O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no domingo. O argentino compartilhou um post de um parlamentar americano, apoiador de Donald Trump, no qual o petista é chamado de porco.
“O ódio e o desprezo com que o criminoso Lula da Silva, do Brasil, se manifesta em relação ao nosso secretário de Estado, Marco Rubio, vêm diretamente de seus chefes na ditadura castro-comunista”, escreveu o deputado republicano Carlos A. Giménez, que completou: “Os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”. As informações são do jornal O GLOBO.

A crise diplomática entre Brasil e Argentina se agravou após Milei participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Na ocasião, Milei criticou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Depois, durante entrevista à emissora local LN+, Milei voltou aos ataques. Chamou Lula de “ladrão” e “corrupto”. Na ocasião, Milei rejeitou as críticas feitas pelo governo brasileiro.
— Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico — disse Milei ao questionar a anulação das condenações do petista no âmbito da Operação Lava-Jato.
O argentino também defendeu o tom das declarações anteriores durante a entrevista. Milei rejeitou as críticas vindas do governo brasileiro.
— O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar.
Entenda a escalada da tensão
No evento de lançamento da candidatura de Flávio, Milei falou das condições econômicas de seu país quando assumiu o cargo, atrelando isso ao socialismo. Ele criticou o Foro de São Paulo “criado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”.
— O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo — falou.
O presidente argentino ainda chamou Lula de “presidiário”e Moraes de “lixo careca” por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro.
Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a Argentina precisa interromper as agressões contra o Brasil para normalizar as relações entre os dois países. A declaração foi dada em entrevista ao jornal argentino Clarín. O chanceler classificou como graves as ofensas feitas por Milei.
Vieira disse que a “Argentina precisa valorizar a relação com o Brasil da mesma maneira que o Brasil a valoriza com a Argentina”. O chanceler destacou ao jornal argentino que “é necessário interromper imediatamente esse tipo de agressão e trabalhar pela relação bilateral, que é tão importante”.
O ministro também ressaltou que a relação entre os dois países é primordial. “Essas ofensas foram muito graves. Portanto, é preciso preservar essa relação, suspender as agressões e retomar o caminho da normalidade no vínculo bilateral”, afirmou.
O chanceler destacou que a relação entre Brasil e Argentina “chegou ao ponto de ser administrada por encarregados de negócios devido às agressões não apenas contra pessoas por parte do presidente argentino, mas também contra o Brasil, as instituições brasileiras, os Poderes e o responsável pelo Supremo, que teve um papel fundamental para impedir um golpe militar e punir os responsáveis”.
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