Operação Vassalos cai como bomba no cenário político de Pernambuco
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
A Operação Vassalos, da Polícia Federal (PF), que foi autorizada ontem (25) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), caiu como uma bomba no cenário político de Pernambuco. Em meio às intensas negociações para a montagem das chapas que disputarão as eleições deste ano – e com mais nomes viáveis para concorrer ao Senado do que vagas disponíveis nos principais grupos – o pré-candidato Miguel Coelho (União Brasil-PE), que foi prefeito de Petrolina (Sertão) e sonha com a Casa Alta, foi tragado para o centro das investigações, o que pode produzir um efeito devastador para seu projeto.A Polícia Federal visa a desmontar um esquema que teria desviado mais de R$ 100 milhões em recursos públicos por meio de emendas parlamentares, convênios federais e licitações direcionadas, de acordo com reportagem do portal Metrópoles. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, na Bahia, em São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.
Leia maisO inquérito aponta para o envolvimento de integrantes da família Coelho, entre eles o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e Miguel Coelho, sendo os dois últimos filhos de Fernando Bezerra Coelho. Segundo as apurações, a empresa Liga Engenharia LTDA, que seria de parentes dos Coelho, acumulou de forma atípica mais de R$ 100 milhões em contratos de pavimentação em Petrolina desde 2017.
O efeito imediato é o fato de o nome de Miguel Coelho aparecer no noticiário político de forma negativa, por meio de uma investigação sobre corrupção. Sem entrar no mérito de culpa ou inocência, a imagem do ex-prefeito de Petrolina sofreu um abalo a partir do momento em que a investigação foi autorizada e ganhou as páginas de política.
Outro efeito é que a Operação Vassalos acabou facilitando a vida de quem está escolhendo candidatos para compor suas chapas e tem mais nomes do que vagas para o Senado. Fica difícil para qualquer pessoa que almeja sentar na cadeira de governador de Pernambuco a partir de 2027 carregar ao lado, durante a campanha, alguém que precisa se explicar muito. Esse pode ser um argumento tanto para a governadora Raquel Lyra (PSD) quanto para o prefeito João Campos (PSB) nas negociações.
E os dois grupos, como terceiro efeito da bomba, estão dando graças a Deus por essa operação ter sido exposta neste momento, porque Miguel ainda não foi anunciado como candidato ao Senado em nenhum lado, embora esteja conversando com ambos. Se fosse daqui a dois meses, o prejuízo seria incalculável, afirmaram fontes ligadas a este blog. Como quarto efeito, um resultado óbvio: a Operação Vassalos fortaleceu as chances de outras figuras que desejam um espaço nas chapas para tentar uma cadeira no Senado.
Viés político – Os deputados Miguel Coelho e Fernando Filho se manifestaram ontem (25) contra a Operação Vassalos. Por meio de nota, os parlamentares destacaram o viés político da operação, afirmando que nunca deixaram de prestar informações aos órgãos de controle. Ainda segundo a nota, o STF já apurou alguns dos fatos e, por meio da decisão do ministro Flávio Dino, arquivou o processo. “Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas. Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira. Nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham”, afirmaram.

Creches – A gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) mantém vínculo com uma das empreiteiras envolvidas em contratos que entraram na mira da Operação Vassalos, deflagrada ontem (25) pela Polícia Federal (PF). A Construtora Bahiana de Saneamento Ltda. (CBS) receberá R$ 33,5 milhões da Secretaria de Educação de Pernambuco para construir seis creches do programa Juntos pela Educação. A ordem de serviço foi emitida dois dias antes de a ofensiva policial vir à tona. O vínculo de 16 meses foi formalizado em 13 de fevereiro deste ano, e a ordem de serviço foi assinada na última segunda-feira (23). A construtora ficará responsável pela implantação de uma creche estadual no Recife, outra em Jaboatão dos Guararapes, duas em São Lourenço da Mata e mais duas em Abreu e Lima.
Bolsonarismo e Raquel 1 – Anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e reveladas ontem (25) pela Folha de São Paulo indicam que a governadora Raquel Lyra (PSD) será o nome apoiado pelo bolsonarismo na corrida deste ano ao Palácio do Campo das Princesas. Nos escritos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), escolhido para a disputa contra o presidente Lula (PT) em outubro, fez um panorama das lideranças que devem fornecer palanque para ele nos estados, elencando a governadora de Pernambuco.
Bolsonarismo e Raquel 2 – Nas anotações, Flávio também deu a entender que haveria apoio de Raquel a Mendonça Filho para que o deputado federal troque o União Brasil pelo PL e concorra ao Senado em sua chapa, oficializando a adesão do bolsonarismo ao palanque da governadora. Já a segunda vaga seria de Miguel Coelho. Flávio também teria escrito que “só Gilson não gosta” desse arranjo para o Senado, em referência ao ex-ministro do Turismo Gilson Machado, que migrou para o Podemos.

Condenados – Por unanimidade, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou, ontem (25), os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, em 2018. As penas foram de 76 anos e 3 meses. Ex-conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), Domingos Brazão foi um dos mandantes da morte da vereadora. Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), ele teria ordenado o assassinato de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas do Rio dominadas por milícias. As informações são da CNN.
CURTAS
Foco – Ao ampliar sua agenda política na capital federal, Edilson Tavares tem defendido que o Polo das Confecções precisa de uma voz mais presente no Congresso Nacional para impulsionar o setor, que é um dos principais geradores de emprego e renda em Pernambuco. Sua pré-candidatura é vista como prioritária para a cúpula do Progressistas.
Sem convite – Há uma chiadeira nos bastidores da política de Pernambuco sobre a falta de convites para o casamento do prefeito João Campos e da deputada federal Tábata Amaral, no último sábado (21). Ficaram de fora nomes graúdos, que não gostaram da exclusão e nem uma satisfação receberam. Há deputados federais líderes de partidos, deputados estaduais e boa parte da bancada de vereadores que apoia João na Câmara do Recife.
Reforço na lei – O deputado federal Eduardo da Fonte (UP/PE) apresentou o Projeto de Lei 645/2026, que busca reforçar que o crime de estupro de vulnerável se configura em qualquer ato sexual com menor de 14 anos, independentemente de consentimento, experiência prévia, diferença de idade ou existência de relação afetiva. A proposta altera o artigo 217-A do Código Penal e estabelece que a vulnerabilidade da vítima deve ser considerada absoluta.
Perguntar não ofende – Como fica a disputa pelo Senado em Pernambuco após a Operação Vassalos?
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