Por Maysa Sena – Blog da Folha
O senador Humberto Costa (PT) foi o entrevistado do programa Folha Política, da Rádio Folha 96,7 FM, na manhã desta segunda-feira (19). Na conversa, ele avaliou o resultado do primeiro turno das eleições e comentou a mobilização em torno da candidatura do presidente Lula (PT). Questionado sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e se o resultado teria despertado o PT para a necessidade de intensificar a mobilização, Humberto Costa avaliou que o movimento vai além do partido e envolve a própria sociedade.
“Eu diria, não somente o PT, mas a própria sociedade”, afirmou o senador, ao comentar a mobilização em torno da candidatura de Lula no segundo turno. Para ele, o momento representa um movimento cívico de defesa de direitos conquistados ao longo dos últimos anos.
“Eu não tenho dúvida, eu já vi alguns comentários sobre isso e eu penso exatamente assim, o que está acontecendo agora no segundo turno é na verdade um movimento cívico, é uma coisa da sociedade”.
Leia maisO senador ponderou que o apoio ao presidente não se resume à identificação pessoal com o candidato, mas também ao receio de perder direitos e conquistas sociais.
“É uma coisa assim que a sociedade, muita gente que a gente vê pelo meio da rua e que tá ali e o cara diz: ‘Olha, eu a primeira vez que eu vou votar em Lula é essa agora, mas eu sei que se eu não votar, eu posso sofrer violência, eu posso perder coisas que eu conquistei com muita dificuldade, a gente que tá no SUS recebendo tratamentos que são extremamente caros e que tem medo de perder isso caso o bolsonarismo volte’”, disse.
Ao avaliar o impacto do resultado eleitoral sobre o partido, Humberto reconheceu a importância de rever a relação com a população. “Foi bom para a gente despertar e ver como nós estávamos distantes de muita gente no nosso país”.
Nova comunicação
Humberto também defendeu que a estratégia de comunicação adotada durante a campanha, especialmente nas redes sociais, seja mantida após as eleições. O senador reconheceu que precisa superar resistências pessoais ao uso dessas ferramentas.
“A outra coisa que eu acho significativa também é que o governo precisa disso que ele está fazendo agora. […] Utilizando as redes sociais, falando com a juventude, isso não pode acabar no dia seguinte à eleição, entendeu? Isso tem que ser uma preocupação permanente de todos nós”.
Ele afirmou que faz uma autocrítica em relação à própria atuação nas plataformas digitais.
“Eu mesmo faço uma autocrítica. Eu tenho uma certa resistência nessa questão de trabalhar as redes sociais, de está o tempo inteiro ali gravando vídeo. Não é muito fácil.”
Lula em Petrolina
O senador também comentou a agenda do presidente Lula em Petrolina, prevista para esta terça-feira (20). A cidade do Sertão pernambucano é considerada estratégica para a disputa eleitoral e é comandada politicamente pela família Coelho, que faz oposição ao presidente.
Humberto Costa demonstrou expectativa de grande participação popular no evento e projetou um desempenho melhor do PT na região e em Pernambuco no segundo turno.
“Eu acho que vai ser uma coisa gigantesca, né? É uma agenda que envolve dois estados, Bahia e Pernambuco. Nós sempre fazemos essa agenda em toda a eleição e sempre é um sucesso grandioso, né? E eu acredito que dessa vez será também. Nós vamos ganhar em Petrolina, nós vamos ganhar em Juazeiro, nós vamos ter um desempenho melhor em Pernambuco do que tivemos no primeiro turno”.
Local
Ao comentar sua votação no primeiro turno, superior numericamente à do ex-prefeito do Recife que disputou o governo de Pernambuco, João Campos (PSB), Humberto Costa rejeitou a interpretação de que teria atuado de forma isolada ou deixado de transferir votos para o aliado.
“O eleitor, ele é livre. Nós temos uma democracia, ele escolhe e faz as suas opções e os votos que eu recebi são decorrentes de um trabalho que eu tenho acumulado ao longo da minha vida. Como ministro da saúde, como deputado, como senador, como secretário estadual”, ressaltou.
Humberto também atribuiu parte do resultado à relação construída com prefeitos de diferentes municípios pernambucanos, independentemente do alinhamento político com a governadora Raquel Lyra (PSD).
Comparação
Humberto também contestou a comparação direta entre sua votação e a de João Campos. Segundo ele, as disputas para o governo do estado e para o Senado têm características diferentes, já que cada eleitor pode votar em dois candidatos ao Senado.
“Essa comparação de que o senador teve mais votos do que o governador significa que a gente tem uma campanha forte também, mas não dá para fazer essa comparação assim porque não são disputas iguais”.
Ao concluir a avaliação sobre a campanha de João Campos, Humberto afirmou que o candidato fez uma boa disputa, mas enfrentou dificuldades por concorrer contra uma governadora que buscava a reeleição e tinha avaliação positiva do governo.
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