Brasil demorou a negociar tarifaço e não ganhará nada com retaliação, diz ex-presidente da CNI
O Brasil demorou a reagir ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e agora tenta reduzir os prejuízos de uma crise que poderia ter sido enfrentada mais cedo pela via diplomática. Esse foi o diagnóstico apresentado ontem pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, durante entrevista ao podcast Direto de Brasília. Para o empresário, o governo Lula (PT) perdeu tempo diante de uma ameaça concreta e deveria ter aberto imediatamente um canal de negociação com o presidente americano Donald Trump.
“Eu sou a favor da negociação. Acho que é o único caminho que temos para realmente resolver essa questão do tarifaço, que foi decidida de maneira unilateral e baseada em levantamentos ou em informações que não são corretas”, declarou Robson. Segundo ele, justamente por considerar frágeis os argumentos usados pelos Estados Unidos, o Brasil teria condições de contestá-los de maneira objetiva. “Acho que estamos agindo tarde, já devíamos ter agido desde antes, quando havia uma ameaça concreta. Não era uma ameaça que a gente poderia relegar”, acrescentou.
Leia maisNa visão do ex-presidente da CNI, faltou ao governo brasileiro uma reação mais pragmática antes da adoção das tarifas. O país, sustentou, poderia ter colocado suas razões sobre a mesa, conhecido as exigências de Washington e contestado os pontos levantados pelo governo americano. “Essas questões poderiam ter sido refutadas de maneira elegante e concreta, e a gente poderia hoje estar numa situação em que não teríamos esse tarifaço de 25% que foi imposto pelo governo americano”, argumentou.
Robson também se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade como resposta aos Estados Unidos. Embora o instrumento permita a adoção de contramedidas comerciais e diplomáticas diante de barreiras consideradas injustificadas, ele avaliou que uma retaliação não produziria ganhos para a economia brasileira. “Não sou a favor de adotar a Lei da Reciprocidade, porque não vai nos levar a absolutamente nada. Não vai trazer nenhum benefício para a economia brasileira”, advertiu.
A crítica, segundo o empresário, não significa defender uma postura passiva diante de Trump. Robson sustentou que o Brasil deve negociar com firmeza, mas reconhecendo que uma negociação envolve concessões dos dois lados. “Temos que chegar, colocar na mesa o que podemos ceder e o que nós queremos em troca”, frisou. Ele citou questionamentos americanos sobre o Pix como exemplo de tema que poderia ser esclarecido diretamente pelo governo brasileiro, sem a escalada de medidas retaliatórias.
O ex-presidente da CNI também relativizou o alcance do Plano Brasil Soberano 3, lançado pelo governo Lula para atender empresas atingidas pelas novas tarifas e pela crise no Oriente Médio. O programa prevê R$ 18,5 bilhões em crédito, com recursos do Tesouro Nacional e do BNDES, mas, para Robson, atua apenas sobre parte dos efeitos imediatos da crise. “É um paliativo, porque, na realidade, a taxa de juros do Brasil é enorme. É a segunda ou terceira maior do mundo, realmente um absurdo”, observou.
Para ele, o crédito pode ajudar empresas a atravessar um período de dificuldade, mas não enfrenta os problemas de produção, produtividade e acesso a mercados. “O Brasil Soberano é um remédio que não vai resolver o problema da doença da indústria nesse momento. Se ela sair da UTI, ficará no hospital e poderá voltar para a UTI”, concluiu.
A esperança é a última que morre – Com o Republicanos e a federação União Brasil-PP fora da aliança nacional, Flávio Bolsonaro (PL) admitiu que tentará até o último minuto encontrar um vice de outro partido. O interesse, segundo o próprio candidato à Presidência, é ampliar o tempo de propaganda no rádio e na televisão. “Estou tentando até o último minuto que eu puder, isso é importante e eu vou tentar porque me dá tempo de televisão”, declarou, ontem, durante sabatina promovida pelo G4 e por O Antagonista. Flávio pretende prolongar a escolha até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto diminuem as alternativas para evitar uma chapa puro-sangue.

União neutro – O União Brasil anunciou, ontem, durante a convenção nacional do partido, neutralidade para a eleição presidencial deste ano. A reunião ocorreu na sede da sigla, em Brasília, de forma híbrida. O presidente do União, Antônio Rueda, participou de forma remota. A decisão acompanha o posicionamento do Partido Progressistas (PP), que formou uma federação com o União neste ano. Como as duas legendas formam uma federação, elas precisam atuar, na prática, como um só partido, seguindo, assim, programas semelhantes. O União possui 52 deputados em exercício e três senadores, sendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), uma das principais lideranças da legenda.
Candidatura com digitais de Raquel – O lançamento da candidatura de Mendonça Filho (PL) ao Senado ampliou as especulações sobre sua articulação política. Embora aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) neguem seu envolvimento, a presença de prefeitos do PSD, da líder do Governo na Alepe, Débora Almeida, e de símbolos que aproximavam Raquel e o PL durante o evento reforçou a percepção de que o projeto conta com respaldo do Palácio do Campo das Princesas. O cenário também levanta dúvidas sobre o posicionamento de aliados, como Túlio Gadelha (PSD), que se nomeia candidato da esquerda em uma chapa completamente direitista, e sobre a reação de Eduardo da Fonte (PP) diante do surgimento de mais um concorrente na disputa por uma vaga no Senado.
Apoios – Após o anúncio de sua candidatura ao Senado, Mendonça Filho (PL) recebeu, imediatamente, o apoio do grupo Coelho, liderado pelo presidente estadual do União Brasil e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Além dele, os partidos Novo e Podemos também manifestaram apoio à candidatura de Mendonça. O deputado anunciou que irá participar de ato ao lado de mais de 70 candidatos do Partido Novo hoje (5) e do Podemos amanhã (6). “Vocês verão que essa candidatura vai ganhar cada vez mais reforços”, enfatizou.

Girão vice de Zema – O senador Eduardo Girão (Novo) foi anunciado, ontem, como vice na chapa de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República. A decisão foi tomada após uma série de conversas entre os dois e integrantes da direção nacional do partido. Com o anúncio, Girão deverá desistir da candidatura ao governo do Ceará, lançada no início de julho. A escolha forma uma chapa inteiramente composta por integrantes do Novo. A aproximação entre Girão e Zema começou antes da campanha presidencial. Eleito senador em 2018 pelo Pros, Girão ingressou no Podemos no início do mandato e permaneceu na sigla até fevereiro de 2023, quando se filiou ao Novo e se tornou o primeiro senador do partido.
CURTAS
MIGUEL 2030 – Ao receber o apoio do grupo de Miguel Coelho (União Brasil) para sua candidatura ao Senado, Mendonça defendeu uma possível candidatura de Miguel ao governo de Pernambuco em 2030. “Quando ele (Miguel) assume algo, eu não preciso escrever. Sei que ele vai cumprir. O projeto de Miguel foi adiado. Ele ainda será governador de Pernambuco”, enfatizou Mendonça. As informações são do Blog da Folha.
PM – Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que Pernambuco tem apenas 1,6 policial militar para cada mil habitantes, ocupando a terceira pior posição do país no indicador, ao lado de Maranhão, Rio Grande do Sul e Goiás. O índice está abaixo da média nacional, de 1,9 PM por mil habitantes.
PM 2 – O estudo aponta ainda que Pernambuco conta com 15.738 policiais militares, apenas 56,3% do efetivo previsto de 27.953. Em resposta ao déficit, o Governo do Estado formou 2.157 PMs em abril e autorizou, em julho, um novo concurso com 1.320 vagas para a corporação.
Perguntar não ofende: De onde sairá o vice de Flávio?
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