João lidera e Raquel não converte aprovação em votos
A disputa pelo Governo de Pernambuco este ano começa a ganhar contornos mais definidos sob a lógica clássica de que “eleição é comparação”. No cenário atual, o embate entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) revela uma assimetria importante entre aprovação administrativa e intenção de voto, indicando que a avaliação de governo não tem se convertido automaticamente em capital eleitoral. A análise foi feita, a princípio, no jornal O Globo.
João Campos aparece, até aqui, como o nome mais competitivo. Amparado por alta aprovação à frente da Prefeitura do Recife, forte presença digital e pelo peso simbólico da herança política ligada a Miguel Arraes e Eduardo Campos, o socialista amplia sua influência para além da capital. Pesquisas recentes o colocam consistentemente na liderança, com índices que variam de cerca de 45% a mais de 50% das intenções de voto, em alguns cenários com possibilidade de vitória no primeiro turno. Esse desempenho reflete não apenas sua força na Região Metropolitana, mas também a capacidade de nacionalizar sua imagem dentro de um campo político alinhado ao lulismo.
Leia maisJá Raquel Lyra apresenta um quadro mais complexo. Embora registre aprovação superior a 60% em seu governo, enfrenta dificuldades claras de conversão desse índice em intenção de voto, aparecendo atrás do adversário em diferentes levantamentos. Sua principal base eleitoral está no interior do Estado, especialmente no Agreste, onde construiu capital político como ex-prefeita de Caruaru. Ainda assim, o desafio central da governadora é ampliar sua competitividade fora desse eixo e consolidar uma narrativa de continuidade administrativa capaz de mobilizar o eleitorado.
Um dos pontos mais sensíveis para a governadora é a Região Metropolitana do Recife (RMR), onde sua gestão enfrenta maior resistência e níveis relevantes de rejeição política. Trata-se justamente do maior colégio eleitoral do Estado, dominado historicamente por forças ligadas ao PSB. Nesse território, João Campos leva vantagem por combinar presença institucional recente, visibilidade administrativa e identificação simbólica com o eleitorado urbano, o que amplia sua dianteira nas pesquisas.
No campo das alianças, João também demonstra vantagem estratégica. O apoio formal do PT e a associação com o presidente Lula reforçam sua inserção no campo progressista, historicamente forte em Pernambuco. Raquel, por sua vez, buscou aproximação com o governo federal, mas não conseguiu consolidar um palanque robusto. A tentativa de evitar a nacionalização da disputa indica uma estratégia defensiva, focada na gestão e nas entregas administrativas.
Por fim, o cenário aponta para uma eleição polarizada, com baixa competitividade de candidaturas alternativas e forte concentração de votos nos dois principais nomes. Enquanto João Campos entra na disputa com vantagem consolidada nas pesquisas e forte penetração na RMR, Raquel Lyra aposta na força do interior e na vitrine administrativa do governo.
CORRIDA NO INTERIOR – Em agendas simultâneas pelo interior do Estado, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), ampliaram compromissos no Sertão e no Agreste. Em Taquaritinga do Norte, Raquel participou da entrega da requalificação da PE-130. Já João esteve em Tabira, onde se reuniu com aliados ao lado do deputado federal Carlos Veras (PT). A agenda segue neste fim de semana com visitas a Afogados da Ingazeira e Carnaíba, dois municípios que contam com prefeituras do PSB.

RAQUEL LEVA PREFEITO DE OURICURI – A governadora Raquel Lyra (PSD) oficializou a filiação do prefeito de Ouricuri, Victor Coelho, ao partido. Ele deixou o Republicanos e declarou apoio à reeleição da gestora. “Agora, faço parte do seu time oficialmente. A prioridade é a reeleição da nossa governadora”, afirmou. Raquel destacou a chegada como reforço político no Sertão e disse que o aliado “tem feito um trabalho arretado no município”.
TEMPO NAS MÃOS DO PP – A federação União Progressista, liderada em Pernambuco por Eduardo da Fonte, passou a ocupar posição estratégica na montagem das chapas para 2026. Com a maior fatia de tempo de rádio e televisão entre os partidos, o grupo ampliou o poder de negociação após a saída de deputados do blocão governista na Alepe. Nos bastidores, o controle desse tempo é tratado como fator central para a definição de alianças.
CRECHES SÓ NO PAPEL – O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), disse que manterá relação institucional com a governadora Raquel Lyra, mas escancarou o atraso em obras prometidas pelo Estado. “Eram seis creches. Duas tiveram algum movimento de início de obra e as outras até agora nada”, afirmou. Marques também evitou falar em metas futuras, mas garantiu continuidade da expansão de vagas na rede municipal, herdando a vitrine deixada por João Campos.

HUMBERTO NEGA RUÍDO – O senador Humberto Costa (PT) negou desconforto na composição da chapa com João Campos (PSB) e Marília Arraes (PDT). “Estou perfeitamente à vontade. É uma chapa com a qual eu me identifico politicamente”, afirmou. Segundo ele, o grupo está alinhado em torno do presidente Lula e deve intensificar agendas conjuntas em Pernambuco.
CURTAS
SEM CPI DO MASTER – Ao convocar sessão do Congresso para o dia 30 com pauta única, voltada à análise de veto presidencial, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicou que não pretende ler requerimentos de criação da CPI do Banco Master. Nos bastidores, interlocutores confirmam que o tema perdeu prioridade, inclusive entre parlamentares da oposição.
FLÁVIO ELEVA O TOM – Em agenda de pré-campanha no Rio Grande do Sul, o senador Flávio Bolsonaro (PL) colocou o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal como critério central para a escolha de candidatos ao Senado. “Um dos principais fatores (…) é: você é a favor ou contra impeachment de ministros do Supremo”, afirmou. Ele também criticou a carga tributária, classificando-a como “insuportável”, defendeu a revisão da reforma tributária e apontou segurança pública e desburocratização como eixos da sua futura plataforma eleitoral.
ACORDO CONTRA O TRÁFICO – Brasil e Estados Unidos firmaram cooperação para combate ao tráfico de armas e drogas, com troca de dados em tempo real. O objetivo é permitir que cargas suspeitas sejam identificadas ainda na origem, antes de deixarem território americano. Segundo o governo, a iniciativa amplia a capacidade de resposta das autoridades e melhora o rastreamento de rotas ilegais. “Hoje marca o primeiro passo relevante no combate ao crime organizado entre os dois países”, afirmou o ministro Dario Durigan.
Perguntar não ofende: Por que Raquel não consegue converter aprovação em voto?
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