”, afirmou o ex-governador.
A reação do senador contribui para a crise. Flávio abandonou momentaneamente o personagem moderado que tentava construir desde o lançamento da pré-campanha e voltou ao estilo clássico da família Bolsonaro: confronto com jornalistas, discurso de perseguição política e ataques à imprensa. Em entrevistas, admitiu que novos materiais podem surgir. “Podem vazar novas conversas, pode vazar um videozinho”, declarou, ao reconhecer que manteve outros contatos com Vorcaro além dos já revelados.
Nos bastidores, integrantes da direita passaram a discutir cenários alternativos. Michelle Bolsonaro (PL), que já vinha ampliando influência sobre decisões estaduais, ganhou espaço nas conversas internas depois do desgaste do senador. O Datafolha que será divulgado hoje deve medir justamente o impacto imediato da crise e testar a ex-primeira-dama em um cenário presidencial no lugar de Flávio.
O maior temor da campanha é perder justamente o eleitor que considerava decisivo: a direita não bolsonarista. A avaliação entre aliados é que a base ideológica mais fiel continuará com o sobrenome Bolsonaro, mas o escândalo pode afastar o eleitor conservador que buscava uma alternativa competitiva contra Lula sem o peso político, judicial e ético acumulado pelo clã.
Apuração do filme esbarra nos EUA– A investigação da Polícia Federal sobre os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), enfrenta obstáculos fora do Brasil. Parte do dinheiro atribuído ao grupo de Daniel Vorcaro teria passado por estruturas sediadas nos Estados Unidos, incluindo um fundo no Texas gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo reportagem publicada ontem pelo jornal O Globo, investigadores admitem dificuldade para rastrear o destino final dos valores sem cooperação internacional. O montante citado nas negociações é de cerca de R$ 134 milhões.
Cenário com Michelle – O Instituto Datafolha divulga, a partir desta sexta-feira (22), pesquisa eleitoral de intenções de voto para o cargo de presidente da República. O levantamento vai ouvir 2.004 pessoas entre quarta-feira (20) e sexta-feira (22). Em um dos cenários, o instituto deve testar Michelle Bolsonaro no lugar de Flávio Bolsonaro. A mudança ocorre após o vazamento de áudio do pré-candidato Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, investigado por supostas fraudes financeiras na condução do Banco Master. Caso o entrevistado considere que Flávio deveria apoiar outro nome, o Datafolha deve perguntar qual candidato ele deveria apoiar: Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema ou Ronaldo Caiado.
Vorcaro tentou criar grupo de mídia – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, investiu cifras milionárias para formar um conglomerado de mídia sob sua influência antes de ser preso e ter o banco liquidado pelo Banco Central (BC). O relato é do publicitário Thiago Miranda. À reportagem do portal O Globo, Miranda, dono da agência Mithi, entregou um contrato de compra e venda que mostra que ele vendeu 17% do portal Léo Dias por R$ 10 milhões, em 19 de julho de 2024, ao empresário Flávio Carneiro, que ele afirma ser preposto de Vorcaro. O contrato mostra que Dias também vendeu uma parte de suas ações. Pouco antes da assinatura, Miranda e Vorcaro trocaram mensagens celebrando o negócio.
68% são a favor do fim da escala 6×1 – Uma pesquisa da Genial/Quaest, divulgada ontem, mostra que 68% dos eleitores brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1. Os que se declaram contra somam 22%, enquanto 7% não souberam responder e 3% não são nem a favor nem contra. A Genial/Quaest entrevistou 2.005 eleitores entre 8 e 11 de março de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-03598/2026. Segundo a empresa, o estudo custou R$ 433.255,92 e foi pago com recursos próprios.
Ato pode barrar Messias – Um Ato da Mesa do Senado pode representar entrave para uma segunda indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal ainda este ano. Nos últimos dias, as versões nos bastidores são de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva traria o nome de seu advogado-geral da União novamente para a apreciação dos senadores, mesmo com a negativa em uma primeira tentativa. O Ato da Mesa, de 2010, no entanto, veda essa possibilidade. O artigo 5º da norma diz: “É vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”.
CURTAS
João cita apoio de Lula – E meio à discussão sobre a possibilidade de Lula subir em dois palanques em Pernambuco no pleito desse ano, João Campos (PSB) afirmou ter ouvido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma sinalização clara sobre a disputa pelo Governo de Pernambuco. Em entrevista à Rádio CBN, ontem, o ex-prefeito do Recife relatou uma conversa recente com o petista: “João, eu quero ver você governador para a gente governar junto”. algo assim
Recado para Raquel – João afirmou ainda não acreditar que eventual apoio da governadora Raquel Lyra (PSD) à reeleição de Lula (PT) resulte automaticamente em apoio do presidente à candidatura dela em Pernambuco. O socialista reforçou estar “tranquilo” quanto ao palanque de 26 e voltou a defender uma frente ampla no Estado. João também minimizou críticas à composição de sua chapa majoritária, formada por Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT) e Carlos Costa (Republicanos).
Raquel busca solução em Brasília – A governadora Raquel Lyra (PSD) desembarcou ontem em Brasília para tentar fechar uma solução definitiva para a crise no fornecimento de energia dos projetos irrigados do Sistema Itaparica, no Sertão. O problema atingiu áreas irrigadas em municípios como Orocó, Parnamirim e Santa Maria da Boa Vista. Segundo Raquel, o governo federal assumiu o compromisso de quitar débitos da Codevasf com a Neoenergia. A distribuidora informou que o religamento dependia de condições de segurança após invasão a uma das subestações.
Perguntar não ofende: Lula vai dobrar a aposta e arriscar outra derrota por Messias?
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), o pré-candidato a governador de Pernambuco pelo PSB, João Campos e o pré-candidato a vice na sua chapa, Carlos Costa (Republicanos), prestigiaram, há pouco, o jantar em comemoração aos 20 anos do Blog do Magno, no Sal e Brasa Jardins, na área central do Recife.
Na ocasião, João destacou o pioneirismo do Blog, parabenizou o veículo por sua trajetória e destacou a importância do jornalismo sério e de credibilidade para o dia a dia do povo pernambucano.