O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quinta-feira que vai continuar no cargo de líder do governo no Senado até decisão contrária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar disse que Lula falou com ele hoje para prestar solidariedade após o senador ser alvo de operação da Polícia Federal.
Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão que investigam suspeitas de que ele teria recebido dinheiro para favorecer os interesses do banco Master. As informações são do jornal O GLOBO.
– Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema – disse em entrevista à BandNews.
Leia maisO petista também disse que vai manter a candidatura à reeleição ao Senado.
Mais cedo nesta quinta-feira, Wagner foi alvo de um mandado de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero.
A PF apontou que Jaques Wagner foi o “beneficiário central” de “vantagens econômicas” pagas por integrantes do Banco Master. Entre esses benefícios estão pagamentos de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves ligadas ao Master e o ingresso para o camarote de um show internacional em Los Angeles que teria custado R$ 63,3 mil.
O ponto de conexão de Wagner com o caso Master se dá por meio do ex-sócio do banco, o empresário baiano Augusto Lima, que também foi alvo na Operação de hoje.
A PF identificou uma mensagem em que o petista envia a Lima detalhes sobre um apartamento que ele estaria interessado em adquirir em Salvador. “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões”, escreveu ele. A mensagem é datada de novembro de 2024.
Na entrevista, Wagner disse que não recebeu dinheiro do Master.
– Nunca recebi de dinheiro de ninguém, muito menos do Master e do Augusto Lima
Ele também negou qualquer irregularidade na aquisição do apartamento:
– Sobre o apartamento, na verdade é um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: “pode comprar? Depois eu vou recomprar”.
Líder do governo no Senado, Wagner sempre negou ter qualquer relação com as “falcatruas” do Banco Master – como ele mesmo chamou o esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição financeira em fevereiro deste ano.
Em sinais de atuação a favor do Master, a PF citou que o senador do PT também teria feito lobby no governo pela aprovação da compra do Master pelo Bando de Brasília (BRB) e no Senado pela aprovação de outra emenda, conhecida como “emenda Master”, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PI-PP) e propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs.
Wagner está na liderança do governo no Senado durante todo o terceiro mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Nas gestões petistas passadas ele acumulou funções importantes no governo federal, como os ministérios da Casa Civil, Defesa e Relações Institucionais.
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