Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O governador do Paraná, Ratinho Jr., já estava escolhido: seria ele o candidato do PSD à Presidência da República. Os nomes dos três governadores pré-candidatos – além de Ratinho, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite – foram submetidos a votação no diretório nacional.
E o governador do Paraná obteve a maioria. Além disso, pesquisas internas também apontavam qual seria a sua viabilidade eleitoral. Segundo os números, ele largaria tendo em torno de 12%, sendo dos três o único com alguma entrada na região Nordeste. Teria ainda o recall de ser filho do apresentador de TV Ratinho, o que o tornaria mais conhecido que os outros dois governadores.
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A intenção do presidente do PSD, Gilberto Kassab, era anuncia Ratinho Jr. como candidato nesta quarta-feira (25). Até domingo (22), esse era o quadro no PSD. Por isso, foi uma grande surpresa para Kassab quando soube na manhã de segunda-feira que Ratinho Jr. estava desistindo do páreo presidencial. O governador paranaense já queria naquela mesma hora anunciar sua desistência. Kassab telefonou para tentar demovê-lo.
Não conseguiu. O máximo que obteve foi que Ratinho Jr. segurasse o anúncio por mais algumas horas para que o partido recompusesse sua estratégia. Ratinho Jr. fez seu anúncio à tarde. Kassab fez uma nota reafirmando a intenção de ter um nome no páreo presidencial. Mas já não parecia provável, até o fechamento da coluna, que ele mantivesse ao anúncio do candidato para hoje. Na direção do PSD, a avaliação nesta quarta era que a decisão de Ratinho Jr. tinha sido um erro. No mínimo, com 44 anos, era dada a ele a chance de crescer politicamente.
Se a decisão do governador era permanecer no Paraná para ter controle sobre a sucessão e evitar a eleição de seu adversário, o senador Sergio Moro, que se filiou ontem no PL, a avaliação é que também optou pelo pior caminho. Se saísse candidato a senador, poderia pegar seu candidato a governador pelo braço e rodar o estado com ele.
Então, a leitura era de que a desistência de Ratinho Jr. tinha um possível dedo de Lula. Se a intenção é combater a eleição de Moro, Ratinho não poderá tecer elogios ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na sua campanha presidencial. No mínimo, terá que ficar neutro, num pacto de não agressão.
Outro dado que impressionou é o fato de Ratinho Jr. não ter um sucessor claramente definido. Fala-se no presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, ou no secretário de Cidades, Guto Silva, ambos do PSD. Mas Paraná Pesquisas de março dava Curi 13 pontos atrás de Moro e Guto 39.
Também surgiram cogitações envolvendo o possível nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, que é também do PSD. Mas, no caso, há um grande problema. O vice-prefeito da capital do Paraná, Paulo Martins, é do PL. Enfim, Ratinho Jr. pode ter transformado sua sucessão numa grande bagunça.
No caso da candidatura presidencial do PSD, também não estava dado de barato que o nome do partido, com a desistência de Ratinho Jr., seria Ronaldo Caiado. Embora o governador de Goiás pareça ter mais musculatura, ele teria um problema: uma aproximação maior com o ex-presidente Jair Bolsonaro, demonstrada algumas vezes.
Se a intenção de Kassab era apresentar um nome próprio do partido para não ter que se definir ainda no primeiro turno pela polarização Lula/Flávio, poderia ser um problema político escolher alguém que acabasse soando como uma linha auxiliar de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, espécie de escada para ele.
De qualquer modo, na terça-feira (24), Caiado já correu para se reunir com Kassab. Não há informações de que Leite tenha feito o mesmo. Apenas reafirmou a sua disposição de assumir a missão pelo partido. Mestre do jogo político, Kassab parece ter agora um nó a desatar. Para onde irá?
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