Por Antonio Magalhães*
Hoje é bem visível que a “Ditadura do Coronavírus” no Brasil, que suprimiu liberdades em nome do combate à gripe Covid, que matou milhares de brasileiros e desestabilizou o país econômica e socialmente, manteve a essência dos vírus: transformar-se para sobreviver. O “bichinho chinês”, que aterrorizou o planeta há seis anos, metaforicamente, agora numa nova forma, vestiu toga de juiz, consolidando-se como um liberticida na terra brasilis e trazendo morte e sofrimento. Tudo em nome da democracia.
O combate à doença foi desastroso na época. A interferência da política na área médica complicou ainda mais os efeitos da Covid. O pandemônio institucional causado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com seu autoritarismo ainda embrionário, tirou do governo federal a gestão da crise, dando a governadores e prefeitos o poder de agir na pandemia, o que levou a excessos sociais e policiais, lockdowns, ou “fique em casa e a economia a gente vê depois”.
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Mesmo assim, a administração federal manteve a economia precariamente em funcionamento, pagou um auxílio financeiro emergencial para milhões de brasileiros pobres, evitando saques e revoltas populares. E distribuiu recursos financeiros, sem poder controlá-los por ordem do STF, para estados e municípios, possibilitando aproveitamento ilegal dos gestores para falcatruas, corrupção e grandes negócios. É exemplar o caso do Consórcio dos Governos do Nordeste, que pagou R$ 42 milhões a uma empresa inidônea da Bahia para a compra de respiradores hospitalares, essenciais para aliviar os efeitos da Covid. Esses equipamentos nunca chegaram, o dinheiro não voltou e ninguém foi preso ou responsabilizado.
Já os medicamentos de consumo popular, a hidroxicloroquina e a ivermectina, foram execrados publicamente por facção de médicos sob o argumento de que eles não curavam nada. Eu e minha família tivemos Covid no início da pandemia. Tomamos esses medicamentos e saímos bem da doença. O massacre contra esses remédios continuou na mídia, certamente subsidiado pelas poderosas big pharmas. A pouca opção de tratamento deprimiu muita gente, que via como único destino o internamento hospitalar, às vezes sem alta.
Numa segunda etapa, houve o questionamento pela oposição petista a respeito da chegada das vacinas contra a Covid. Elas começaram a ser aplicadas nos brasileiros assim que ficaram prontas, em janeiro de 2021. Isso tudo em meio à controvérsia médica sobre a eficácia do imunizante criado apressadamente, que, mesmo inoculado em doses subsequentes, permitia a contaminação pela gripe do Corona em algumas pessoas.
Foram tempos muito difíceis para os brasileiros, convivendo com o vírus que levou à morte 600 mil pessoas. Sem informação sobre a duração da pandemia, impossível de calcular na época. Valia tudo: mentiras, desinformação promovida pela velha mídia, acusações sem fundamentos contra os supostos responsáveis pelas mortes, como fizeram com o então presidente Bolsonaro, injustamente tido como genocida de brasileiros. Quando, na verdade, o responsável pelos contaminados e mortos foi o Coronavírus. Coisas de uma “pandemia de arbítrios”.
Até hoje, em abril de 2026, há desconfiança quanto à origem do vírus. Uns afirmam que surgiu a partir de morcegos contaminados consumidos em sopa nos mercados públicos da cidade chinesa de Wuhan, o marco zero do Corona. Foi a primeira a ter sua população de 11 milhões de habitantes afetada pela doença, tendo, por isso, seu acesso fechado durante o surto.
Wuhan é uma das cidades-modelo do capitalismo comunista da China. Nela, funciona um superlaboratório de pesquisas biológicas, o Bio Lake. Nele estão instaladas conhecidas empresas e instituições de pesquisas biofarmacêuticas da China e do Exterior. O complexo industrial e de pesquisa tem 15 quilômetros quadrados e abriga oito das 13 mais importantes empresas farmacêuticas do mundo. Tornou-se um centro de bioindústria de classe mundial.
Por isso, não dá para acreditar que este portentoso centro de pesquisas biológicas e indústrias do setor perdeu a parada para sopa de morcego contaminada. Desde dezembro de 2019, quando foram detectados os primeiros casos do Corona em Wuhan, até agora, o Bio Lake não deu informações sobre a origem do vírus. Pelo menos não publicamente.
O Coronavírus terminou ajudando a China. Ela deu de graça a doença ao planeta, mas vendeu vacinas, máscaras cirúrgicas, equipamentos médicos de proteção individual (EPIs) e reduziu na época a expectativa de alta da inflação. Com a restrição de mobilidade de sua população durante a comemoração do Ano-Novo Lunar, baixou o consumo de alimentos de 1,4 bilhão de chineses, que sempre se excedem na comida nesses festejos. A epidemia ainda acelerou a venda de automóveis nas grandes cidades da China. O medo de contágio do Coronavírus fez aumentar a procura de carros por quem temia o transporte público.
Já o site “Rural Business”, a bússola do agronegócio brasileiro, entendeu bem o que aconteceu na época. Para ele, foi mais uma repetição de artimanha chinesa para não afetar o seu crescimento. O site indaga se não é coincidência demais o que aconteceu. Ocorreram na China surtos gripais variados nessas duas décadas. Depois de cada crise sanitária, o país se saía melhor economicamente. Por isso, o surto de Coronavírus pode ter acontecido dessa forma, que infelizmente tomou uma dimensão global, diferente da gripe aviária e da gripe suína, especula o site.
Nesses tempos pós-Coronavírus, devemos esperar agora a vacina salvadora do atual autoritarismo brasileiro. Está demorando mais do que o imunizante contra a Covid, mas está vindo. A lembrança da data infeliz é uma forma de lembrar as vítimas fatais, como o primo Eduardo Gomes e o amigo médico Ricardo Marinho. Todos eles acometidos dos efeitos da “Ditadura do Coronavírus”. É isso.
*Jornalista
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