Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá, hoje, uma conversa com seu vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) para tentar com eles fechar a chapa que pretende para concorrer no estado de São Paulo.
O plano de Lula é ver Haddad como o candidato ao governo de São Paulo, numa disputa contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). E ver Alckmin disputando uma vaga para o Senado, compondo chapa ou com a ministra do Planejamento, Simone Tebet (hoje no MDB, mas que poderia ir para o PSB) ou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede). Pesquisas já mostraram Haddad liderando a corrida para o Senado.
Leia maisPesquisas também já apontaram boas chances de Alckmin para o Senado. Mas o que move especialmente essa conversa é que há hoje um quadro de indefinição no chamado “Triângulo das Bermudas” da política brasileira: os três estados da região Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais. Em torno de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, movem-se tanto Lula quando o senador Flávio Bolsonaro para ampliar seus espaços.
São Paulo é um caso curioso. Tarcísio de Freitas é o favorito para a reeleição. Mas o campo da direita não aparece forte, pelo menos por enquanto, nas opções para o Senado. O nome que tem aparecido com mais viabilidade é o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança de Tarcísio. Mas ele, segundo as pesquisas, ficaria atrás de Alckmin ou Haddad. Há um ponto, porém, que tenta se explorar em São Paulo: o distanciamento do comandante do PSD, Gilberto Kassab, do nome presidencial da direita, Flávio Bolsonaro.
Dentro do PL, ainda se comenta com espanto como foi possível deixar em cima da mesa para que vazassem as famosas anotações de Flávio após uma reunião na semana passada. Porque elas revelaram tudo o que vem sendo discutido nos bastidores em torno da candidatura presidencial. E deixaram explícito um ponto: Flávio parece fugir de Kassab como opção de aliança.
Nas anotações, aparece associado ao nome do vice-governador, Felício Ramuth (PSD), um símbolo de “$”. Mas, segundo um interlocutor do PL, o partido estima que o afastamento de Kassab e de Flávio abrem possibilidade de a legenda integrar a chapa de Tarcísio. Por isso, a anotação: “Ligar para Tarcísio”.
Aí, a mesma pinimba com o PSD de Kassab transfere-se para Minas Gerais. Flávio queria o deputado Nikolas Ferreira (PL) como o candidato ao governo. Mas Nikolas não quer, com a desincompatibilização do governador Romeu Zema (Novo), que o candidato seja seu vice, Mateus Simões (PSD).
Lula quer em Minas como seu candidato o senador Rodrigo Pacheco, hoje no PSD. Pelo fato de o partido ter o vice de Zema, discute-se a transferência da Pacheco para o MDB. O MDB mineiro avalia a hipótese. Até porque não conseguiu espaço com Mateus Simões numa eventual chapa em Minas.
O MDB tem em Minas um pré-candidato ao governo, que é o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo. A conversa com Pacheco passará por ele e definida pelo presidente do MDB de Minas, o deputado federal Newton Cardoso Jr. Nenhum dos dois é nem bolsonarista nem próximo do governo Lula.
Finalmente, o Rio de Janeiro. Ali, a intenção de Lula é estar fechado em aliança para eleger governador o prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PSD. Mas há quem desconfie. Paes indicou para vice Jane Reis (MDB), irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, que pretende apoiar Flávio Bolsonaro.
Já Flávio terá como candidato ao governo o secretário de Cidades, Douglas Ruas (PL), tendo para o Senado o governador Claudio Castro (PL) e o prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella (União Brasil), com apoio do PP. Os três partidos elegeram 51 prefeitos em 2024. O problema: a pouca experiência de Ruas.
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