Caso dos panfletos expõe proximidade de Raquel com grupo da desconstrução de João
O surgimento dos panfletos apócrifos contra Raquel Lyra (PSD) abriu uma nova frente de questionamentos na campanha eleitoral. Mais do que a necessária investigação sobre quem produziu e espalhou o material, o episódio chama atenção para uma conexão política que começa a ganhar relevância: a proximidade da própria governadora com pessoas ligadas a páginas e estruturas de comunicação dedicadas à desconstrução do candidato do PSB a governador, João Campos.
Um dos personagens centrais dessa relação é o jornalista e fotógrafo Léo Malafaia. Apresentado publicamente como um dos idealizadores do site Bastidor.PE, Malafaia ocupou cargo no Governo de Pernambuco até 4 de agosto, quando foi exonerado para trabalhar como videomaker na campanha de reeleição de Raquel.
Leia maisNa prática, saiu da estrutura governamental diretamente para o núcleo de comunicação eleitoral da governadora. É justamente o Bastidor.PE que está no centro das dúvidas sobre a origem das imagens dos panfletos. O site foi o primeiro veículo a publicar, às 11h02 do domingo (30), uma fotografia do cartaz com a frase mais grave e de maior repercussão contra Raquel.
Até agora, segundo as informações apresentadas à Justiça Eleitoral, não há notícia de que um exemplar daquele cartaz específico tenha sido localizado fisicamente nas ruas por autoridades ou populares. A questão ganha outra dimensão porque Malafaia não mantém apenas uma relação histórica ou distante com a governadora.
Ele atua atualmente em sua campanha e acompanha Raquel de perto. Em 20 de agosto, imagens produzidas por ele durante uma caminhada da candidata em Paulista foram distribuídas pela própria assessoria. Na segunda-feira (31), apenas um dia depois do aparecimento dos panfletos nas redes sociais, Malafaia voltou a trabalhar na cobertura em vídeo de uma agenda da governadora.
As conexões em torno do Bastidor.PE também não terminam nele. Na publicação de estreia da página, em outubro de 2025, aparecem como idealizadores, ao lado de Malafaia, Fillipe Vilar e Rodrigo Ambrosio. Os três têm vínculos que convergem para a estrutura política que cercou Daniel Coelho quando ele comandou a Secretaria de Turismo e Lazer do Governo de Pernambuco.
Vilar chefiou a comunicação da pasta. Ambrosio também ocupou cargo na Secretaria. Anna Tenório, esposa de Malafaia, integrou a mesma estrutura antes de ser transferida para a Casa Civil, onde permanece. Posteriormente, o próprio Malafaia ganhou um cargo comissionado na Secretaria de Turismo. Forma-se, portanto, uma rede de relações profissionais e políticas que passou pelo Governo do Estado e que, em parte, permanece ligada diretamente ao projeto eleitoral de Raquel.
O conteúdo publicado pelo Bastidor.PE acrescenta um componente político a essa relação. Embora Malafaia não assine matérias no site, ele continuou divulgando publicações da página mesmo depois de entrar na campanha. Desde 14 de agosto, compartilhou pelo menos três conteúdos do Bastidor.PE, todos negativos contra João Campos, principal adversário da governadora.
É esse conjunto de circunstâncias, e não apenas uma publicação isolada, que torna o episódio relevante. De um lado, um site voltado frequentemente a conteúdos de desgaste contra João Campos. Do outro, entre os idealizadores declarados desse veículo, um profissional que deixou o Governo para trabalhar diretamente na campanha de Raquel e que segue próximo da candidata.
Agora, o mesmo site aparece como o primeiro veículo a divulgar a imagem do mais grave dos panfletos atribuídos a uma ação contra a governadora. Isso não significa, por si só, que seus integrantes tenham produzido o material.
A própria notícia-crime apresentada à Justiça Eleitoral não faz essa acusação. O ponto central é outro: diante da ausência de localização física do cartaz de maior repercussão, quem recebeu, registrou e publicou originalmente sua imagem pode ajudar a esclarecer de onde ela veio, quem a enviou e em quais circunstâncias foi produzida.
Por isso, Malafaia, Vilar e Ambrosio foram relacionados na peça como personagens que podem contribuir para a investigação. Cabe às autoridades reconstruir o caminho das imagens e identificar os responsáveis pela produção e eventual distribuição dos panfletos.
Politicamente, porém, o caso acrescenta mais uma camada a um problema que acompanha Raquel nesta eleição: a recorrente proximidade de sua estrutura política e governamental com personagens envolvidos na produção ou disseminação de conteúdos destinados a desgastar João Campos.
A questão que emerge, portanto, ultrapassa a autoria dos panfletos. É preciso esclarecer até onde vão as relações entre a campanha da governadora e estruturas digitais dedicadas ao enfrentamento e à desconstrução de seu principal adversário.
No caso do Bastidor.PE, essa relação deixou de ser apenas periférica: um de seus idealizadores está hoje dentro da campanha de Raquel, produzindo diretamente a imagem da candidata.
A investigação sobre os panfletos poderá esclarecer quem produziu o material. Mas o episódio já revela uma contradição política que merece explicações: enquanto Raquel denuncia publicamente uma suposta estrutura de ataques contra ela, pessoas de sua confiança e de sua própria campanha mantêm vínculos diretos com um veículo que atua sistematicamente na linha de confronto contra João Campos.
KIT GAY – A Justiça Eleitoral mandou o casal político Júnior Tércio e Clarissa Tércio, que disputam a reeleição para deputado estadual e federal, respectivamente, removerem das redes sociais um vídeo de propaganda eleitoral no qual associam o campo político adversário ao chamado “kit gay”. A decisão liminar, assinada pelo desembargador eleitoral auxiliar Paulo Augusto de Freitas Oliveira, estabelece prazo de 24 horas para a retirada da publicação. Além da remoção, foram proibidos de republicar, repostar, compartilhar, impulsionar, manter acessível ou promover novos conteúdos que reproduzam, total ou parcialmente, a mensagem considerada ilícita.

R$ 40 BI e 200 mil empregos – Em sabatina ontem na Fiepe, a governadora Raquel Lyra (PSD) disse que em sua gestão gerou mais de 200 mil empregos com carteira assinada. Destacou a redução da taxa de desocupação no Estado e projetou que Pernambuco chegará ao fim de quatro anos com R$ 40 bilhões em investimentos privados anunciados e em execução. Segundo ela, os investimentos públicos realizados pelo Estado têm ajudado a estimular a entrada de recursos privados na economia pernambucana.
Fachin não quer decidir sozinho – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, iniciou conversas individuais com ministros da Corte para medir o ambiente interno antes de decidir o destino do pedido de apuração que envolve o ministro Alexandre de Moraes. As consultas ocorrem em meio a uma pressão interna para que o presidente evite tomar sozinho uma decisão sobre uma questão que divide a Corte. Uma das alternativas discutidas é justamente levar o pedido ao colegiado, ainda que não haja maioria entre os ministros pela abertura de uma investigação contra Moraes.
André com Vorcaro – O advogado baiano Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, enviou para Daniel Vorcaro, no dia 8 de fevereiro do ano passado, uma fotografia ao lado de André Mendonça e afirmou em um áudio que estava “trabalhando” pelo banqueiro enquanto levava o ministro a uma alfaiataria. A informação foi revelada pelo jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras. O ministro do STF divulgou nota em que confirmou ter se encontrado “uma única vez” com Vorcaro, em março de 2025, “por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”. Disse ainda que, no mesmo mês, atendeu também o advogado do ex-banqueiro.

O efeito Cury – As campanhas à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) vão ampliar a disputa pelos eleitores que se classificam como independentes após a pesquisa Quaest mostrar o crescimento do candidato do Avante, Augusto Cury, para 10% das intenções de voto. O eleitorado de Cury, agora isolado em terceiro na corrida presidencial, está concentrado no segmento que diz não ter um lado na polarização política entre direita e esquerda. O levantamento mostra que Cury cresceu oito pontos em relação à pesquisa divulgada em 14 de agosto, quando tinha 2%. As duas pesquisas não são diretamente comparáveis porque houve uma mudança na lista de candidatos testados, mas a disparada colocou o candidato do Avante isoladamente na terceira posição e ampliou a atenção das duas principais campanhas sobre seus movimentos.
CURTAS
PROTAGONISMO – De João Campos na Fiepe: “Hoje, Pernambuco perdeu protagonismo no Nordeste, perdeu posições em ranking de competitividade, de infraestrutura, saímos da segunda posição para a penúltima na formação de ensino técnico. Isso é muito ruim, mas a gente está aqui não para desanimar as pessoas, para dizer que isso vai mudar com minha chegada ao Governo”.
REVEZAMENTO – De Ivan Moraes, candidato do PSOL, na Fiepe: “O povo pernambucano, quando percebe a existência da nossa candidatura, imediatamente entende que aqui em Pernambuco não tem nenhuma necessidade de trocar seis por meia dúzia. Eu estou na missão de acabar com o revezamento de herdeiro no Palácio das Princesas”.
POSSE – A Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPPE) empossa, hoje, às 18h, a sua nova Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal e Consultivo da entidade para o biênio 2026-2028. O evento, que será realizado no casarão-sede da AMPPE, na Rua Benfica, 810, na Madalena, no Recife, marca a recondução da promotora de Justiça Helena Martins Gomes à presidência da Associação, após sua reeleição no pleito realizado em junho.
Perguntar não ofende: O affair Alexandre de Moraes vai dar em pizza?
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