O presidente Donald Trump disse hoje que não vai se desculpar por ter publicado um vídeo em suas redes sociais que mostrava o ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle como macacos. As informações são do portal UOL.
“Só vi a primeira parte, que falava sobre fraude eleitoral… e não o vi completo”, disse Trump a jornalistas. A bordo do Air Force One, o republicano acrescentou que “passou” o vídeo para sua equipe para que fosse publicado e que eles também não o assistiram por completo: “Geralmente elas [da equipe] olham tudo, mas acho que alguém não olhou”, declarou.
Leia maisAinda questionado sobre o tema, o presidente afirmou não ter errado com a publicação. “Não, eu não cometi um erro”, falou, de acordo com o New York Times.
A Casa Branca minimizou o vídeo, que foi apagado após 12 horas. Inicialmente, a porta-voz do presidente americano, Karoline Leavitt, denunciou uma “indignação falsa” e criticou os veículos que repercutiram o caso. “Isso é um trecho de um vídeo publicado na internet que mostra o presidente Trump como rei da selva e os democratas como personagens do ‘Rei Leão’. Parem com essa indignação falsa e relatem algo que realmente importe ao público americano hoje”, declarou a porta-voz em comunicado enviado à AFP na sexta.
Diante da comoção provocada pelas imagens do primeiro presidente negro dos Estados Unidos e de sua esposa, a Casa Branca mudou sua versão. “Um funcionário da Casa Branca publicou esse conteúdo por engano. Ele foi apagado”, declarou à AFP um alto responsável do Executivo. Ele não deu mais explicações sobre a gestão da conta pessoal de Donald Trump no Truth Social.
Entenda o caso
Trump publicou anteontem um vídeo de teor racista e com uma teoria da conspiração sobre as eleições. O vídeo retrata o ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle como macacos — o que provocou indignação em vários líderes democratas.
Rostos do casal Obama aparecem sobrepostos aos corpos de macacos por cerca de um segundo, em vídeo publicado por Trump. As imagens foram postadas ontem na Truth Social. Ao fundo do vídeo, a canção “The Lion Sleeps Tonight” toca ao fundo quando o casal aparece.
O vídeo repete alegações falsas de que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems ajudou a roubar a eleição de 2020 de Trump. Postado duas vezes, o vídeo recebeu milhares de ‘likes’ e tinha sido compartilhado por quase duas mil contas seis horas após a publicação.
Democratas repudiaram a publicação. Um deles foi o governador da Califórnia, Gavin Newsom, potencial candidato democrata à presidência em 2028 e crítico veemente de Trump. “Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora”, publicou a conta do gabinete de imprensa de Newsom na rede social X.
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também condenou as imagens. “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história”, escreveu no X.
Obama é o único presidente negro na história dos Estados Unidos. Ele apoiou a rival de Trump, a democrata Kamala Harris, na disputa eleitoral de 2024.
Imagens de IA
Donald Trump utiliza publicações provocativas para mobilizar sua base conservadora e aumentou o uso de imagens geradas por IA no seu segundo mandato. As publicações são feitas muitas vezes para celebrar seu nome e tentar ridicularizar seus críticos, sempre na plataforma criada por ele, Truth Social.
No ano passado, Trump publicou um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo detido no Salão Oval. Na ocasião, o ex-presidente aparecia atrás das grades, vestindo um uniforme laranja de detento.
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