O enigma das urnas. Deboche, ou falha de mobilização? O que aconteceu em Minas?

Por Cláudio Soares*

Minas Gerais protagonizou uma das reviravoltas mais intrigantes da disputa presidencial de 2026. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia vencido no estado, com 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula. No segundo turno, em 25 de outubro, o resultado teria sido invertido: Lula alcançou 50,43%, enquanto Flávio ficou com 49,57%.

A diferença final teria sido de apenas 109.313 votos, aproximadamente 0,87 ponto percentual. O comparecimento informado foi de 13.044.203 eleitores, com abstenção de 20,33%.

O cientista político Rubens Figueiredo é o convidado do meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília, de amanhã. Dois dias após o segundo turno da eleição presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ele fará uma análise sobre a vitória de Lula e os desafios para o quarto mandato. Entre os assuntos previstos estão a configuração das forças políticas após a disputa, o comportamento do eleitorado, a polarização e as perspectivas para as relações entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Formado em Ciências Sociais e pós-graduado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Figueiredo é diretor do Centro de Pesquisa e Comunicação (Cepac), empresa especializada em pesquisas e consultoria política. Com experiência na análise de cenários eleitorais e da opinião pública, também atua como consultor da Fundação Espaço Democrático, ligada ao PSD, e integra o Conselho Superior de Estudos Avançados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Se há um grande perdedor nestas eleições são os institutos de pesquisas. Erraram feio, tanto no primeiro turno, quando davam Lula (PT) em primeiro lugar, quanto no segundo, apontando, em sua grande maioria, uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

Em geral, não captaram o efeito do vermelhão que tomou as ruas do País nem o massacre que Flávio sofreu de Lula no debate da Globo, dias antes. Aliás, o comportamento cafajeste de Flávio tratando Lula de nove dedos também tirou uma enxurrada de votos do candidato oposicionista.

Caruaru - Minha rua nova

O Instituto Media Inteligência em Pesquisa acertou o resultado do segundo turno para o Governo do Rio Grande do Norte. Divulgada na véspera da votação, no sábado (24), a pesquisa Media/O Potengi apontou Cadu de Lula (PT) com 50,7% dos votos válidos, contra 49,3% de Allyson Bezerra (União Brasil).

O resultado oficial da apuração confirmou a vitória de Cadu de Lula, com 50,77% dos votos válidos, enquanto Allyson Bezerra obteve 49,23%.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Por Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O cientista político The Gaule aflorou no recinto. Depois de votar no segundo turno ele veio confirmar sua tese histórica de que as bocas das urnas são muito sérias nesta Terra de Vera Cruz, a terra da verdadeira Cruz. Assim também os institutos de pesquisa tipo DataZeAraujo, onde quem manda é o freguês. Basta considerar a margem de erro de 50% para mais ou para menos, explicou The Gaule.  

Além da ciência política, The Gaule também exerce o ofício de futurólogo. Ele acredita que o futuro do Brazil S.A. está escrito no seu passado. – Maktub! 

Já estamos no terceiro turno das eleições presidenciais de 2050. Os candidatos do segundo turno foram trucidados entre si, na base de facadas, tiros e canibalismo. Um criptocomunista mastigou a orelha do adversário como prova da coragem cívica. O tema dominante da temporada, pra variar, é corrupção, crime organizado, crime avulso, dívida pública de trilhões, feminicídio, lei da ficha suja.

O candidato da High Esquerda defende a tese de que o Brazil S.A. deve manter uma reserva de mercado para a corrupção, em louvor das honoráveis tradições auriverdes da Colônia, Império e República.  Lema de campanha: se o Brazil S.A. revogar a corrução, não será mais Brazil.

A futura primeira-dama de Pindorama em 2050, uma senhora construtora de barracos, a bordo de um cartão corporativo, irá dar um esculacho no bisneto do fogueteiro Elon Musk: “Seu piá bisneto de Elon, você é um piá de coliforme, to fuck your anéis”.

Os saudosistas dirão no ano 2050: Bons tempos aqueles de 2026! Havia uma seita vermelha e o coração da seita era o umbigo de um velhinho com quase 200 anos de idade. Ele dizia em seus delírios que os traficantes eram vítimas dos maconheiros e chamava Jesus de Genésio. Virou uma múmia, coitado.

Neste ano de 2050 também haverá eleições gerais na República Caribenha Democrática de Cuba. O candidato do Partido Comunista Vintage propõe a restauração da ditadura comunista e o fuzilamento dos opositores reacionários no Paredón, a começar pelos descendentes da família de Marco Rubio. Propõe também que todos os maricones (gays) sejam expatriados para Miami ou condenados à prisão perpétua.

O candidato a presidente da ultradireita abolicionista de Cuba defende a liberação da internet, do rock n‘roll e dos investimentos privados. Os dois candidatos estão empatados tecnicamente, segundo as pesquisas.

Os marqueteiros cubanos são filhos do dilúvio. Ou foram importados de Marte, o planeta vermelho, como diria o cientista planetário Lavareda, o astro das pesquisas.

Dizem que a política é muito dinâmica. Verdade. A corrupção também é muito dinâmica. Desde o Mensalão e o Petrolão até hoje a corrupção evoluiu bastante. Está irreconhecível. Os corruptos inventaram até o crime perfeito, o crime que não é crime, segundo The Gaule.  Em compensação, o que não é crime passa a ser criminalizado, tipo o crime de opinião.

*Periodista, escritor e quase poeta

Olinda - Refis 2026

Virada histórica, feito inédito

A reeleição de Lula (PT), numa virada espetacular, quebrou paradigmas. Nunca um candidato derrotado no primeiro turno havia vencido uma disputa no segundo turno. A vitória tem suas explicações e lógicas. Se antes Lula havia subestimado o adversário, na retomada da campanha não apenas mudou a estratégia, mas foi para cima do adversário com um ímpeto nunca visto.

O povo nas ruas teve um peso fundamental, numa mobilização espontânea e natural, sem estruturas partidárias ou de máquinas públicas. Pelas redes, Lula adotou um tom mais informal, gravando vídeos em formato selfie e falando diretamente com o eleitor.

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