A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, anunciou ontem (20) que deixará o cargo para disputar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Segundo a ministra, o último dia à frente da pasta deve ser 30 de março. Eloy Terena, secretário-executivo do ministério e número dois da pasta, deve assumir o cargo após a saída de Sônia.
Em entrevista, a ministra falou sobre sua gestão e sobre os desafios dos últimos três anos, como o enfrentamento com o movimento indígena. “Eu acho que [o legado] é a retomada da demarcação das terras indígenas, a desintrusão de invasores dos territórios, mas eu acho que, sobretudo, é trazer a pauta indígena para a centralidade do debate público, para a centralidade da política pública”. As informações são do portal g1.
Leia maisSônia afirmou ainda que, por vezes, não entendia a paralisação de demarcações, que tem como pano de fundo o impasse jurídico entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso. Enquanto os ministros do Supremo negaram por maioria o marco temporal, o Congresso aprovou a lei sobre o tema.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi criado em janeiro de 2023, no começo do terceiro governo Lula (PT). O objetivo foi levar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo, uma promessa do presidente, buscando garantir os direitos constitucionais de 1,7 milhão de pessoas e 305 etnias, assumindo a gestão direta de políticas de demarcação e a proteção de povos isolados.
Sônia destacou um avanço que considerou significativo nas políticas territoriais, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos. O balanço supera o total da década anterior, que registrou 11 homologações.
Segundo o ministério, o cronograma de retomada teve início em 2023, com seis áreas oficializadas em abril daquele ano: Arara do Rio Amazônia (AC), Kariri Xocó (AL), Rio dos Índios (RS), Tremembé da Barra do Mandaú (CE), Uneiuxi (AM) e Ava Canoeiro (GO). Em setembro do mesmo ano, foram Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM).
Em 2024, o ministério afirma que as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.
Em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto (Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas), durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Em novembro, durante a COP 30, em Belém, houve a homologação de quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).
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A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, assinou, ontem (20), a ordem de serviço para a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) no Residencial Vanete Almeida. O equipamento vai garantir o acesso à atenção básica para as 902 famílias que vivem na localidade. “O Residencial Vanete Almeida vai ter, sim, uma Unidade Básica de Saúde para cuidar de perto das nossas famílias. E ontem demos mais um passo importante: assinamos a ordem de serviço para essa conquista”, afirmou a prefeita.
A obra contará com investimento total de R$ 1,9 milhão de reais, sendo R$ 1,8 milhão oriundo de recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A unidade será classificada como Porte 1, com área construída de 389,78m², ampliando a estrutura da rede municipal e garantindo mais proximidade no atendimento à população.
“Com essa nova unidade, vamos fortalecer ainda mais a atenção primária no município, levando um serviço essencial para mais perto das pessoas e garantindo melhores condições de atendimento para a população”, destacou a secretária municipal de Saúde, Lisbeth Rosa.
Por Malu Gaspar
Do jornal O Globo
Depois da internação de Jair Bolsonaro para tratar de uma broncopneumonia que o levou para a UTI, aliados de Alexandre de Moraes acreditam ter convencido o ministro, relator do processo da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), a enviar o ex-presidente para a prisão domiciliar. Moraes vinha resistindo a considerar os problemas de saúde um motivo para enviar Bolsonaro para casa, mas aliados relatam ter encontrado um argumento que ele estaria propenso a aceitar: o de que a situação de Bolsonaro mudou radicalmente desde que negou o primeiro pedido, em novembro.
Isso porque, de acordo com os médicos de Bolsonaro e o relatório enviado pelo Hospital DF Star ao ministro, a saúde do ex-presidente piorou muito, a ponto de ele ter chegado ao hospital em estado grave e passado por uma “injúria renal aguda”. Segundo a equipe da coluna apurou, foram usadas três classes diferentes de antibióticos até conseguir debelar a infecção, e ainda será necessário esperar até o dia 27 para que ele tenha alta, apesar de seu estado de saúde agora estar estável.
Leia maisDe acordo com seus próprios médicos, Bolsonaro precisa de acompanhamento 24 horas para evitar uma nova broncoaspiração como a que levou à internação.
Todos esses detalhes ajudaram a compor a linha de raciocínio que deve ser incorporada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na resposta ao pedido de manifestação feito por Moraes nesta sexta-feira, depois que a defesa pediu que ele reconsiderasse a decisão de manter Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo da Papuda e conhecido como “Papudinha”.
Em novembro, ainda antes do início do cumprimento da pena, o ex-presidente foi detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, quando tentou romper com uma solda a tornozeleira eletrônica que usava em casa. Desde então, ele foi condenado e enviado para a Papudinha, prisão do Distrito Federal. Apesar de já ter passado mal algumas vezes depois disso, Moraes sempre rejeitou enviá-lo para casa, alegando perigo de fuga.
Na última terça-feira (17), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado do ex-presidente, Paulo Amador Bueno, tiveram uma audiência com Moraes em que apresentaram um pedido de reconsideração das decisões anteriores. A ex-primeira-dama, Michelle, também fez o mesmo pedido quando esteve pessoalmente com Moraes no início do ano, quando o ex-presidente se recuperava de uma queda na cela da PF.
Apesar de não ter nenhuma vontade de atender ao pleito dos advogados, Moraes recebeu vários apelos de outros ministros do Supremo e até de interlocutores de Lula, preocupados com o risco de Bolsonaro morrer na cadeia, o que impulsionaria a candidatura presidencial de Flávio.
Diante de todos esses apelos, Moraes parece mais disposto a atender ao pedido — desde que não fique patente que ele cedeu, mas sim que a reconsideração se deve a uma mudança drástica no cenário que se tinha até então.
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Por Leonardo Sakamoto
Do UOL
Há momentos em que um debate público revela mais sobre a estrutura de poder de um país do que sobre o tema que está sendo discutido. O embate em torno do fim da escala 6×1 virou um desses espelhos. Em poucas semanas, a pauta se transformou na principal queda de braço política e econômica do primeiro semestre de 2026. De um lado, milhões de trabalhadores que querem simplesmente ter dois dias seguidos de descanso. Do outro, uma engrenagem poderosa tentando convencer o país de que isso seria quase uma ameaça à civilização.
O governo percebeu que havia capital eleitoral nesse movimento e decidiu entrar de vez no jogo, pressionando publicamente o Congresso Nacional pelo ritmo lento na tramitação da pauta. Como o Legislativo empurra as PECs com a barriga, o Planalto deve recorrer a um projeto de lei em regime de urgência. Isso obrigaria a Câmara a votar a matéria em até 45 dias, expondo a posição de cada deputado antes das eleições.
Leia maisLobistas do setor empresarial vêm a público reclamar que o assunto é sério demais para ser tratado em ano eleitoral. Ironicamente, é exatamente o contrário. Essa é a razão pela qual a proposta precisa ser votada em ano eleitoral. No Brasil, a vontade da população costuma ser respeitada apenas quando existe o risco de não reeleição de seus representantes.
Se a política se move por cálculo, a sociedade já deixou claro o que pensa. Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada aponta que, do fim do ano para cá, o apoio ao fim da escala 6×1 cresceu de 64% para 71%. Entre jovens de 16 a 24 anos, chega a 83%. O tema atravessou fronteiras ideológicas e derrubou a polarização. Entre eleitores de Jair Bolsonaro (55%) e evangélicos (67%), a maioria se mostra favorável à mudança.
Ou seja, apesar de a pauta ter sido sendo pautada pelo campo progressista, tendo à frente nomes como o do vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ) e da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), não se trata de uma demanda de esquerda ou de direita. Trata-se de uma exigência de quem trabalha.
Ao mesmo tempo, a proposta que ganha força no debate é bem menos radical do que seus críticos tentam fazer parecer. O foco agora está em uma transição para a jornada de 40 horas semanais com escala 5×2, sem redução salarial e com prazo de adaptação. Nada de revoluções produtivas instantâneas. Trata-se apenas de aproximar o Brasil de um padrão de descanso que já é comum em vários lugares do mundo e que milhões de trabalhadores brasileiros consideram o mínimo necessário para ter alguma qualidade de vida.
Esse apoio massivo ajuda a explicar a reação do setor empresarial nas últimas semanas. Entidades patronais ligadas ao comércio, serviços e indústria intensificaram uma ofensiva pública contra a mudança. Estudos encomendados por organizações do setor passaram a circular com previsões de queda no PIB, aumento da informalidade, expansão do chamado “duplo emprego”, chuva de rãs, ataques de gafanhotos, morte dos primogênitos. O roteiro é conhecido desde a Primeira Revolução Industrial: sempre que se discute garantir direitos trabalhistas, alguém aparece dizendo que o país vai quebrar.
Executivos do varejo entraram no coro. Lideranças empresariais passaram a afirmar que a medida poderia provocar prejuízos e que trabalhadores acabariam recebendo menos. A mensagem implícita é que o Brasil não poderia “evoluir trabalhando menos dias”. Melhorar a produtividade? Fez xibiu. Ninguém sabe, ninguém viu. Assim, a única forma possível de crescimento econômico passa a ser manter milhões de pessoas presas a jornadas que deixam pouco espaço para descanso, família ou vida pessoal.
Mas o lobby empresarial não atua sozinho. Ele conta com um grupo barulhento que aparece nas redes sociais e na imprensa repetindo esses argumentos como se fossem evidências incontestáveis. São os que gosto de chamar de Guerreiros do Capital Alheio. Gente que não é dona de empresa, não decide investimento e não lucra com dividendos, mas se dedica a convencer a classe trabalhadora de que sua felicidade depende diretamente da prosperidade do patrão.
Os Guerreiros do Capital Alheio têm uma missão curiosa: explicar para quem trabalha seis dias por semana que descansar mais seria ruim para ele mesmo. Em outras palavras, tentam convencer quem está na base da pirâmide de que questionar a lógica atual seria uma espécie de ingratidão econômica.
O problema é que essa narrativa começa a perder força quando confrontada com a vida real. Quem vive a escala 6×1 sabe o que ela significa: trabalhar quase a semana inteira para descansar apenas um dia, frequentemente usado para resolver tarefas acumuladas ou simplesmente se recuperar do cansaço. Não se trata de preguiça, como alguns insinuam. Trata-se de saúde física, mental e de dignidade.
O que está em jogo agora é uma corrida contra o tempo. O governo tenta transformar o apoio popular em pressão institucional para que a mudança avance ainda neste semestre. O lobby empresarial, por sua vez, aposta na velha estratégia de produzir pânico econômico para esfriar o debate ou empurrar qualquer mudança para um futuro distante.
Tudo isso revela algo importante: neste momento, parece que o país está dividido apenas entre esquerda e direita, mas, não raro, isso esconde outra diferença de interesses. De um lado, a classe trabalhadora, do outro, os donos do dinheiro — e seus assessores e vassalos. Parte da ultrapolarização política, aliás, vem sendo alimentada justamente por quem não quer que o debate mais importante aconteça: como garantir dignidade a quem, de fato, gera riqueza neste país.
Porque, no fim das contas, a pergunta que fica é simples: se uma sociedade não consegue garantir dois dias de descanso para quem trabalha, exatamente quem está servindo a quem nessa história?
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O secretário de Articulação Política de Caruaru e pré-candidato a deputado estadual, Anderson Luiz, oficializou, ontem (20), sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD), em evento realizado no Maria José Recepções, no bairro Indianópolis, em Caruaru. O ato reuniu diversas lideranças políticas de Pernambuco, como a governadora Raquel Lyra, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, a vice-prefeita Dayse Silva, os deputados federais Fernando Monteiro e Mendonça Filho, o presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, o presidente estadual do PSDB, Rubens Júnior, além de vereadores, lideranças locais e apoiadores.
Durante o evento, Anderson Luiz destacou sua trajetória e o compromisso com a população de Caruaru e de Pernambuco, afirmando que chega ao PSD para somar forças a um grupo político que tem entregas concretas no estado. Ele reforçou a confiança no trabalho liderado pela governadora Raquel Lyra e pelo prefeito Rodrigo Pinheiro, além de destacar sua caminhada construída ao lado da população. Anderson também reafirmou o compromisso de representar Caruaru e Pernambuco na Assembleia Legislativa, defendendo um projeto baseado em trabalho, resultados e proximidade com o povo.
O prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, ressaltou a chegada de Anderson ao PSD. “A chegada de Anderson ao nosso partido fortalece esse time que vem trabalhando por Pernambuco. Caruaru vive um momento de crescimento, com investimentos importantes e ações em diversas áreas. Isso mostra que estamos no caminho certo, com trabalho e parcerias que fazem a diferença”, disse. A governadora Raquel Lyra também celebrou a filiação de Anderson Luiz. “Recebemos Anderson de braços abertos. Ele é um jovem que trabalha todos os dias por Caruaru e chega para fortalecer um time que tem compromisso com o povo”, afirmou.
Por Estadão Conteúdo
A condução do inquérito do Banco Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e as suspeitas de que integrantes da Corte teriam se beneficiado financeiramente da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro produziram um efeito negativo na imagem da instituição: a maioria da população não confia no tribunal, avalia que os magistrados não julgam com imparcialidade e que há envolvimento direto de alguns deles no escândalo.
As conclusões constam na pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada ontem (20), que mostra a confiança dos brasileiros nas instituições. Segundo o levantamento, 60% dizem não confiar na Corte, ante 34% que dizem confiar. Outros 6% não têm posição clara sobre a mais alta instância do Poder Judiciário.

O porcentual de desconfiança é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023. Na época, os dois números estavam no mesmo patamar: 45% diziam confiar no Supremo, enquanto 44% respondiam o contrário.
Em agosto de 2025, a maior quantidade de críticos já era observada no levantamento, mas o número negativo estava 8,7 pontos porcentuais abaixo do atual. Eram 51,3%. A confiança era maior, 48,5% – 14,5 pontos acima do que é hoje.
“A autoridade dos tribunais está ligada a três elementos fundamentais: independência, imparcialidade e capacidade de decidir com objetividade. Quando você questiona um dos pilares da autoridade do Supremo, que é a sua imparcialidade, ou seja, sua equidistância em relação às partes, evidentemente isso afeta a confiança”, disse o professor de direito constitucional Oscar Vilhena, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A AtlasIntel ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 março, após o desgaste do Supremo atingir o seu auge com revelações de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha contato com Vorcaro, inclusive com suspeitas de que teriam conversado no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais e a confiança é de 95%.

Para 66,1% das pessoas ouvidas, há envolvimento direto de ministros do STF no caso Master. O número de pessoas que dizem não ter opinião sobre o tema é 18,9%, maior do que os 14,9% que acreditam que não há ministros ligados aos crimes cometidos por Vorcaro.
Como revelou o Estadão, além de Moraes, há indícios de relacionamento de outros ministros da Corte com o banco investigado por fraudes financeiras. O ministro Dias Toffoli é sócio anônimo de empresa que recebeu pagamento do cunhado de Daniel Vorcaro pela venda da participação no resort Tayayá, no interior do Paraná.
O Estadão também mostrou que o Master e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro Kassio Nunes Marques.

A percepção sobre o envolvimento de integrantes do Supremo no caso se conecta com a avaliação de 76,9% dos entrevistados de que há “muita influência externa (de políticos, partidos e grupos poderosos) no julgamento”. Outros 13% dizem enxergar alguma ação externa para interferir no processo, enquanto 6,1% avaliam que os procedimentos estão sendo feitos de forma técnica e baseados na lei. Já 3,9% não sabem opinar sobre o tema.
Para 53% dos entrevistados, o processo de liquidação do Master não deve ser julgado pelo STF. Em contraposição, 36,9% dizem que o caso devem ser analisado pela Corte. Enquanto 10,1% não sabem se a investigação deve ser analisada no tribunal.
Os dados demográficos mostram que o STF tem maior confiança entre as camadas da população com maior renda familiar. A faixa de quem ganha acima de R$ 10 mil é a única em que o porcentual positivo é maior que o negativo. Segundo o levantamento, 48,5% dizem confiar na Corte, enquanto 45,3% desconfiam.
As pessoas com renda familiar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil são as menos confiam na instituição, 69,6%. Os que dizem confiar são 27,8%.
Ao analisar o posicionamento do ponto de vista eleitoral, 96,5% das pessoas que votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno em 2022 dizem não confiar no Supremo, enquanto 0,7% relatam confiança na instituição. O cenário é o oposto entre os votantes no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). São 71,4% os que confiam, ante 23,1% que não confiam.
De acordo Oscar Vilhena, da FGV, as percepções dos eleitores de Lula e Bolsonaro e a desconfiança majoritária dos entrevistados em relação ao STF estão diretamente conectadas. Segundo o professor, a queda na confiança do tribunal pode ser explicada pela polarização na sociedade brasileira e pelo protagonismo exacerbado da instituição em grandes questões nacionais.
“Em um ambiente bastante polarizado, como é o brasileiro ou o americano, quando se tem Cortes muito proeminentes, ou seja, que se manifestam sobre questões políticas de maneira muito reiterada, é natural que elas sejam capturadas por essa polarização”, afirmou. “Nós temos uma Corte muito ativa, que eu chamo de supremocrática. Então, é lógico que as pessoas vão dizer coisas boas ou ruins do tribunal dependendo de como elas veem o posicionamento da instituição em relação às causas em que acredita.”
Wallace Corbo, professor de direito constitucional da FGV, avalia que a queda de confiança do Supremo pode estar associada à dificuldade do tribunal em se desvencilhar da percepção de parte da população que atua de forma política.
“A população espera de um tribunal que ele não seja visto como uma parte integrante da política. Então, as pessoas tendem a dar menos apoio para um tribunal cujos integrantes não veem mais como juízes, mas como políticos. E, nesse ponto, o Supremo teve algumas dificuldades contra isso”, disse.
“As pessoas tendem a perder a confiança quando elas entendem que o tribunal não está seguindo padrões de imparcialidade, ou mesmo de comportamento, esperados de juízes. Todo tipo de notícia que envolve potenciais conflitos de interesse ou que envolvam decisões que não passam pelo colegiado pode afetar efetivamente a visão de um tribunal”, completou.

Código de ética tem apoio da maioria da população
A crise que atinge a Corte tem tido como principal proposta de mitigação o código de ética encampado pelo presidente do STF, Edson Fachin. O conjunto de regras a serem criadas sob responsabilidade da relatora Cármen Lúcia tem o apoio de 57% dos entrevistados, que consideram a medida como extremamente importante e que deveria ser a prioridade do STF.
Outros 18,6% avaliam que o código de ética é importante, mas não deve ser a prioridade do Supremo. Já 8,9% dizem que o texto não é nada importante e 6,1% que é pouco importante. Dentre os entrevistados, 9,4% dizem não saber se as normas podem contribuir para preservar a integridade moral e confiança pública do tribunal.
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Do Poder360
O número de jornalistas com Carteira de Trabalho assinada em cargos típicos de Redações de veículos de jornalismo caiu 31% desde 2014, quando esteve no pico. Àquela época, eram 42.605 profissionais da área registrados pelas regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No fim de 2025, esse número havia caído para 29.306.
O dado é de levantamento do Poder360 a partir de dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e de movimentações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os registros de agora estão no menor patamar desde pelo menos 2010. Isso mesmo com crescimento acelerado dos vínculos formais nos demais setores da economia e com o desemprego na mínima histórica.

Todos os cargos comuns em Redações jornalísticas e consolidados na Rais perderam profissionais formais desde 2014. As maiores quedas foram nas categorias de críticos, editores de revistas e repórteres fotográficos, como mostra o quadro abaixo:

Os dados compilados pelo Ministério do Trabalho têm algumas falhas, mas as limitações não impactam a leitura geral dos quadros acima. Houve mudanças de metodologias ao longo dos anos. Os números de 2020 e antes podem ter leves variações a depender dos filtros aplicados e da base que foi consultada.
Não é possível saber se todos os profissionais registrados cumprem estritamente a função descrita na Carteira de Trabalho nem se têm registro ativo como jornalista, por exemplo. O Poder360 considerou só os vínculos regidos pela CLT. Estagiários, aprendizes e funcionários que trabalham para algum governo ou em assessorias de imprensa e consultorias não entraram na conta.
Baixas em todos os estados
A queda dos empregos formais via CLT de jornalistas de Redações se deu em todos os Estados, com as maiores baixas registradas no Espírito Santo, no Amazonas e em Rondônia.
São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal (apesar de também terem registrado queda) se mantêm como as unidades da Federação com o maior número de profissionais do jornalismo formalmente registrados em Carteira de Trabalho.

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) implementou em 2011 a desoneração da folha de pagamento com o intuito de fomentar o mercado de trabalho. Essa medida chegou a beneficiar 56 setores da economia (incluindo a indústria de mídia). O número foi reduzido para 17 setores por Michel Temer (MDB), em 2018, mas mantendo o setor de mídia.
Os números apresentados neste texto mostram que essa política de desoneração (que terá um fim gradual até 2028) não teve o efeito esperado, pelo menos para salvar os cargos formais de jornalismo no Brasil.
Divisão por gênero
As mulheres são 49,9% de todos os jornalistas contratados via CLT em redações. Os homens, 50,1%. Apesar dessa distribuição quase igualitária, as pessoas do sexo masculino são maioria em cargos mais ligados à chefia, como diretor de Redação e editor.

Jornalismo + Assessoria
No quadro abaixo, há um gráfico que considera também outras profissões ligadas ao jornalismo, como os assessores de imprensa. Percebe-se que houve queda de 30% nesse grupo mais amplo nas vagas geridas pela CLT desde 2013, num movimento semelhante ao observado só entre os jornalistas que trabalham em Redações.

Um estudo do Dieese e da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) de março de 2025 já havia mostrado queda de 18% nos cargos formais da profissão de jornalismo de 2013 a 2023. Esse recuo é menor do que o indicado acima porque o levantamento das instituições considerou também o pessoal empregado de forma formal fora da CLT, incluindo os funcionários que trabalham para governos (há muitos assessores de imprensa em administrações públicas de todas as esferas) e outras categorias mais distintas, como designer gráfico.
Debate sobre pejotização
A queda nos cargos formais no jornalismo coincide com a alta acelerada da pejotização no Brasil. A pejotização é quando uma pessoa abre uma empresa (em geral como MEI, microempreendedor individual) e passa a prestar serviços a outra empresa ou a uma pessoa física, sem vínculo formal de emprego.
Nesses casos, o trabalhador deixa de ter garantias asseguradas aos empregados regidos pela CLT, como FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e outros benefícios trabalhistas. Também pode haver recolhimento menor para a Previdência Social, a depender do modelo de contratação.

Havia no Brasil 13,1 milhões de empresas registradas como MEI no início de 2026. Esse tipo de modalidade é a forma mais comum da pejotização. Um estudo da economista Bruna Alvarez Mirelli publicado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) indica que 53% dos MEIs atuam de fato como trabalhadores, não como empreendedores. Essa seria a taxa de pejotização entre os microempreendedores.

Drive & Poder360
Todos os jornalistas que trabalham em regime de dedicação exclusiva para o jornal digital Poder360 e para produzir o Drive — newsletter premium deste jornal digital — são contratados formalmente com registro em Carteira de Trabalho.
Metodologia
O Poder360 utilizou a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2010 a 2024 e isolou só os vínculos ativos em 31 de dezembro de cada ano registrados formalmente via CLT. Para projeção de 2025, utilizou-se a movimentação do Caged para cada um dos 15 cargos escolhidos para análise:
crítico;
editor de revista;
repórter fotográfico;
editor de jornal;
revisor de texto;
comentarista de mídias audiovisuais;
diretor de Redação;
apresentador de programas de rádio;
repórter (exclusive rádio e televisão);
jornalista;
editor;
âncora de mídias audiovisuais;
repórter de mídias audiovisuais;
produtor de texto;
apresentador de programas de televisão.
Há três painéis do governo que reúnem informações detalhadas sobre os vínculos empregatícios: o da Rais de 2015 a 2021, o da Rais de 2022 a 2024 e o do Caged de 2020 a 2026. Os números apresentados na reportagem e pelo sistema do Ministério do Trabalho tem variações mínimas por conta dos filtros utilizados em cada um dos casos. A análise geral não é impactada.
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Durante discurso ontem (20), o presidente do União Brasil e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), deu a entender que a chapa de Raquel já caminha para um desfecho.
“Eu sei que você tem uma parceria forte com o senador Fernando Dueire (MDB), mas lembre aqui do Galeguinho” disse Miguel se dirigindo a Raquel Lyra (PSD) em tom descontraído. As informações são do Blog do Silvinho.
Leia maisA fala foi o suficiente para especulações de que Fernando Dueire seria o segundo senador da chapa a ser anunciada em breve. O senador é filiado ao MDB. A montagem privilegiaria o MDB que não faz parte da chapa majoritária de João Campos e poderia ser a forma de atrair a legenda para a base da governadora.
A noite de ontem marcou o primeiro ato de Miguel Coelho ao lado da governadora Raquel Lyra após a oficialização do apoio à reeleição da gestora.
Miguel compareceu à filiação de Anderson Luiz, pré-candidato a deputado estadual ao PSD. O evento aconteceu na cidade de Caruaru, Agreste do Estado, e reuniu nomes como os deputados federais Fernando Monteiro e Mendonça Filho, além do prefeito Rodrigo Pinheiro e da governadora.
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Silvio Almeida, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O processo está sob sigilo na Corte e tem como relator o ministro André Mendonça. Assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, a denúncia foi apresentada em 4 de março.
Em novembro do ano passado, a Polícia Federal indiciou o ex-ministro por importunação sexual. Quando o caso foi divulgado, em 2024, o ministro negou qualquer acusação. A defesa de Almeida foi procurada e optou por não se manifestar. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisAlmeida é investigado em um inquérito que apura se ele cometeu o crime contra algumas mulheres, entre as quais a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. À época, o presidente considerou “insustentável” a permanência do ministro diante da gravidade das denúncias e o demitiu do cargo.
Em depoimento à PF na condição de vítima, Anielle relatou aos investigadores que foi alvo de atitudes desrespeitosas e importunações desde a época da transição de governo, no fim de 2022. O ato mais ousado teria ocorrido em uma reunião oficial ocorrida em maio de 2023 na qual Almeida se sentou ao lado de Anielle.
Ela afirmou que o então ministro colocou a mão nas suas pernas por baixo da mesa. O encontro contou com a participação de pelo menos outras onze pessoas, entre elas o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Tiago Pereira. O depoimento de Anielle ocorreu em outubro de 2024.
Em setembro de 2024, a organização Me Too Brasil divulgou um texto, confirmando ter recebido denúncias de mulheres contra Almeida. Elas não quiseram se identificar. “Elas foram atendidas por meio dos canais de atendimento da organização e receberam acolhimento psicológico e jurídico”, dizia a nota da entidade.
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O engenheiro, ex-deputado federal e ex-secretário do governo estadual, Francisco Ariosto Holanda, morreu na manhã deste sábado (21), aos 87 anos. O velório ocorre a partir das 10h, na Ternura, em Fortaleza, com sepultamento previsto para 16h no Cemitério Parque da Paz. As informações são do jornal O Povo.
Nascido no dia 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, Ariosto foi estratégico para o desenvolvimento da ciência e tecnologia do Ceará. Ele era formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC) onde também foi professor. Trabalhou na distribuidora de energia elétrica, Companhia Energética do Ceará (Coelce) e Petrobras.
Ariosto recebeu diversos prêmios relacionados à Ciência e Tecnologia. Iniciou a vida política ao assumir a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado do Ceará (1987-1989) no primeiro governo Tasso Jereissati. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo partido PSB e conseguiu ser eleito na última colocação dentre os elegíveis (22ª posição).
Um dos filhos de Ariosto Holanda, Paulo André Holanda, atua como superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) Ceará e diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará). Na gestão de educação e tecnologia, ele frequentemente representa o legado do pai em eventos de inovação no Estado.
Preso desde janeiro para cumprir a pena de 27 anos pela participação na trama golpista, o ex-presidente Jair Bolsonaro completa 71 anos neste sábado (21). Ele segue internado no Hospital DF Star, para onde foi levado no último dia 13 depois de apresentar um mal-estar na cela onde está custodiado, no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília.
Pelas redes sociais, parentes fizeram homenagens ao ex-presidente e deram parabéns pela data. A primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) disse que este dia 21 marca um “aniversário atípico, dentro de um hospital”, mas destacou estar grata a Deus por ter “livrado” o marido “da morte”. As informações são do jornal O Globo.
Leia mais“Profetizo que este seja um novo ciclo, marcado pelas novidades e bençãos de Deus. Que venha justiça e restituição!”, escreveu Michelle. “Não olhe para o passado com peso… vamos olhar para Cristo e crer que Ele está te preparando para algo muito maior no futuro”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) gravou um vídeo na casa do pai e o editou com imagens de sua infância em família e passagens da trajetória política do clã. “Sempre bate uma saudade enorme do tempo em que a gente estava junto no dia a dia, conversando, rindo e falando de tudo um pouco. Hoje, essas conversas estão mais limitadas, mas eu tenho fé de que esse tempo difícil vai passar”, escreveu o pré-candidato ao Planalto.
Em tom semelhante e com imagens da infância e da Presidência do pai, Carlos Bolsonaro (PL) recordou como foi crescer ao lado de Jair Bolsonaro e disse que sempre fez de tudo “para ajudar o velho a conquistar seus objetivos”. “Continuo hoje, nessa missão”, destacou o pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) March 21, 2026
Apelos por prisão domiciliar
Parentes e aliados pressionam pela concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente, em razão do quadro de saúde. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu prazo ontem para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) após receber o relatório médico.
Na quarta-feira, a defesa do ex-presidente havia solicitado a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando o quadro clínico de Bolsonaro. Diante do pedido, Moraes determinou que o hospital encaminhasse, em até 48 horas, o prontuário médico completo, incluindo exames realizados, medicações administradas e avaliação das condições gerais de saúde.
Com o recebimento dos documentos, o ministro decidiu ouvir a PGR antes de analisar o pedido da defesa. Caberá ao órgão se manifestar sobre a eventual concessão da domiciliar, à luz das informações médicas apresentadas.
Bolsonaro cumpre pena em regime inicial fechado, após condenação em ação penal julgada pelo STF. A análise do pedido de prisão domiciliar ocorre em meio a avaliações dentro da Corte sobre os impactos jurídicos e políticos de uma eventual mudança no regime de cumprimento da pena.
Como mostrou o jornal O Globo, um grupo de ministros do STF avalia que a eventual concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento de seu quadro de saúde e dos possíveis desdobramentos políticos do caso. Integrantes do governo e do PT também têm considerado, sob reserva, que a piora clínica indica que chegou o momento de o ex-presidente voltar a cumprir pena em casa.
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A ministra do Planejamento, Simone Tebet, acertou a filiação com o PSB para disputar as eleições por São Paulo. Em 12 de março, Tebet anunciou que iria disputar uma vaga ao Senado por São Paulo durante o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, em Campo Grande (MT). A mudança vinha sendo costurada nas últimas semanas pela ministra e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Filiada ao MDB há quase três décadas, Tebet deixa a legenda para entrar no partido do vice-presidente Geraldo Alckmin e deve integrar a chapa liderada por Fernando Haddad (PT).
“São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política”, disse. “Política é missão, e eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que eu entendo muito importante para o Brasil”, disse Tebet ao participar do evento em Campo Grande. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisA decisão de Tebet de concorrer pelo estado já havia sido adiantada pelo O Globo em janeiro, quando ela acertou com o presidente que iria mudar o domicílio eleitoral para disputar o cargo. Tebet afirmou que o processo eleitoral em São Paulo “é muito importante para o Brasil” e lembrou que, em 2022, quando disputou a presidência da República, boa parte dos votos que recebeu foram no estado.
“Tem seis meses que eu tenho sido provocada positivamente de que preciso cumprir um papel em nome do país. E quando isso chegou até mim, eu fui investigar a razão dessa convocação. E, para a minha grata surpresa, fui ver, inclusive, que São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para presidente da República. Foi onde eu tive mais votos, é onde eu tenho mais acentuação”, falou.
O caminho para Tebet estar com Lula em 2026 passou obrigatoriamente pela saída da ministra do MDB e a mudança de domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo. Desde 2022, o partido apoia o governador Tarcísio de Freitas em São Paulo. Em 2024, Tarcísio foi um aliado decisivo para a eleição do prefeito Ricardo Nunes na capital, emedebista do qual Tebet não é próxima.
Já o presidente estadual do MDB, Rodrigo Arena, organiza apoio do partido à reeleição do governador. Na prática, Tebet não teria como disputar o Senado por São Paulo pelo MDB com apoio de Lula.
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