O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não deve participar de forma ativa e direta da campanha à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, segundo aliados próximos do ex-prefeito da capital. Fora da chapa após o vice-governador Felício Ramuth deixar a legenda e ir para o MDB, Kassab, que já tinha saído da Secretaria Estadual de Governo, perdeu o espaço conquistado em 2022. À época, foi o responsável pela construção da campanha do então desconhecido ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio dos Bandeirantes.
A mais recente divergência começou no fim do ano passado, quando Kassab ouviu de Ramuth que ele não abriria mão da vice, desejo há anos do então secretário. Sua ideia era, a partir da cadeira e em caso de nova vitória de Tarcísio, ser candidato natural à sua sucessão em 2030. Como consequência do rompimento, o presidente do partido pediu que ele se desfiliasse. As informações são do jornal O Globo.
Leia mais“O PSD quer ter uma posição muito clara e independente em relação à composição da chapa. A gente delegou ao Tarcísio (a escolha do vice). E como o Felício tinha uma posição muito pessoal, a gente achou melhor liberá-lo: “Se você quer seguir de qualquer jeito, saia do partido, né?”. No fundo, o convidamos a sair. Mas jamais deixaremos de apoiar o Tarcísio, a gente está junto”, afirmou Kassab ao Globo, na semana passada.
Rede de prefeitos
Sem espaço no núcleo duro da campanha, o político não “entrará de cabeça” na corrida à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, segundo um aliado de Kassab que atuou com ele na prefeitura de São Paulo, entre 2006 e 2012. Ainda de acordo com essa fonte, a ausência de Kassab fará com que parte dos mais de 200 prefeitos paulistas do PSD não tenham o presidente da legenda como principal interlocutor com a campanha do governador, algo, pondera, que “é trabalhoso de se costurar”.
Já um aliado de Tarcísio garantiu que isso não fará falta à campanha, pois “quem ajuda nas cidades são os deputados, e isso o governador tem de sobra”.
Enquanto os dois lados traçam suas estratégias, há a expectativa de o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), se reunir com Kassab na próxima semana para acertar eventual reaproximação de seu partido com o PSD e garantir uma ajuda maior na campanha.
Kassab, no entanto, deseja “reconhecimento formal e público” de Tarcísio, sublinhando sua importância nas campanhas, tanto a de 2022 quanto na deste ano. Um articulador ligado a Kassab recorda que partidos ao lado de Tarcísio hoje, como PL e o MDB do prefeito da capital, Ricardo Nunes, por exemplo, não estavam em sua totalidade com o governador no início da campanha de 2022.
Na última eleição, boa parte da centro-direita apostou na reeleição do então governador Rodrigo Garcia (à época no PSDB). Pessoas próximas a Kassab afirmam que havia um combinado para que o presidente do PSD fosse vice de Tarcísio em uma eventual reeleição. E que ele se sentiu “traído”. Fontes próximas a Tarcísio negam.
O distanciamento entre os dois fez com que o PT visse uma janela de oportunidade para uma até então improvável aliança do líder do PSD com Fernando Haddad, pré-candidato do partido ao governo paulista. O ex-ministro da Fazenda enviou mensagem a Kassab e tem dito que gostaria de “ouvi-lo”, para entender “por que ele apoia” o atual governador.
“Ele (Haddad) enviou uma mensagem de ‘Feliz Páscoa’ e eu a retribuí. Até posso conversar com ele, pois discutir políticas públicas e ideias é muito importante (…), mas o apoio ao governador Tarcísio é uma questão já decidida no PSD”, afirmou Kassab há duas semanas.
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