Por Rinaldo Remígio*
Há textos que lemos e esquecemos rapidamente. Outros permanecem conosco, provocando reflexões que vão muito além de suas palavras. Foi essa a sensação que tive ao receber, de um amigo, um artigo do brasileiro Enildo Ramos Vasconcellos, residente na Noruega. Sua reflexão me levou a pensar sobre um tema muito maior do que o futebol.
O ponto de partida era a derrota do Brasil para a Noruega em uma Copa do Mundo. Um resultado que entristece milhões de brasileiros, afinal, o futebol faz parte da nossa identidade. Mas Enildo nos convida a olhar para um campeonato muito mais importante do que aquele disputado dentro das quatro linhas.
Leia maisEnquanto dedicamos grande atenção às vitórias e derrotas no esporte, há países que também celebram conquistas silenciosas: educação de qualidade, saúde eficiente, segurança, respeito às leis, instituições sólidas e boa gestão dos recursos públicos.
Foi impossível não pensar no Brasil.
Somos uma nação privilegiada por suas riquezas naturais e pelo talento do nosso povo. Nunca nos faltou potencial. O grande desafio tem sido transformar esse patrimônio em desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para todos.
Não defendo que o Brasil copie a Noruega. São países com histórias, dimensões e realidades completamente diferentes. Mas ignorar bons exemplos seria um erro. Nações prósperas não surgem por acaso; são construídas por instituições fortes, governantes preparados e cidadãos conscientes de suas responsabilidades.
O futebol pertence aos atletas. O futuro do Brasil pertence aos brasileiros.
Por isso, o voto talvez seja o maior ato de responsabilidade que exercemos. Uma Copa do Mundo dura algumas semanas; os efeitos de uma escolha nas urnas podem marcar gerações. Diante da urna eletrônica, não escolhemos quem levantará uma taça, mas quem administrará os recursos públicos e ajudará a definir os rumos da educação, da saúde, da segurança e da economia do país.
Ao concluir a leitura da reflexão de Enildo Ramos Vasconcellos, convenci-me de que o maior título de uma nação não cabe em um troféu. Ele se revela na escola que educa, no hospital que atende com dignidade, na segurança que protege, na justiça que funciona e na confiança que o cidadão deposita em suas instituições.
Gols emocionam. Taças passam. Governos também.
Mas uma sociedade construída sobre educação, honestidade, competência e responsabilidade atravessa gerações.
Esse é o campeonato que o Brasil precisa vencer. E essa vitória dependerá muito mais da nossa consciência do que dos nossos pés.
*Professor universitário aposentado e memorialista
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