O dia em que Carlos Monforte abandonou o Bom dia, Brasil
Cheguei em Brasília em meio à campanha das Diretas Já e logo passei a conviver com jornalistas do mais alto nível, principalmente quando fui eleito para a presidência do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados no segundo mandato do presidente da Casa, Michel Temer, com quem criei uma relação profissional respeitosa que perdura até hoje. Um grande aprendizado, uma verdadeira universidade do jornalismo político.
Atuei entre o Salão Verde da Câmara e o Salão Azul do Senado, ambiente no qual as feras eram vistas farejando notícias. Figurões do jornalismo nacional, como Dora Kramer, Fernando Rodrigues, Heraldo Pereira, Júlio Mosquéra, Denise Rothenburg, José Maria Trindade, Marcelo Tognozzi, Tales de Farias, Weller Diniz, Luiz Queiroz, Cristiane Lobo e até o Carlos Castelo Branco, o Castelinho, o maior de todos.
Com Carlos Monforte, que Deus levou ontem aos 77 anos, também tive uma convivência bem próxima. Era a ele que recorria para levar ao Bom dia, Brasil, programa que ancorou por muitos anos, o presidente da Fundação Rondon, Sílvio Amorim, a quem assessorei em Brasília numa primeira etapa, e depois, já num outro momento da minha carreira, o então governador de Pernambuco, Joaquim Francisco, de quem fui secretário de Imprensa.
Leia maisAo noticiar ontem a morte de Monforte recordei um episódio com ele que nunca esqueci. Levado por mim para o Bom dia, Brasil, nos estúdios da Globo em Brasília, Joaquim estava ao vivo no programa quando, de repente, do nada, Monforte abandonou os estúdios da emissora sem dar a menor explicação aos telespectadores.
Para sorte dele, a bancada do Bom dia, Brasil era dividida com outro jornalista, que segurou a peteca. Corri em direção a Monforte para saber o que havia acontecido e tentar socorrê-lo. Felizmente, havia sido apenas um pico de pressão, logo controlado no posto médico da própria emissora, mas sem tempo de ele voltar ao programa.
Nascido em Santos, Monforte começou a trabalhar como repórter no jornal A Tribuna antes mesmo de concluir a faculdade de Jornalismo.
Formado em 1972, passou pela Secretaria de Obras do Estado de São Paulo e, entre 1973 e 1978, foi repórter especial de O Estado de S. Paulo.
Nesse período, fez cursos de aperfeiçoamento na Universidade de Navarra, na Espanha, e na Fundação Beauve Marie, na França. Monforte chegou à Globo em 1978, convidado por profissionais da redação da emissora em São Paulo.
Começou como repórter local e participou de coberturas para o Jornal Nacional e o Fantástico, entre elas as greves dos metalúrgicos do ABC paulista. A adaptação à televisão, segundo ele próprio, exigiu aprendizado. Em 1982, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e passou a apresentar o Bom Dia São Paulo.
No ano seguinte, com a criação do Bom Dia Brasil, tornou-se editor-chefe e apresentador do telejornal, permanecendo à frente do programa por nove anos. Na época, o noticiário tinha foco principalmente em política e economia e chegou a realizar centenas de entrevistas com políticos e empresários.
GRANDE MESTRE – O velório do jornalista Carlos Monforte será hoje em Brasília. A causa da morte não foi revelada, mas ele lutava contra um câncer. Políticos, jornalistas e autoridades lamentaram a perda. O Supremo Tribunal Federal publicou uma nota de pesar, assinada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Nas redes sociais, ex-colegas de profissão e admiradores lamentaram a morte de Monforte. A jornalista Mônica Waldvogel, da GloboNews, escreveu que o jornalista foi um “grande colega e mestre”. O Sindicato dos Jornalistas do DF também se manifestou. “Monforte deixa um legado de ética, competência e dedicação ao jornalismo — qualidades que inspiram as novas gerações da imprensa brasileira”, diz um trecho da nota da entidade.

PT expulsa prefeito agressor – Um dia após a ex-primeira-dama de Granito, Raila Miranda, denunciar ter sido vítima de agressões pelo prefeito George de Sidney, filiado ao PT, a direção do partido o expulsou dos quadros da legenda. No texto, o PT afirmou que o próprio George de Sidney pediu desfiliação, enquanto o partido encaminhava um processo ético-disciplinar urgente. A apuração do caso também foi defendida. Além disso, o PT repudiou a violência contra a mulher e manifestou solidariedade à ex-companheira do gestor.
Um caso que abafou o gabinete do ódio – A história mal contada dos panfletos apócrifos, justamente após a Polícia Federal entrar no caso do suposto gabinete do ódio criado pela governadora para atacar João Campos, passou a ser apurada pela Polícia Civil. As diligências já foram iniciadas para esclarecer a autoria e as circunstâncias do episódio. A apuração está sob a coordenação da 1ª Delegacia Seccional de Santo Amaro (1ª DESEC), no Recife. “A Polícia Civil de Pernambuco informa que está investigando um caso de calúnia registrado, na tarde de ontem (30), por meio da Delegacia pela Internet. As diligências já foram iniciadas com o objetivo de identificar a autoria e esclarecer as circunstâncias do caso”, informou a Polícia, através de uma nota.
Votação adiada – A comissão mista que analisa a medida provisória (MP) sobre o fim da “taxa das blusinhas” adiou a votação do texto. Inicialmente prevista para ontem, a votação ficou marcada para hoje. O presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), disse que o tempo será usado para definir os “últimos detalhes” do relatório. A inclusão da MP na pauta de votações desta semana passou por um acordo político que envolveu a cúpula do Poder Legislativo e o Palácio do Planalto.

Cury, surge a terceira via? – O escritor Augusto Cury (Avante) chegou a 11% das intenções de voto para a Presidência da República e se tornou o primeiro candidato da chamada terceira via a alcançar dois dígitos, segundo a pesquisa Nexus/BTG, divulgada ontem. O resultado aparece na aferição do primeiro turno. Segundo o levantamento, Cury cresceu nove pontos percentuais em relação à rodada anterior, ficando atrás apenas do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
CURTAS
MAIS SEGUIDORES – A ascensão de Cury ocorre poucos dias após o primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado em 22 de agosto. De acordo com o levantamento da Vox Radar, divulgado pela CNN Brasil, Cury foi o candidato que mais ganhou seguidores no Instagram após o encontro, saindo de 8,3 milhões para 9,9 milhões de seguidores.
ABOMINÁVEL – A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), classificou como “abominável” a tentativa de atribuir a ela a autoria dos cartazes apócrifos. Ela afirmou que o povo pernambucano a conhece e que somente uma “alma muito doente pode pensar em algo assim”. As declarações foram dadas durante entrevista, ontem, ao SBT News.
LDO APROVADA – No último dia do prazo regimental e constitucional para ser sancionada, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – que estabelece uma receita de R$ 57,4 bilhões para o próximo ano – foi votada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco na tarde de ontem e aprovada, em sessão plenária, por unanimidade.
Perguntar não ofende: O eleitor brasileiro passou a enxergar em Augusto Cury o caminho para o fim da polarização?
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