Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O presidente do PSD e candidato a vice-presidente da Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, é tido como uma das mais argutas raposas da política brasileira. Para alguns, dono de um faro que lhe permitiria talvez até prever o futuro. Se assim é, no caso dessa eleição presidencial, talvez sua bola de cristal tenha ficado um pouco ofuscada. Segundo a última pesquisa Datafolha, Caiado tem apenas 4% das intenções de voto.
Não virou a alternativa de terceira via que se imaginava possível para dar um fim à polarização política brasileira entre o lulismo e o bolsonarismo. Mas talvez a capacidade de Kassab não esteja exatamente em prever o futuro. Mas em se adaptar da melhor forma a ele quando o futuro vai se tornando presente. Neste ponto agora, portanto, o PSD acompanha com lupa as performances de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, e Raquel Lyra, em Pernambuco.
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Primeiro, vamos aos eventuais erros. Ao sair das últimas eleições municipais como o partido que mais elegeu prefeitos, o PSD julgou-se capaz de construir uma solução presidencial alternativa. Colocou, então, dois de seus principais nomes, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, numa disputa interna. Quando o União Brasil desistiu da candidatura de Ronaldo Caiado, acolheu-o. O nome que Kassab preferia, Ratinho Jr., desistiu da disputa. Ao escolher Caiado, Kassab não ofereceu exatamente uma alternativa mais ao centro.
Caiado foi mais um outro nome de direita que soou como resposta antiga. Em tempo de polarização extrema, a dubiedade do PSD, com nomes mais oposicionistas e outros aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, talvez tenha também atrapalhado a performance de Caiado. Como posição parecida atrapalhava o MDB até o partido resolver desistir de ter, por isso, candidatos à Presidência. Assim, hora, então, de o PSD corrigir seu rumo nessa reta final da campanha eleitoral. E o partido faz isso com o olho em três movimentos.
Na acirradíssima disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, uma exceção se destaca. De acordo com pesquisa Real Time Big Data de 22 de setembro, em Goiás não é nenhum dos dois que lidera. Nessa pesquisa, Ronaldo Caiado, que governou o estado, aparece à frente, com 31%, embora empatado com Flávio, que tem 30%. Manter essa performance de Caiado em Goiás é um dos focos do PSD nessa reta final.
Para além de Goiás, há uma aposta forte em dois ativos que estão mais no atual campo governista: Raquel Lyra e Eduardo Paes. Eleger os dois governadores é o outro foco importante de desempenho do PSD agora. Com uma aposta: a força de influência que poderiam ter num eventual quarto governo de Lula. Ou como contrapontos.
Na sexta-feira (25), no Recife, Lula deu uma impressionante demonstração da sua força no estado. Oficialmente, a multidão que se reuniu na capital pernambucana apoia o candidato de Lula ao governo, João Campos, do PSB. Mas Raquel Lyra tem suas razões para oferecer ali a Lula um certo palanque extraoficial.
Em Pernambuco, de acordo com Datafolha divulgada na sexta, Lula tem um impressionante percentual de 60% das intenções de voto. Se Raquel Lyra se colocasse contra ele, suas chances provavelmente minguariam, Raquel tem uma situação de empate com João Campos, com ligeira vantagem, diz o Datafolha: 48% a 44%.
No Rio de Janeiro, o palanque de Eduardo Paes é o oficial de Lula. Num cenário mais desfavorável. Segundo o Datafolha de sexta, Flávio tem 44% e Lula tem 38%. Paes manteve na rodada o mesmo percentual de 43% da rodada anterior. Mas viu seu principal adversário, Douglas Ruas (PL), subir de 25% para 30% das intenções de voto.
Apostando que Raquel Lyra e Eduardo Paes são os favoritos para vencer as disputas em Pernambuco e no Rio de Janeiro, o PSD aposta que os dois ajudarão a aumentar o poder de influência do PSD na República. Especialmente, claro, se o vencedor para presidente, ao final, for Lula para mais um mandato, diante dos apoios, um oficial.
No fundo, então, talvez mais que um oráculo, o que Gilberto Kassab de fato seja é mais um navegador no estilo do descrito samba de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, “Timoneiro”, que diz: “Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”. Kassab não prevê o futuro. Procura se adaptar quando vira presente.
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