A taxa das blusinhas e o peso da conta sobre os mais pobres

Flávio Chaves – Gazeta Pernambucana

Por muito tempo, as compras internacionais de pequeno valor funcionaram como uma válvula de escape para milhões de brasileiros sufocados pela inflação, pelos juros altos e pela perda do poder de compra. Em bairros periféricos, cidades do interior e lares de classe média baixa, plataformas como Shein, Shopee e AliExpress deixaram de ser apenas aplicativos de consumo. Tornaram-se instrumentos de acesso. Acesso a roupas baratas, itens domésticos, eletrônicos simples e produtos que o varejo nacional, muitas vezes, vende pelo dobro do preço.

Foi exatamente nesse ambiente social que nasceu a chamada “taxa das blusinhas”, medida associada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante o governo Lula. Oficialmente, o argumento era proteger a indústria nacional e combater fraudes tributárias praticadas por empresas estrangeiras que utilizavam brechas alfandegárias para reduzir impostos. Na prática, porém, a medida atingiu diretamente o consumidor mais pobre.

O problema central não está apenas na existência de tributação sobre importações. Todo país possui mecanismos de defesa comercial e arrecadação. A questão é outra: quem pagou essa conta no Brasil?

A elite brasileira não depende de plataformas asiáticas para comprar roupas básicas, acessórios baratos ou utensílios domésticos. Quem depende é a população que vive comprimida entre salário baixo e custo de vida elevado. Foi justamente essa camada social que encontrou no comércio eletrônico internacional uma forma de consumir minimamente pagando menos.

A reação popular à medida não surgiu por acaso. O apelido “taxa das blusinhas” virou símbolo porque expôs uma contradição política difícil de esconder. Um governo que historicamente construiu discurso de defesa dos mais pobres acabou associado a uma medida percebida popularmente como penalização do consumo popular.

O desgaste foi tão intenso que o Palácio do Planalto passou meses tentando se distanciar politicamente da decisão. Houve recuos, mudanças de narrativa e tentativas de dividir a responsabilidade com o Congresso Nacional. Ainda assim, Fernando Haddad permaneceu como principal rosto da política tributária que ampliou a taxação sobre compras internacionais de até 50 dólares.

Os defensores da medida argumentam que havia concorrência desleal contra a indústria brasileira. Entidades empresariais sustentam que plataformas estrangeiras entravam no mercado brasileiro pagando menos impostos que empresas nacionais, prejudicando empregos e produção interna.

Esse argumento possui fundamento parcial. O Brasil realmente convive com um sistema tributário caótico, pesado e profundamente desigual. O varejo nacional paga uma carga elevada e enfrenta custos operacionais gigantescos. Porém, há um ponto crucial ignorado no debate oficial: o consumidor pobre não criou a distorção tributária brasileira.

O erro político e social da medida foi escolher o elo mais fraco da cadeia para compensar a incapacidade histórica do Estado brasileiro de promover uma reforma tributária ampla, racional e justa.

Em vez de reduzir impostos internos para tornar a indústria nacional mais competitiva, optou-se por encarecer o acesso do pobre ao produto barato. Em vez de enfrentar o chamado “Custo Brasil”, aumentou-se a cobrança sobre quem tentava economizar.

O resultado foi imediato. Consumidores passaram a desistir de compras internacionais por causa do aumento dos preços após a incidência dos tributos. Em estados mais pobres, onde o comércio digital internacional havia crescido justamente pela busca de preços baixos, o impacto foi ainda mais sentido.

Existe ainda uma dimensão simbólica importante nessa discussão. A taxação atingiu principalmente um consumo popular feminino e jovem. Foram mulheres das periferias, mães de família e trabalhadores informais os grupos que mais vocalizaram indignação nas redes sociais. Não era apenas sobre moda barata. Era sobre dignidade de consumo num país onde vestir-se bem se tornou artigo de luxo.

Ao mesmo tempo, o debate revelou uma desconexão crescente entre Brasília e a vida real. Muitos formuladores da política econômica enxergaram apenas números de arrecadação, déficit fiscal e proteção industrial. Ignoraram o cotidiano de milhões de brasileiros que passaram a recorrer ao comércio internacional porque simplesmente não conseguem consumir no mercado interno tradicional.

A economia não pode ser analisada apenas pela ótica técnica. Existe um componente humano, social e político que governos frequentemente subestimam. Quando o Estado decide tributar o consumo popular num ambiente de renda achatada, desemprego estrutural e crédito caro, a percepção pública tende a ser devastadora.

Não por acaso, a “taxa das blusinhas” transformou-se rapidamente num dos temas de maior desgaste do governo Lula nas redes sociais e no debate popular.

No fim das contas, a medida escancarou uma verdade desconfortável sobre o Brasil contemporâneo: o país segue encontrando enorme facilidade para tributar consumo e enorme dificuldade para enfrentar privilégios estruturais.

O pobre brasileiro continua sendo chamado a “contribuir” até quando tenta comprar uma simples blusa mais barata pela internet.

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Do Correio Braziliense

A Polícia Federal encontrou uma foto de deputados e senadores dentro de uma piscina com investigados pela operação que apura fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Entre os integrantes da foto, estão o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), os deputados Elmar Nascimento (União), Paulo Azi (Uniã0), o deputado cassado Alexandre Ramagem (PL), e o senador Ângelo Coronel (Republicanos). Eles posam ao lado do advogado Willer Tomaz e do senador Weverton Rocha (PDT), ambos alvos de investigação.

Na imagem também aparece o deputado estadual Marcinho Oliveira (PDT). As investigações apontam que o encontro ocorreu na piscina do “Rancho Tomaz”, uma propriedade de luxo em Planaltina-DF, que pertencente a Willer. A existência da foto foi revelada pela Revista Piauí e confirmada pelo Correio junto a fontes na corporação. O arquivo estava no histórico de mensagens do celular de Weverton, que foi apreendido nesta semana.

Sebrae - Fazer dar certo

A mudança do polo principal do São João de Arcoverde não conquistou a maioria dos moradores, apesar da avaliação positiva do evento. Segundo pesquisa do Instituto de Pesquisas Científicas de Pernambuco (IPEC), 57% dos entrevistados preferem que a principal estrutura da festa permaneça no Bandeirante. Apenas 27% optam pelo novo local, em frente à Escola Antônio Japiassu.

A avaliação do São João, no entanto, é majoritariamente positiva. Entre os entrevistados que participaram ativamente da programação, 71% classificaram o evento como excelente ou bom. O evento, portanto, mantém aprovação elevada, mas sem o mesmo nível de adesão na escolha do novo endereço.

A pesquisa também indica que saúde, pavimentação e educação estão entre as ações mais lembradas da administração do prefeito Zeca Cavalcanti, mas 40% dos entrevistados não souberam apontar espontaneamente uma obra, trabalho ou ação do governo. Outros 10% responderam “nada” ou “nenhuma”.

O levantamento foi realizado entre 25 e 27 de julho, com 304 eleitores das áreas urbana e rural de Arcoverde. A margem de erro é de 5,62 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Jaboatão dos Guararapes - Trabalho em todo lugar 2026

O ex-governador João Lyra Neto, pai da governadora Raquel Lyra (PSD), passou por uma longa e delicada cirurgia, ontem, em São Paulo, para extrair um tumor benigno no pâncreas. O procedimento foi um sucesso, segundo familiares. Lyra tem 79 anos e já se submeteu a outra cirurgia, há dez anos, no coração.

Caruaru - Transparência 2026

Do jornal O Globo

A disputa pelo governo de Pernambuco ganhou uma frente paralela nos tribunais, com as campanhas do ex-prefeito João Campos (PSB) e da atual governadora Raquel Lyra (PSD) recorrendo à Justiça Eleitoral falando em atuação irregular nas redes sociais, com acusações de desinformação, uso de inteligência artificial, vídeos negativos e suspeitas de atuação coordenada de perfis.

No fim de julho, a campanha de Lyra apresentou ação apontando eventual coordenação e custeio de rede de perfis anônimos que estariam, de forma articulada, atacando a governadora e promovendo Campos, seu principal adversário na disputa, e pediu, de maneira cautelar, que fossem preservados dados desses perfis. O Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-PE) decidiu favoravelmente ao pedido e determinou que fossem preservados os dados.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Após uma série de agendas no Sertão de Pernambuco, o candidato ao Governo do Estado, João Campos, chegou à Região Metropolitana neste sábado (8) para cumprir compromissos em Olinda. O candidato visitou a tradicional Feira de Rio Doce, onde foi recebido por diversos apoiadores e lideranças, conversou com feirantes, comerciantes e moradores e ouviu demandas da população.

A agenda reuniu a senadora Teresa Leitão (PT), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PCdoB), o deputado federal e candidato à reeleição Pedro Campos (PSB), a deputada federal e candidata a deputada estadual Maria Arraes (PSB), o candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), o presidente da Câmara Municipal de Olinda, Saulo Holanda, Vini Castelo (PCdoB), além de outras lideranças e apoiadores.

Na sequência, João participou de entrevista à Rádio Marim e afirmou que, se eleito governador, vai atuar em parceria com o município para enfrentar problemas de infraestrutura, limpeza e manutenção. “Olinda está com muito problema de buraco, de limpeza, de manutenção e de controle urbano. Então, como governador, eu vou me colocar à disposição para ajudar Olinda, para ajudar o povo de Olinda. Eu vou dar solução a isso”, afirmou.

O candidato também defendeu uma relação de diálogo entre o Estado e os municípios, sem distinção partidária. “Quem governa de verdade, como o presidente Lula governa, trata com todo mundo, recebe, respeita. Agora, tem um objetivo: cuidar do povo”, disse.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

Do UOL

O PT registrou na noite de ontem (7) a chapa de Lula e Geraldo Alckmin (PSB) à Presidência da República. Com o nome “Brasil pronto pra mais”, a coligação ingressou com o registro às 23h20 na Justiça Eleitoral. É a única candidatura que apresentou uma coligação para a eleição nacional deste ano, reunindo sete partidos (PDT, PSB, PT/ PCdoB/ PV, PSOL/ REDE). O programa de governo apresentado à Justiça tem como foco a defesa da soberania nacional, o que já vem sendo colocado à frente dos discursos de Lula e dos petistas nos últimos meses, com a escalada da crise com os Estados Unidos a partir do tarifaço.

A palavra “soberania” aparece em 21 das 84 páginas do programa de governo. “Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica”, afirma o texto, que coloca ainda uma crítica velada ao bolsonarismo: “Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”.

Palmares - 147 anos

O Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior de Pernambuco (SEPEX-PE) empossou, ontem (7), sua nova diretoria durante cerimônia realizada em Recife. O evento reuniu empresários do setor de diferentes regiões do Estado.

A nova diretoria da entidade será presidida por Durval Costa Neto, sócio da Trend Mídia. Nando Carvalho, da Videoporto, assume a vice-presidência. Completam a diretoria Luciana Meira, como tesoureira, e Walter Lins Jr., como primeiro-secretário.

Segundo Durval, a nova gestão pretende ampliar a participação de empresas do setor no sindicato e fortalecer o diálogo com o poder público, agências e anunciantes. “A nossa missão é ampliar a representatividade, integrando novas empresas de mídia exterior da capital, Região Metropolitana, Agreste e Sertão”, afirmou.

O SEPEX-PE representa empresas de publicidade exterior em Pernambuco e atua na organização e regulamentação do setor.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

O prefeito de Timbaúba Marinaldo Rosendo (PP) reforçou apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco durante a mobilização do projeto Chega Junto Pernambuco, realizada neste sábado (8), na Mata Norte do Estado.

Durante o evento, Marinaldo destacou a gestão de João à frente da Prefeitura do Recife e afirmou que o pessebista está preparado para assumir o comando do Estado. “Foi um grande gestor com aprovação máxima na cidade do Recife e, sem sombra de dúvidas, representará na esfera estadual. João, estou contigo”, declarou.

Camaragibe - A prefeitura mudou

Os prefeitos Josafá Almeida (PRD), de São Caetano; Sandra Paes (Republicanos), de Canhotinho; Erivaldo Chagas (Republicanos), de Lajedo; Duda Lira (PSDB), de Cupira e César Freitas (PC do B), de Sanharó, decidiram retirar, neste sábado (8), o apoio à pré-candidatura de Marília Arraes (PDT) ao Senado. Os gestores acompanham a decisão liderada pelo presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (MDB), e pelo candidato a deputado federal Gabriel Porto (PSB), após os recentes acontecimentos e diante do não cumprimento de compromissos políticos anteriormente assumidos.

O movimento também reúne importantes lideranças de diferentes regiões de Pernambuco. Em Olinda, acompanha a decisão o presidente da Câmara de Vereadores, Saulo Holanda (MDB). Em Quipapá, retiram o apoio o vice-prefeito João Batista (PSB) e os vereadores Ronaldo Fenômeno (PSB), Rodrigo Correia (Republicanos) e Sandro da Vila (PT). Em Catende, aderem ao movimento o vice-prefeito Rinaldo Barros (PV) e os vereadores Jorge da Internet (União), Marcílio da Saúde (PSDB), César Barros (PV), Jonas Alves (PSDB), Fernando Enfermeiro (Podemos), Boréu (PV) e Monalisa Carvalho (União).

Do jornal O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou neste sábado (8) o pedido para que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba a visita dos filhos no próximo domingo, data em que é comemorada o Dia dos Pais.

O pedido foi apresentado na última quarta-feira (5) pela defesa do ex-presidente. Na decisão, Moraes reiterou que Bolsonaro só deve receber visitas para atendimento médico, fisioterapêutico e de advogados. “Salvo as visitas permanentes médicas, fisioterapêuticas e dos advogados, as demais visitas estão suspensas pelo prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do § 1º do art. 41 da Lei de Execuções Penais”, escreve o ministro.

Chamou atenção o anúncio da foto oficial que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, utilizará durante a campanha eleitoral deste ano. Na imagem, Lula aparece usando um chapéu de palha, acessório que já vem incorporando em diversas agendas pelo país e que, mais do que um elemento estético, carrega um forte simbolismo político.

Em Pernambuco, o chapéu de palha remete imediatamente ao legado de Miguel Arraes. Foi sob esse símbolo que o ex-governador consolidou um dos primeiros programas sociais de grande alcance da história contemporânea brasileira, muito antes da criação do Bolsa Família e de outras políticas nacionais de transferência de renda.

Por Leonardo Sakamoto
Do UOL

Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ataca o projeto que prevê o fim da escala 6×1, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), seu companheiro de chapa presidencial, votou a favor da PEC. Para Flávio, o projeto “vai gerar desemprego em massa, gerar aumento do custo de vida e prejudicar vários trabalhadores”. Para Alfredo, o projeto vai trazer “mais dignidade para o trabalhador”, “mais tempo com a família” e “mais qualidade de vida”.

A proposta de emenda à Constituição foi aprovada, em maio, na Câmara dos Deputados por 461 votos a 19, no primeiro turno, e por 472 a 22, no segundo, puxada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).