A redução de leitos hospitalares e a retirada de aproximadamente R$ 1,5 bilhão dos aportes destinados à saúde pública estadual são apontadas por deputados estaduais como as principais causas do agravamento da crise enfrentada pelos hospitais de Pernambuco. O tema ganhou força após uma série de blitze realizadas por parlamentares em algumas das maiores emergências da rede estadual, onde foram constatados cenários de superlotação, precarização estrutural e sobrecarga extrema nos atendimentos.
As fiscalizações ocorreram no Hospital da Restauração, Hospital Otávio de Freitas, Hospital Getúlio Vargas e Hospital Agamenon Magalhães, no Recife, após denúncias recorrentes feitas por pacientes, acompanhantes, profissionais de saúde e entidades sindicais. Durante as visitas, os deputados encontraram corredores lotados, pacientes acomodados em macas improvisadas, demora no atendimento, estruturas deterioradas, infiltrações, problemas de manutenção e equipes trabalhando sob forte pressão.
Leia maisDe forma proporcional ao orçamento do estado, os investimentos em saúde são os menores dos últimos seis anos. Os aportes desabaram de 18,8% da receita corrente líquida do estado, em 2022, para 15,7% e 15,8%, nos anos seguintes, o que representa R$ 1,5 bilhão a menos para essa área. Outro ponto crítico é a redução do número de leitos. No Governo Eduardo Campos, 879 foram adicionados à rede, e no Governo Paulo Câmara, outros 594. Já o saldo dos três primeiros anos do Governo Raquel Lyra é de 440 leitos a menos.
“A crise atual não pode ser tratada como consequência apenas do aumento da demanda hospitalar. Esse colapso é resultado direto da redução da capacidade de atendimento da rede pública estadual, provocada pelo fechamento de leitos e pela diminuição dos investimentos na saúde ao longo dos últimos anos”, avalia o líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Sileno Guedes (PSB).
Os deputados também criticam a redução de 17% nos investimentos destinados às principais unidades hospitalares da rede estadual, apontando que o corte agravou ainda mais um sistema já pressionado pela falta de estrutura e pela alta demanda reprimida. Entre 2023 e maio de 2026, por exemplo, R$ 913,9 milhões foram gastos pelo governo com ações como construção, ampliação, reforma e equipagem de unidades. Em paralelo, R$ 1,067 bilhão foram aportados em comunicação e marketing e na realização de festividades.
“Essa combinação entre menos recursos e menor capacidade hospitalar vem produzindo um ambiente de colapso progressivo nas maiores emergências públicas do estado. O Governo Raquel Lyra tem demonstrado quais são suas prioridades, e elas não são, definitivamente, a saúde”, declara o vice-presidente da Alepe, deputado Rodrigo Farias (PSB).
Um dos episódios mais emblemáticos desse cenário ocorreu no Hospital da Restauração. Pouco tempo depois de o Governo do Estado divulgar ações de revitalização da fachada da unidade como peça de comunicação institucional, parte do teto do hospital desabou, expondo a fragilidade estrutural da maior emergência pública do Norte e Nordeste. Para os parlamentares, o episódio simboliza a distância entre a propaganda oficial e a realidade enfrentada diariamente por pacientes e profissionais dentro das unidades.
A mesma crítica foi direcionada ao Hospital Agamenon Magalhães. O governo lançou uma licitação de R$ 15 milhões voltada à recuperação da fachada da unidade em meio ao aumento das denúncias sobre dificuldades operacionais, pressão assistencial e superlotação. “Estivemos nesses hospitais e encontramos problemas que vêm sendo maquiados pelo atual governo. A propaganda diz que está tudo bem, mas, por dentro, os problemas estruturais seguem sem uma solução efetiva”, diz o deputado Diogo Moraes (PSB).
Os parlamentares também dispõem de documentos técnicos produzidos pelo próprio Governo de Pernambuco para reforçar as críticas. Relatórios estaduais reconhecem que hospitais regionais operam com limitações de alta complexidade, ampliando a transferência de pacientes para Recife e Caruaru e aumentando a sobrecarga sobre os grandes hospitais estaduais. A situação se agrava porque, desde 2023, dois hospitais já foram fechados pelo Governo Raquel Lyra – o de Retaguarda em Neurologia, no Recife, e o Jesus Nazareno, em Caruaru – e três UTIs pediátricas foram desativadas – a do Barão de Lucena e a do Correia Picanço, no Recife, e a do Hospital José Fernandes Salsa, em Limoeiro.
“Essas fiscalizações vão continuar nas próximas semanas e novos relatórios serão encaminhados aos órgãos de controle e fiscalização. O que temos de concreto, e o povo pernambucano precisa saber, é que houve redução de investimentos, de leitos e de espaços de atendimento. Vamos cobrar medidas emergenciais para a reestruturação da rede estadual de saúde”, avisa o deputado Eriberto Filho (PSB).
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