Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Não foi uma iniciativa do presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), determinar uma intervenção no diretório do Distrito Federal. O pedido foi feito pelo grupo integrado pelo deputado federal Rafael Prudente. A partir do pedido, ficam suspensas decisões do presidente do partido no DF, o deputado distrital Wellington Luiz, até que a Executiva Nacional resolva o que fazer numa reunião que fará na quinta-feira (11).
Baleia criou ainda uma comissão, presidida pelo deputado Isnaldo Bulhões (AL) para avaliar a situação. Para uma experiente liderança emedebista ouvida pelo Correio Político, uma tremenda confusão, “motivada por meros interesses particulares”, que deveria ter sido evitada.
Leia maisEsse emedebista lembra que foi o próprio ex-governador Ibaneis Rocha quem construiu a aliança que levou Celina Leão a ser sua vice-governadora. No primeiro governo Ibaneis, seu vice-governadora era Paco Britto, hoje no Avante. “Muda agora o comando do governo e aí a saída é querer mudar tudo a quatro meses da eleição? Não vai dar certo”, vaticina. “Conflitos fazem parte da política, e eles se resolvem conversando”.
Ao contrário de partidos com comando central forte – caso, por exemplo do PSD com Gilberto Kassab – no MDB é muito respeitada a decisão regional. Então, foi decisão de Ibaneis Rocha compor a aliança de centro-direita que o levou à reeleição em 2022 e o aproximou do ex-presidente Jair Bolsonaro naquela eleição. “Querer criar um quadro diferente agora não vai dar certo”, considera o emedebista ouvido pelo Correio da Manhã. “Partir às pressas para uma candidatura própria vai fazer o partido perder votos”, avalia.
Na avaliação desse emedebista, se o partido optar por uma candidatura própria sem planejamento, poderá vir a perder votos que afetarão seu desempenho nas eleições proporcionais. “Menos votos é um deputado distrital a menos, é ficar, talvez, sem deputado federal”, alerta. “Eu sempre fui a favor de candidaturas próprias, mas isso não foi construído assim”.
“O plano de Ibaneis era eleger Celina, se eleger senador e, quem sabe, voltar ao governo depois”, diz o emedebista. “Agora, vemos projetos pessoais querendo prevalecer sobre os interesses do partido”, critica. Ele não é contra a candidatura de Ibaneis ao Senado. Mas não pode ser ela a definir toda a estratégia.
Não é possível saber se a decisão do MDB a essa altura irá na direção defendida por esse emedebista. Na verdade, ao compor a aliança com Celina foi Ibaneis quem determinou que o presidente do partido no DF fosse Wellington Moraes. Naquele momento, Ibaneis não tinha muita relação com Rafael Prudente.
A aproximação com Rafael Prudente deu-se na mesma medida em que cresceu a briga de Ibaneis Rocha com Celina Leão. Antes mesmo dele deixar o governo, a ideia de ter Prudente como candidato a governador começou a ser testada. Especialmente depois que o PL indicou que não daria espaço a Ibaneis.
Quando o PL indicou que faria uma chapa pura tendo como candidatas Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, Ibaneis reagiu fortemente. Nesse momento, começou a cogitar Rafael Prudente. Quando em maio Ibaneis anunciou rompimento com Celina, ao seu lado estava o presidente nacional do partido, Baleia Rossi.
Alguns dias depois, porém, Ibaneis recuou e voltou a falar de diálogo com Celina Leão. O emedebista ouvido pelo Correio Político não vê a essa altura outro caminho prudente senão seguir unido a Celina Leão. Mas será a Executiva Nacional, a partir do relatório da comissão presidida por Isnaldo Bulhões.
“O que vai acontecer até outubro a essa altura é imprevisível”, considera o político. “Há espaço para diversas candidaturas de centro-direita?”, questiona. “É possível garantir se José Roberto Arruda [PSD] irá até o fim?, continua. “Que o senador Izalci Lucas [PL] será candidato ao governo?”. “Calma ou todos perdem”.
Leia menos



















