Da Revista Veja
O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e o aumento da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriram, nos bastidores do PT e do Palácio do Planalto, uma discussão sensível: a possibilidade de o petista não disputar a próxima eleição presidencial.
No programa Ponto de Vista, o colunista Robson Bonin e o cientista político Marco Antonio Teixeira analisaram o cenário e apontaram que a sucessão no campo governista já está em curso — ainda que de forma não oficial.
Leia maisLula pode mesmo ficar fora da eleição?
Segundo Bonin, a hipótese de substituição do presidente não é mais tratada como improvável dentro do governo. O avanço da rejeição e o risco eleitoral têm alimentado essa discussão. “Há muita gente que acredita dentro do PT que ele deveria se preocupar com o fato de poder terminar a biografia perdendo para o filho do Bolsonaro”, afirmou.
A avaliação interna, é de que, segundo ele, Lula pode até vencer, mas já enfrenta desgaste suficiente para colocar sua candidatura sob questionamento estratégico.
Quem são os nomes testados para a sucessão?
O nome de Camilo Santana surge como uma aposta para o futuro do partido, com apoio dentro do governo. Bonin afirma que ele foi testado em pesquisas e é visto como um quadro com potencial de crescimento.
Ao mesmo tempo, Fernando Haddad aparece como alternativa mais imediata. Para Teixeira, o ex-ministro reúne condições mais concretas para uma eventual substituição no curto prazo. “Haddad já tem praticamente a mesma intenção de voto que o Lula, com algo em torno de 10% a menos de rejeição”, disse.
O avanço de Flávio é mérito próprio?
Na avaliação de Teixeira, o crescimento do senador está menos ligado a qualidades individuais e mais à rejeição ao governo. “Esse crescimento do Flávio é muito mais uma negação ao Lula e ao PT do que méritos do próprio Flávio”, afirmou.
O fenômeno reforça o caráter polarizado da disputa, em que o voto tende a ser orientado pela rejeição ao adversário.
Ainda há espaço para uma terceira via?
Os analistas são céticos quanto à viabilidade de uma alternativa fora da polarização. Para Teixeira, o cenário aponta para uma disputa direta entre lulismo e bolsonarismo. “Dificilmente teremos um processo propositivo”, disse
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