A disputa eleitoral para a Presidência da República, altamente polarizada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), é tida como a mais imprevisível da história por diversos analistas políticos. Em debate promovido pelo podcast Direto de Brasília, jornalistas abordaram as particularidades do pleito e os rumos da disputa, que poderá findar neste domingo, para um lado ou para outro, a depender do que aconteça nos próximos dias.
“Não é possível ter muita certeza sobre o que vai acontecer num eventual segundo turno. Dessa vez o presidente Lula só tem adversários do campo conservador. Em 2022, havia adversários do campo mais do centro, como Simone Tebet pelo MDB e Ciro Gomes pelo PDT, que acabaram tendo alguma influência. Agora temos um cenário um pouco diferente, o que em tese favorece o Flávio no segundo turno. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. Imaginar que pessoas se movem somente por razões ideológicas é um erro. As motivações muitas vezes são outras. Não dá para cravar nada. Estamos numa situação curiosa, porque pode acontecer de tudo nessa polarização exacerbada”, ponderou o jornalista Rudolfo Lago, do jornal Correio da Manhã.
Leia mais“É uma eleição muito apertada. Temos um fator importante que é a eleição de Minas Gerais, onde o desempenho de Flávio melhorou muito, onde tem puxadores de voto como o deputado Nikolas Ferreira (PL), que calcula se reeleger com dois milhões de votos, e o senador Cleitinho (Republicanos), que está na frente para governador. E tem a questão da abstenção, que tem tendência de aumentar por conta da meteorologia. Vai chover demais em tudo que é lugar, especialmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, onde tem mais votos, onde o eleitor tem dificuldade de sair de casa, já que nem todo mundo vota perto. Será uma eleição disputadíssima, porém acho que esses fatores podem mudar a dinâmica no domingo”, ressaltou Marcelo Tognozzi, do Poder360.
José Maria Trindade, da Rádio Jovem Pan, avalia que será “emoção até o último minuto”. “A temperatura da política subiu muito nos últimos dias. A pesquisa mostra o vai-e-vem em vários setores, com Flávio e Lula empatados em todos os quesitos, seja no mais detestado e no mais amado, na possibilidade de votos novos e na possibilidade de votar não. Ou seja, ninguém sabe quem será o próximo presidente. Estamos nas mãos dos indecisos. Eles que vão definir, de um lado ou de outro. Muito parecido com o que acontece nos últimos anos. Esta polarização é muito comum nas últimas eleições, a divisão é uma marca da política brasileira, não tem jeito. As pesquisas mostram exatamente esse quadro, de muita emoção até o último momento”, cravou Trindade.
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