Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
As sucessivas quedas em pesquisas desde a divulgação da conversa em que o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estão produzindo um fenômeno até então inédito no partido. Desde a morte de Alvaro Valle, há 26 anos, mais do que presidente Valdemar Costa Neto era o dono do PL.
Agora, está quase que completamente escanteado da campanha de Flávio. Toda a estratégia política está nas mãos do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (RN), e do clã Bolsonaro. Valdemar recolheu-se, então, a trabalhar o projeto de eleger mais de cem deputados federais para continuar com a fatia mais gorda do fundo partidário.
Leia maisMas mesmo isso muitas vezes depende de decisões às quais Valdemar vem sendo alijado. A formação das chapas nos estados não passa por ele. E não raras vezes alija a ampliação de alianças. Após estourar o caso Flávio/Master, o antigo marqueteiro da campanha, Marcelo Lopes, foi substituído pelo publicitário Eduardo Fischer. Segundo fontes, Valdemar nem tem ido ao comitê de campanha. E foi instado a parar de dar entrevistas.
Enquanto isso, a campanha parece oscilar quanto ao melhor perfil a ser explorado por Flávio Bolsonaro. Inicialmente, ele procurava aparecer como o integrante mais moderado do clã. Depois do caso Flávio/Master e do comando marqueteiro, pareceu sair em busca dos eleitores do bolsonarismo/raiz, no esforço de aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (10), porém, foi um balde água fria em ambas as estratégias.
No caso da busca dos mais moderados, a Quaest mostrou que Flávio perdeu a prevalência que tinha até a rodada anterior entre os independentes. Agora, Lula lidera entre os que se encaixam no segmento. Mas a pesquisa mostra aumento também da desconfiança de parte significativa dos próprios bolsonaristas quanto às conversas de Flávio com Vorcaro.
O grande problema, como já comentamos por aqui, é a falta até o momento de respostas concretas sobre o que foi feito com o dinheiro mandado por Vorcaro. R$ 134 milhões pedidos, R$ 60 milhões efetivamente repassados. Foi todo para o filme “Dark Horse”? Onde está a contabilidade disso?
O timing da aproximação com Donald Trump também, avalia-se, não ajudou. Uma semana depois de receber Flávio Bolsonaro na Casa Branca, Trump anunciou novo tarifaço sobre o Brasil. E foi somente nesse dia que ele fez postagens do encontro que teve com o candidato do PL, forçando uma conexão.
Flávio agora aposta em dois fatores para estancar a sangria do caso Master. A primeira é que a Copa do Mundo, que começou nesta quinta-feira, esfrie o noticiário político. A torcida por um bom desempenho do Brasil, que o mantenha na Copa pelo maior tempo possível, ganhou contornos políticos.
A segunda torcida do comando da campanha é por finalmente uma entrada mais incisiva de Michelle Bolsonaro na campanha. É notório que Valdemar a preferia como candidata. Não há essa possibilidade. Mas a campanha aposta na força popular dela para tentar alavancar Flávio, especialmente estancando queda entre os evangélicos.
É notório também que nem Flávio nem os demais filhos de Bolsonaro dos casamentos anteriores têm boa relação com a madrasta. Mas, nesse ponto, a avaliação é que a relação menos ruim é justamente com Flávio. Até agora, Michelle tem dito que precisa se ocupar da saúde de Jair Bolsonaro.
Mas ela tem participado de eventos do PL de promoção de mulheres que sairão candidatas. Nessas ocasiões, até agora evitou falar de Flávio Bolsonaro. Michelle tem dito que entrará na campanha “no momento certo”. Dada a situação, resta saber se esse “momento certo” não possa ser tarde demais.
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