O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta terça-feira (28) que o presidente da Argentina, Javier Milei, se intrometeu em assuntos internos do Brasil de maneira “grosseira” ao chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário”.
“É lamentável que o presidente de um país vizinho, amigo, que compõe até o Mercosul, preste um desserviço ao seu país. […] Não deve presidente se envolver em eleição de outro país. Ainda, além de haver uma intromissão em assuntos internos do Brasil, fazê-lo de maneira grosseira. Absolutamente grosseira”, disse Alckmin a jornalistas. As informações são da CNN.
O chefe do Executivo argentino também dirigiu críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao chamá-lo de “careca lixo” e acusar o governo brasileiro de “prender opositores”. As falas foram feitas durante convenção do PL para lançamento da candidatura do atual principal adversário político de Lula, Flávio Bolsonaro, no último sábado (25).
Leia maisO temor do governo federal é que as relações comerciais entre ambos os países por meio do Mercosul sejam danificadas após a repercussão dos ataques de Milei.
Como mostrou a CNN, fontes próximas do Palácio do Planalto afirmam que as falas de Milei geraram revolta no entorno de Lula, especialmente por terem acontecido em território nacional e durante um evento político.
Incômodo à parte, o governo calcula a resposta também a fim de não constranger outros setores da sociedade argentina, de acordo com diplomatas. O Itamaraty não solicitou um pedido de desculpas e não crê que a Casa Rosada irá fazê-lo.
Lula chegou a ter uma conversa rápida com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para tratar da crise diplomática. Questionado por jornalistas sobre Milei na última segunda-feira (27), Lula ironizou: “Quem é esse cara?”
O chanceler Mauro Vieira convocou os embaixadores que transitam entre os dois países desde o início da semana. Nos encontros, disse serem inaceitáveis e sem precedentes as falas do presidente argentino.
Diego Santilli, chefe de gabinete de Javier Milei, justificou as falas do presidente da Argentina e minimizou a crise entre os países. “Não exagerem”, disse o representante do governo Milei sobre a convocação dos embaixadores.
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