Múcio distensiona relação de Lula com Alcolumbre
Atual ministro da Defesa, o pernambucano José Múcio Monteiro entrou para a história como o mais duradouro e melhor ministro de Articulação Política da República no segundo mandato de Lula, de 2007 a 2009, substituindo Tarso Genro. Vocacionado engolidor de sapos, exerce o ofício da política para apagar incêndios com a conhecida paciência de Jó.
Desde a derrota do Governo no Senado, na semana passada, quando o presidente Lula não conseguiu emplacar o também pernambucano Jorge Messias no STF, Múcio age silenciosamente nos bastidores para distensionar a relação de Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Leia maisOntem, se reuniu com o próprio Alcolumbre (União-AP), em uma primeira tentativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reconstruir a relação com o comando da Casa após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira. O encontro ocorreu na residência oficial do Senado e foi tratado por interlocutores do Planalto e aliados de Alcolumbre como um movimento inicial de distensão após a derrota histórica sofrida pelo governo no plenário.
Messias, advogado-geral da União e um dos auxiliares mais próximos de Lula, teve seu nome rejeitado pelo Senado depois de meses de desgaste político. Múcio confirmou a conversa e afirmou que o momento ainda é de reduzir a temperatura política antes de qualquer nova discussão sobre a vaga no Supremo.
“Estive com Alcolumbre sim, ontem. Meu papel foi de averiguar a temperatura. O momento é de apaziguar. Não é hora de apresentar nova indicação, nada, é deixar decantar. Ele vai encontrar Lula, sim, mais para frente”, afirmou.
Segundo interlocutores do Senado, Múcio também conversou com Alcolumbre sobre a importância de uma retomada do diálogo direto com Lula após a viagem do presidente aos Estados Unidos. De acordo com relatos de aliados de Alcolumbre, o senador se mostrou disposto a conversar com o petista, embora aliados dos dois lados admitam reservadamente que o ambiente ainda está longe de pacificado.
Silenciou – Procurado por meio de sua assessoria, o presidente do Senado não comentou. A reunião foi interpretada no governo como uma primeira tentativa de retomar o diálogo após a crise aberta pela derrota de Messias. Governistas avaliam que, mais do que a perda de uma vaga no Supremo, o episódio expôs a fragilidade da base governista na Casa e consolidou o poder de influência de Alcolumbre sobre o andamento da pauta legislativa.

Guimarães entra no jogo também – O novo ministro das Relações Institucionais, deputado José Guimarães (PT-CE), também esteve com Alcolumbre. Segundo aliados, o intuito também foi o de superar as desavenças da semana passada e construir uma reaproximação com o comando do Congresso. Lula embarcou ontem para os Estados Unidos ainda entalado com o presidente do Senado, artífice da derrota do Governo. Está sendo aconselhado a retaliar Alcolumbre, retirando cargos de aliados, mas José Múcio acha que isso não é o caminho mais adequado.
Correria aos cartórios – Encerrou-se, ontem, o prazo para regularização dos títulos eleitorais e o cadastro para o primeiro título de eleitor. A partir de hoje, o cadastro eleitoral será fechado e não serão permitidas alterações nos dados dos eleitores. Ao longo do dia de ontem longas filas se formaram nos cartórios para regularizar a documentação, cadastrar biometria, transferir o domicílio eleitoral e atualizar dados cadastrais. Para resolver as pendências, o eleitor também teve acesso ao serviço eletrônico disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou procurou os postos de atendimento presenciais.
Violência em queda – De acordo com estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS), 942 pessoas foram assassinadas no primeiro semestre deste ano, o que representou uma importante queda. Trata-se do menor resultado da série histórica, iniciada em 2004, e da primeira vez que esse período de quatro meses é finalizado com menos de 1 mil vidas perdidas. No último mês de abril, 209 mortes foram somadas no Estado. Houve redução de 17,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando 254 assassinatos foram contabilizados pela polícia.

Reflexo dos investimentos – A queda mais expressiva ocorreu na capital (30 assassinatos em abril deste ano, sendo 17 a menos) e na Região Metropolitana (56 registros, contra 83 em abril de 2025). “Estamos alcançando os menores índices de criminalidade de toda a série histórica. Esse resultado é reflexo de investimentos robustos na ampliação do efetivo, em equipamentos e tecnologia, somados às ações ostensivas, repressivas e de inteligência das nossas operativas”, disse o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho.
CURTAS
DIANTEIRA – Pelos números da Quaest divulgada ontem, em Pernambuco o presidente Lula (PT) se mantém numa boa dianteira. Aparece com 53% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL)ficou pontuo 19%. Trata-se de uma média pro Lula em todos os estados nordestinos.
DELAÇÃO 1 – A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entregou, ontem, à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal uma proposta de delação premiada. O conteúdo agora será analisado pelos investigadores, que podem fechar um acordo com o executivo, pedir acréscimos ou rejeitar a colaboração.
DELAÇÃO 2 – A proposta consiste em uma sequência de capítulos do que Vorcaro pretende contar às autoridades em troca de benefícios, como a redução da pena ou mudança de regime prisional, em caso de condenação. Cada anexo se refere a um tema diferente em que os advogados apontam outros participantes dos supostos crimes e os meios para se confirmar os fatos narrados.
Perguntar não ofende: Até quando Raquel vai cozinhar seus aliados da Federação Progressista para escolha do nome ao Senado?
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