Do UOL
A propaganda eleitoral gratuita dos candidatos à Presidência da República começou hoje (29) na TV. Líderes nas pesquisas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram ataques e fizeram acenos ao eleitorado feminino. O petista buscou apresentar propostas para um eventual quarto mandato, enquanto o senador tentou se mostrar como um “Bolsonaro moderado”.
O programa de Lula começou relembrando escândalos envolvendo Flávio. A campanha do presidente citou o episódio em que o senador pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para custear um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), as denúncias sobre “rachadinha” no gabinete de Flávio quando deputado estadual pelo Rio de Janeiro e a homenagem a Adriano da Nóbrega, apontado como chefe de milícia e integrante do Escritório do Crime. “Flávio, o pior dos Bolsonaro”, diz o programa.
Leia maisLula lembrou o passado para projetar o futuro. Ele leu uma carta feita para o “Lula de 79”, quando liderou uma greve em São Bernardo do Campo (SP), para listar feitos do atual mandato e dos dois anteriores. Disse que “recebeu um país destruído” do governo anterior e que o recuperou. Citou controle da inflação, recorde na geração de empregos e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. “A gente reconstruiu o Brasil, mas ainda não está satisfeito porque o Brasil está pronto para muito mais”, disse Lula, citando o mote da campanha à reeleição.
Campanha também fez acenos ao tema da segurança pública, considerado ponto fraco do petista. O presidente disse que fez “combate firme às organizações criminosas” e lembrou a Operação Carbono Oculto, a maior já realizada contra o crime organizado. A campanha afirmou que “está em jogo”, com a reeleição de Lula, o “combate firme a facções criminosas e ao crime organizado”.
Lula prometeu investimentos em tecnologia em um quarto mandato. “É hora de transformar o Brasil com padrão de desenvolvimento baseado em tecnologia, soberania e com indústria forte”, disse. Citou também o apoio do petista ao fim da escala 6×1 e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A primeira-dama Janja da Silva participou do programa para falar sobre feitos da gestão na defesa dos direitos das mulheres.
Flávio também atacou Lula. O programa do senador começou com ele atacando o adversário, dizendo que o atual presidente “vai mostrar cenas bonitas” e “culpar os outros”, enquanto “ele vai mostrar o Brasil real”, citando problemas como o combate ao crime organizado e o endividamento das famílias. “Até a pizza o povo está tendo que parcelar”, disse o candidato.
Candidato do PL fez aceno ao eleitorado feminino. Ele dedicou boa parte do programa para falar da família, especialmente do casamento com a dentista Fernanda Bolsonaro, e resgatou momentos do relacionamento e do nascimento das duas filhas do casal. A campanha de Flávio tem tentado diminuir a rejeição dele entre as mulheres, parte do público em que Lula aparece na liderança das pesquisas de intenções de voto.
Coube a Fernanda apresentar Flávio como moderado. “Reeduquei ele. Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado”, disse a esposa do senador ao aparecer do lado dele durante o programa. Rogéria Bolsonaro (PL-RJ) também teve destaque no programa. O candidato disse que aprendeu “muito” com a mãe e narrou sua relação com ela, enquanto exibia imagens de arquivo ao lado da matriarca.
Ronaldo Caiado (PSD) buscou se apresentar ao eleitor e exaltou sua gestão em Goiás. O ex-governador citou o que considera sucessos do seu período à frente do estado, como a segurança e a educação. Retratou seu início na vida pública, quando foi candidato à Presidência em 1989, combatendo movimentos pela reforma agrária. Falou ainda de sua vida pessoal, ao relembrar a trajetória como médico e falar do casamento com Gracinha Caiado, que este ano tenta uma vaga no Senado por Goiás e lidera as pesquisas regionais.
Augusto Cury (Avante), com apenas 35 segundos de propaganda, criticou a polarização. “É isso que vocês querem? Mais quatro anos disso? Ou a gente para de gritar? Senta, se escuta e cura esse país”, afirmou o candidato.
Os demais candidatos — são 13, ao todo — não terão tempo de rádio e TV este ano. Os postulantes são filiados a partidos que não cumpriram as regras para ter acesso ao horário eleitoral gratuito.
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