Com Túlio na chapa, Raquel aposta no “bernardismo”
O discurso pró-lula do deputado Túlio Gadelha, que se transferiu da Rede para o PSD, como pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), carece — e muito — de um mínimo de coerência. O lulismo dele é da boca pra fora, de plateia, falso e sem consistência. Vamos aos fatos!
Túlio sempre votou em Ciro Gomes, que bate em Lula e no Governo petista sem piedade. Em 2018, aliás, coordenou a campanha de Ciro ao Planalto em Pernambuco e só votou em Lula no segundo turno. Que histórico ele tem com Lula e o PT? Nenhum!
Leia maisDiscurso oportunista e eleitoreiro. Quer dar uma de honesto, paladino do esquerdismo com o seu suposto eleitorado com viés no campo progressista. Vasculhando o seu passado, descobri que Túlio militou no Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Brizola desde os 19 anos, acreditando numa educação pública de qualidade, trabalho digno e justiça social.
Em 2009, assumiu a coordenação da ULB (Universidade Leonel Brizola) em Pernambuco. Mais tarde, assumiu a Secretaria de Formação da Juventude Socialista em Pernambuco, em seguida foi eleito tesoureiro da Juventude Socialista do PDT no Brasil. Engajado nas causas do Recife e de Pernambuco, construiu uma carreira pública como Diretor-Presidente da Fundacentro, Postal Saúde e do ITERPE (Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco).
Pelo que se viu até aqui, nada que se reporte ao seu perfil lulista, que agora se apresenta. Túlio Bernardes, como assim é conhecido, é, portanto, um cirista, defensor e seguidor de Ciro Gomes. A rigor, Túlio deve sua projeção política ao bernadismo, ou seja, só se elegeu deputado federal em 2018 pegando “carona” na popularidade e fama da jornalista global Fátima Bernardes, sua esposa.
Antes de desfilar com Bernardes no Estado como sua “cabo eleitoral”, não conseguiu sequer se eleger vereador do Recife, em 2012. Na primeira fala como pré-candidato ao Senado, Túlio disse que votará em Lula, mas não arrancou da governadora declaração semelhante, porque Raquel não vai assumir palanque. Quer repetir a postura de neutralidade na eleição presidencial de 2022, mesmo estando acompanhada de bolsonaristas ardorosos, como Gilson Machado, Mendonça Filho, Pastor Eurico e Fernando Rodolfo.
Quando escolheu Túlio como um dos pré-candidatos ao Senado, Raquel com certeza passou a racionar com a hipótese de contar com Fátima Bernardes como “garota” propaganda. Deu certo para eleger Túlio, mas provavelmente se constituirá numa plataforma eleitoral fofa, sem predicativos para convencer e emocionar o eleitor numa guerra majoritária.
EM CIMA DO MURO – Numa entrevista a uma emissora de rádio em Maragogi, no dia seguinte ao afastamento da Prefeitura do Recife, João Campos (PSB) deu o mote da sua estratégia para fragilizar a governadora Raquel Lyra (PSD), com o mote do oportunismo e da incoerência. “A vida cobra a posição das pessoas. Eu respeito muito mais quem pensa diferente de mim, mas tem clareza na posição, do que quem fica em cima do muro, quem não se posiciona, quem anda na maré do oportunismo. Isso não merece respeito”, disparou.

Morrendo na praia – O senador Fernando Dueire e o deputado estadual Jarbas Filho, que se apresentam como legítimos representantes e herdeiros do jarbismo no Estado, saem extremamente enfraquecidos ao final do troca-troca partidário: derrotados, definitivamente, na briga pelo controle do MDB para Raul Henry, e forçados a aterrisar no PSD de Raquel. Dueire ainda acredita que será escolhido para o Senado na chapa da governadora, enquanto Jarbinhas, como é mais conhecido, tentará a reeleição num cenário de extrema dificuldades na “Chapa da morte”, como os deputados mais experientes se referem à composição do PSD na disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa.
PL infla no troca-troca – A janela partidária movimentou ao menos 73 deputados federais, o equivalente a cerca de 14% da Câmara, e provocou uma reorganização de forças na Câmara, mirando a disputa eleitoral. O União Brasil lidera as perdas, com 15 deputados que optaram por outras legendas, enquanto o PL foi o principal destino dos que fizeram a mudança. Ganhou 15, em um bloco de partidos empatados. O PSD recebeu nove deputados, enquanto PSDB, Republicanos e MDB somam sete filiações cada um. Já o PT, partido oficial do poder, perdeu um.
Mudanças foram maiores em 2022 – O volume de trocas é menor do que o registrado em 2022 e 2018. Na última janela, antes das eleições gerais há quatro anos, 121 deputados mudaram de partido, mais de 20% da Câmara. Em 2018, foram 85 trocas no mesmo período. As saídas do União Brasil incluem nomes de peso e movimentos políticos relevantes. Entre eles, estão Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, e Dani Cunha, filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, e Rosângela Moro, que foram para o PL. Kim Kataguiri migrou para o recém-criado Missão.

João emplaca Tadeu – Na reforma ministerial forçada pelo calendário eleitoral, a maior novidade foi a nomeação do ex-deputado Tadeu Alencar para o Ministério do Empreendedorismo no lugar de Márcio França. Segundo o site Poder360, a escolha de Lula se deu para atender ao pré-candidato do PSB ao Governo do Estado, João Campos. Também surpreendeu o “fico” de Wolney Queiroz (PDT), que se afastaria para tentar um mandato na Câmara dos Deputados. Vai apoiar a sua esposa Thania, que se filiou ao MDB.
CURTAS
MICO PARTIDÁRIO – O maior vexame no troca-troca partidário em Pernambuco ocorreu com o casal de políticos, o deputado estadual Romero Albuquerque e sua esposa Andreza, vereadora no Recife. Num curto espaço de tempo saíram do PP para o PSB, voltaram ao PP e em seguida regressaram ao PSB. Haja coerência!
MUDOU DE LADO – Outra surpresa do troca-troca foi o regresso do ex-deputado Maurício Rands para disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados. Filiou-se ao Avante, fechado com a reeleição de Raquel. Rands era fiel escudeiro de Eduardo Campos, de quem foi secretário e um dos coordenadores na campanha para presidente da República, interrompida com a morte do ex-governador num aéreo em Santos.
PACOTÃO – Em baixa nas pesquisas e com Flávio Bolsonaro encostado nas intenções de voto para presidente, Lula prepara um pacotão de medidas populares, entre as medidas, um plano para reduzir o preço dos combustíveis, subsídios ao gás e à conta de luz e um novo programa de renegociação de dívidas.
Perguntar não ofende: Túlio Bernardes decola?
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